THE DELAGOA BAY REVIEW

15/02/2010

A POLANA E O HOTEL POLANA

Construções na praia da Polana há cem anos. Ao fundo a colina da Ponta Vermelha. Note-se que a actual marginal foi roubada às colinas e que naquela altura não era possível vir da baixa para a praia da Polana a não ser a pé pela praia ou, mais tarde, pela Estrada do Caracol e pelo eléctrico que descia uma rampa atrás do Clube Naval que hoje creio que está fechada.

por ABM (Cascais, 15 de Fevereiro de 2010)

Na noite em que o Senador JPT nos brindou com a periclitâncias do termo machimbombo, eu coloquei uma outra questão: e de onde veio o nome “Polana”?

Sendo que eu nasci, cresci e vivi na Polana (bem, no dia em que nasci meus pais estavam acampados no aquartelamento de Boane, onde o pai BM era um tenente miliciano. Mas a mãe BM tinha vindo à cidade ver o filme Casablanca com uma amiga e já não foi para o cinema, foi directa para o Hospital Miguel Bombarda onde nasci às 20 horas de 30 de Janeiro de 1960).

Primeiro, um ponto de ordem. Antes da independência, aquilo a que se chamava Polana era uma área geográfica muito específica da cidade, circunscrita (e escrevo isto de cabeça) a Norte pelo Hotel Polana e pela chamada Carreira de Tiro (ainda hoje há uma farmácia com esse nome, é para aí), a nascente pelas barreiras e a Rua Friedrich Engels (acho antigamente se chamava a Rua dos Duques de Connaught mas não tenho a certeza, é aquela onde fica o Miradouro), a Sul pela Ponta Vermelha (que era literalmente uma língua de terra, do Palácio até às barreiras) e a Poente pela Maxaquene, que era mais ou menos na rua onde fica a Pastelaria Princesa.

Hoje não percebo nada. Fala-se em Polana Cimento, em Polana Caniço, não entendo muito bem a razão para o realinhamento dos bairros mas também não interessa.

O importante é que o nome está lá há muitios anos.

Mas então, de onde vem?

“Polana” não é um termo ou um nome português. Nem é referenciado em parte nenhuma na história dos portugueses.

Uma consulta na internet indica que em polaco, “polana” é o nome dado a uma clareira numa floresta – sendo que “polanski” é o nome de alguém que vive nessa clareira. Em grego, supostamente, deriva de Apollina, nome feminino do nome de (por exemplo) o deus grego Apollo, significando “sol”.

Mas poderá ser um nome africano? mais precisamente, houve um régulo chamado Polana? Numa peça publicada pelo inolvidável João Craveirinha sobre Maputo (na qual conclui que a capital de Moçambique devia ser mudada para o centro do país), o sobrinho do Sr. José Craveirinha a certa altura escreveu o seguinte:

O mesmo Lobato fazia alusão às invasões vindas do norte, dos grandes Lagos, foz do rio Nilo Branco, de que nos falaria outro grande historiador de Moçambique, Caetano Montez quando referia que: “(…) a gente do Tembe foi invasora como também o foi a de Mpfumo (…) Maputo é um ramo da dinastia do Tembe: Matola é um ramo da dinastia de Mpfumo (…)” Caetano Montez, ainda na sua obra “Os Indígenas de Moçambique”, diz (…) A casa da Matola (Matsolo) provinha de In-lha-rúti (Mpfumo), o invasor das terras da margem norte da baía, vindo com a sua gente de Psatine (Suazilândia). Seus filhos Mpfumo, Polana, Massinga e nuá-Intiuane repartiram as terras como vassalos do pai. Nuá-Intiuane (deu Tivane) ficou com as que denominariam Matola.

Segundo estas indicações, é então plausível que os terrenos onde dantes se situava a “velha” Polana, poderão ter pertencido ao tal Polana, filho do tal invasor que que veio da Suazilândia não se sabe bem quando. Mas então, cadê do Sr. Polana? Haverá registos de transacções imobiliárias dessa altura?

Na sua dissertação para o grau de Doutora pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1979, Maria Clara Mendes a certa altura refere a compra, em 1914, pelo Estado, dos terrenos compreendidos entre “a Rua de Nevala, a praia da Polana e a Rua Bérrio, que compreendem actualmente a Polana e a Sommerschield”.

Num detalhado relato sobre a construção, concluída em 1922, do Hotel Polana, a que tive acesso, é de facto referida a aquisição dos terrenos onde o hotel hoje se situa ao Estado pela Delagoa Bay Lands Syndicate, a empresa que ganhou o contrato para a sua construção.

Só que, que eu saiba, o nome Polana não é nada comum nos grupos étnicos que entravam e saiam da região da Baía – nem me parece ser particularmente “suázi”. Mas apelo aos exmos leitores que saibam alguma coisa que ajudem a fechar este puzzle.

O HOTEL POLANA

Hotel Polana, imagem de um postal da época

Sobre este tema, não vou inventar a roda, pois, enterrado algures na Geocities há um excelente artigo de José Maria Mesquitela que, com profunda vénia, cujo texto transcrevo em baixo. De notar que este texto deve datar cerca dos anos 90, antes da concessão do Hotel Polana ter sido cedida à organização Aga Khan e o seu nome ter sido alterado para Polana Serena Hotel (e lamentávelmente, o edifício pela primeira vez ter sido pintado de creme em vez do habitual branco).

O texto:

“A construção de um grande e luxuoso hotel para servir o turismo rico foi ideia que nasceu cerca de 1917 em Lourenço Marques.Como todas as iniciativas audaciosas, teve defensores e detractores. Havia altos interesses em jogo.

Longa fora a jornada, primeiro que a ideia se concretizasse e ao fazer a história do empreendimento de forma alguma se pode esquecer o nome do coronel Alexandre Lopes Galvão que por ela se bateu. Ele próprio se referiria mais tarde, a esses tempos difíceis, em carta de 26 de dezembro de 1950, que escreveu a um amigo de Lourenço Marques :

…” Chego a Lourenço Marques em 1917, verifiquei que não havia ainda um hotel para receber ´pessoas de categoria, que nos visitavam. Passei a fazer parte do Conselho de turismo, onde pontificava o comandante Augusto Cardoso, dono do Cardoso Hotel.

De variadíssimas inssistências para que o Conselho tratasse de arranjar para Lourenço Marques um hotel decente, cheguei à conclusão que o assunto não interessava ao Conselho.

Apareceu-me nessa altura Adriano Maia, que me disse que os seus amigos do Transvaal estavam dispostos a fazer um grande hotel em Lourenço Marques, em determinadas condições. Ouvi-o, ouvi as condições, que me pareceram aceitáveis e levei o caso ao conhecimento do Massano de Amorim. Este achou bem e autorizou-me a negociar.

O Comandante Cardoso, ouvindo falar do caso, foi para o Conselho de Turismo, e diz: Ouvi dizer que há negociações para se fazer um hotel. E, olhando para mim, acrescentou: Alguém sabe dizer alguma coisa do que se passa? Resposta minha: Eu sei, mas não estou autorizado a dizê-lo. Mas como o Conselho despacha directamente com o Governador-Geral, é-lhe fácil saber o que há.

Na noite desse dia recebo no Hotel Cardoso uma carta do Comandante Cardoso dizendo cobras e Lagartos ! e cortando as relações comigo.

Mostrei a carta ao Mariano Machado e este pediu-me autorização para ir falar no assunto ao Comandante. E foi. Vem com a resposta de que jamais reataria relações comigo.

Levadas as negociações a bom termo, os capitalistas foram a Lourenço Marques e o Inspector Góis Pinto foi autorizado a lavrar o contrato.

O Comandante Cardoso perde a cabeça e faz um manifesto patriótico ap povo de Lourenço Marques, assinado por ele e pelo arrendatário Luís Boschian, Italiano.

O Massano, nessa altura, foi para o Norte da Colónia e ao chegar a Inhambane recebe um telegrama assinado pelo comandante Cardoso e creio que pelo Boscgian, protestando contra a construção do hotel. O Chefe de gabinete foi quem lhe deu conhecimento e o Massano de Amorim disse-lhe: “responda-lhe dizendo que vá ver da…”

Em resumo: se Lourenço Marques passou a ter um belo hotel, inaugurado em Março de 1922, a mim o deve.

Ficou a representar os capitalistas o velho Leão Cohen. Eu estava na África do Sul, nessa ocasião, onde tinha ido com Freire de andrade na Missão Diplomática que havia de negociar uma nova convenção. Pois ninguém se lembrou de me convidar para a inauguração, que se fez com um certo aparato. E nem ao menos o meu nome foi lembrado nos discursos laudatórios, então pronunciados.”

Alexandre Lopes Galvão

Em outubro de 1918, foi aberto um concurso pela Delagoa Bay Lands Syndicate , apresentado pelos Senhores A.W.Reid & Delbridge, arquitectos de Johannesburg e Cidade do Cabo, para a construção do Hotel Polana, ao qual concorreram sete firmas construtoras, das quais, apenas uma era Portuguesa, conforme abaixo:

– Hill Mictchelson, de Johannesburg, classificado em segundo lugar.

– Ferreira da Costa, de Lourenço Marques

– Philip Treeby, de Johannesburg

– Herbert Baker & amp; Fleming, de Johannesburg

– H.W.Spicer, de Johannesburg

– R.L.McCowat, de Johannesburg

Os planos foram postos em exposição no Conselho de Turismo, e aprovada pelo Governo a construção do novo Hotel na Polana pela Delagoa Bay Lands Syndicate, por ser a proposta mais barata apresentada. Ficou o compromisso que o Hotel seria construido em 19 meses. Os proprietários do hotel instalarão uma planta para fornecimento de luz elétrica e um frigorífico.Com isto, com mobília, ascensor para a Polana, e direitos, etc, o custo total do Hotel ficou estimado em 200 000 Libras.

O Governo garantiu ao Sindicato 6% anuais sobre o capital empregado durante dez anos, assim como garante algumas concessões.

Projecto de um arquitecto famoso

O projecto desse hotel em estilo “Palace” foi de autoria de um não menos famoso arquitecto inglês, Sir Herbert Baker, autor do projecto do majestoso edificio da “Union Buildings”, em Pretória. A sua construção foi dirigida pelo engenheiro Hugh Le May.

Inauguração

Iniciada a sua construção, devido à iniciativa do Coronel Lopes Galvão, que foi sem dúvida alguma a alma deste notável empreendimento turístico e que no governador-geral, general Massano de Amorim, encontrara sólido apoio, o Hotel Polana inaugurou-se no dia 1 de Julho de 1922.

Foi um acontecimento de grande relevo na vida da cidade. A assinalar a data, a Delagoa Bay Lands Syndicate, que se fez representar por Leão Cohen, ofereceu nesse dia um almoço solene.

Na mesa em U armada na elegante sala de jantar do Hotel Polana, sentaram-se 131 convidados. Na presidência, à cabeceira da mesa, Leão Cohen, dava a direita ao Alto Comissário, Dr. Brito Camacho, ao cônsul de Sua Majestade Britânica, Hall , e ao secretário-geral, Dr Mário Malheiros. À sua esquerda sentavam-se o inspector das Obras públicas, Eng. Monteiro de Macedo, o cônsul da França, G.Savoye, o chefe do Estado-Maior, coronel Santana Cabrita e o cônsul dos Estados Unidos, Hazeltine.

A construção acabou beirando o valor de 300.000 Libras, mas foi considerado na época uma das construções mais perfeitas e modernas e sem rival nos portos do Sul, havendo muito poucos hotéis na Europa semelhantes.

Ele tinha vida própria para a sua laboração: máquinas geradoras de electricidade e aquecimento, Frigorífico, Lavandaria eléctica, Fábrica de sodas, Telefones e água quente em todos os quartos, e para tudo ser completo, estava programado para questão de dias um serviço permanente de correios e telégrafos, permitindo assim aos seus visitantes expedir cartas, telegramas, radiogramas e até encomendas postais para todas as terras e navegação.

A inauguração do Hotel, também mexeu significativamente no movimento da cidade, pois um mês e meio depois da inauguração, os carros elétricos começaram a transitar até ao bairro da polana, com uma paragem obrigatória no Hotel.

Na área externa do hotel, tinha um lindo campo de golfe , quadras de ténis e jardim que o embelezavam.

Assumiu a gerência do hotel, o Sr. Kershaw, auxiliado por sua esposa.

O hotel deu ênfase ainda ao turismo na cidade de Lourenço Marques, que assim passava a contar com um ponto de super luxo, e delegações de vários paises, tais como a própria África do sul e países vizinhos, ou de Italianos e até Brasileiros que começaram a ser trabalhadas as excursões a Moçambique.

O Hotel muda de mãos

Em junho de 1936 o hotel mudou de mãos pela primeira vez. Tendo a Delagoa Bay Lands Syndicate posto o imóvel à venda, a oportunidade foi aproveitada pelo milionário I.W.Schlesinger, que o adquiriu pela importância de 400.000 Libras. Pouco depois a empresa foi registada sob a designação de “Polana Hotel, Lda”, sociedade com o capital de um milhão de libras.

Tempos passados, a African Consolidated Investments Corporation, uma das muitas organizações de Schlesinger, passou a ser a maior accionista da empresa exploradora do hotel, que pouco depois passou para a African Caterers, também importante organização do grupo de companhias Schlesinger.

No periodo que precedeu a II Guerra Mundial conheceu anos de prosperidade, projectanto-se internacionalmente nos mapas turísticos como um dos mais importantes de toda a Àfrica, depois de Cairo e do Carlton, de Johannesburg.

Nos seus salões se realizou o banquete de gala que as Forças Vivas de Moçambique ofereceram em honra do presidente da República Portuguesa, Marechal António Óscar de Fragoso Carmona, o primeiro Chefe de Estado que visitou oficialmente Moçambique, em 1939.

Durante a II Guerra

Quando a 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia pelo exercito alemão, rebentou a II Grande Guerra, ao Hotel Polana, pela sua privilegiada situação de hotel de luxo e ponto de reunião da nata da sociedade lourenço-marquina, coube desempenhar, pela força das circunstâncias, outro curioso papel: o de centro elegante de espionagem e de intriga Internacional.

Durante a II Guerra, o Hotel Polana gozou de reputação internacional porque, tendo Portugal proclamado a neutralidade, os agentes secretos tanto dos Aliados como das potências do Eixo (Alemanha e Itália) Puderam ali dedicar-se com certo à-vontade a práticas de espionagem e de contra-espionagem. Os espiões dos dois lados, passaram naturalmente a servir-se desse luxuoso hotel de uma cidade portuária para campo de sua acção.

Assim, agentes secretos Sul-Africanos, Ingleses, Americanos, alemães e Italianos, cumprimentavam-se cerimoniosamente quando se cruzavam nos seus longos corredores, nos seus salões ou no “Bar”.

Um dos agentes mais notáveis que por ali passou foi o tenente-coronel J. Stevenson-Hamilton, então fiscal de caça do Kruger Park. Em suas memórias, descreve a missão mais agradável, quando teve que se infiltrar em Lourenço Marques, instalado no Hotel Polana, quando descobriu que, em principio de Junho de 1940, quando correu um boato que os Alemães haviam invadido e tomado Lourenço Marques e se preparavam para invadir a África do Sul via Komatipoort, que se tratava de um boato propositadamente implantado por agentes alemães que operavam em Lourenço Marques, numa rede de espionagem bastante eficiente. possuiam emissoras clandestinas que mantinham os submarinos nazis que operavam no Canal de Moçambique bem informados dos movimentos dos navios aliados no porto de Lourenço Marques.

O chefe dos espiões era um importante membro da Gestapo. O “Quartel-General “era o Hotel Polana.

O Hotel na mão dos Portugueses

Em 1963, John Schlesinger, filho e herdeiro do milionário que havia adquirido em 1936 o famoso estabelecimento hoteleiro, vendeu-o a uma empresa onde os capitais Portugueses eram solidamente presentes, entre eles um dos dos acionistas era o Eng. Manuel Arouzo, que foi o braço forte do Hotel durante anos, até que um problema com o seu procurador o fez sair da sociedade.

Nesta fase foi ampliado e construída a sua piscina tão tradicional e ainda um novo anexo, o Polana-Mar, que assim atendia à demanda que cada vez mais se avolumava

O Hotel manteve o seu glamour, sempre foi frequentado pela nata da Sociedade Lourenço-Marquina, assim como por todos os turistas de peso que visitavam constantemente Lourenço Marques.

O Hotel Polana confundia sua Imagem com a da Capital de Moçambique.

O Hotel e a Independência

Com a Independência de Moçambique, após 1975, o Hotel entrou em declínio,por falta de clientes e pela degradação pela óbvia falta de pessoal e respectiva manutenção, permanecendo durante 20 anos praticamente abandonado.

Em 1994, um grupo Sul-Africano adquire o Hotel, remontando às suas origens de fundação, e com as melhoras que já sinalizava Moçambique, deu continuidade ao seu estatuto de um dos melhores hotéis de cinco estrelas do continente africano. Desde o hall, revestido a mármore, aos jardins generosos em estrelícias e coqueiros, nada é deixado ao acaso neste escaninho luxuoso, que se prepara para nova reestruturação. Curiosamente, não é apenas procurado por viajantes exigentes, mas também pelos próprios maputenses, devido à cozinha requintada e à pastelaria – o chá com scones e o cozido ao domingo são dois clássicos –, à piscina – a mais cobiçada de Maputo – e até ao ginásio. É ainda um dos lugares da cidade que são frequentados para ver e ser visto.

A IPE -Investimentos e Participações Empresariais está, em parceria com o Grupo Pestana, a negociar a compra do Hotel Polana. O grupo que detém a maioria do capital do prestigiado Hotel Moçambicano encontra-se com sérias dificuldades financeiras e pretende vender a sua participação. Caso o negócio se concretize, o Grupo Hoteleiro Português, que tem já vários empreendimentos turísticos em Moçambique, será responsável pela gestão e o controlo do Hotel Polana.

A holding do Estado português tem cerca de 1,6 milhões de contos investidos em Moçambique, nomeadamente nos sectores agro-industrial, ambiente, financeiro e em infra-estruturas industriais. Caso a co-aquisição do Polana venha a concretizar-se, o investimento do IPE deverá subir para cerca de 2,4 milhões de contos.”

E aqui está mais uma “maschambada”.

14 comentários »

  1. Esta machamba, no Mashamba, tem tudo – mandioca, milho, batata-doce, cana (de açucar), nhemba (feijão), mexoeira, aquela mapira do ABM, papaia, manga,…

    Uma boa machamba, mesmo.

    Comentar por umBhalane — 15/02/2010 @ 10:19 am

  2. Interessantíssimo, caro ABM. Eu que também nasci no Hospital Miguel Bombarda (uns anos antes…), passava todos os Sábados pela Polana para um fim de semana no Palmar – deserto, com uma estretíssima estrada e umas urzes que separavam uma ou outra casita do areal. Morava lá o meu padrinho, Karel Pott, advogado com escritório em plena Baixa, num belíssimo e para a época grande prédio com o seu apelido, de estilo colonial, que já não existe. Bem gostava de ter uma foto desse edifício.

    Comentar por Joana Lopes — 15/02/2010 @ 10:36 am

  3. Preparada para o choque?

    Prédio Karel Pott

    in http://oficinadesociologia.blogspot.com/2009/01/prdio-karel-pott.html

    Prédio Pott – A agonia de um símbolo

    http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2009/03/pr%C3%A9dio-pott—a-agonia-de-um-s%C3%ADmbolo.html

    Comentar por umBhalane — 15/02/2010 @ 2:30 pm

  4. MUITÍSSIMO obrigada. Não sabia nada disto. estive em Maputo em 2002 e, pura e simplesmente, não reconheci ás ruínas (saí de lá com 10 anos e não tinha voltado).

    Talvez ponha ainda hoje alguma coisa no meu blogue sobre isto e/ou sobre a Polana. Se assim for, volto aqui para pôr o link.

    Comentar por Joana Lopes — 15/02/2010 @ 3:31 pm

  5. A propósito de Karel Pott:
    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2010/02/o-meu-padrinho-mulato.html

    Quanto à Polana, lá chegarei.

    Comentar por Joana Lopes — 15/02/2010 @ 5:46 pm

  6. Então aqui fica, mas é apenas uma «graça»…
    http://entreasbrumasdamemoria.blogspot.com/2010/02/desde-rampa-ao-palmar.html

    Comentar por Joana Lopes — 16/02/2010 @ 12:41 pm

  7. Li este texto, gostei pois como Moçambicano e principalmente “Coca-cola” e “Laurentino”, pesquiso tudo o que se relacione com a minha terra. Fui encontrar em http://www.ui.jor.br/polemica.htm, uma alusão a POLANA, que passo a citar : “Etimologicamente, a raiz da palavra é “pole”, que em idioma “Polaco” significa campo, campina, planície, terreno nivelado e não arborizado, suscetível de ser aproveitado economicamente (agricultura, pecuária, caça, etc). “Polana” é clareira na floresta, portanto, um pequeno campo raso. “Polano” é acha (de lenha) destinada ao fogo, colhida nas clareiras”.
    Ajudei em alguma coisa??

    Comentar por Joaquim Rodrigues — 16/02/2010 @ 5:35 pm

  8. Sra D Joana Lopes

    Continue assim e criamos o estauto de “Maschambiana Livre Associada” com link directo para as “brumas”.

    Mas primeiro – o GRANDE KAREL POTT. Venha ele!

    Sr Joaquim Rodrigues

    Benvindo – e claro que ajuda. Esta história do nome Polana tem sido um daqueles pequenos mistérios do passado.

    Por exemplo ontem finalmente descobri o mistério do nome Sommershield que fica para outra altura.

    Comentar por ABM — 16/02/2010 @ 6:17 pm

  9. Obrigada, ABM. O Karel Pott virá mais um pouco, mas já percebi que exigiria muito mais do que uns simples posts…

    Comentar por Joana Lopes — 16/02/2010 @ 6:25 pm

  10. Polana, creio, era uma Quinta de um Alemao que ali vivia, alias, a casa principal era onde estavam as antigas estufas de Maputo/Lourenco mrques, onde hoje esta, senao me engano, o condominio da Sommerschield. Ate a bem pouco tempo atras encontrava-se la uma casinha, com os mesmos tracos do Polana (arquitetonicos) e que servia de abrigo ao furo e bomba que fornecia agua ao Hotel Polana. Herr Sommerschield veio depois e comprou parte da Quinta tendo entao separado a parte debaixo com a parte alta, sempre autorizando que o Hotel Polana pudesse utilizar a agua a partir daquele furo.

    Comentar por Rui Monteiro — 19/02/2010 @ 7:24 am

  11. Rui

    Um grande abraço e muito obrigado. Eu estou a acabar uma peça curta sobre o “Herr” Sommerschied… que espero que gostes de ler.

    PS – refiz a minha colecção de postais do Hotel Polana…estão todos na Europa!

    Comentar por ABM — 19/02/2010 @ 7:32 am

  12. POLANA – PUILANA / Breve etno-história da África Austral: A etno-etimologia do nome Polana remete-nos para o termo mais correto em idioma xiRonga para Puilana. O atual local do Hotel Polana (anterior ao Hotel) em meados a finais do século XIX era um local tradicional de feiras populares. Era lá onde eram vendidos tecidos, entre outros artigos, por comerciantes indianos. As mulheres rongas em particular gostavam muito dos estampados de “Java print” que eram feitos na Indonésia por fábricas têxteis holandesas coloniais. O nome de caPuilana surge assim naturalmente. O prefixo ronga “ca” ou “ka” serve para dizer “de” tal local…Surge assim a CAPULANA. Tecido vendido nas terras do (ca) Puilana. (O u de pu é mais ou menos aspirado).

    O chefe Puilana (i)Mpfumo era do clã dos (i)Mpfumos e chefiava do atual local do Hotel pela Sommerschield até cerca da Pastelaria Cristal passando pela Ponta Vermelha onde viveu o médico norueguês Oskar Sommerschield. Este último, em 22.10.1887, com autorização do governo colonial português de Augusto de Castilho expropriaria paulatinamente “por aforamento” as terras do Puilana. Estas terras por sua vez seriam compradas em 19.08.1896, ao norueguês, pelos ingleses da “Delagoa Bay Lands Syndicate Limited” sediada em Joanesburgo.

    Puilana (i)Mpfumo pertencia ao grupo das chefaturas rongas muito antigas. Todas elas eram regidas pelo rei Machaquene (i)Mpfumo que em meados do século XIX auxiliou Muzila pai de Gungunhana (Mudungazi) a conquistar o trono (muBango) apoiado pelos portugueses da cidadela de Nª Sª. Onde é a atual Igreja anglicana (ao lado do Man Kay) era a sede do rei Machaquene.

    As origens dos rongas remontam há mais de mil anos. Seriam oriundas do Congo do grupo baKongo de Bandundo a cerca de 120 km da atual Quinshassa. No Congo e no norte de Angola encontram-se apelidos (sobrenomes) semelhantes. A hermenêutica baNta confirma muitas afinidades não só etnolinguísticas mas também socioculturais e do direito consuetudinário (familiar tradicional). Ter em atenção que os portugueses não conseguiam pronunciar corretamente os nomes africanos daí as corruptelas de Puilana para Polana. Móputso para Maputo (móputso derivado da bebida tradicional do uputso da região dos Tembes – va caTembe)…(i)Mpfumo para Fumo… et cetera.

    Outra nota é a de que Puilana pelo direito de jus solis e jus sangunis (direito de solo e de sangue) nunca deveria ser chamado de invasor porque a origem suázi (e zulo) era(m) ronga e esta dos gógóni (bitongas) assim sucessivamente recuando até ao Congo…num melting pot (caldeirão de misturas).

    Depois da chamada pacificação de Antª Enes – comissário régio, as terras do chefe Puilana e de outros seriam definitivamente confiscadas pelas autoridades portuguesas. Os seus habitantes rongas seriam expulsos das mesmas para locais onde se situariam hoje o campus universitário da UEM, campo de golfe, e mais além em direção às Mahotas e ao bairro Triunfo, terras mais pantanosas. Quando pré-adolescente (década de 1950-60) conheci uma filha centenária do chefe Puilana de alcunha “vovó” Matshike-shike que circulava pelas traseiras do hospital Miguel Bombarda depois H. Central.

    SFF Consultar obra editada pela Texto editora em 2001 (1ª) – 2002 (2ª) “Moçambique, Feitiços, Cobras e Lagartos” – crónicas romanceadas (edições esgotadas mas localizáveis em alfarrábios em Lisboa, e em S. Paulo – Brasil). João Craveirinha, 2012-02-25.

    Comentar por JOÃO Craveirinha — 25/02/2012 @ 12:07 am

    • Sr João Craveirinha, deu-nos uma magistral lição e referências, muito grato e um abraço. ABM

      Comentar por ABM — 25/02/2012 @ 10:26 am


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