THE DELAGOA BAY REVIEW

24/05/2010

A CONTRACICLO

Filed under: António Botelho de Melo, Sociedade portuguesa — ABM @ 4:23 pm

por ABM (24 de Maio de 2010)

Quando o exmo Leitor Maschambiano der um passeio um dia destes pela marginal até à Beverly Hills portuguesa – Cascais e arredores – antes de chegar ao centro da próspera vila deparará, pelo lado direito, com um gigantesco e estranho edifício, que mais parece uma nave espacial esquisita que acabou de aterrar em frente ao mar. Trata-se de um badalado novo complexo habitacional de luxo, a que, para variar, se deu o sempre comercialmente apetecível, anglicizado, título de Estoril Sol Residence.

Eu suspeito sempre de complexos habitacionais com nomes ingleses em Portugal porque normalmente esta é uma forma imediata e (pouco) subliminar de sugerir que o lugar ou é muito exclusivo, ou é muito caro, ou ambos. E é também um pouco o correspondente imobiliário ao tique de muitos ilustres da vida empresarial portuguesa, especialmente os que publicam, de entulhar os seus escritos com anglicismos, muitos deles com excelentes termos correspondentes em português. Mas dizer coisas como sub-contratar (outsourcing) e part-time (tempo parcial) em inglês dá logo aquele ar místico de que a peça andou a ler e a aprender alguma coisa etérea lá fora que a gente cá dentro não sabe.

Eu tenho uma ligação peculiar e muito pessoal com o lugar, onde durante umas décadas operou o paradigmático Hotel Estoril-Sol, de cinco estrelas, e onde, se me recordo das fotografias no salão de entrada (o…..lobby) Sua Sereníssima Alteza a Princesa Grace de Mónaco (antes a actriz norte-americana Grace Kelly) ficou quando visitou Portugal nos anos 60. Em 1976, sendo eu nadador entornado de Moçambique, fui convocado para integrar a a equipa de natação que foi aos jogos olímpicos de Montréàl, no Canadá. Ora, a “preparação” (na verdade um estágiozinho à medida do que era o país na altura) deveria ser feita numa piscina de 50 metros. Na altura havia poucas em Portugal – Olivais, Évora, Coimbra…e a piscina do Hotel Estoril-Sol. Já não me lembro bem porquê (Olivais estava em obras, Évora estava sem água, Coimbra foi fechada pelos jogadores de futebol do Académico em protesto por não receberem os salários, e a do Estoril-Sol ninguém se lembrou na altura) pegaram na equipa e mandaram-nos todos durante umas cinco ou seis semanas para …. a piscina do Complexo de Montjuich, em Barcelona.

Quando regressámos a Portugal depois de estar a banhos em Barcelona, alguém tinha falado com alguém do Hotel Estoril-Sol, que na altura, devido à Gloriosa Revolução Socialista do Nobre Povo Português, estava completamente às moscas, e eis que o vosso ABM, de repente, apesar de com 16 anos e num delicadíssimo e adiantado estado de pelintrice (nessa altura nem dinheiro tinha para comprar um fato de banho), foi instalado numa das melhores suites do hotel de cinco estrelas durante quatro semanas, situada no lado direito do último andar do Estoril-Sol, com todas as mordomias inerentes e disponíveis no local. Todas as manhãs, um empregado solícito e vestido de rigor acordava-me na cama ligando a música ambiente e abrindo as cortinas e servia-me um magnífico pequeno almoço na enorme varanda da suite, de onde se via toda a costa do Estoril e onde, vestido com um daqueles fartos robes turcos brancos, bebericava o sumo de laranja e lia distraidamente sobre os feitos da Grande Revolução dos Cravos no Diário de Notícias, se não me engano então nas mãos de José Saramago (no que foi sucedido pelo Mário Mesquita).

Do que me recordo, nessa altura, para além do ocasional turista, o enorme hotel estava quase completamente vazio – excepto nós (que éramos meia dúzia) e …. todas as dançarinas do espectáculo de dança do Casino do Estoril, que ficava ali perto, e que eram cerca de duas dúzias, todas elas jovens belezas nórdicas estonteantes de cartaz, com pernas infindáveis e aspecto físico digamos que desesperadamente impecável, e que falavam naquelas línguas lá do norte das Europas e que para mim soavam a dialectos hutu.

A razão porque estávamos ali era porque o hotel mantinha uma piscina de 50 metros, onde treinávamos duas vezes por dia, altura em que parte da piscina era encerrada ao público. Cedo de manhã naquele mês de Junho-Julho, quando íamos treinar, era habitual estarmos lá só nós…e as meninas do Casino Estoril nas cadeiras de reclinar ao lado da piscina, a apanhar banhos de sol para ganhar mais côr.

Enfim.

Há uns anos, depois de uma daquelas novelas de faca e alguidar envolvendo o próprio casino (agora na esfera da organização Stanley Ho), a Câmara Municipal de Cascais e mais meia dúzia de organismos, o velho hotel foi demolido juntamente com a piscina e naquele lugar disseram que ia ser construído qualquer coisa de monumental para o povão ver.

Essa qualquer coisa, é o conjunto de prédios que acima descrevo, desenhados por um tal de Arquitecto Gonçalo Byrne (e eu que pensava que em Portugal era ou Siza Vieira ou nada) e está quase terminada.

E para além de um mastodonte, parece que a obra é virulentamente odiada por alguns. Há uns dias, o meu amigo Cha mandou-me um daqueles discursos arrasantes sobre o edifício, que deixo aqui.

Em nome do equilíbrio argumentativo, também deixo ao exmo Leitor o acesso ao lugar dos senhores que estão comercializar os seus espaços, onde, para além de se fazer referência aos prédios como A escultura, contém daquelas frases cintilantes e típicas do marketing de luxo, tais como mais do que uma declaração de amor, o Empreendimento, representa uma natural representação de que a vida flúi em eterno movimento, e que nesse dinâmico e contínuo processo de transformação, ‘nada se perde, tudo se transforma’. Como bem anunciam os sábios. Como sonham e realizam os optimistas, os que crêem e vivem a felicidade.

Não sei bem o que o que é que o tipo que escreveu esta descrição dos interiores da Estoril Sol Residence (ESR) tomou antes de escrever isto , mas quero tomar também um pouco.

Mas indo rapidamente para os finalmentes, o que o povão na rua diz é que aquilo é tão caro, tão caro, que a ESR provavelmente acabará por ser arrebatada pelos mitológicos milionários angolanos que nestes dias não saberão o que fazer com os seus petrodólares.

Quando, para efeitos deste texto, quis averiguar quanto ao custo de um apartamento lá, levei uma encantadora e penosa descarga de conversa que, espremida, dizia qualquer coisa como “aparece cá e a gente depois fala”.

Como eu sei que o leitor maschambiano quer saber estas coisas (ademais, pode haver interessados, pois estatisticamente quem visita esta casa está mesmo lá em cima), segui o velho esquema do “se não podes caçar com o cão, caça com o gato”. E com dois clics fui parar ao anúncio num desses sítios onde se vende tudo e mais alguma coisa e em que – ahá – alguém está a tentar despachar, por via da famosa modalidade de cedência de posição, um modesto apartamento tipo 3, com uns confortáveis 196 metros quadrados, por uns míseros 1.750.000 euros. Dá 8.928.57 euros por metro quadrado, se se excluirem os dois lugares de estacionamento e uma arrecadação com uns impressionantes 14 metros quadrados. Mais uma vez, a descrição detalhada do apartamento está aqui.

A este preço, claro, acrescentem-se os custos com a escritura e registo, o imposto imobiliário, e depois a contribuição anual e a quota do condomínio, e a empregada, que vão para as dezenas de milhares de euros anuais.

E, garantidamente, uma visita das finanças portuguesas a perguntar de onde é que veio o dinheiro.

Mas para os que verdadeiramente crêem e vivem a felicidade, afinal isto são apenas detalhes, não é? Pequenos obstáculos no longo percurso para o Zen terreno.

Confesso que não gostei muito da configuração. Pois apesar toda esta área útil, o Sr Arquitecto Byrne deve estar a sonhar se pensa que eu compraria um apartamento destes com um quarto banho social com apenas 2.4 metros quadrados. Brincamos, Gonçalo? Eu lá em casa tenho armários maiores do que isto.

Contudo, a arrecadação, ah, essa já dava para mostrar aos amigos.

Com o desabar da economia há ano e meio, e o aguçar do apetite das repartições de finanças em todo o mundo, projectos como o ESR aparecem agora um pouco a contraciclo. O bom povo português e gentes um pouco por toda a parte neste momento preocupam-se com coisas mesquinhas tais como meter o pão na mesa e gasolina no tanque e ficam raivosos com estas nefastas manifestações de riqueza, achando que, nestes casos, a inveja não só é justa: é moral.

Mas para os ricos que escaparem de pagar a crise, o empreendimento é uma pechincha e aquele aspecto de nave espacial preta estacionada no sítio onde ficava o velho Hotel Estoril-Sol é muito apropriado.

Pois de facto os ricos vivem noutro mundo.

Na piscina do Estoril-Sol, 1976. Um rebuçado a quem descobrir quem é um futuro maschambeiro

15 comentários »

  1. F …. fiquei tão assustado que só vi as fotografias. Lerei o texto quando recuperar do choque (ca grande mamarracho, quem é que deixa aquilo?). Quanto ao futuro ma-schambeiro é claro, para os leitores que não te conhecem, que é o primeiro da esquerda, com barba à duque de mântua (ou, como hoje se diz, “à marcelo”)

    Comentar por jpt — 24/05/2010 @ 4:59 pm

  2. E ainda nos queixamos nós de Maputo …

    Comentar por jpt — 24/05/2010 @ 5:00 pm

  3. Estive em Coimbra em Julho passado (não ia lá há anos) e indicaram-me as obras do arquitecto Byrne (sim, já consegui passar os olhos pelo teu texto). Também a zona ribeirinha coimbrã foi alvo do famigerado arquitecto, que fodeu aquilo tudo. O homem anda rijo, não haja dúvida. Não há quem lhe corte a pila?

    Comentar por jpt — 24/05/2010 @ 5:02 pm

  4. …terceiro a contar da esquerda, digo eu🙂

    Comentar por VA — 24/05/2010 @ 5:54 pm

  5. Jpt

    1. Se e quando tiveres chance de ler a crítica que esté num dos clics acima, verás que o contraciclo não é só o custo da compra: aquilo é de tal maneira ambientalmente hostil que assusta. Mas pronto, é legal e quem pode, pode.

    2. ….errou na identificação do maschambeiro (o duque de Mântua não reagiu)

    3. Diria que, como sucedeu com aquele outro conhecido arquitecto das Torres das Amoreiras em Lisboa, não quereria cortar a pila ao Sr Arq. Byrne. Apenas não quereria que ele só pensasse com ela.

    D VA

    ……errrrrrrrrrou!! aquele é (era) o Rui ABreu.

    Comentar por ABM — 24/05/2010 @ 6:38 pm

  6. Dos Byrne só conheço o David, o da música. E de arquitectura também sou iletrado, mas sempre posso ali vislumbrar uns contentores surripiados de Alcântara ou, senão, dispensados pela autarquia lisboeta. Enfim, na situação em que está o país, talvez seja boa ideia começar a ensaiar viver em contentores e, como é apanágio das boas lideranças, aí está o exemplo! Um bocadito carote, mas o povo habitua-se. Aliás, habitua-se habitualmente.

    Se a memória não me falha, porque aqui apresentou um retrato seu aos quinze anos, na praia, o ABM é o quarto a contar da esquerda.

    Comentar por ERFERREIRA — 25/05/2010 @ 1:01 am

  7. O Sr. com barba à “Marcello”, creio ser o Prof. Sacadura Cabral, que foi seleccionador de natação de Portugal, e mesmo treinador da modalidade em vários escalões e locais, incluíndo Moçambique, onde residiu, nomeadamente na Beira, onde leccionou E.F. no liceu Pêro de Anaia.

    De seguida rumou a L.M. e…

    Comentar por umBhalane — 25/05/2010 @ 10:35 am

  8. Sr Ferreira

    …..aaaaceeerrtoooou!!

    Sr 1B

    É ele mesmo, nome completo José António Mayer Cabral Sacadura. Conheci-o na Beira em Junho de 1972 (a primeira vez na vida que saíra de LM) na qualidade de seleccionador de natação de Moçambique e treinei dois meses na piscina do Grande Hotel. O prof Sacadura, cuja mulher, a Dra Luisa Sacadura, era advogada na cidade, esteve um curto período em LM a fazer não sei o quê e no início de 1974 decidiu ir viver para Coimbra, cidade onde chegou no final de Abril de …. 1974, assim tecnicamente escapando ao estatuto de “entornado”. Mais tarde esteve no cemtro do processo da congregação de uma série de pessoas (como eu, a Dulce Gouveia, o Rui Abreu) que vieram de Moçambique para estudar e praticar desporto em Coimbra e, com o valioso suporte de pessoas como os Srs Jaime Lobo, Dr Mendes Silva e outros, filhos da terra, ajudaram a dar em Coimbra um novo ímpeto ao desporto competitivo naquela (então) cidadezinha universitária. Sacadura mais tarde foi para Lisboa e esteve envolvido com a Federação Portuguesa de Natação, sendo uma das figuras absolutamente incontornáveis desse desporto a nível nacional entre 1976 e 2005.

    Na Beira ele vivia num sítio chamado “Ponta Gêa”, que a esta hora deve estar a ser rebaptizado de Bairro Lenine ou coisa que o valha.

    Comentar por ABM — 25/05/2010 @ 11:20 am

  9. ó ABM (perdoem-me os interessados pela provocação acima por mim colocada, ao fazê-lo já velhote) a Ponta Gêa é a Ponta Gêa

    Comentar por jpt — 25/05/2010 @ 11:34 am

  10. Já agora uma peça de trívia muito a propósito do estatuto obrigatoriamente sportinguista desta casa: o jovem nadador à direita chama-se José Gomes Pereira. Ele mais tarde concluiu um curso de medicina desportiva e desde há alguns anos e ainda hoje é o médico da equipa de futebol do Sporting Clube de Portugal. Passa a vida na televisão a falar nas câibras e das injecções dos jogadores.

    À esquerda dele está o Henrique Vicêncio, que hoje é um dos chefes da organização da Protecção Civil em Portugal, cujo protagonismo tem vindo a crescer. Quando há desgraça, como aquele tremor de terra em Novembro, o Henrique aparece na televisão a dizer qualquer coisa.

    À direita do prof. Sacadura (“prof Marcelo”) está o Paulo Frishcknecht, hoje “Dr. Paulo”, uma das pessoas com mais mérito e talento que já conheci em Portugal, e que actualmente e desde há alguns anos desempenha o cargo de presidente da Federação Portuguesa de Natação.

    Á direita dele vê-se o Rui Abreu, o melhor nadador que Moçambique jamais produziu. Infelizmente morreu em Cleveland a 31.10.1982 em Cleveland (a polícia diz que foi suicídio) com 21 anos. Foi um enorme choque para todos os que o conheciam. A mãe dele, D Mercedes, era da zona de Moatize, adorável, e fazia as melhores chamussas do planeta. Como eu, acabou por aparecer em Coimbra no outono de 1975 com a família, obviamente quando as coisas na então LM (que só foi rebaptizada uns meses depois).

    Enfim. Isto dava uma novela.

    Comentar por ABM — 25/05/2010 @ 11:47 am

  11. Jpt

    A Ponta Gêa ainda é a Ponta Gêa. Se leres os jornais destes últimos dias, em especial os da Beira, descobrirás que, à semelhança de Maputo, e por directiva superior duma ministra cujo nome não me ocorre, está-se a formar um daqueles comités com esferográfica vermelha para obliterar da toponímia local toda e qualquer referência a essas pessoas que andaram por lá a colonizar em vez de fazer outra coisa qualquer. Aparentemente a Beira anda muito atrasada neste tipo de exorcismo toponímico e a coisa promete ser uma razia.

    Bom para o negócio das tabuletas para as ruas e praças.

    Portanto ciao Ponta Gêa, hello (proponho) Bairro Lenine (ou Kim Il Sung II).

    Comentar por ABM — 25/05/2010 @ 12:07 pm

  12. Não vou regressar à questão da toponímia. Como já avancei temos ideias diferentes – acho perfeitamente normal que uma rua vizinha minha tenha recentemente deixado de se chamar D. Afonso Henriques e se chame agora Orlando Mendes. E sublinho o que tenho escrito aqui, não há em Portugal nenhuma rua, avenida, praça ou beco chamado Filipe I, II ou III (ou até mesmo Cervantes). O argumento está dito e redito, e como é óbvio não se esgota nas questões dos nomes mas sim na legitimidade nomeadora bem como na visão que se tem do sistema colonial.

    Duvido que hoje em dia se ponham nomes de Lenine ou similares, e tu também o duvidarás, pelo que me parece descentrado o argumento. Quanto à dita Ponta, será porventura um dos nomes que não será mudado.

    Comentar por jpt — 25/05/2010 @ 3:58 pm

  13. Caro ABM,
    1º- o Sr. Ferreira antecipou-se e já terá ganho o rebuçado.
    2º- O Prof. Sacadura , o Paulo Frishcknecht e o saudoso Rui Abreu também identifiquei. Foram a geração de ouro da natação nacional ( portuguesa/ moçambicana ). Tempos em que seguia a modaliade sem a praticar. Agora os outros dois que es´~ao à sua esquerda é que já não me lembro.
    3º- Não sei se a Rainha Isabel se dedicava ou dedica à natação mas dificilmente poderá ter estado no Hotel Estoril-Sol nas dats que refere já que o mesmo foi inaugurado em 1965.
    Cumprimentos

    Comentar por António P. — 25/05/2010 @ 10:17 pm

  14. Caro ABM,
    Como sou disléxica e como nos dias que correm muito me custa pronunciar direita (mas também esquerda!!) enganei-me! Eu queria dizer o terceiro a contar da direita, caramba!
    Afinal, o Sr. Ferreira já ganhou o rebuçado…

    Comentar por VA — 27/05/2010 @ 1:01 am

  15. boa colecção de … calções!
    🙂
    tou com saudades de disparatar e de ai
    kus!

    Comentar por candida — 30/05/2010 @ 11:01 pm


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