THE DELAGOA BAY REVIEW

01/04/2010

A NOVA TOPONÍMIA DE MAPUTO

Filed under: Maputo, Nova Toponímia de Maputo, Politicamente Correcto — ABM @ 9:33 pm

por ABM (Alcoentre, 1 de Abril de 2010)

Esta coisa de mudar os nomes às coisas em partes de África é uma festa que não acaba.

Alguns exmos Leitores não devem ter reparado que há uma semana, pela Resolução 20/AM/2010, a Assembleia Municipal de Maputo mudou os nomes de todos os distritos municipais de Maputo.

Assim, o DM1 passou a chamar-se Kapfumo, o DM2 passou a chamar-se Nlhamankulo, o DM3 KaMaxaquene, o DM4 KaMavota, o DM5 KaMubukwana, o DM6 Ka Tembe e o distrito da Inhaca KaNyaka.

Confesso que nem suspeito quais eram os nomes anteriores. Nem quais as implicações para os nomes (tradicionais?) das localidades afectadas.

Eu também gostava de mudar os nomes dos sítios por onde pairo em Portugal. Mas ninguém me deiixa mudar o nome de Cascais e no caso de Alcoentre, pesem as implicações anatómicas subjacentes e o facto de ser o nome do invasor colonial fascista imperial árabe há mil anos, disseram-me que nem pensar. Ninguém quer e dizem que é muito caro.

Mas mesmo assim quis participar na moda e, em nome dos bons velhos tempos, decidi mudar o nome da rua que dá acesso à minha casa para uma algo mais genuinamente moçambicano, pelo que anuncio a tabuleta que está lá em cima, acabada de fazer, e que deve ser inaugurada lá mais para o verão, juntamente com umas febras, tinto e fados do Sr. José Luis (que está a segurar a tabuleta).

Famba Ti Cunza
, termo de raiz ronga, era o que eu dizia algumas vezes a umas pessoas quando eu era mufana.

16 comentários »

  1. não aguentei com esta!!!!!! dizias tu e eu, mfanitos, pitos e afins, claro entre outras fambas!!! beijos

    Comentar por M.Reprezas — 01/04/2010 @ 9:58 pm

  2. ABM tenho que protestar com o conteúdo deste post. Ao longo destes anos todos ganhei, no seio dos frequentadores deste blog, alguma fama de desbocado (até insultuoso) – tive até oportunidade de dedicar em português um parente do famba ti cunza a um conhecido bloguista, e a desdita de associar (em post mal-escrito) um outro parente a um bloguista respeitado [coisa que me custou, mas não valia a pena tentar explicar pois não seria acreditado, estou certo]. Como vês foi fama (relativa, encerrada nas sebes destas machambas) conquistada com denodo, perseverança e até custos. E agora vens tu tirar-me, abruptamente, os louros da desditosa prática?!

    Comentar por jpt — 01/04/2010 @ 10:29 pm

  3. Quanto à mudança de nomes (que em minha opinião são uma muito legítima reconstrução da história, e como tal perfeitamente em contra-corrente) tenho apenas um comentário: a ideia, corrente aqui, que a letra “k” tem algo de africano (originário, legítimo) que a letra “c” não tem provém (e demonstra) da mais pungente ignorância. De tudo. E, muito em particular, do que é a transição colonial para sociedades com escrita.

    Mudar os nomes. É legítimo fazê-lo? Claro! É historicamente significante? Discutível! Recuperar uma “grafia” original, “Keizar” o tsonga? É espantoso! Espantoso. Mudar Catembe para Ka Tembe e não para Ca Tembe?

    Depois há mais questões, de índole linguística e de índole histórica (não estou sequer a falar da questão do discurso actual sobre isto). Assiste-se a uma reificação das entidades político-sociais do passado – é um empobrecimento da história de Moçambique, desta região pelo menos. Não porque se esconde o período (gráfico, toponímico) colonial. Mas porque se ensombram os períodos sociais (toponímicos, geográficos) ante-coloniais. Uma pena!

    Comentar por jpt — 01/04/2010 @ 10:37 pm

  4. JPT

    Por mim podem e devem mudar os nomes a tudo e mais alguma coisa (menos a Coca-Cola), logo que durmam melhor à noite. Só não percebo porque ainda não erradicaram Ressano Garcia do mapa. O velho Ressano também não se importa. Aliás, dentro de dias vou deixar aqui um artigo sobre um nome “colonial” que certamente irás achar piada. Pois esta nem sequer inventada.

    Comentar por ABM — 01/04/2010 @ 11:16 pm

  5. Pois, por mim também se pode mudar os nomes, não me dizem respeito. Mas tenho, humanamente, o direito de ter pena quando me defronto com a ignorância. Em particular quando se julga sábia.

    Comentar por jpt — 01/04/2010 @ 11:22 pm

  6. Mas entao a festa e as febras? Ha convites para isso?

    Comentar por AL — 02/04/2010 @ 1:19 am

  7. Sra Baronesa

    Conto, havendo oportunidade, de usar a ocasião para um grandioso arraial, festa dançante e noite de fados ao vivo. O Sr Zé Luis vai cantar um fado sobre Moçambique que ele inventou com base nas coisas que eu lhe contei (ele nunca meteu os pés em África).

    Comentar por ABM — 02/04/2010 @ 2:57 am

  8. fico ansiosamente a espera da data de tal evento. O fado, confesso, nao e da minha predileccao, mas com boa companhia, boas febras e coca-cola da boa (que eu sei que tens) tudo se aguenta, nao e verdade?🙂

    Comentar por AL — 02/04/2010 @ 11:33 am

  9. “Mas mesmo assim quis participar na moda…”

    A grafia deixa-me, levanta-me, sérias dúvida!

    Sendo mais pr’ó Sena, ainda assim, hum:

    – Ku-Famba Ti Kunza

    – Ku-Famba Ti Kwnza

    Tudo isto a propósito, também, de Kwanza!

    Agora, os Angolanos querem reciprocidade para rectificarem/acordarem o (de)acordo ortográfico, apontando como 1 exemplo a palavra Kwanza, em vez de Cuanza.

    E dei comigo a imaginar – ânus, ânws, ánus, ánws, änus, änws, anus, anws,…

    O mesmo para o portuguesíssimo cu.

    O que nos vale, penso, é o inefável, inenarrável, Cravinho (filho).

    Uff.

    Comentar por umBhalane — 02/04/2010 @ 11:41 am

  10. Sra Baronesa

    Alcoentre City não prima pela presença de grupos culturais africanos, nem eu sou particular apreciador deles, nem, confesso, da maior parte dos fados. Mas como tenho uns fadistas que me devem uns favorzitos, dou o que tenho e depois logo se verá…

    Sr uB

    Tem toda a razão. Eu escrevo como aprendi e tenho alguma dificuldade em acatar revisionismos cujo objectivo pode ser apenas mais uma forma de etnocentrismo revisionista. Para além disso, tenho os meus tiques. Ainda digo Bombaim. Ainda digo Pequim. Ainda digo Gungunhana. Não digo Viena de Áustria, digo apenas Viena e não entendo porque se usa o outro termo (imagino que para não confundir com Viana).

    Comentar por ABM — 02/04/2010 @ 5:59 pm

  11. A mha cabeça e memória aguentou: de António Enes para Julius Nyere, de Pinheiro Chagas para Eduardo Mondlane, de N. Srª de Fátima para Mao Tse Tung, etc, etc, sem falar no Kim I. Sung, entre outros emblemáticos dos direitos humanos, mas, agora, já estou cocoana para mais nomes…mudem os nomes que a essência é a mesma…

    Comentar por Nene — 03/04/2010 @ 1:37 am

  12. Pffff… ah ah ah ah. Giiiiiiiro!

    Comentar por Mauro Manhiça — 03/04/2010 @ 11:10 pm

  13. Amigos, se fossem intimos diria Kongonakos, Não vêm que eisto não passa de um extremismo africano e simultâneamente uma tendência do inimigo em publicitar as posições extremas do cérebro africano?
    Não têm posção intermédia, ou estão em cima ou em baixo; reparem (|/) ou ( |\) melhor teso ou em descanço. Eis a Kestão, a inteligência para Kem é inteligente. Digo eu.

    Comentar por António Monteiro — 08/04/2010 @ 1:12 pm

  14. 100 comentários

    Comentar por Nita — 09/04/2010 @ 3:04 pm

  15. nos tempos da globalização …até é bem fixe integrarmos a nossa lingua corrente …! internaciogloblanizmoçambiqueetnolinguisticamente!!!!!

    Comentar por nhokass — 12/04/2010 @ 2:57 am

  16. É, eu também quando era mufana dizia isto (e outras coisas mais) a algumas pessoas.

    Cá em Portugal, dizia também, depois de pagar e em jeito de despedida, aos portageiros nas autoestradas quando não havia VIA VERDE
    E em França? E em Itália? Era um sucesso: eu pagava as brutalidades do costume, largava o meu “famba ti cunza” sentido e eles vinham à janela da guarita dizer, à beira das lágrimas, “adieu, Monsieur, au revoir!” ou “buon viaggio, signore!”.

    Escapei sempre.

    Comentar por João Ceboleiro — 21/08/2015 @ 12:27 am


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