THE DELAGOA BAY REVIEW

30/01/2010

Sobre o Pai de Eusébio da Silva Ferreira

Filed under: Eusébio — ABM @ 2:25 am

http://www.youtube.com/v/GhqDT6RKcFE&hl=en_GB&fs=1&

por ABM (Alcoentre, 30 de Janeiro de 2010)

Ontem o Exmo Senhor João Imala escreveu-me uma nota por e-mail de Maputo, questionando a minha afirmação (baseada numa fonte que considero muito credível) de que o pai de Eusébio da Silva Ferreira era branco. Sugeriu que eu estava errado e que buscasse na Mafalala informações adicionais sobre o assunto, cuja relevância aproveitou para questionar.

Claro que a relevância destas coisas é sempre relativa – mas pelos vistos foi-o o suficientemente para o bom Sr. Imala me escrever uma notinha.

Naturalmente que, na face das coisas, essa pareceria ser uma improbabilidade, pois que Eusébio parece ser negro, não mulato, como se poderia derivar desta informação sobre o pai.

Devo esclarecer que não sou perito em raças mais do que o vulgar cidadão na rua e confesso que uma consulta à página da Wikipedia sobre o assunto de raças só me baralhou. Tecnicamente falando, parece ser um assunto muito mais complicado do que à primeira vista parece. Especialmente quando elas se misturam, situação em que as regras são um bocado….obtusas.

Eusébio foi o quarto filho de D. Elisa Anissabeni, essa uma figura conhecida em Maputo nos seus tempos áureos.

E, segundo os registos mais ou menos detalhados do seu percurso a partir dos 15 anos com o Sporting de Lourenço Marques (nem acredito que o Desportivo não o aceitou, erro que já não aconteceu com a incomparável Lurdes Mutola pela mão do saudoso Sr. José Craveirinha), é a sua mãe, D. Elisa, quem assume todo o protagonismo parental. Nunca o pai dele é mencionado.

Felizmente para o Senhor Imala, e para quem tenha dúvidas, sou o feliz proprietário de uma publicação chamada Eusébio – A minha História, da autoria de João Malheiro, publicada em 2005 pela QN-Edição e Conteúdos. Uma edição de luxo sobre a vida da estrela de futebol.

A qual, na página 14, refere breve mas especificamente o seu pai.

E refere que o seu nome era Laurindo António da Silva Ferreira.

E que era angolano de nascença (de Malange).

E cita o próprio Eusébio: “Angolano e branco”.

A minha fonte conheceu o pai dele e confirma.

Em 1950 Laurindo Ferreira morreu de tétano com 35 anos de idade (Eusébio tinha então 8 anos de idade) após trabalhar durante alguns anos nos Caminhos de Ferro de Moçambique, para onde fora transferido de Angola.

Fora também jogador de futebol e Eusébio ainda terá visto o seu pai jogar futebol.

Em cima, o celebérrimo jogo dos quartos de finais do Mundial de Futebol de 1966 entre Portugal e a Coreia do Norte, disputado no Goddison Park em Liverpool no dia 23 de Julho de 1966. Aos 25 minutos da primeira parte Portugal já está a perder por 3 a 0. Mário Coluna é o capitão e no intervalo (Portugal ainda a perder por 3 a 2) terá dito nos baneários duas ou três ao plantel português.

Portugal acaba o jogo derrotando os norte-coreanos por 5 a 3.

Eusébio marcou quatro dos 5 golos (José Augusto marcou o 5º golo).

Algures na multidão de 52 mil pessoas que viram o jogo no estádio naquele dia, estava um jovem pai BM, que desertou a família por umas semanas para ver o campeonato em Inglaterra.

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17 comentários »

  1. Que era filho de Pai angolano, sabia (por aqui – Luanda – fala-se nisso) mas de pai branco, foi a 1ª vez, sinceramente.

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    Comentar por Miguel A. — 30/01/2010 @ 5:28 pm

  2. Sr Miguel

    Até ao dia em que escrevi a primeira nota sobre o Eusébio, eu não sabia nem uma coisa nem outra.

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    Comentar por ABM — 30/01/2010 @ 5:41 pm

  3. Caro ABM: o Sr. está lá em cima…

    Li e reli a entrevista do Sr. Eusébio ao ‘Sol’, mas notei algumas incongruências:

    A entrevista começa na pág. 28, com uma foto fabulosa.

    Na pág. 14, a crónica habitual de Luís Filipe Borges, por coincidÊnc ia dedicada à cena de pancadaria entre Sá Pinto e Liedson…

    Mas nada faz referência ao pai branco de Eusébio. Fala de Malange, dos C.F. de Malange, etc, mas nada relativo à ascendência do pai.

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    Comentar por Miguel A. — 31/01/2010 @ 3:36 pm

  4. Sr Miguel A

    Não sei o que lhe diga.

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    Comentar por ABM — 31/01/2010 @ 5:55 pm

  5. Alguns fragmentos sobre Eusébio:

    Nunca ninguém fala deles (dos negros/mestiços portugueses)… só falam dos mediáticos luso-moçambicanos Eusébios e dos mais recentes casos como o do nigeriano-português Obikwelo ou de um futebolista ou basquetebolista negros. (Obikwelo sem sangue português)
    ao contrário de Eusébio de avô paterno português, branco, dos Silva Ferreiras).

    Contra o “racismo discreto”, por João Craveirinha
    17/06/2007 (1534 leituras)

    Parte de texto publicado no moçambicano, da Beira, Jornal Autarca, edição nº1308, de 01 Junho 2007

    -…e o pai do futebolista moçambicano EUSÉBIO da Silva Ferreira era angolano de MALANGE –, o sr Laurindo da Silva Ferreira…
    JC – joaocraveirinha@yahoo.com.br – de Moçambique
    Posted by: Fernando Gil | 28/11/2004 at 22:21 http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2004/11/joffre_justino_.html

    …foi o quarto filho de Elisa Anissabeni, que havia de ter relevante influência na sua vinda para o Sport Lisboa e Benfica.
    http://www.serbenfiquista.com/artigos/2798

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    Comentar por umBhalane — 31/01/2010 @ 11:18 pm

  6. Nasci e fui criado em Moçambique e devo dizer que, há muitos anos, eu conhecia esta história. O que realmente me surpreende é que, só agora, se fale nisso!
    Os motivos para essa oclusão são totalmente desconhecidos para mim.
    Mas, pergunto, será porque isso não tem qualquer importância?

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    Comentar por Leonel Auxiliar — 01/02/2010 @ 12:02 am

  7. Oooh! muito confuso isto tudo. E’ de facto a primeira vez que oico as afrirmacoes como as do Sr ABM, de que o pai de Eusebio era um branco, e que ele proprio o disse em entrevista. Eusebio nunca nos disse isso aqui em Mozambique, apenas de que seu pai era Angolano, isso sim. Tmab’em as muitas pessoas que fararam do pai confirmam que era angolano mas jamais de que era branco. alias sempre deram a entender de que os pais do pantera nao eram brancos …! concluo seriam negros! Acho engracado, o Sr ABM diz que em entrevista Eusebio assim o diz, alguem neste espaco vem dizer que leu tal entrevista a partir da tal pagina 14 e nao viu essas afirmacoes. Sera’ que o Sr ABM estava so a ‘brincar’? E’ bom esclarecer …, se sim, brincadeira tem limite!

    Acho mesmo que o Sr Joao Imala tem razao. E’ bom tentar saber as coisas de Maputo, com varias testemunhas e nao so com uma!…

    Manuel Fortes

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    Comentar por Manuel Fortes — 05/02/2010 @ 12:21 pm

  8. Exmo Sr Manuel Fortes,

    Benvindo ao Maschamba e agradeço a expressão do seu interesse neste tópico.

    Se e quando me conhecer, logo saberá que eu não brinco. Posso ter sentido de humor e relevar o ridículo de muito do que nos rodeia (e há tanto) mas com o que considero credível e portanto factual, não. Repare que as duas fontes que eu cito são 1) alguém (ainda) vivo e que me deu a informação em primeira mão e 2) o próprio Eusébio, que é citado a dizê-lo, na primeira pessoa, num livro editado em 2005 e do qual tomo a liberdade de lhe enviar cópia das referências e da página relevante – a página 14.

    Não entendo como pode ver “brincadeira” no texto que preparei. Isto não é assunto com que se possa brincar.

    Estivesse eu ainda em Maputo, nada me agradaria mais do que mergulhar novamente na Mafalala e Xipamanine e tentar encontrar quem se lembrasse do Sr. Silva Ferreira pai, que faleceu em 1950 (há sessenta anos). Daria um trabalho interessante.

    Se o assunto é de seu interesse, permita-me sugerir-lhe que faça como eu: investigue ou sugira que seja investigado.

    Recordo-lhe que o actual presidente norte-americano, Barack Hussein Obama, é considerado “negro” pelo seu povo, mas tem pai negro do Quénia, e mãe branca creio que do Hawaii.

    Mande sempre e os meus cumprimentos.

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    Comentar por ABM — 05/02/2010 @ 7:55 pm

  9. Sr ABM
    Obrigado pelo seu comenta’rio. Parece contudo que nao quer sequer pensar de que pode estar equivocado. Parece-me de que esta’ a dizer de que o ‘Pai’ de Eusebio era um homem branco, com fundamento numa entrevista e 1 outra testemunha!

    Fiquemos claros que nao se esta a discutir Eusebio nem outro seu ancestral, apenas o pai. Este, o Pai, que era Angolano, segundo muitos que o conheceram aqui em Maputo, nao era branco! se algum outro ancestral anterior tenha sido branco (como alguem o diz neste espaco, o avo paterno era ‘portugues branco’) desconheco, pode ser/ou nao, porem nao esta em discussao.

    Nao entendi sobre Obama, e que analogia quer estabelecer com o Pai de Eusebio, que esta em questao. Se o pai de Eusebio era como Obama, nao parece que possamos concluir de que era branco!

    Sobre a certeza relativamente a entrevista de Eusebio. Primeiro, continuo a dizer que Eusebio aqui em Mocambique so menciona que o Pai era Angolano. Por isso pode duvidar-se que o tenha feito ai em Portugal para um livro. Segundo, caso de facto o tenha feito, nao nos esquecamos que e uma ‘memoria’ de quando ele tinha apenas ate 8 anos. Como crianca pode facilmente confundir-se sobre materias raciais que sao complexas. Mesmo os especialistas tem dificuldades!

    Gostaria de poder investigar. Mas investigacao racial, nao me cativa muito, nao tenho competencia para passar certificados nessa materia. Alias assunto de ma memoria aqui para nos africanos e Mocambicanos.

    Saudacoes

    Manuel Fortes

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    Comentar por Manuel Fortes — 12/02/2010 @ 12:53 pm

  10. Eu não entrei nesta caixa de comentários porque acho perfeitamente desprovida de importância a questão da cor da pele do pai de Eusébio (tal como acima disse o comentador LA). Seria interessante, em vez de se discutir com apego a “raça” a que pertencia o senhor procurar reflectir sobre a realidade ou irrealidade desses conjuntos “raciais”. Lamento, mas tanto a curiosidade em saber qual a “raça” do sr. Silva Ferreira (pai) como acima de tudo a reacção do sr. Manuel Fortes leva a questão para o domínio do absurdo. Eu sei que é um absurdo constantemente referido, seja em Moçambique (e em Maputo, como MF convoca) como em tantos outros lugares.

    Friso, não dou qualquer importància ao facto. Mas dou aos discursos sobre o facto. Para si, MF, é preocupante afirmar-se “branco” o pai do grande jogador – para mim nem curiosidade é. Para si é assunto sério, que assume até contornos que lhe permitem invectivar, ainda que educadamente, o locutor. Recebeu resposta: Eusébio concedeu ao jornalista João Malheiro (que foi durante anos “director de comunicação” do SL Benfica, portanto próximo de Eusébio) um conjunto de entrevistas que proporcionaram um livro biográfico. Nelas, como está citado no livro [e cuja cópia em imagem sei que recebeu] Eusébio afirma que o pai era branco. Não há nada de insultuoso, nada de pernicioso, nada de instrumentalização em citá-lo. Só um arreigado preconceito ligado ao património rácico poderá entender isto como uma qualquer apropriação ou desonestidade ou, como diz, brincadeira.

    Diz ainda que Eusébio tinha 8 anos quando o pai morreu e que não se lembra da cor da pele dele (da “raça”). Ou seja, que Eusébio está a construir uma identidade racial ao pai, estranha aos factos reais. É possível. Não o estou a afirmar mas poderá ser possível – a “branquização” dos antecedentes não é caso único, nem tampouco raro. É estranho, num caso de sucesso identitário e pessoal como Eusébio da Silva Ferreira, mas é possível. Mas face a essa hipótese não poderá ser assacada responsabilidade a um bloguista que, admirador do jogador e do seu significado mundial, lhe cita as palavras. Isso é totalmente desproporcionado.

    Finalmente, e aqui o realmente conta: o senhor possui perspectiva analítica e crítica, a qual lhe permite invocar a possibilidade de “reconstrução” identitária (racial) por parte de Eusébio. Seria interessante que utilizasse a mesma capacidade para entender que essa tralhas das raças, das cores, sáo sempre exactamente isso – reconstruções identitárias, em que crianças dos 8 aos 88 anos invocam características umas e esquecem características outras para afirmar as diferenças que o senhor comentador aqui parece querer sublinhar. As quais nunca são as mesmas, como qualquer inocente pergunta a um grupo sobre “que raças, quais raças, como raças” encontra: a dificuldade de as estabelecer. Por inexistentes.

    “Estou a brincar”, eu que não escrevi o post? Eu nunca brinco quando deparo com os “racialistas”. Acredito, sempre, que podem aprender. E muito menos brinco quando deparo com racistas: esses nunca aprendem. São apenas o ovo da serpente – tenham eles a cor que tenham, a “raça” que tenham.

    Para culminar, eu vivo em Maputo, de quando em vez vou à Mafalala – ainda que o meu melhor amigo ali residente tenha morrido, o que me tem feito rarear as visitas. Com toda a certeza que da próxima vez que lá estiver não irei perguntar quem conhece a cor do pai do Eusébio. Porque é assunto que não me interessa para nada.

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    Comentar por jpt — 12/02/2010 @ 1:28 pm

  11. Notei o comentario do Sr JPT. Ele e’ livre de escrever o que deseja. nao deixarei entretanto de dizer algo.

    Estou com o Sr JPT que a raca de alguem e’ assunto irrelevante. O racismo ou racialismo e’ condenavel e indesejavel.

    Nao encontro razoes para a sua animosidade contra mim, a ponto de alvitrar a sua conclusao de que eu estaria arreigado de preconceito racial, …. enquadravel em analogias com ovos de serpentes, etc … Nao entrarei neste tipo de reaccao em resposta.

    Eu apenas entrei em troca de opinioes com o senhor ABM sobre uma afirmacao sua sobre o ‘facto’, de segundo ele a raca do Pai de Eusebio ser branca. Sobre essa proposicao do sr ABM, estabeleci que ha outros testemunhos que negam isso. Note-se que quem traz o assunto nao sou eu Manuel Fortes, simplesmente indiquei que a afirmacao do Sr ABM possa ser falsa, segundo outros.

    O pai de Eusebio podia ser de qualquer cor/raca, obviamente e nao constituiria qualquer insulto. Agora nao me parece que se alguem faz uma afirmacao sobre a materia e que parece nao se coadunar com a realidade, devemos concordar para nao sermos apodados de racistas. Nao consigo ententer a animosidade do Sr JPT apenas contra mim. Pois quem despoletou a questao da raca do pai de Eusebio e’ o Sr ABM, entretanto o Sr JPT so ve racismo arreigado em Manuel Fortes. Porque mesmo? um diz branco outro diz nao, … racista pore’m e’ so um deles? qual o criterio para a opcao? nao sera um criterio racialista do Sr JPT? Peco-lhe encarecidamente que nao se aprece em etiquetar outrem de racista, sera bom que se introspeccione!

    Nao achei o Sr ABM racista e mantivemos uma troca de impressoes sem animosidades!

    Jamais quiz insinuar que Eusebio esteja num processo voluntario de ‘reconstruir a identidade de seu pai. Estou de acordo que ele nem precisa disso. O que afirmei, em discucao de factos e’ que a memoria de Eusebio sobre seu pai e’ a de quando tinha apenas 8 anos, susceptivel de equivocos.

    Obviamente que nao solicitei e nem vou solicitar ao Sr JPT para inquirir sobre qualquer assunto, na Mafalala ou noutro lugar.

    Manuel Fortes

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    Comentar por Manuel Fortes — 12/02/2010 @ 3:28 pm

    • Sr. Manuel Fortes eu não tenho qualquer animosidade contra si – não o conheço, seria disparatado tê-la. Registo apenas isto: a um texto inicial V. intitulou de “brincadeira” (induzindo a ideia de “mau gosto”). A uma declaração testemunhal V. disse-a irrelevante, pois as suas o são. A uma resposta documental V. considerou-a irrelevante (“uma entrevista”, no sentido de a diminuir, quando se trata do livro biográfico que lhe foi dedicado por autor que lhe é próximo). No fundo do argumento que Eusébio perdeu o pai aos 8 anos e não se lembra dele (aos 8 anos? sem memória alguma? a ponto de lhe trocar a cor da pele? ninguém na família lhe falou dele? nenhum vizinho?) – sabe o que eu acho? Em nome da “pretitude” (ou da “branquitude” – no meu primeiro comentário disse bem o que achava desta questão, uma total inutilidade) evolui o seu argumento para pôr em causa o homem, o seu discernimento. Em nome de uma “verdade histórica”, porventura (seja lá isso que fòr, seja ela irrelevante ou não), o seu único argumento arreigado acaba por ser questionar o homem. “Posso eu escrever o que quiser” diz o senhor. Posso e V. também – a mim confesso que me irrita, pelo apreço que tenho pelo antigo jogador, e a propósito de uma questão espúria como estas, o senhor apenas para manter uma versão “rácica” ponha desta forma em causa o Eusébio. Que não é sagrado! Mas merece mais do que isto, com toda a certeza.

      Percebeu a razão da minha “animosidade” não contra si, mas contra os argumentos que aqui apresenta? Pois a esses conheço, estão aqui colocados. E a esses interpreto, porventura erroneamente, pois historicamente associáveis a um conjunto de perspectivas que muito me desagradam. Não são as suas? Óptimo. Ainda bem, saúdo tal facto.

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      Comentar por jpt — 12/02/2010 @ 4:22 pm

  12. Sr JPT. Se preocupado com Eusebio asseguro-lhe que de meu lado ele nao esta´ e nunca esteve em causa. Sou um grande admirador de Eusebio desde a minha infancia. Nao tive oportunidade de o ver jogar ao vivo, ouvi na epoca aurea os relatos hoje vejo pecas filmadas. Quando hoje aparece em entrevista paro para seguir. tambem nao esta em causa seu pai ou qualquer outro afim de Eusébio.

    O que esteve em discussao e’ apenas o “certificado racial” que hoje parece querer ser atribuído ao seu pai, e que nao fui eu que o tornou publico. Porém, estando ele ao “consumo” publico, nota-se por alguns que a materia “de facto nele expressa,( “ser branco”) parece, segundo certas testemunhas, nao ser verdadeira. Isso é que esta sendo questionado, apenas!

    Nao se deveria questionar por ser ´pretitude´(?!). Pois bem não sei porque. Os que dizem ter visto o pai de Eusébio não notaram a sua cor da pele/raca por se filiarem em alguma corrente “pretitude/branquitude”, o mesmo sendo de minha parte que contrapus a ABM apenas!

    Nao se podem questionar fontes para nao por em causa pessoas estimadas, em particular Eusebio (?!). Bem, que eu saiba é metodo tambem qualificar/avaliar a qualidade das fontes e testemunhos quando ha duvidas em relacao a juizos de realidade. Dentro do respeito devido como é obvio, alias o que o fiz relativamente a Eusébio. Na psicologia estao estabelecidas fases de crescimento dos indivíduos humanos, e não é abusivo ou desrespeitoso, notar que a infancia pode nao ter a precisao de julgamento de questões complexas, como a questão racial que é tambem uma “construçao social”, como foi mencionado. A psicologia tambem estabelece que os adultos normais e mesmo celebres, podem ter elementos de consciencia gerados por percepçoes equivocadas na infancia. Nao quer dizer com isso que essas pessoas nao tenham memoria ou tenham qualquer outro problema. Alias sao certamente muito raros os individuos adultos que nao “carregam” consigo “distorçoes” de algumas realidades por ma percepção na infancia!

    Manuel Fortes

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    Comentar por manuel fortes — 12/02/2010 @ 6:03 pm

  13. Tem toda a razão no que diz. Em meu entender uma das distorções, chamemos-lhe assim, é mesmo a psicose com a categorização racial – e não falo com boas intenções, falo mesmo da sua infundamentação intelectual e científica. Mas para além disso também concordo com o facto de que não há fontes inquestionáveis por mais respeitáveis que sejam. Tenho que repetir comentários anteriores: V. duvidou do texto e expressou a dúvida. Em meu entender à canelada. Em seu entender não. Eu fiquei calado, a canelada não foi comigo. Foi-lhe respondido com os factos que sustentavam o post. Para si não valiam de nada. A partir daqui acho que chegámos a um relativo consenso, o de que isto não interessa lá muito. O resto, para mim, fica para a família em causa – porque se não há fontes inquestionáveis, concordo, há assuntos que náo são questionáveis. Acho eu.
    cumprimentos

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    Comentar por jpt — 12/02/2010 @ 6:58 pm

  14. Tardiamente,

    Sr. Fortes

    Só há momentos li esta troca de impressões.

    Agradeço o seu interesse neste tópico.

    É normal, quando se olha para trás na vida de um grande homem e uma figura com a estatura e impacto como Eusébio, de procurar saber mais detalhes sobre essas origens. Pois é interesante do ponto de vista de entendimento da pessoa e das circunstâncias do surgimento dessa grandeza. Leio um número suficiente de biografias para apreender a importância desse contexto, que muitas vezes é seminal em termos do que vem depois. Isto aplica-se em geral, que se fale de Eusébio, de Samora, de Guebuza, de Mondlane, de Marcelino, ou de quem suscite o seu interesse humano e intelectual em termos do que foi o percurso da pessoa. De pessoas que tiveram impacto nas nossas vidas muito para além do normal.

    Se reparar, no caso de Eusébio, se ler o que está publicado, às vezes parece que a vida dele começou quando ele assinou pelo Benfica em 1960, ou vagamente quando ele foi jogar para o Sporting de LM. Concordo consigo (e já se vai fazendo tarde) que seria tão interessante saber mais sobre a década e meio antes dele, pelo seu enorme talento, ter chamado a si a atenção do mundo e gravado o seu nome em letras de ouro no mais popular desporto de todos os tempos. Um miúdo pobre que jogava com uma bola de trapos na Mafalala e que tinha um sonho. As origens do pai foram uma surpresa para mim, mas quanto não se sabe sobre esses anos que seria interessante e inspirador, e nos faria melhor entender essa grandeza de Eusébio? tanto há para fazer e seria bom que alguém olhasse para aí. Estou agora a ler um livro sobre o papel do futebol em Portugal durante a ditadura de Salazar e já estou a começar a entender coisas com que (eu, que não entendo muito sobre futebol) há três dias nem sonhava.

    Mas sobre isso escrevei dentro de dias e espero partilhar consigo a emoção dessas descobertas e que o Sr. Fortes me acompanhe nessa jornada. Parece que há muito mais na história de Eusébio do que é comum saber-se.

    JPT

    Grande esgrima, não o conseguiria exprimir melhor.

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    Comentar por ABM — 12/02/2010 @ 8:30 pm

  15. Um pouco estranhha esta situação que se cria à volta de Eusébio. Bom para mim nem como moçambicano assim como português pouco me importa porque de moçambicano não sinto nada da parte dele. Ele se identifica mais com Portugal do que com Moçambique por isso pouco me toca. Agora da sua origem acho seria bom evitarem a levantar conecturas se é ou não filho de preto angolano ou angolano branco que tudo indica que o autor que apenas vincar que Eusébio é tuga só isso. Mais nada.

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    Comentar por Miguel — 28/12/2012 @ 5:02 pm

    • Caro Miguel, mesmeriza-me tentar entender onde é que foste vislumbrar a ideia de que eu estava conjecturar. Na verdade, meramente comuniquei um facto. Quanto à sua relevância, deixo ao critério de cada um. Abraços. ABM

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      Comentar por ABM — 23/01/2013 @ 10:35 pm


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