THE DELAGOA BAY REVIEW

30/01/2010

J D Salinger e Catcher in The Rye

Filed under: J.D. Salinger — ABM @ 4:24 am



por ABM (Alcoentre, 30 de Janeiro de 2010)

Só quem conviveu algum tempo de perto com a cultura norte-americana é que melhor compreenderá o mistério e o lugar de Cathcer in the Rye, a obra publicada em 1951 pelo escritor J D Salinger, que morreu na quarta-feira passada com 91 anos de idade.

Sobre o próprio Salinger muito se escreveu, pois desde 1953 e até à sua morte esta semana viveu praticamente em reclusão. A sua última obra data de meados dos anos 60 do século passado.

Mas o culto e a atenção e o fascínio sempre se centraram em Catcher in the Rye, cuja popularidade surgiu desde que a obra foi publicada e até este dia.

Como parte do processo de tentar melhor entender a cultura americana, e para além de ler obras como Alexis de Tocqueville e Henry David Thoreau, naturalmente que li, no princípio dos anos 80, na cidade de Providence, a conhecida obra de Salinger, que então morava ali ao lado numa vila no lindo Estado de New Hampshire, que faz fronteira com a província canadiana do Québèc. A impressão com que fiquei foi que Salinger concebeu o que mais tarde se confirmou na cultura norte-americana, um arquetipo literário da alienação do teenager americano rebelde, imagem poucos anos imortalizada no cinema por James Dean. Sendo que foi nessa década que surgiu nos EUA a figura do teenager autónomo e “pensante” como fenómeno social. Até então, os adolescentes eram uma espécie de apêndice menor da estrutura familiar, sem grandes direitos nem voz. Imaginei então que, para os adolescentes daqueles anos, Catcher in the Rye fora uma revelação, uma bíblia, um guia.

Muito – tudo – mudou para os adolescentes desde então.

Mas o mistério de Catcher in the Rye e de J D permanecerão connosco, expressão literária de uma maturação na sociedade norte americana dos anos 50, quase totalmente incompreensível no resto do mundo de então e prenúncio do que estava para vir.

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9 comentários »

  1. JPT, AL, o TóMané faz anos e não dizem nada?

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    Comentar por Gungunhana — 30/01/2010 @ 5:04 pm

    • Não fazia a mínima ideia. Lá para a noite farei um post alusivo e comemorativo. Não é todos os dias que se cumprem quarenta anos!

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      Comentar por jpt — 30/01/2010 @ 5:19 pm

  2. Gostaria de deixar os parabéns.

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    Comentar por Rita — 30/01/2010 @ 7:02 pm

  3. Grato a todos mas assinalar 50 (cinquenta) anos numa alusão a Cathcer in the Rye é…quase insólito. Salinger certamente que não aprovaria 🙂

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    Comentar por ABM — 30/01/2010 @ 7:55 pm

  4. Não aprovaria pela idade, se calhar…mas pela personalidade e atitude, poderia pensar que fosse um Holden Caulfield mais adulto e mais literado.

    Eu tenho um irmão, Rodrigo, que faz exactamente 50 anos hoje e deve ser pela data gémea que tem algumas características de rebeldia, uma influência james Dean.

    Continuem assim, não percam essa maneira única de abordar os temas. mas uma vez parabéns.

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    Comentar por Rita — 30/01/2010 @ 8:19 pm

  5. Com que então tão mais-velho?

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    Comentar por jpt — 30/01/2010 @ 8:51 pm

  6. D Rita

    Tenho que conhecer essa ave rara com quem partilho tanto em comum.

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    Comentar por ABM — 31/01/2010 @ 2:14 am

  7. Sr. Abm,
    Quando quiser. A ave rara, que tb fez ontem os 50 anos prefere parar por essas terras Lusas, ao contrário da irmã (eu)que adoptei este seu país. .

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    Comentar por Rita — 31/01/2010 @ 1:10 pm

  8. No meu tempo havia dois tipos de adolescentes: os que gostavam dos heróis e os que gostavam dos anti-heróis! Holden Caulfield era, para estes últimos, como que um desejo escondido atrás de um espelho.

    Depois desse maravilhoso Catcher in the Rye, com os meus catorze anos, passei ao Kerouac, às escondidas dos meus pais, e a tantas outras coisas que fizeram da minha juventude uma aventura imensa! Quando olho para trás, não posso deixar de pensar que Salinger moldou muitas partes da minha personalidade.

    Apesar da sua reclusão depois dos anos 60, esteve sempre presente. A morte não tem força para levar almas deste calibre: foi-se a roupa, ficou o homem e a sua obra!

    Até sempre Holden!

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    Comentar por Leonel Auxiliar — 01/02/2010 @ 12:48 am


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