THE DELAGOA BAY REVIEW

02/12/2009

Desemprego Português a Dez ponto Dois por Cento

Filed under: Sociedade portuguesa — ABM @ 3:42 pm

desemprego t shirt

por ABM (Cascais, 3 de Dezembro de 2009)

Segundo anunciou esta semana o organismo Eurostat, a taxa de desemprego da economia portuguesa no mês de Outubro cifrou-se nos 10.2, a 5ª mais alta da Europa e a mais alta  de sempre neste país.

Curiosamente, ou não, estes dados não batem com os dados nacionais publicados através do IEFP, que são mais baixos.

E pela primeira vez na história de Portugal, se se contarem as crianças e jovens estudantes e os reformados, mais gente não trabalha em Portugal do que trabalha. Dos que trabalham, mais do que 2 milhões recebem cerca do chamado salário mínimo nacional. Dos reformados, cerca de 2 milhões recebem uma reforma pelo valor mínimo.

José Sócrates, o primeiro-ministro, diz que as suas políticas levam tempo a fazer efeito e que há que esperar.

Alguns analistas referem que a situação vai piorar.

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10 comentários »

  1. Esses analistas são uns tremendistas. Ou, como aqui se diz, uns “apóstolos da desgraça”. Na prática são anti-portugueses.
    SOCRATES FOREVER!!!!

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    Comentar por jpt — 02/12/2009 @ 3:55 pm

  2. O processo começou com Guterres, uma maravilha que a rosa nos presenteou e continua. E continua na segunda metade do mandato de Sócrates.

    Entre a espionagem politica e a alteração do orçamento que apareçe em Novembro, esta incompetência que nos tem corroído ao longo destes anos eu só posso dizer: a casa caiu, a Mãe morreu. Está tudo bem.

    No meio desta medíocridade toda, não só do governo, apareçem umas abertas de esclarecimento: Plano Inclinado, na SIC noticias, moderado por Mário Crespo.

    Portugal tem-se reduzido à dimensão insignificante da sua classe politica. E pode fazer muito melhor. Muito melhor

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    Comentar por Pedro Silveira — 02/12/2009 @ 8:32 pm

  3. E enganem-se quem pense que a crise acabou. Está muito longe do fim.

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    Comentar por Pedro Silveira — 02/12/2009 @ 8:33 pm

  4. Dizem que os maremotos são precedidos por uma tremenda quietude…

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    Comentar por umBhalane — 03/12/2009 @ 10:46 am

  5. Exactamente. Leiam o artigo de hoje de João Duque no diário económico. Muito interessante.

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    Comentar por Pedro Silveira — 03/12/2009 @ 1:08 pm

  6. O FMI juntou-se ontem às instituições que traçam um cenário extremamente exigente para as contas públicas portuguesas e negro para a economia. A instituição pede contenção e rigor em toda linha: aumentos da funções pública, das pensões e dos gastos com subsídios de desemprego e de saúde devem ser evitados ou moderados ao máximo.

    Mesmo assim, a instituição diz que Portugal poderá não conseguir reduzir o défice orçamental para 3% do PIB até 2013, como acordado com Bruxelas (ver páginas seguintes), e por isso, admite, que o governo possa ter de aumentar o IVA.

    A avaliação do Fundo, ao abrigo da consulta anual aos países-membros, é especialmente preocupante, pois trata-se de uma das instituições mais “ouvidas” pelos investidores.

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    Comentar por Pedro Silveira — 03/12/2009 @ 1:12 pm

  7. JPT

    Sem comentários. A não ser – “francamente, JPT”….

    Sr 1B

    Tipicamente antes de um maremoto a maré vaza súbita e silenciosamente.

    Depois cai o Carmo e a Trindade.

    Sr Pedro Silveira

    Vejo que fazemos os dois parte do CACE (Clube dos Analistas das Coisas da Economia). Grato pela dica e li o escrito do João Duque (http://economico.sapo.pt/noticias/agarremse_75886.html). Por acaso até achei-o tépido pois sinto que lamentavelmente uma boa parte da juventude portuguesa nem lhe ocorre trabalhar antes dos 30 e a actual situação até ajuda e justifica essa postura de ficar em casa de papá com tudo pago e mesada para os cigarros, computador e internet à borla – e absolutamente nada que fazer em troca disso.

    Aliás Com a típica família portuguesa de hoje com um ou dois filhos, daqui a 20 anos morremos e eles herdam as nossas casas e seus tesouros e também não têm que trabalhar para isso. Aliás já antes era assim nas classes de média-baixa para cima.

    Recordo que a Lei portuguesa diz que eles, os nossos filhos predilectos, têm forçosamente que ser os nossos herdeiros. Também diz que os pais têm que forçosamente sustentar os filhos com padrões semelhantes aos que a família está habituada a viver, até que eles -coitaditos – arranjem meios de se sustentar.

    Se isso acontecer aos 30 anos de idade, boa sorte.

    Gostava de lhe referir um exemplo deste proactivismo dos jovens daqui que aconteceu comigo. Há uns meses tive que pintar um muro com 52 metros de comprimento e 2 metros de altura em Alcoentre. Comprei tinta e pincéis e ofereci aos filhos de quatro amigos meus, na casa dos 17 aos 22 anos de idade, para o pintarem a 5 euros à hora. O resultado foi que nenhum deles aceitou porque tinha mais do que fazer, como em dois casos os pais vieram-me tentar justificar que os meninos não se podiam sujar e cansar nestes trabalhos. Escusado seria dizer-lhe que, entre os 17 e 22 anos, quando eu vivia nos EUA e estudava numa universidade que não era brincadeira, fiz, entre outros, os seguintes: lavava uma piscina todos os dias e tomava conta da sua limpeza e dos químicos, pintei várias casas, cortei relva em jardins, fiz de recepcionista, fiz pesquisa para professores na universidade, lavei e poli carros, traduzi documentos, fiz trabalho de transporte de carros de um lado para o outro, instalei telefones ao domicílio, fiz obras de carpintaria. Partilho completamente as preocupações ventiladas pelo Prof. Duque e quiçá as suas, mas há um lado de mim que suspeita que uma boa parte da juventude portuguesa vai-se instalar em casa dos papás, tirar um mestrado sem nunca ter feito nem saber fazer porra nenhuma nem por eles nem por ninguém, vão comprar roupa nova no Natal e talvez ir fazer ski na Sierra Nevada, beber uns copos (ou cada vez mais frequentemente, um charro e uma linha de coca) com os amigos e deixar a onda correr. As coisas só vão entortar neste cenário róseo de pós-decadência socratiana se o papá e ou a mamã perderem o empregozito previamente vitalício e se estiverem endividados até às pontas dos cabelos (uma crescente probabilidade) e mesmo aí o governo português do Pê Ésse inventa logo um programa especial de corridas para se fazer quase nada sob a ilusão de que está a fazer alguma coisa.

    A estes meninos e meninas no mínimo eu punha-os, entre outras coisas, no interior português durante seis meses ao salário mínimo a limpar as matas, a tomar conta de idosos e das suas casas, a dar explicações nos liceus, para ver se eles aprendem a respeitarem-se a si e aos outros.

    No fim, acabei por pintar eu o muro. Diverti-me e poupei dinheiro.

    Se lhe puder contar outra história.

    Em 1975 achei-me em Coimbra, vindo de Lourenço Marques. Mercê da rápida deterioração da situação em Moçambique, cedo havia em Coimbra um pequeno grupo de jovens de lá, aqui caídos quase ao acaso (exemplo: ninguém era de Coimbra – ninguém era de cá). Na altura foi um milagre termos comida para comer e uma roupa para vestir. Todos estudávamos e nadávamos num clubezito da cidade (o CAC). Mas não era fácil. Já naquela altura, ninguém, mas ninguém, da nossa idade trabalhava. Isso nem sequer existia. Mas um dia, creio que em fins de 77 ou início de 78, um colega (e amigo) meu, de Nampula, o Rui, arranjou um emprego a bombear gasolina numa então grande estação de gasolina da Galp que ficava na EN1 em Santa Clara, antes da ponte. Quando ele fez isso, ele contava-me que os meninos e as meninas Bétinhas de Coimbra aos fins de semana iam passear à estação da Galp para ver o Rui a trabalhar. O Rui hoje é engenheiro e zilionário e se calhar já nem se lembra bem disto.

    Eu não me esqueço.

    É por isso que eu infelizmente penso com frequência que este não é um país de acção.

    É um país de postura.

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    Comentar por ABM — 03/12/2009 @ 6:10 pm

  8. ABM,

    O problema é que até os não betos não querem trabalhar neste país e assim escangalharam as estatisticas!!!!

    Como diz o António Feio sobre uma peça que está a organizar, numa entrevista com a Judite de Sousa lhe pergunta como ele define os portugueses: Somos uns cromos

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    Comentar por Pedro Silveira — 03/12/2009 @ 10:21 pm

  9. Sr PS (salvo seja)

    …e nós somos…”cromólogos”?
    Não posso falar muito agora pois sou suposto ir ao cinema e se me demoro a Patroa ainda me faz alguma. Mas posso afirmar que tenho enormes ambivalências em relação aos portugueses. Fora de fronteiras tendem a ser gente sensacional. Aqui dentro parece que ficam estúpidos e regidos pela lei do menor esforço. E não se entendem. E são invejosos. E não se ajudam. É um bom país para não se fazer nada. E infelizmente cada vez mais assim. Se eu tivesse uma boa ideia fugia imediatamente para os EUA. É triste e penoso pois este é o país dos portugueses. Os portugueses não são como os antigos judeus que não tinham pátria. Mas comportam-se como tal.

    Enfim.

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    Comentar por ABM — 03/12/2009 @ 10:31 pm

  10. ABM,

    Tenho que ir ver a peça para poder ter uma ideia mais clara

    Excessos da interferência do estado na vida do País. Big brothers e coisas afim que explicam o que escreve.

    Disciplina, zero

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    Comentar por Pedro Silveira — 04/12/2009 @ 3:07 am


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