THE DELAGOA BAY REVIEW

06/02/2010

O SEGREDO DE CONSTÂNCIA

Filed under: António Botelho de Melo, Portugal-África — ABM @ 5:02 am

por ABM (Alcoentre, Sábado, 6 de Fevereiro de 2010)

A confirmação chegou num banal e-mail de um primo nos Açores à uma hora e quarenta minutos da madrugada do passado dia 14 de Janeiro de 2010 e concluiu um processo que eu começara muitos anos antes: a confirmação absoluta de quem era Constância, a jovem e elegante senhora cuja imagem aparece no topo deste texto, e que foi tirada em Agosto de 1892.

Há cerca de 118 anos, portanto.

De entre as informações sobre a genealogia familiar que obtive há quase trinta e cinco anos dos meus avós açorianos (bem, aquilo foi mais “extrair” que “obter”) e que visitei algumas vezes quando ainda vivia em Moçambique, há já algum tempo atrás referi aos exmos leitores uns detalhes curiosos sobre um tal Manuel Jacinto Lopes, que é meu tio-bisavô. Como referi na altura, do que descobri, o que me surpreendeu foi a mulher dele.

Mas confesso que, das pesquisas familiares que efectuei, a seguir a descobrir que os meus avós maternos se haviam conhecido e casado nos Estados Unidos da América nos anos 20 do século passado, onde estiveram emigrados alguns anos antes de regressarem a São Miguel, a descoberta mais fascinante de todas foi no que concerne a enigmática Constância.

Por três razões.

A primeira, foi que a minha avó paterna me ofereceu a fotografia de (então) uma tal “tia” Constância – a que está lá em cima – juntamente com algumas outras velhas fotos de família.

A segunda, foi que a minha mãe chegou a conhecer a senhora quando era menina nos anos 30. Lembrava-se dela perfeitamente. De tudo, desde a cor dos olhos, o sotaque, o sentido de humor, a cultura, etc. E que nunca se casara. Nessa altura Constância já era velhinha e morreria poucos anos depois.

A terceira foi que, confirmado pela minha mãe, a minha avó e agora pela minha tia paterna, Constância era mulata e falava com sotaque brasileiro.

Ora, para quem supunha ter sólidas raízes açorianas até aos primeiros colonos (estes, colonos mesmo) das ilhas açorianas no século XVI, e antes destes até obscura fidalguia do reino de Leão e Castela no Século XI, antes de Portugal existir como nação independente, a notícia de haver a possibilidade de uma raiz africana negra na família BM foi uma surpresa – uma grande surpresa. Uma total surpresa. Pois à partida não ocorria. Nada o aparentava e não havia registos que tal indicassem.

A primeira vez que ouvi dizer que Constância era mulata foi por puro acaso. Veio da boca de uma velha prima da minha avó paterna, que por acaso estava de visita a sua casa num sábado em fins de Agosto de 1975. Tinha eu 15 anos de idade e estava de férias no delapidado casarão de verão dos meus avós em Vila Franca do Campo, que fica perto do porto situado em frente ao Ilhéu da Vila. Esse casarão fora dos meus bisavós paternos, pais da mãe do pai BM.

Nessa tarde, lembrei-me de mostrar-lhe as fotografias que a minha avó tinha acabado de me dar, inocentemente, para ver se ela, sendo kokuana e portanto desses tempos, conhecia as pessoas ali retratadas. Quando eventualmente lhe exibi a fotografia da Constância, ela imediatamente disse que a conhecera muito bem, sim, que fora uma senhora muito culta, muito prendada, muito simpática, muito engraçada. E, mais baixinho, inclinando-se levemente na minha direcção, disse, “e, sabes, ela era mulata”. Quando ela me faz esta revelação, fiquei literalmente de boca aberta. Não era possível. Como era possível?! Uma mulata nos Açores naquela altura?

Olhei novamente para a fotografia. Olhei de seguida para os olhos azuis claros e cristalinos que brilhavam na face fina, rosada e elegante da velha prima Ernestina, agora mais sorridente pois via nos meus olhos arregalados a surpresa e a curiosidade suscitada pela sua revelação.

Confesso que não sou assim grande perito em termos de analisar os traços finos no que concerne a classificação das raças. Já em Moçambique, tendia a distinguir quatro ou cinco raças e fazia muito poucas distinções a partir daí. E, neste caso, a senhora na fotografia não me parecia nada de especial. Parecia-me, naquela pose rígida e distante, ser branca. Quero dizer, a foto está um pouco para o escuro e velha.

Mas a prima da minha avó foi categórica; “olha bem para o cabelo dela. O cabelo era carapinha”. E inclinou-se, segredando-me no ouvido novamente, baixinho, como que para ninguém ouvir, apesar de não estar rigorosamente ninguém na enorme sala de música naquele terceiro andar do poeirento palacete dos meus bisavós: “como os pretos.” (ela dizia a palavra no sotaque de São Miguel: “prâtos”).

Dei um salto e fui ter com a minha avó na cozinha, que ficava situada um andar abaixo e mais uma corrida por um longo corredor para as traseiras da casa. “Ò avó, a prima Ernestina (ah estes nomes antigos) diz que a tia Constância era mulata!”. A minha avó, que era enorme e tinha o porte de um lutador de sumo, e que era muito ciosa do seu estatuto de senhora na então sociedade açoriana, virou-se lentamente e fitou-me, silenciosa durante uns segundos. E após uma pausa, disse-me apenas: “sim, é verdade. Mas – ò rapazinho – aqui não se fala disso”.

Mas…então…ahh…mas…se a Constância era “tia” (minha não era) e era mulata, então isso significava que temos “prâtos” na família?! Então, ela era tia de quem? A minha avó deu-me uma resposta meio esfarrapada e fiquei na mesma. Pois nos Açores “não se falava disso”.

Pelos vistos estas questões de raça nos Açores do século XIX e XX eram assunto que não se discutia – mesmo. Não sei bem como era possível, dado que raça não é coisa que se esconde debaixo da cama, mas foi ao que assisti.

A resposta em maior detalhe, levei trinta e três anos para confirmar. E aponta para a existência de uma raiz africana na genealogia dos BM.

Ei-la.

A história é verdadeiramente fascinante.

De seu nome completo Constância Sinclética Botelho de Mendonça, ela era irmã do meu bisavô paterno, Francisco Botelho de Mendonça (pai da mãe do meu pai BM – a minha avó Clotilde) – que portanto também era mulato.

Recuemos uma geração. O pai de Constância – um meu trisavô – foi um açoriano que emigrou para o Brasil nas primeiras décadas do século XIX. Terá feito bom dinheiro no negócio de peles em Pernambuco, assim reza a lenda familiar.

Em meados do século, ele casou-se com uma senhora mulata, filha de uma escrava africana e de um branco, cujas identidades se desconhecem, em Pernambuco. Ali tiveram duas filhas, uma tal Gonegundes (de quem perdi o rasto) e Constância Sinclética.

Poucos anos mais tarde, subitamente, o meu trisavô açoriano contraiu tifo, doença que na altura invariavelmente era fatal. Doente, resolveu regressar aos Açores com a sua jovem família. Vendeu tudo o que tinha e fez-se aos Açores de barco, levando com ele baús cheios de haveres, prata e dinheiro. Quando embarcaram, a mulher dele (a minha trisavó) já estava grávida de um terceiro filho – o meu bisavô.

Durante a viagem, o meu trisavô morreu de tifo. Pelo que a Ponta Delgada chegaram a minha trisavó brasileira, já viúva, com duas filhas, e ainda grávida. Já em terra, ela deu à luz um bebé rapaz – o meu bisavô, a quem deu o nome de Francisco Botelho de Mendonça. Quando se confirmou que era um rapaz, e de acordo com a lei naquele tempo, parte dos bens que vieram do Brasil foram constituídos em herança do bebé e os baús contendo esses bens foram selados até que o jovem atingisse os 21 anos.

Ainda hoje, dado pela mãe BM, eu tenho um pequeno paliteiro de prata, que fazia parte da herança de Francisco, que viera do Brasil nessa viagem de barco e que esperou selada nos baús até ele ter idade para dela tomar posse.

Sendo jovem, a mãe de Sinclética, uma viúva com alguns bens, casou-se uma segunda vez em São Miguel com um membro da família Félix Machado e teve mais quatro filhos. Assim, os descendentes da família Félix Machado partilham este património genético com os BM.

Quando Francisco, que, como Constância e Gonugundes, já era filho de uma mulata com um branco, portanto um mulato “diluído” (não sei se há nomes especiais para estas coisas) atingiu a maioridade, casou com uma senhora cuja nome era, depois de casarem – e lá vamos nós outra vez com os nomes – a encantadora e culta Ludovina Amélia Lopes Botelho de Mendonça. Os apelidos já vieram depois do casamento.

Constância era, portanto, cunhada de Ludovina (irmã do Sr. Visconde da Palmeira) e viveu nos Açores, solteira, até à sua morte. Com o seu humor e distinto sotaque brasileiro.

Francisco e Ludovina tiveram duas filhas, Margarida e Clotilde, esta última a mãe do pai BM.

O meu pai.

E que viveram toda a vida no enorme e poeirento palacete em Vila Franca do Campo onde eu, num dia de verão em Agosto de 1975, me sentei na sala de música com a prima Ernestina e lhe mostrei uma velha foto.

Que me revelaram o segredo de Constância.

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13 comentários »

  1. Fantastico ABM! Mas que pergaminhos interessantes. Desconfio porem que se fossemos vasculhar bem nas geneologias portuguesas, muito “sangue diluido” por ai haveria. Mas, tal como nos Acores, “nao falamos disso”, donde se prova que o racismo tem muitos tons e sabores. Que nome dariamos a esta forma de aceitacao, desde que “nao se fale disso”? Interessante. Senao falarmos, nao temos que tomar posicao; agora em reconhecendo, em admitindo… Sera que e’ uma atitude lusa? Um pouco como a homosexualidade, ou o sexo extra-matrimonial. Tudo bem, desde que “nao se fale disso”, claro! Muito boas as tuas cronicas familiares 🙂

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    Comentar por AL — 06/02/2010 @ 5:29 am

  2. Interessante estória familiar, ABM, daquelas q dão sumo para um romance de época. Vale a pena investir nisso. Acho q o termo para “mulato diluído” é “cabrito” (filho de mulata c/ branco ou vice-versa). Corrijam-me se estiver errada. Saudações!

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    Comentar por Isabel — 06/02/2010 @ 4:01 pm

  3. Que delícia! Obrigada pela história.

    Já agora, e por ser eu também filha de uma mulata com um branco, em Nampula, onde nasci, chamavam-me “cabrita”. Penso que seja esse o nome que se dá a esta mistura.

    Um abraço

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    Comentar por Graciete — 06/02/2010 @ 5:10 pm

  4. Muito bem contada com graça e o estilo que o ABM já nos habituou.

    Obrigada, gostei muito.

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    Comentar por Rita Oliveira — 06/02/2010 @ 5:58 pm

  5. AL

    Apenas contei como foi. Os heróis aqui foram (para além da Constância e a sua fotografia de 1892) o meu primo e a minha tia.

    D Isabel, D Graciete

    Ainda bem que gostaram desta “novela” e grato pela dica. Confesso que “cabrito”…mas que raio de descrição.

    D Rita

    Obrigado e ainda bem que gostou.

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    Comentar por ABM — 06/02/2010 @ 6:36 pm

  6. Adorei, mas descrito ficou muito melhor!
    Saber das nossas origens,é de facto um bom investimento.
    Não é vergonha nenhuma,a combinação de diferentes raças entre si, enobrece a raça Humana.
    Portanto, estás de parabéns, a tua ascendência é notável……

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    Comentar por jaime santos — 07/02/2010 @ 12:27 pm

  7. Jaime

    Lembra-te disto:

    Todos nós temos:

    2 pais
    4 avós
    8 bisavós
    16 trisavós
    32 ….vós
    64…. vós

    Portanto, tez da pele aparte, há aqui muita margem para a “notabilidade” e também para a infâmia…

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    Comentar por ABM — 10/02/2010 @ 3:20 am

  8. Olá mano
    Sempre soube q tinhamos uma tia múlata e de origem brasileira, é um facto e nunca foi escondido de ninguém, só nunca tinha esmiuçado a história toda, achei muito gira. Um abc

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    Comentar por margarida — 11/02/2010 @ 2:09 pm

  9. Uma delicia a história de família. Muita engraçada a forma de a contar. De facto, o nosso País foi feito de muitas misturas de peles e ainda bem. Começámos cedo a “globalização”….Em quase todas as famílias existem situações semelhantes, na minha também as há…de Portugal…ao Brasil…e depois para Angola…e Moçambique e de novamente em Portugal…e daqui já estão de volta ao Brasil…
    Agora para terminar…Conheci há uns anos atrás uma sua familiar de nome: Lélé Botelho de Melo é sua irmã?
    Não pare de escrever.Felicitações.Ana Paula
    G

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    Comentar por ana paula de almeida — 25/02/2010 @ 10:29 am

  10. I was attempting to do some research of the Azorean family of the Luso-American physician Thomé Emílio Pires Coelho (b. 31-8-1890 in Lisbon-d. 22-11-1958 in Fall River, Massachusetts, USA). His wife was Maria Margarida Lopes Botelho de Mendonça (b. 13-8-1899 Vila Franca do Campo; d. 12-3-1984 in Rumford, Rhode Island), daughter of Francisco Botelho de Mendonça and Ludovina Amélia Lopes. A tribute to Dr. Thomé Coelho was published in the “Correio dos Açores”. Your article on Constancia clarified many unanswered questions.

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    Comentar por John Miranda Raposo — 03/12/2010 @ 7:53 pm

  11. Hello John

    Your message just came through to my computer. Thank you.

    I have never met Dr. Tomé Coelho as he died years before I ever got to the US.

    But I got to know his wife, my (grand) aunt Guida quite well. And while I attended school at Brown University, I visited her a few times in Rumford, where she told ne delicious stories about our family, including confirming the story above. She was quite a woman, charming and witty and full of good spirits – and I miss her. We clearly connected and seemed to be of the same blood. Her english was perfect and so was her portuguese. We spoke both languages. She had two or three children and unfortunately I met them only briefly. In fact a grandson of hers went to Columbia University and I met him once or twice. But the cultural divide them was obviously significant, me a pennyless white african youth who had just landed in America, they already fully americanized and only vaguely interested in what went on before in the family (maybe I’m wrong). It happens in families sometimes and I regret it.

    If you in any way can get me in touch with them just to say hi or let me see the work done on her husband, please let me know how I can do it. I have a couple of great photos of her, before she went to America, and just before she passed away.

    I recall going out with her once in a while, including once a poetry reading at Brown by the renowned azorean intellectual Natália Correia, which aunt Guida suspected of being somewhat a subversive communist feminist. During the reading, Natália went off on a tangent with a poem where she screamed the word “puta” a couple of times, and my aunt almost jumped off her seat. But we laughed it off afterwards.

    We talked in detail about a striking and sad event in her life, the suicide of her (I think) oldest child, a boy who was fifteen years old at the time. This must have been in the 1940’s. I think she found him hanging by a rope in a room. By the time I met her (late 1970’s) a long time had passed, but when we talked about it it sounded like it had happened the night before. Naturally, it is one of those events you can never come to terms easily. It is the only suicide I know of in my whole family.

    She talked a little bit about her husband, it seems to me he was a good person and an outstanding citizen. A medical doctor. In fact I don’t know much more about him.

    She was quite different from her sister, my grandmother Clotilde, who lived all her live in the Island of São Miguel. Both were the nieces of Manuel Jacinto Lopes, Visconde da Palmeira, about whom I wrote a more or less detailed note which you can find somewhere here in this blog. Manuel J Lopes was the broter of Ludovina Amélia, my great-grandmother. They both grew up in a huge (huge) house in the centre of Vila Franca do Campo, which had a chapel, a music room and the biggest kitchen I saw in a private home in my life, among other amenities. I still vacated there in the 1970’s as a teenager (the house now belongs to the municipality).

    Anyway, I’m probably boring you with details. Thank you so much for writing.

    António Manuel Silva Botelho de Melo

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    Comentar por ABM — 03/12/2010 @ 8:54 pm

  12. Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 30/mar/2013.
    Prezado Antônio:
    Se quiser saber mesmo como foi a formação do Brasil, recomendo ler a trilogia escrita pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre, já morto.
    Logo, para começar, leia “Casa Grande e Senzala”, que retrata a formação do Brasil Colonial, séculos XVI a XVIII, quando era uma Colônia de Portugal. Depois vem “Sobrados e Mocambos”, que revela a formação durante o Império, século XIX, depois da nossa Independência, em 1822. Para finalizar, vem “Ordem e Progresso”, que foca sobre a formação do Brasil República, a partir da Proclamação, em 1899, no século XX.
    Posso adiantar que quem tem 50% de sangue africano puro é chamado de “mulato(a)”. Quem tem metade do anterior, 25% de sangue africano, é chamado de quartão (H) e quartona (M), ou ainda quadrarão (H) e quadrarona (M). Quem tem metade do anterior, 12,5%, é chamado de oitavão (H) e oitavona (M), ou ainda octorão (H) e octoruna (M). Quem tem a metade do anterior, 3,125% de sangue africano, é “branco”, pela diluição havida dos casamentos com pessoas consideradas “brancas” (embora verdadeiramente nem sempre o sejam, mas sim uma mistura de etnias muitos diversas).
    Mas, confesso que vale a pena ler toda a obra do Gilberto Freyre, para entender as nossas raízes indígenas e africanas. É uma obra única, sem qualquer outra semelhante no mundo.
    Espero ter colaborado para a solução do “Mistério de Constância”. Sem mistérios, porque já está tudo mais que revelado, profundamente…
    Sds. do amigo,
    Jorge.

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    Comentar por Jorge da Cunha Pereira Filho — 30/03/2013 @ 2:22 pm

    • Olá Jorge,

      Muito obrigado pela nota substancial. muito informativa. Li um pouco (muito) de Gilberto Freyre e estudei bastante sobre a fantástica história do Brasil ao longo da vida, incluindo uma cadeira de História do Brasil na Brown University com a Drª Marion Pinsdorf, quando lá estudei (a Brown possui o melhor departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros de qualquer universidade dos EUA e ainda uma das melhores bibliotecas do Mundo em certos itens da história colonial brasileira, a John Carter Brown Library em Providence, Rhode Island). Até recentemente, um ex-presidente recente do Brasil esteve lá um ou dois anos a dar aulas). Tenho uma noção das fortes ligações históricas, culturais e de sangue que ligam África ao Brasil e foi, como deve ter percebido, com alguma surpresa e confesso que com um certo gozo também, que descobri que tenho uma pitada de sangue africano no meu DNA, sendo que o sou por nascimento, vivência e convicção, ainda que haja quem não o considere por eu não ser preto ou o meu avô não ser africano, o que considero uma forma insidiosa de racismo, tão simpática como (e vejo isso com frequência em Portugal) muitos portugueses considerarem portugueses de raça negra, nascidos e criados em Portugal, muitos já na casa dos 30 e 40 anos de idade, “africanos”. Penso que no Brasil haverá muitos problemas, mas este não será um deles – espero. Um abraço grato, ABM

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      Comentar por ABM — 03/04/2013 @ 7:49 am


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