THE DELAGOA BAY REVIEW

O OURO DE MOÇAMBIQUE

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por ABM (20 de Fevereiro de 2010)

A ministra Esperança Bias fez notícia este fim de semana ao expressar a sua preocupação com a forma desregrada como se estão a extrair ouro e pedras preciosas do território moçambicano, sem rei nem roque.

Isto depois de uma reunião do sector em Nampula, em que a tónica foi que eram os “estrangeiros”, com conivências internas, que estavam a fazer o servicinho.

No entretanto, aparentemente, o espólio da mineração das preciosidades moçambicanas, esfuma-se.

De facto, como originário de Moçambique, sempre tive a vaga vontade – chamem-lhe curiosidade – de um dia poder comprar uma moeda moçambicana, feita com ouro moçambicano, feita em Moçambique ou pelo menos na África do Sul mas com um tema moçambicano (a cara de Mondlane, o nome do país, a certificação de que foi de ouro extaído em Moçambique).

Mas não há. A contrastar com as recorrentes notícias de que andam milhares de garimperios a trabalhar pelo país fora, o produto não se encontra.

Evapora-se.

E é uma pena. Pois para além de um produto de prestígio e muito bem vindo na área do coleccionismo, e ainda algo de valor acrescentado, se calhar seria um passo interessante no caminho da organização deste sector.

E há uma certa tradição neste país. A moeda actual de Moçambique – o Metical – tem uma denominação que vem de um meio de troca centenário que era feito de ouro.

Existe outra situação semelhante à do ouro.

Há poucos anos atrás, se um consumidor digitasse o nome “Mozambique” no sítio da Ebay, na internet, apareceriam centenas de turmalinas, de todas a cores, formas e feitios, a preços de saldo, para quem quisesse comprar. Paga-se com um cartão de crédito e uma semana depois as pedras chegam pelo correio a minha casa em Portugal.

As turmalinas, uma pedra semi-preciosa, vinham quase todas de Moçambique.

Mas se eu quisesse comprar uma turmalina em Maputo, era quase como procurar uma agulha no palheiro. Simplesmente, não havia.

Esta situação não é única ao caso de Moçambique. Angola é dos maiores produtores do mundo em diamantes, mas quando eu (que vivi lá dois anos) uma vez perguntei onde é que se podia comprar (legalmente) um diamante angolano, basicamente não havia a não ser meia dúzia de obras no duty free do aeroporto de Luanda, a preços mais caros que em Nova Iorque.

Talvez comece a fazer sentido de facto impor alguma ordem neste sector e fazer com que ele traga divisas e algum prestígio ao país.

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