THE DELAGOA BAY REVIEW

19/03/2010

FOGE CÃO QUE TE FAZEM BARÃO – NA INHACA

Filed under: António Botelho de Melo, História Moçambique — ABM @ 6:40 pm
ABM numa praia do Baronato de Inhaca, no dia 31 de Dezembro de 1974

ABM numa praia do Baronato de Inhaca, no dia 31 de Dezembro de 1974

por ABM (Cascais, 19 de Março de 2010)

Até Almeida Garrett, que terá vociferado a frase acima (sem a referência toponímica) antes de ter sido feito Visconde de Almeida Garrett, teria ficado surpreendido, como eu fiquei, quando, ao pesquisar um detalhe sobre concessões feitas no Sul de Moçambique no fim do século XIX, “descobri” que de facto houve um Barão de Inhaca.

O título de 1º Barão de Inhaca terá sido criado pelo inefável rei D. Carlos I em 8 de Novembro de 1892 e atribuído a um tal de Alfredo Auerbach, sobre quem não sei quase nada. A não ser que morreu em Sintra, que nuns documentos ficou registado um seu protesto relativo a umas concessões quaisquer na actual Suazilândia em 1888 (quando ele ainda não era barão) e que num obscuríssimo livro da autoria de E. Torre do Vale com a ajuda de João Albasini e Mulwana Shandrake, intitulado Dicionários de Shironga-Português, Português Shironga (livro impresso em 1906 na Imprensa Nacional de Lourenço Marques, aquele velho edifício que hoje fica na baixa de Maputo em frente ao Hotel Tivoli e do Prédio 33 Andares e que consta que vai ao ar para dar lugar a mais um desses prédios de arromba) diz assim na página 317: “Appendice, contendo uma interessante resenha dos principaes cognomes ou alcunhas, pelos quaes são conhecidos entre os indígenas alguns antigos e modernos residentes em Lourenço Marques”. E no meio da lista vem: “Habela: — Barão de Inhaca”.

Ora como aquilo é um dicionário, fui ver o que quer dizer em português habela em Shironga. É um verbo e supostamente quer dizer “voar para”.

Enfim, um facto misterioso do passado, para reflexão em mais um fim de semana chuvoso em Tugaland.

Mas confesso que não sabia que existiu um único título de nobreza associado a Moçambique, ao contrário de Angola, onde já conhecia pelo menos um.

Bom fim de semana.

Ou, como se diz em inglês, TGIF – Thank God it’s Friday.

2 comentários »

  1. A última vez que estive no “baronato da Inhaca”, foi no feriado-ponte do 5 de Outubro de 73. Na praia soube do início da guerra israelo-árabe.

    Comentar por Nuno Castelo-Branco — 19/03/2010 @ 10:36 pm

  2. Com curiosidade , fui ver do nosso Alfredo Auerbach(Barão de Inhaca) e, segundo a Grande enciclopédia Portuguesa e Brasileira, o homem era um comerciante israelita alemão que em 1880 se estabeleceu na Ilha de Moçambique, enriquecendo consideravelmente à custa de fornecer não sei o quê ao Estado. Alfredo casou com uma dama inglesa, retirou-se dos negócios ( não especificados na entrada da enciclopédica obra) e, por agradecimento aos que o tinham enriquecido, montou casa em Sintra, onde veio a falecer. Ao que parece granjeou grande popularidade, prestando tais serviços de amizade (?) a todos que, por fim, D. Carlos o agraciou com o inédito título ( por dec. de 8-11-1892.

    Comentar por MVF — 22/03/2010 @ 6:39 pm


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