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14/04/2010

SALVAR A PÁTRIA, POR HENRIQUE MONTEIRO

Filed under: Citações, Economia Portuguesa, Politica Portuguesa — ABM @ 4:48 pm

por ABM (14 de Abril de 2010)

O director do semanário lisboeta Expresso escreveu na edição de 13 de Março de 2010:

Quando comecei a trabalhar, a pátria precisava de ser salva dos desvarios do PREC e por isso pagámos mais impostos.

Depois, nos anos 80, houve um choque petrolífero, salvo erro, e tivemos de voltar a salvar a pátria.

Veio o FMI, ficámos sem um mês de salário e pagámos mais impostos.

Mais tarde, nos anos 90, houve mais uns problemas e lá voltámos a pagar mais, para a pátria não se afundar.

Por alturas do Governo de Guterres fui declarado ‘rico’ e perdi benefícios fiscais que eram, até então, universais, como o abono de família. Nessa altura, escrevi uma crónica a dizer que estava a ficar pobre de ser ‘rico’…

Depois, veio o Governo de Durão Barroso, com a drª Manuela Ferreira Leite, e lembraram-se de algo novo para salvar a pátria: aumentar os impostos!

Seguiu-se o engº Sócrates, também depois de uma bem-sucedida campanha (como a do dr. Barroso) a dizer que não aumentaria os impostos. Mas, compungido e triste e, claro, para salvar a pátria, aumentou-os! Depois de uma grande vitória que os ministros todos comemoraram, por conseguirem reequilibrar o défice do Estado, o engº Sócrates vê-se obrigado a salvar a pátria e eu volto a ser requisitado para abrir mão de mais benefícios (reforma, prestações sociais, etc.), e – de uma forma inovadora – pagando mais impostos.

Enquanto a pátria era salva, taxando ‘ricos’ como eu (e muitos outros, inclusive verdadeiros pobres), os governantes decidiram gastar dinheiro. Por exemplo, dar aos jovens subsídios de renda… por serem jovens; ou rendimento mínimo a uma pessoa, pelo facto de ela existir (ainda que seja proprietária de imóveis); ou obrigar uma escola pública a aguentar meliantes; ou a ajudar agricultores que se recusam a fazer seguros, quando há mau tempo; ou a pedir pareceres para o Estado, pagos a peso de ouro, a consultores, em vez de os pedir aos serviços; ou a dar benefícios a empresas que depois se mudam para a Bulgária; ou a fazer propaganda e marketing do Governo; ou a permitir que a Justiça seja catastrófica; ou a duplicar serviços do Estado em fundações e institutos onde os dirigentes (boys) ganham mais do que alguma vez pensaram.


E nós lá vamos salvar o Estado, pagando mais. Embora todos percebamos que salvar o Estado é acabar com o desperdício, o despesismo, a inutilidade que grassa no Estado. Numa palavra, cortar despesa e não – como mais uma vez é feito – aumentar as receitas à nossa custa.


Neste aspecto, Sócrates fez o caminho mais simples. Fez exactamente o contrário do que disse, mas também a isso já nos habituámos. Exigiu-nos que pagássemos o défice que ele, e outros antes dele, nunca tiveram a coragem de resolver.


7 comentários »

  1. Mais ninguém a pode salvar! Salvo os sacrificados. Esses podem, devem, e continuarão a salvar. Apesar de JPT, não gostar de meu nome, eu também sou dos que salvam por ser : não “rico” – “riquissimo”. Continuo a trabalhar depois dos 65, para poder salvar os novos, que não conseguem viver sem rendimento mínimo, que eu também tive quando era jovem, como devem calcular! Ainda por cima, fui trabalhar para África, unica coisa boa deste processo, para melhorar de vida e o tempo que lá trabalhei não conta para a reforma.

    Comentar por zeparafuso — 14/04/2010 @ 5:05 pm

  2. Não concordo nada com o director do Expresso. Salvadores da pátria, salvadores da pátria a sério têm sido os sacrificados Sócrates, Santanas, Barrosos, Guterres… e fico por aqui para não meter o século passado no barulho.

    Comentar por ERFERREIRA — 14/04/2010 @ 7:26 pm

  3. Sr E R Ferreira

    Compreendo. Há aquela escola que defende que são os líderes que não merecem o povo que têm.

    Comentar por ABM — 14/04/2010 @ 8:45 pm

  4. Sr. ABM
    Olhe que ERFERREIRA é capaz de ter razão! Nenhum daqueles Srs fez nada para o bem do país. Se calhar não merecem mesmo o povo que têm. O Povo merecia melhor.

    Comentar por zeparafuzo — 14/04/2010 @ 10:07 pm

  5. A propósito.

    Há dias, passeando a pé pelas bandas da Foz, fiquei chocadíssimo com uma placa que ostentava o nome:

    Marechal Gomes da Costa
    Golpe militar 1928

    na Av. do mesmo, perpendicular ao mar, de onde sopram ventos frescos, mais limpos…

    Ainda ando irritado, e lendo o artigo aqui reproduzido pelo Sr. ABM, mais irritado fico.

    Comentar por umBhalane — 14/04/2010 @ 10:52 pm

  6. Eu acho incrivel e inaceitável que insinuem que o Primeiro Ministro sabia, ou foi o promotor, da intenção da PT em comprar a TVI……
    Incrivel.
    Quanto ao resto “… há vida para além do défice.”

    Ou, numa versão portuguesa de Naipul no começo de A curva do Rio , A casa caiu, a Mãe morreu. Está tudo bem.

    Comentar por Pedro Silveira — 15/04/2010 @ 2:39 am

  7. Eu não mereço outros líderes. Envergonham-me, mas mereço estes. Depois do Sócrates pode piorar ainda que eu não terei por que me queixar. Já andei de “guevarista” (muito bem zurzidos por JPT, a propósito da morte de Orlando Zapata Tamayo), com Agostinho Neto quase ao colo e essa tralha toda da revolução anti-imperialista. Depois disso, estes sobas daqui são quase madres Teresas (sem ofensa à memória da própria). Mas isto sou eu a falar e eu só me represento a mim. Mal, conforme testemunho incluso.

    Comentar por ERFERREIRA — 15/04/2010 @ 4:45 am


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