THE DELAGOA BAY REVIEW

17/12/2009

O Senhor Visconde da Palmeira

Filed under: António Botelho de Melo — ABM @ 1:19 am

Manuel Jacinto Lopes, 1844-1935 red(Manuel Jacinto Lopes, Visconde da Palmeira – o de Portugal)

por ABM (Cascais, 16 de Dezembro de 2009)

Como estamos a entrar na época natalícia e portanto supostamente a celebrar a família e valores familiares  (e oh tão apropriadamente, o PS de José Sócrates aproveitou precisamente esta semana para propor expandir generosamente o conceito legal de família, em Portugal, para passar a incluir os casais com o mesmo sexo), hoje este escrito é dedicado ao tema da família – da minha família.

Bem, de parte dela.

Tendo crescido no Sul da África Oriental Portuguesa, em plenos trópicos, de pé invariavelmente descalço e sujo e num agregado familiar que mais se assemelhava à família von Trapp do Música no Coração (vide abaixo) tirando a facilmente constatável diferença epidérmica com 99.99% da população e o dúbio estatuto de privilégio colonial, só muito tardiamente me apercebi que tinha origens “lá” longe no que se estipulou chamar, muito hiperbolicamente, a “Metrópole”.

Até lá, para mim, “família” significava, strictu sensu, os meus pais, os seis irmãos, o cão pastor alemão, a gata siamesa e o piriquito, que era azul, chamava-se Antoninho e que quando morreu teve honras de funeral de Estado no nosso quintal, com flores e campa.

No meu caso as raízes são solidamente açorianas. E da Ilha de São Miguel, de onde os meus pais se escapuliram em 1950 após o que os americanos chamam um shotgun wedding, celebrado por procuração no dia 18 de Janeiro de 1949, pai BM em Lisboa e mãe BM (grávida de seis meses) em Ponta Delgada.

Exactamente noventa dias mais tarde, nascia a minha irmã mais velha, a quem foi dado o nome da minha Tia, irmã do meu Pai, e da minha Tia-avó, Maria Margarida Silva Botelho de Melo (lá em casa as quatro irmãs são todas Maria Qualquer Coisa e todos os irmãos são Qualquer Coisa Manuel).

Isto dos nascimentos fora do casório hoje em dia é coisa vulgar de Lineu, mas na altura era uma verdadeira barraca, um escândalo familiar, social e reputacional do grau mais elevado.

Sendo que a única coisa que eu sabia sobre os Açores até aos doze anos de idade era a imagem idílizada, num enorme cartaz, da Lagoa das Sete Cidades em São Miguel, que os pais BM tinham colado na parte de trás de um armário de loiça na cozinha da casa em que habitávamos na Rua dos Aviadores (pardonnez moi, hoje é a Rua da Argélia em Maputo, ao pé do Núcleo de Arte).

E que o meu pai quando falava dizia os “ús” de uma maneira esquisita, com pronúncia que me parecia francesa.

E que o Gungunhana tinha morrido lá.

E que ficavam desolados algures no meio da imensidão do mar.

E que tinham as melhores lapas do mundo.

A única vez que tinha visto um familiar fora do “Compacto Familiar” BM fora em 1968, quando o pai do meu pai, Manuel Inácio de Melo (ou MIM, como assinava os seus poemas e escritos) foi a Moçambique de visita – a única vez que foi a África. As únicas duas coisas que me lembro dessa viagem eram que quase não percebia nada do que ele dizia e que, quando andávamos de carro pela cidade, ele só dizia, fascinado, que nunca tinha visto “tantes prâtos” na vida.

Pois é, Avô, TIA (This is Africa).

Mas em Agosto de 1972, com 12 anos e meio de idade, tive a oportunidade de visitar pela primeira vez o arquipélago e conhecer a família açoriana. Que consistia primariamente num vasto, complexo e disperso conjunto de tios, primos e primas em 1º, 2º e 3º grau e os pais do pai BM, nos mais variados graus de cultura, de riqueza – e de pobreza. A minha primeira impressão ao sair de uma Lourenço Marques de uma modernidade e sofisticação quase estonteante e aterrar em Ponta Delgada, foi que eu estava a regressar à era medieval.  A ilha era – e é – de uma beleza que quase dói de ver. Mas em termos humanos aquilo pareceu-me ser um verdadeiro atraso de vida.

Para eles, eu era o jovem familiar meio selvagem e rebelde que vinha de África, impressão que eu acentuava andando despudoradamente descalço pela cidade, vestindo apenas uns calções de kakhi e uma t-shirt. Dizer que este encontro – que durou duas semanas – foi um choque cultural para ambas as partes é claramente subestimar o que aconteceu.

0011-1-a1

Agosto de 1972, descalço no jardim da casa dos meus avós paternos em Ponta Delgada, Açores. ABM, Clotilde Lopes Botelho de Melo, a minha Avó, Miguel Salgado, um sobrinho, Clotilde Botelho de Melo, minha irmã, e Manuel Inácio de Melo, Avô. Posando para um fotógrafo de um jornal local, que nos veio entrevistar.

Mas adiante pois este blogue é um blogue e não um livro.

Quase todas as famílias, e presumo que os BM não sejam grande excepção, sublimam aquilo que apreciam ou que parece bem, e arrumam debaixo de uma pedra, atrás de um armário escondido na cave mais escura, aquilo de que não se fala.

O que se torna curioso, quando facilmente se constata que as árvores genealógicas são isso mesmo: árvores. Ou seja, todos nós que temos esta curiosa faculdade de estarmos vivos, fomos paridos por um pai e uma mãe, cada um deles teve pais, eles também e por aí adiante. Pelo meio há irmãos, primos, cunhados, sobrinhos, etc.

Mas tipicamente, tirando os nossos pais e qualquer coisa sobre os nossos avós, pouco ou nada sabemos sobre o resto dessa vasta árvore genealógica.

Excepto se há alguém, ou algo, com algo, alguma distinção, que sai do baralho inexorável do esquecimento e é preservado contra quase toda a lógica.

No caso dos BM que encontrei, essa figura é o senhor cuja imagem reproduzo no topo, o Senhor Manuel Jacinto Lopes. Visconde da Palmeira, Comendador, Fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e mais algumas coisas de que não me lembro.

Não confundir este com um outro ilustre Visconde da Palmeira, este brasileiro, criado pelo Imperador D. Pedro II.

Manuel Jacinto não devia ser um monárquico lá muito convicto, pois consta que, logo após o infame derrube da Monarquia lá no Continente, em 1910, ele prontamente aderiu ao Partido Republicano Português, o que me faz lembrar aqueles colonos todos em Maputo em 1974 que, fascistóides e displicentes até das raças brancas locais, de um dia para o outro magicamente se revelaram os mais ferventes e ferrenhos frelimistas e amantes do Homem Negro, nalguns casos até levantando o espanto e as maiores suspeitas dos libertadores e soldados tanzanianos recém-chegados à capital moçambicana com as suas bazookas e AK’s, após a entrega ao Governo de Transição.

Mas, lá como cá, esta cultura Palop não é uma cultura de convicções, não é? É uma cultura de conveniências. E é sempre mais conveniente pender para o que é, ou se pensa que é, o Poder. Porque do poder, pingam os favores.

De Manuel Jacinto Lopes não sabia muito para além do mito familiar. Era irmão da minha bisavó paterna, a venerável Senhora Dona Ludovina Amélia Lopes Botelho de Mendonça (em açoriano, “Luú-doú-viiiinâ”, sff pronunciar os “us” como os franceses fazem). Portanto era meu tio-bisavô. Mesmo quando em 1988, contra toda e qualquer probabilidade, eu recebi das mãos do pai BM (resultado da partilha dos bens dos avós paternos) um espesso envelope contendo todos os documentos originais dos seus hoje indecifráveis títulos, solenemente lacrados e assinados por Suas Majestades D. Luis e D. Carlos sobre papel-seda, manuscritos a tinta, capas de couro púrpura e com talha dourada, não liguei assim tanto ao assunto. Mostrava apenas o livro contendo o brasão dele mais como curiosidade que qualquer outra coisa. Anos antes, ainda comecei a recolher dados e a construir a árvore genealógica dos BM, mas quando aquilo já era do tamanho de um lençol de cama de casal, parei. Os papéis ficaram guardados no envelope, dentro de uma gaveta. E entretanto os ratos em Alcoentre roeram parte do lençol.

Isto até que a semana passada, após um jantar no restaurante chinês ao pé dos Bombeiros Voluntários do Estoril com um casal amigo, o George & Guida, passámos um longo serão de conversa em minha casa, e em que, para passar o tempo, entre outras coisas, abri o tal envelope com os “papéis” de Manuel Jacinto Lopes, juntamente com o galheteiro de prata que o Sr. Engenheiro me deu em 2003 e que nos divertiu bastante.

Como me tenho entretido nos últimos dias a fazer a genealogia de outra família, aproveitei há dois dias para ver o que se encontrava na internet sobre Manuel Jacinto Lopes. Na verdade, pouca coisa e o que tenho em casa revela dez vezes mais do que encontrei. Ele deve ter sido boa pessoa e teve uma vida perfeitamente normal para o que parece que ele foi.

Mas a pouca coisa que li deu que pensar. E na verdade nem foi ele que me fascinou.

Foi a sua mulher, Maria Carlota Moreira da Câmara. Que já fora casada antes e que, depois de enviuvar, voltou a casar, desta vez com Manuel Jacinto.

Senão veja-se.

O que corria nos bastidores familiares sobre o Manuel Jacinto, era que ele era de origem modesta (somos quase todos) e que era esperto e ganhou umas massas nos negócios, mas que ele realmente dera o salto para o dinheiro a sério quando ele casou com a Maria Carlota – que ninguém me sabia dizer quem era. Dizia-se que era a viúva rica do patrão. E mais nada.

Ora, dos dados para que apontei acima, os factos são quase incompreensíveis à luz dos dias que correm.

Peço ao exmo. leitor atenção às datas pois isto é crucial.

Maria Carlota nasceu em 1813 numa família com 14 irmãos, sete rapazes e sete raparigas. Em 1839 (portanto com 26 anos de idade) casou com um tal Arsénio José de Arruda Botelho de Gusmão – chamemos-lhe Arsénio. O Arsénio tinha três particularidades. As duas primeiras eram que ele tinha dinheiro a sério e que quando casou tinha 38 anos de idade, sendo portanto doze anos mais velho que ela – e nessa altura com 40 anos já se era velho.

A outra particularidade de Arsénio era que era irmão de uma Ana Felisberta Botelho de Gusmão, oito anos mais velha que ele.

E a mãe de Maria Carlota.

Portanto o rico Arsénio com 38 anos de idade casou com a sobrinha de 26 anos, algo que hoje dava um especial na televisão e a seguir acabava tudo na Polícia Judiciária.

No fundo uma boa maneira de manter o dinheiro na família e que foi adoptada por gerações de Rothschilds. A propósito, o “outro” Visconde da Palmeira, o brasileiro, que se chamava António Salgado da Silva, também casou com a sobrinha, Maria Bicudo.

Mas ainda não acabei.

Manuel Jacinto nasceu em 1844, ou seja, cinco anos depois de Maria Carlota ter casado com Arsénio, casamento este que durou uns relativamente longos trinta anos, sem filhos, até que Arsénio, que vivia com Maria Carlota num daqueles palacetes de arromba perto de Vila Franca do Campo chamado Solar da Madre de Deus, morreu em 1869, tinha ele 68 anos de idade e a Maria Carlota quase 56 anos de idade.

Apropriada e piamente, Maria Carlota fica viúva durante cerca de três anos e em Setembro de 1872, no mesmo Solar da Madre de Deus onde vivera com Arsénio, casa, já com 59 anos de idade, com Manuel Jacinto, que tem….28 anos de idade.

Os dois estiveram casados durante uns certamente abençoados onze anos até que, em 1883 Maria Carlota morre aos 69 anos de idade, deixando um certamente desolado mas incomparavelmente mais rico Manuel Jacinto, com apenas 39 anos de idade.

Jacinto, que não casou outra vez, viveu feliz e respeitado até 1935, quando morreu, com 91 anos de idade, num quarto do casarão que ofereceu como prenda de casamento à minha Avó Clotilde, deixando um muito apreciável património à sua irmã “Luú-doú-viiinâ” e suas duas filhas – uma delas a minha avó paterna, a Clotilde, que, ao que sei, foi uma santa e nunca teve que trabalhar um único dia na vida.

Antes disso, fez-se Visconde, Cavaleiro, Comendador, Juiz desembargador, patrono da célebre Banda Lealdade de Vila Franca do Campo (a quem doou a primeira sede) e mais meia dúzia de coisas. Supostamente ofereceu o seu palacete no centro de Vila Franca do Campo para ser usado como um lar da terceira idade, o que deixou a descendência ligeiramente mais desabonada mas suscitou a admiração eterna dos vila-franquenses, que, tal e qual como os moçambicanos fazem hoje, logo mudaram o nome da rua principal de Vila Franca do Campo para Rua Visconde da Palmeira. Nome que a artéria ainda tem mas que já ninguém sabe bem de quem é, excepto, talvez, eu.

No entretanto terá, num momento de paixão arrebatada, engravidado uma serviçal sua, que apressadamente despachou prenha para os EUA num vapor, no fim do século XIX. Pouco depois de chegar aos States, essa senhora teve um filho –  registado como filho de pai incógnito – cujo filho (portanto neto de Manuel Jacinto) conheceu e esteve com o pai BM nos EUA há cerca de 20 anos. Eu não o conheci pessoalmente mas dei-lhe cópias de alguns documentos e uma fotografia de Manuel Jacinto. Se não me engano ele era dono duma lojinha de artigos desportivos chamada GobShop na rua principal da pacata vila americana de Warren, RI, nos EUA. Isto tudo com base nas informações que a mãe passara ao filho e ao neto antes dela morrer – de que viera despachada de Vila Franca do Campo, nos Açores, que o pai era um senhor Visconde de lá, rico, chamado Manuel, com um bigode farto, de quem fora criada, que lhe pagara o bilhete de barco e dera dinheiro para emigrar (ajudou que nas fotografias que vi eles eram o focinho chapado do Manuel Jacinto).

Resumindo:

Grande Manuel Jacinto.

Grande Maria Carlota.

Grande família.

Hoje já não se faz gente assim.

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12 comentários »

  1. Grande crónica.

    Que se lê de fio a pavio, sem cansar, com deleite.

    Parabéns.

    Retratos assim, ajudam a compreender épocas, pessoas, mentalidades, culturas, trajectos…

    A viajar no tempo.

    Acho que conseguiu.

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    Comentar por umBhalane — 17/12/2009 @ 12:27 pm

  2. Sr 1B

    Grato e ainda bem que se divertiu. A realidade por vezes surpreende mais que a ficção…

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    Comentar por ABM — 17/12/2009 @ 3:34 pm

  3. caraças, tá demais! 🙂 _quer a “saga BM & avoengos” quer o relato que, parafraseando o 1B Lê-se de fio a pavio, sem cansar e com deleite!

    ..e isto lembrou-me (mas não sei se o investigarei ou sequer como!) que consta na minha família que uma tal ‘santinha’ para os lados de Torres Vedras (ou Aveiras? sei lá…), que parece ter tido o seu tempo de fama lá para o meio do século findo, era prima direita do meu pai.
    a ver se me absolve em nome do sacro sangue familiar!… 😉

    Parabéns, ABM! repito-o: excelente crónica!

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    Comentar por cg — 17/12/2009 @ 5:39 pm

  4. ora já sei o nome da parente: a Sãozinha de Alenquer!

    🙂

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    Comentar por cg — 17/12/2009 @ 7:58 pm

  5. 🙂

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    Comentar por candida — 17/12/2009 @ 11:08 pm

  6. … tenho uma dúvida já há dias, e descaradamente ponha-a a nu: quem herdou o título?

    será que na ma-schamba o único plebeu é o ‘senador’ jpt?

    🙂

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    Comentar por cg — 20/12/2009 @ 6:32 pm

  7. Caro CG

    Quero saber mais sobre a Sãozinha de Alenquer, não sei porquê mas suspeito novela daí.

    A resposta sobre quem “herdou” o título de Visconde da Palmeira é algo obtusa.

    Basicamente, ninguém.

    Na atribuição em 15 de Junho de 1893, é expressamente indicado que o Manuel Jacinto o recebeu “por uma vida”. Quer isso dizer que se extinguiu quando ele faleceu em 1935. Não estou dentro do esquema, mas parece que naquelas alturas podia-se dar estes títulos mais ou menos a prazo. Ou seja, suponho que és nobre mas não muito.

    Manuel Jacinto não teve filhos, o que em princípio também não ajudou na causa de ser “herdado”.

    Acrescente-se que, sendo a Monarquia extinta por decreto e revolução em 1910, todo este esquema ruiu, tendo permanecido, apenas, alguma validação social entre as famílias previamente brasonadas e tituladas, que vale o que vale.

    No meio disto tudo, e apesar da porca nojice toda que foi a I república, o movimento monárquico nunca recuperou dos seus repetidos reveses e hoje parece reduzido a umas centenas de adeptos, tudo boa gente e repositório de grandes tradições e memórias. Mas de pouco mais. Os portugueses já estão noutra há muito tempo. Os BM já são mais americanos que portugueses.

    Aparentemente, e com alguma contenção, há algumas instituições monárquicas, ligadas em redor da família que supostamente hoje retém o direito dinástico à “corôa” (o Conselho da Nobreza?) que, mediante um processo qualquer que desconheço, “validam” ou “confirmam” o direito de fulano, beltrano ou cicrano, de o utilizar na rua.

    Ajuda se a pessoa que quer fazer isto for monárquica e jurar fidelidade ao Sr. Duarte Pio de Bragança e descendência.

    Quando morreu, os herdeiros mais directos do Manuel Jacinto foram duas sobrinhas do lado Botelho (a minha avó paterna e uma irmã dela (Margarida) que foi viver e morreu nos EUA nos anos 80) e mais uns sobrinhos do lado dos Botelhos de Gusmão que não conheço.

    Do lado dos BM, não conheço monárquicos nem sei de qualquer esforço de ninguém de falar nisto. Do lado dos Botelhos de Gusmão não sei, não os conheço. Ouvi uma vez uns zum-zuns dum qualquer mas não passou disso.

    Da minha parte, considero isto apenas parte do folclore do passado familiar, tal como o conhecimento de que o pai do Manuel Jacinto fora moleiro em São Miguel (incrivelmente, as ruínas do moinho ainda estão na família e em princípio irão para uma irmã minha).

    Quanto à papelada propriamente dita, é minha. Já pensei em doar isto tudo à municipalidade de Vila Franca do Campo, que aliás já me disse que se o fizer que têm uma gavetinha porreira para meter lá as coisas e até agradecem.

    A ver vamos.

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    Comentar por ABM — 20/12/2009 @ 7:40 pm

  8. fui googlar. do site da CM de Gavião:

    “Para quem não sabe, entre as figuras ilustres da nossa terra, a Sãozinha ocupa um lugar especial no coração dos gavionenses. Maria da Conceição Fróis Gil Ferrão de Pimentel Teixeira, ou simplesmente Sãozinha, se fosse viva celebraria este ano oitenta anos. Quis o destino que deixasse a terra aos dezassete anos, morrendo em odor de santidade e, passados sessenta e três anos após a sua morte, com milhares de graças atribuídas à sua intercessão.
    Filha de Alfredo da Silva Pimentel, natural de Gavião, e de Maria Luísa Fróis da Silva Gil Ferrão de Pimentel, natural de Alenquer, Sãozinha nasceu a 1 de Fevereiro de 1923, em Coimbra. Embora a mãe de Sãozinha desejasse que o baptismo fosse o mais rápido possível, só a 12 de Abril se pode realizar a cerimónia, na igreja paroquial de Gavião, em atenção à sua avó paterna que vivia nesta vila.
    Por parte da mãe, a Sãozinha descendia, pelo lado da avó materna, de duas famílias fidalgas: a dos Pessoas a dos Amorins, que viriam a fixar-se em Alenquer. A ascendência paterna vinha da união de duas famílias nobres: os Pimentel e os Teixeira. Da nobre estirpe dos Pimentéis descendem D. Nuno Álvares Pereira, a Sereníssima Casa de Bragança e grande parte das Casas Reais europeias. Da família dos Teixeira, uma das mais antigas e ilustres de Espanha, deriva D. Tafez Serracin, rico-homem e senhor de Lanhoso, da casa militar do Conde D. Henrique e descendente de D. Favila, Rei das Astúrias. Um dos descendentes desta família, Serafim Maria Pimentel de Teixeira, natural de Alvaiázere viria a casar-se com Maria Capitolina Conceição e Silva Pimentel, natural de Gavião, que viriam a ser os avós paternos de Sãozinha, estando agora explicada a sua ligação à vila de Gavião.
    Precoce e inteligente, sempre preocupada com o próximo, Sãozinha teve uma infância igual à de tantas outras crianças, mas cedo aprendeu a viver os sofrimentos dos outros, dos pais e dos estranhos. Quando em Abril do ano de 1929, Sãozinha ingressou na escola em Abrigada, Alenquer, onde sempre viveu com os pais, já sabia soletrar e escrever o seu nome. Receando os pais pô-la em contacto com outras crianças, esta aluna exemplar, tão precoce no raciocínio respondeu-lhes que “gostaria de estudar junto às mais pobres, pois, como a respeitavam, não diriam nomes feios ao pé dela e, se os dissessem saberia ensinar-lhes que era pecado”. Uma vida curta cheia de virtudes cristãs que teria o seu término no dia 6 de Junho de 1940, depois de longa agonia, no hospital de S. Luís, em Lisboa. Está sepultada, em jazigo-capela, no cemitério de Alenquer.
    Logo a seguir à sua morte começaram a propagar-se os chamados perfumes da Sãozinha. Trata-se, ao que parece, da manifestação da presença da Sãozinha que, por meio de perfumes suavíssimos de flores quer indicar que trata junto de Deus de obter graças para os que a invocam. A obra de caridade em memória da Sãozinha, intitulada Instituto de Beneficência Maria da Conceição Ferrão Pimentel, conta actualmente com cinco casas: duas, em Abrigada, uma na casa onde viveu Sãozinha e, a outra, junto à igreja proquial; uma em Alenquer, a casa de Gavião, oferta dos sobrinhos do pai da Sãozinha, e a casa de S. Martinho do Porto, antiga casa de férias da família.”

    quer-me cá parecer que a santinha é mais da família do jpt que da minha…. pelo lado da mãe lá herda o ‘Gil’ covilhanense, mas não percebo a ligação. mas uma coisa noto: quer nesta foto quer noutra que anda na net, é a cara chapada da minha tia Amélia, irmã de meu pai, que emigrou para o Brasil no final dos 50’s, princípio dos 60’s. há por aí uma foto dela que o mostra. feições que, já agora, a minha filhota mais nova, a Carla “Webita”, também deve ter herdado que de mim, felizmente!, só tem a penca e a pancada na cachimónia, tadita!… 🙂

    calha que em tempos, mais por razões profissionais que por especial empatia, lidei muito com o toureiro-playboy da terra, o Fernando Salgueiro, pai do ‘pica’, o João Salgueiro, de Valada, e filho do dr. Fernando Salgueiro, esse sim cavaleiro de renome segundo diz quem viu e disso percebe. o Fernando… ok, é um castiço, e tanta “história” que teria a contar com ele e dele que o melhor é calar-me!… 🙂 mas, fazendo linha, pelo lado dos Andrades (mãe) é de família nobre, postura que assume, reclama, e lembra a quem se faça esquecido. enfim, prega secas que eu é que sei…
    numa dela, ou nalgumas que ele atingindo o grau certo da oratória não se cala até fermentar, explicou-me que havia duas categorias de títulos, os que eram transmissíveis ao herdeiro e aqueles exclusivamente pessoais, o tais “pela vida”, que se extingiam após o passamento do nóvel nobre, tal qual o peru pelo Natal, coitado que nunca vê se no Ano Novo a ração lhe é melhorada e fica-se por acompanhar as batatitas. claro que o “dele” é dos perpétuos – não me perguntes, sei lá eu qual! – e suspeito que espera pela restauração monárquica para, em traje de luces certamente, assenhorar-se dos paços do concelho receber os impostos e decretar ilegal o ‘balão’, aqui e nas redondezas 🙂 🙂 🙂

    um bom Natal plebeu, seja isso o que fôr mas sempre no sentido de cheio de boas emoções, republicanamente reais 😉

    c

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    Comentar por cg — 20/12/2009 @ 8:59 pm

  9. CG

    Eu sei que não vai acreditar, mas acho que sei da história da Sãozinha pois Abrigada, que fica no sopé da Serra de Montejunto, fica a 10 minutos (de Land Rover Série 3 1977 que anda a 50 à hora) de Alcoentre. E tenho a impressão que quando lá estive vi ou li sobre a história da Sãozinha. Prima direita, hem?

    Pois no universo BM, apesar de uma vaga tendência para as beatas e de ter aqui em casa o gigantesco crucifixo da capela do Sr. Visconde, e de eu ter tido toda a educação formal no catolicismo e mais tarde no judaísmo (esta uma “very long story”…) fiquei-me por um silencioso distanciamento. A minha mãe, por minha culpa, morreu uma católica “descrente”. O pai BM achava que aos domingos jogava-se futebol.

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    Comentar por ABM — 22/12/2009 @ 3:00 am

  10. Boas Festas Tony. Bjs Clo

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    Comentar por clo b melo — 25/12/2009 @ 5:48 pm

  11. Senhor António Botelho de Melo, estou a fazer um livro de investigação histórica sobre a freguesia de Algarvia, concelho de Nordeste, ilha de São Miguel, e gostava de falar consigo. Vivo em Leiria. Deixo o meu e-mail: adelio.amaro@gmail.com

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    Comentar por Adélio Amaro — 23/09/2012 @ 12:18 pm


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