THE DELAGOA BAY REVIEW

29/09/2009

A Economia Moçambicana Segue …

Filed under: Economia de Moçambique — ABM @ 2:07 am

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ABM –

…mas ainda não soma, fruto de um ambiente internacional muito desfavorável. Ainda assim, os indicadores macroeconómicos são positivos, sendo que há claras pressões sobre a moeda nacional e no que concerne a inflação, segundo a declaração feita ontem por Johannes Mueller, chefe da missão do FMI que esteve duas semanas em Maputo a ver os números e em reuniões com os principais envolvidos.

Mais interessante foi o piscar de olhos à banca e ao governo. Mueller referiu que a sua missão (um acto formal nos termos da PSI e ESF) a) apoia um aumento no défice à medida que as despesas aumentam e as receitas fiscais estagnam, sendo que há apoio financeiro adicional e b) que na “almofada” adicional criada por estas acções e facilidades, o sistema financeiro verá criadas as condições para suportar simultaneamente uma (traduzo) “forte expansão na concessão de crédito ao sector privado” e, talvez mais importante para o sistema e quem tem crédito em moeda estrangeira, a substituição do crédito em moeda estrangeira por crédito em meticais.

Umas parte substancial do crédito empresarial em Moçambique é ainda denominado principalmente em dólares, em parte porque fazia sentido para exportadores e importadores, mas também porque historicamente as taxas de juro e os spreads em USD eram escandalosamente mais baixos do que em meticais. Mas – sabiamente – o Banco Central tem vindo paulatinamente a nivelar essa discrepância utilizando os mecanismos à sua disposição, sendo de longe o principal e quiçá o mais importante a estabilidade da política monetária ao longo do tempo. Mas ainda há empresas (e pessoas) a mais a ganhar em meticais e a dever em dólares, o que representa um risco de instabilidade sistémica. Numa altura como a que se vive agora, em que o câmbio metical-dólar degradou significativamente (8% desde janeiro) e a economia abrandou, as pessoas e empresas com dívidas em moeda estrangeira sofrem uma maior pressão financeira, apesar de as taxas de base do dólar estarem a níveis historicamente muito baixos (ao que os bancos locais reagem com spreads com níveis estratoesféricos, como aliás devia ser).

Se ao sinal dado pela equipa do FMI fôr dada sequência, haverá essa reconversão e consequente aumento na estabilidade do sistema. Agora como os bancos da praça e os clientes reagirão a esta intenção e como o Banco Central actuará é pouco claro. Possivelmente, para esta reconversão o Banco Central terá que aumentar muito significativamente os níveis da liquidez em meticais e/ou baixar as reservas obrigatórias e/ou alterar as taxas de tomada e cedência de liquidez, sem criar pressões inflaccionárias nem permitir uma degradação na qualidade do crédito (tudo isto mais fácil dito que feito, talvez programando essa reconversão) e quiçá emitir um aviso explicitando o que e como chegar a esse objectivo.

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