THE DELAGOA BAY REVIEW

26/05/2010

A MAIOR DO MUNDO

Filed under: Portugal-Moçambique — ABM @ 12:32 pm

por ABM (26 de Maio de 2010)

Há uns tempos um embaixador português que está a dois passos de se reformar (presumo que com uma daquelas reformas milionárias sobre as quais anda tudo aos gritos) deu uma entrevista num dos jornais de Lisboa, em que às tantas ele conta em detalhe como ele em 1975 se meteu num avião para a capital moçambicana com umas malas cheias de dinheiro e, de entre uma série de desventuras, comprou aquele edifício no cruzamento da Avenida Eduardo Mondlane com a Avenida Julius Nyerere, em Maputo, para ali alojar a futura embaixada portuguesa – que, referiu, até esta data será a maior representação diplomática portuguesa em qualquer parte do mundo.

Mas ser a maior não quer dizer nada. Aparentemente, de dentro daquela torre, nos primeiros quinze anos da independência, os diplomatas portugueses assistiram silenciosos, impassíveis e impotentes perante os efeitos absolutamente demolidores do percurso pós-independência sobre os cidadãos os quais também fazia parte da sua job description defender. Não que pudessem fazer muito. pelos vistos. Até quando Raposo Pereira, um dos brancos de serviço do regime, instituiu e popularizou o 24/20 (recordou-me ontem Álvaro Mateus), mais uma das pequenas infâmias contra os poucos portugueses que tiveram a audácia de querer ficar em Moçambique, a reacção ali na embaixada foi notoriamente omissa e ineficaz. Quando por exemplo, cerca de 1981 o meu irmão mais velho, Mesquita, que vivia em Maputo, foi preso em Maputo e acusado de ser nada menos do que um espião da CIA (uma total fabricação) e o pai BM, que por acaso estava de férias na cidade, telefonou de madrugada à embaixada, o embaixador português comunicou que não tratava daqueles assuntos àquela hora. Mais tarde, quando se dirigiu à sua embaixada para requerer assistência, o filho da puta do embaixador português não quis, e não o recebeu. Eu, que na altura estudava numa universidade nos Estados Unidos, nem queria acreditar no que estava a ouvir.

O edifício ser grande não quer dizer que seja bonito ou bom. Aquilo é uma estranha estrutura do princípio dos anos setenta e pessoalmente acho aquela mistura de escritórios e apartamentos uma aberração, um bunker pouco seguro, numa altura em que esse tipo de configuração já não se usa em lado nenhum. Com os balúrdios que se reputa o Sr. Sócrates anda a enviar naquela direcção estes dias, alguém devia comprar dois ou três hectares, como fazem a IURD ou os americanos e, com uma Teixeira Duarte, fazer uma coisa monumental, bonita, digna e funcional, para suportar a supostamente relação especial entre Portugal e Moçambique. Nesse caso, transformaria o mastodonte num centro cultural e de negócios, unicamente.

Até porque os diplomatas portugueses, que, lentamente, evoluíram para qualquer coisa mais útil (a actual cônsul portuguesa em Maputo é de cinco estrelas, por exemplo, e trabalha noutro edifício ainda mais caricato que o da embaixada) merecem e precisam de melhores condições e dinheiro para trabalhar.

Para se fazerem omeletes, são precisos ovos.

17 comentários »

  1. 1. O edifício (sim, é verdade, agora está neste curioso tom bubble gum, presumo que em homenagem às cores do partido governamental português [foi pintado imediatamente antes da visita de Socrates a Maputo, há alguns meses]) não é particularmente funcional. E de quando em vez tem aspectos engraçados – permito-me apanhar o teu reboque e recordar um post meu: http://ma-schamba.com/maputo/gilberto-freyre/

    2. Uma pena que não te lembres desse embaixador português de 1981: é sempre um alívio ver os bois chamados pelos nomes. Neste caso literalmente.

    3. Eu questionar-me-ia, se tivesse fontes, sobre esse dinheiro que se diz que o Estado português está a mandar para Moçambique. Ao que eu sei trata-se apenas da conclusão do acordo de transacção (aquilo que os socialistas portugueses na sua constante tentativa de moldar qualquer verdade à sua atrapalhada versão chamaram “reversão”, e cito aqui o Presidente da Assembleia da República portuguesa aquando em visita a Maputo, julgo até que no decorrer da sua elogiosa visita ao Maputo Shopping Center) de Cahora-Bassa, donde não poderá ser considerado agora uma “atribuição” ou “investimento” ou “doacção”. É uma alínea contratual, “prontos”. (Mas pode ser que eu esteja enganado).

    4. Sobre diplomatas e paralelamente ao teu ponto, pois não está lá nada contrário explícito ou implícito (mas pode dar azo a essas interpretações) eu quero referir que em Maputo já conheci uma boa mão cheia de diplomatas portugueses (em sentido estrito) com boa onda profissional e pessoal. [ É certo que à maioria se aplica a anedota que me contaram o outro dia, um italiano que ma disse italiana, e talvez o seja, o que denota a transversalidade daquela cultura profissional. Aqui segue: “- Sabes qual é a diferença entre os diplomatas e os outros? – Hum …. nenhuma (?) – Certo, mas os diplomatas não sabem!” ] E já agora, pude conhecer o mais competente e mais decente dos homens (uma aliança tão difícil). Que era diplomata e até embaixador. Há de tudo, está visto.

    Comentar por jpt — 26/05/2010 @ 1:18 pm

  2. Jpt

    A maioria dos diplomatas (portugueses) são como a maioria dos polícias; estão em toda a parte onde não são precisos, e nunca estão lá quando são precisos.

    O fdp do embaixador português em Maputo em 1981 sabe muito bem quem o fdp do embaixador português em Maputo em 1981 é. Para mim, o fdp do embaixador português em Maputo em 1981 é, e há-de ser sempre, simplesmente, o fdp do embaixador português em Maputo em 1981. Para mim, esse é o nome dele.

    E, principalmente, o seu estatuto.

    Concordo que haverá um ou outro que não sejam afectados pela cultura elitista e de total falta de consciência de que estão ali para servir tanto o cidadão como a entidade estatal. Mas mostra-me um que é assim e eu mostro-te 80 que não são.

    É como as antigas hospedeiras da TAP: cá fora são senhoras divertidas e sofisticadas, muito viajadas (pudera não); dentro do avião, esquecem-se que estão ali basicamente para nos servir os cafézinhos e não chatear, se bem que estejam também treinadas para, se o avião estiver a cair, colocar-nos umas bóias ao pescoço antes de morrermos todos.

    Comentar por ABM — 26/05/2010 @ 2:37 pm

  3. Também não deixo de concordar contigo, aos bois a gente chama bois.
    Como disse acima, conheci “uma boa mão cheia de ” … gente normal. O que não invalida a tua (e a de tanta gente) opinião vastamente desfavorável. As causas para isso (o des-gosto generalizado, a atitude relativamente alargada proveniente de uma “cultura profissional”) são várias e não (me) cabem aqui. Mas posso só adiantar algo – um dos vectores mais dolorosos é que a “democratização” sociológica do acesso à diplomacia (ainda que grandes obstáculos, ainda no último molho de jornais daí li – apenas os títulos – de uma impugnação de concurso diplomático: houve uma reclassificação, içando filhos-família anteriormente excluídos) não implicou modificações na relação da corporação com a sociedade – as pressões “ascensionais” dos ascendentes são terríveis, virados mais papistas do que os próprios papas (e generalizo).

    No entanto numa visão mais abrangente julgo importante referir que a diplomacia portuguesa se tem mexido muito bem desde os anos 80s, desde a negociação de entrada na CEE e nas questões subsequentes. Ainda lhe faltará “tecnicidade” (então em assuntos de cooperação é absolutamente pungente) mas no seio do Estado ainda serão dos “serviços” que melhor funcionam [faltar-lhes-á talvez isso mesmo, o saberem entender-se como “serviços”]

    Comentar por jpt — 26/05/2010 @ 2:49 pm

  4. Jpt

    Gostava de ter uma visão apesar de tudo positiva que tens dessa horde perfumada que vive dos nossos impostos mas que acha que não nos reporta e que são os funcionários diplomáticos. Tenho um vago conhecimento dos tortuosos meios de acesso a esse funcionalismo e posso-te afirmar que não estou lá muito impressionado com a sua “democraticidade sociológica”. Aliás não sei se filho de embaixador estrangeirizado que entra por cunha e credenciais impecáveis é melhor que um patego esforçado que lá esmifrou o dê érre e passou as provas todas. A questão não é competência: é atitude de serviço, humildade e competência perante quem servem. E a meu ver esses gajos ainda não sabem o que isso é. Saloios ou ungidos à nascença, nem sequer suspeitam. Reclama sobre um deles lá para o mi(ni)stério deles e vais ver que resposta recebes. É pior que as respostas recebidas nos livros de reclamações dos cafés portugueses.

    Excepto, claro, a actual cônsul aí, claro. E mais um ou outro que fui apanhando aqui e ali. Rosas em campos de palha.

    Comentar por ABM — 26/05/2010 @ 3:06 pm

  5. Isto de escrever em caixas de comentários não é o meu forte. Nada do que quis dizer ecoa a minha “visão apesar de tudo positiva que tens dessa horde perfumada”. Apenas quis esclarecer que conheci algumas pessoas que trabalharam exactamente neste edifício que fogem do estereótipo (muito assumido, diga-se). E que ainda por cima no seio dessas algumas pessoas me lembro de alguém com muito particular respeito, até único. Do resto partilho da visão geral, e presumo que haja causas sociológicas (que não são desresponsabilizações individuais, como há gente que julga quando se fala disso) para tal. Sendo que “causas sociológicas” não são sinónimo de “origem sociológica” – e quando referi me à “democratização sociológica” quis dizer que nas últimas décadas foi esse particular serviço do Estado penetrado por gente oriunda de vários nichos – e que isso não alterou grosso modo a forma como a corporação se auto-representa e representa o mundo. Ou seja que não foi uma efectiva “democratização”: porquê? Porventura porque os filhos dos “pategos” como tu dizes se esforçam tanto na aparente “despateguizaçaõ” que se (verdadeiramente) pateguizam.

    Parece-me que, grosso modo, concordamos. Meti apenas umas nuances. Que (a mim) me pareceram obrigatórias.

    Comentar por jpt — 26/05/2010 @ 3:24 pm

  6. ABM e JPT,

    Li com atenção a vossa troca de comentários e elogio pela forma maravilhosa como fazem uso da palavra escrita, ler a um ou a outro é sempre um prazer.
    Concordo em dar os parabéns á Consul Geral de Portugal em Maputo, Senhora merecedora de elogios pela maneira como tem actuado desde que cá chegou. Não concordo, porém, com a forma em como os “outros” diplomatas portugueses são classificados com uma classificação abaixo de descrição.
    Concordo e já conheci, dentro da carreira, muitos que merecem essa classificação mas conheci também excelentes representantes do nosso país que o representavam de forma correcta, com dinamismo e ideias novas, á semelhança da Sra Consul de Portugal em Maputo.

    Só penso que não se pode generalizar, é uma carreira especial, sem dúvida, com bons e maus exemplos.
    Um dos maus exemplos, poderá se referir, concretamente, a esta aberração de prédio que alguém ainda quis dar maior destaque ao pinta-lo desta côr…Inacreditável!
    Concordo que Portugal merecia uma Embaixada mais digna neste país e ser-lhe-ia concedido um espaço mais convincente do que este, com o apoio do Governo Moçambicano (penso).

    Agora é o prédio conhecido pelo bolo de noiva, ao lado da torre de pizza em Maputo (o prédio ao lado vai tombando…Há de cair!)

    Não me levem a mal e continuem a escrever assim mesmo, sigo sempre com muito interesse.

    Comentar por Rita Soares de Oliveira — 26/05/2010 @ 7:27 pm

  7. RSA penso que o teu comentário se poderá associar aos meus comentários anteriores. Há boa gente, há má gente e há, a maioria, gente normal com erros e defeitos. Foi o que disse. Acrescentei, e nisso já não poderei associar o teu comentário, que há uma “cultura profissional” que é típica, e que se repercute muitas vezes em formas de entender e classificar o mundo (e como tal os outros). E como tal em representações (ideias sobre), seja dos próprios, seja dos outros face a eles. Cria estereótipos.

    Insisto, para além disso, que por muito irritante que sejam vários dos defeitos tipificados (que, como disse acima via anedota estrangeira, não são monopólio português) que se há algum sector do funcionalismo público que nas últimas décadas tem apresentado resultados positivos será, com toda a certeza, a diplomacia (e, mais achas para a fogueira, as forças armadas na sua internacionalização).

    Náo me parece pois que possas afirmar que este tipo de conversa como de “classificação abaixo de descrição”. Podes discordar do olhar, mas não posso aceitar esse pontapé.

    Quanto ao resto acho que a Embaixada em Maputo não é um edifício indigno. Se é funcional ou não só os utilizadores poderão opinar. O que acho mau (ridículo) é o raio da cor que lhe botaram …

    Comentar por jpt — 26/05/2010 @ 8:44 pm

  8. JPT:
    As tuas palavras fazem me repensar o comentário que deixei dirigido aos 2 machambeiros e gostei desta tua diplomacia, ao contrário da minha…LOL! (Afinal se calhar não se aprende de pequenino!)

    Mas há uma coisa em que também concordamos: a cor do edificio. Não sabes, por um acaso, de quem foi a ideia, não? Merecia um prémio!
    Mas há o ditado de que o mau gosto não se discute, lamenta-se…
    O prédio ao lado podia ajudar e desabar para o outro lado…sempre teriam de repintar a Embaixada!

    E quanto á internacionalização das Forças Armadas, concordo. E da GNR, também. Apresentam um nível de funcionários com funções “no estrangeiro” que deixa-nos com orgulho de uma classe (lá está…) tão mal vista.(Bófia!).

    Comentar por Rita Soares de Oliveira — 26/05/2010 @ 9:37 pm

  9. A autoria da ideia da cor sei de quem é mas não conta. O que conta é a autoria da decisão. E essa é óbvia. Pirosamente óbvia.

    Comentar por jpt — 27/05/2010 @ 12:41 am

  10. Pirosamente óbvia é diplomaticamente correcto. Vou adoptar o termo! E continuo a achar que a carreira diplomática perdeu a oportunidade de te ter a ti, grande diplomata. Nunca mais o palácio das necessidades seria o mesmo, acredita…

    Por falar nisso, não é de lá que vem a inspiração da cor? Não é da mesma cor, este rosa-noiva? Talvez em Lisboa seja mais escuro, mais rosa-velho.

    Comentar por Rita Soares de Oliveira — 27/05/2010 @ 8:15 am

    • A inspiração é maputense e fora da casa-sede. [Sorrio a essa hipótese profissional que aventas mas deslocada. A mim faltar-me-iam muitas coisas para isso, e não falo dos defeitos acima aflorados. Começo logo por uma “gravitas” que não possuo e que me parece verdadeiramente fundamental para este tipo de trabalho – não que todos a tenham mas com toda a certeza que os melhores a têm (e praticam – numa extensão semântica do termo)]

      Comentar por jpt — 27/05/2010 @ 9:08 am

  11. Não há nada pior do que precisarmos das pessoas e elas não se mostrarem disponiveis para nos ajudar conforme é a sua obrigação.

    Eu percebo perfeitamente o ABM. Posso não concordar com a opinião dele mas chamar FDP a quem não nos quer ajudar em situações como a que refere percebe-se.

    Quanto ao resto dos Embaixadores, é como tudo na vida. Temos entre os péssimos e bons. Como Maputo não é o centro do mundo não podemos estar à espera de gendes estelas.

    E embora o que vou escrever não faça parte do que ABM escreveu, temos de desenvolver um verdadeiro conceito de comunidade Portuguesa em Moçambique.

    Os tempos que se avizinham sugerem isso.

    Comentar por Pedro Silveira — 27/05/2010 @ 1:27 pm

  12. Sr Pedro Silveira

    Não me apraz ter dito o que acima escrevi.

    Tem razão: eu sempre achei que os portugueses em Moçambique comunicam pouco entre si.

    Comentar por ABM — 27/05/2010 @ 2:26 pm

  13. 1. Contrariamente a Pedro Silveira nada tenho contra chamar “filho da puta” (por extenso e com a entoação devida) a quem se porta como ou a quem é um filho da puta. Considero aliás que o insulto é não só um direito como, e acima de tudo, um dever cívico. E que os termos insultuosos (polissémicos, sempre) são intraduzíveis pelo que a sua substituição por mal-educados (porque hipócritas e censórios) eufemismos não passa do empobrecimento da linguagem. ABM teve neste caso uma extrema e (em meu entender) exagerada elegância em reservar o nome do indivíduo em causa. Cavalheirismo em excesso.

    2. Contrariamente a este assunto sobre o qual já perorei muito mais do que o que seria aconselhável já sobre o assunto agora levantado por Pedro Silveira não me vou intrometer. Há muitos anos escrevi um texto “O Guiar”, meio mal escrito e imperceptível, sobre isso dos patrícios aqui – está no ma-schamba para se quiserem ir ver.

    Comentar por jpt — 27/05/2010 @ 3:57 pm

  14. Comentário sobre a colónia….e o viver/conviver em Maputo
    Incógnito/a. È preferível. È que nesta colónia há as que se morderem a língua morrem envenenadas, as que dizem o que não sabem e não sabem o que dizem, as que afirmam com uma certeza absoluta as coisas mais inconcebíveis e por aí a fora, sem querer saber se estão a prejudicar/destruir alguém…Dito com uma ligeireza espantosa.

    È o mal de não ter o que fazer.

    Nunca tinha visto uma colónia assim, em vez de se unirem e se inter ajudarem, parece que têm gosto nos insucessos dos outros…e esquecem-se de que “quem conta um conto, aumenta um ponto” e a mesma história chega á mesa do terceiro café já completamente diferente da inicial (que por si já não era bem real).

    Deve-se, também, á quantidade de bicas que tomam por dia. Um hábito muito português!

    Comentar por Rita Soares de Oliveira — 27/05/2010 @ 11:05 pm

  15. os diplomatas até são boa gente, pode ser que haja alguma excepção.
    de certo melhores que os politicos, onde há muitas excepções que não são.
    já agora, que podia fazer o desgraçado do fdp do embaixador acordado às 3 da manhã? atacar com gritos e pontapés a prisão onde estava o detido?

    Comentar por josé gomez — 01/07/2010 @ 7:31 pm

  16. Sr Gomez

    Comparar políticos com diplomatas é comparar a merda com o cocó. Pode ser que haja alguma excepção. Ambos servem mal quem lhes paga o salário para servirem, o que me inclui e poderá incluir o Sr.

    Mas isso é apenas a minha opinião.

    Se quer que eu sugira ensinar a um embaixador português a etiqueta que deve seguir quando atende a meio da noite o telefonema do pai português de um cidadão português que foi pura e simplesmente levado pelas autoridades do país onde ele representa os interesses portugueses, eu vou fazer isso. Ora vamos lá:

    1. atendia o meu pai com respeito
    2. informava que trataria de enviar alguém na manhã seguinte para averiguar onde estava o tal meu irmão cidadão português e as razões para ter sido preso a meio da noite;
    3. se não estivesse (não estava), fingia que estava preocupado.

    Fizesse isso, teria ganho o respeito dos BM e alimentado a vaga noção de que esta gente existe para defender os interesses dos cidadãos do país que lhe paga o salário.

    Assim, é como vê.

    PS – para que saiba, quem no fim diligenciou para que os snasps o libertassem foram os norte-americanos.

    Bonito, não é?

    Depois duma destas, apetece mesmo ser português.

    Comentar por ABM — 01/07/2010 @ 8:03 pm


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