THE DELAGOA BAY REVIEW

05/06/2010

O ALMIRANTE ZHENG HE E VASCO DA GAMA

Filed under: Globalização, História — ABM @ 1:01 am

por ABM (5 de Junho de 2010)

Há uns anos, amiga minha que vive em Joanesburgo e que tem digamos que algum, pouco disfarçado desprezo “histórico-ideológico” pelos portugueses (e certamente considerando-me um, mas não um daqueles que se pode dizer coisas como “ah, vocês portugueses…!”) deu-me para ler um livro publicado há uns anos, da autoria de Gavin Menzies, chamado 1421.

O tema do livro é uma quase circum-navegação do mundo por parte de uma vasta, poderosa e sofisticada frota naval chinesa, ocorrida precisamente no Ano de Deus de 1421, quando na Europa os poderes constituídos ainda jogavam ao berlinde em matérias de navegação de longo curso.

Os portugueses de 1421, ainda sob a alçada do pouco socratiano Dom João I, fundador da Dinastia de Avis com uma indisfarçável ajuda do agora santo católico Nuno Álvares Pereira, haviam há pouco arrebatado a praceta marítima marroquina de Ceuta e andavam a prospectar as fraquezas mouras na costa marroquina, a fazer umas razias, e a pensar no que fazer com aquilo tudo.

Isto na face do espanto geral dos católicos europeus pelo inédito feito de mais ou menos furarem o bloqueio muçulmano do Mar Mediterrâneo e ainda mais a abertura de uma certa perspectiva de desafiar o muito mais dificilmente contornável bloqueio da Europa dos produtos originados da Ásia, cujo acesso só se fazia a partir do Médio Oriente, a preços obscenos, tornados ainda mais obscenos quando os Otomanos tomaram Constantinopla trinta e dois anos mais tarde.

Recorde-se que, em termos do que estava para acontecer, os portugueses tinham acabado de descobrir a Madeira, mas não os Açores, as Canárias e Cabo Verde, plataformas absolutamente essenciais para apoiar as expedições que vieram mais tarde.

Mais importante, não dominavam ainda as técnicas de navegação e de orientação, bem como outros aspectos essenciais para a navegação em alto mar e longe da costa.

Mas a crer no livro de Menzies, nesse preciso ano os chineses, cuja tecnologia e poderio estimado ofuscava o que havia na Europa, e que haviam constituído uma absolutamente formidável frota naval liderada pelo Almirante eunuco chinês Zheng, a mando do então imperador (o tal que mandou fazer a Cidade Proibida no que é hoje em dia o centro da capital chinesa, Pequim)  zarparam em todas as direcções, aparentemente à procura de negócios e de um pouco de conquista (muito pouco, depreendi).

Mais interessante, apesar de as provas serem digamos que um pouco menos que impressionantes, Menzies argumenta que, em 1421, os chineses andaram a passear pela costa oriental e ocidental africana, e terão ido tão longe como as Caraíbas e a América do Norte.

Portanto terão estado algures na actual costa moçambicana, e por aí além, oitenta anos antes de Gama, Cão, etc.

Continuando a saga de Menzies, só foi por uma questão de acaso ou de ventos cruzados que parte da frota Zhenguiana, em vez de ter ido directamente para as Caraíbas,  não ter desaguado na foz do rio Tejo, ali mais à direita de quem sobe o Atlântico, pregando assim o mais valente dos cagaços aos então relativamente primários cidadãos da cidade de Lisboa, cuja visão do Demónio na altura se cingia aos mouros, aos castelhanos e aos judeus.

Mas, mais dramático para a história, e parece que foi verdade, o imperador chinês que veio a seguir parece que não gostava destas aventuras pelo mundo e mandou acabar com aquilo tudo de uma assentada, desmembrar as frotas, queimar todos os registos, e impor a pena de morte ao desgraçado que dissesse seja o que for sobre o assunto. E ai de quem se atrevesse a sair da China.

Assim – e por enquanto, continua o argumento – hoje o mundo ainda tem que aturar esta coisa ficcionada de terem sido portugueses os que há uns quinhentos anos primeiro mapearam os oceanos do mundo e tocaram os quatro cantos do mundo – incluindo aquele postozinho na margem direita do Rio das Pérolas chamado Macau. E o Japão. E a América Latina. E África.

Pois na verdade, argumenta Menzies, o verdadeiro herói da fita é o tal de Almirante Zheng (que pelos vistos era um verdadeiro homem das Descobertas Chinesas). Não o comandante Vasco da Gama, que Manuel I de Portugal, sobrinho e sucedâneo de D. João II, foi buscar à vilinha piscatória de Sines e mandou seguir a costa africana em 1497, para ver se havia maneira de chegar pelo mar às Índias, em três barquetas pequenas mais a barcaça dos suprimentos, que ficou pelo caminho a seguir à paragem na Ilha de Moçambique. Um ano e tal depois, voltaram duas naus, fragilmente dirigidas por menos que cinquenta homens, com umas especiarias, um mapa e uma história para contar.

Ora, eu sou daqueles que, havendo prova, até acreditarei que há marcianos e que Elvis Presley ainda está vivo e reside em Marracuene. Mas creio que esta dos chineses terem ido desde Pequim até Miami em 1421, bem, digamos que vou esperar mais um pouco para ver antes de mudar a letra de A Portuguesa.

Mas, talvez porque estejamos estes dias a atravessar uma onda global de sinofilia, esta semana acabei de ler um outro livro, este da autoria de uma senhora americana, de nome Heather Terrell (Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2010, tradução de Patrícia Xavier), que é basicamente sobre o mesmo tema, mas desta vez assumidamente ficcionado e com um outro ângulo completamente diferente.

O livro de Terrell, que é uma advogada e que obviamente andou a fazer os habituais circuitos histórico-turísticos de Portugal, com ênfase dado ao Convento de Tomar (o verdadeiro centro da história de Portugal, segundo alguns), chama-se O Mapa Desaparecido.

Nesta aventura, que se lê mais ou menos como um guião de filme, intercalando sucessivamente datas e eventos entre a actualidade e 1421, vemos ao vivo e a cores o almirante chinês a fazer a tal volta até Miami, só que aqui o herói da fita não é ele: é Zhi, um obscuro jovem eunuco (um eunuco é alguém a quem se corta a pila. Está tudo explicado no livro) que, secretamente, arriscando o pescoço após os éditos imperiais que mandaram destruir tudo após a Grande Viagem, elabora um mapa completo de Tudo e Mais Alguma Coisa Sob o Céu.

Ora como ele terá ido desde Pequim até Miami, o exmo. Leitor já pode imaginar o que é que o mapa indica: essencialmente,  é um mapa do mundo, com os contornos de África.

E poderá imaginar o que vem a seguir: na verdade, e mais uma vez, os tugas não descobriram coisa nenhuma. O que fizeram foi comprar uma cópia do mapa a um qualquer que fazia a rota da Seda, que Dom Manuel I guardava a sete chaves, e que deram a um subalterno de Vasco da Gama, chamado António, deixando o leitor do livro – e assim o resto do mundo – saber que em 1497 Vasco da Gama meramente seguiu o mapa de Zhi até Calecute e arredores, em vez de, corajosamente, ir por ali acima às apalpadelas.

Parte do enredo, como não podia deixar de ser, inclui um tal Visconde de Tomar, uma influente e singularmente patética figura, que tudo fará para que a verdade sobre o tal de mapa de Zhi não seja divulgado, para que os portugueses, estes dias já tristes com a crise internacional e a candidatura à presidência de Manuel Alegre pelo PS, não ficarem agora traumatizados pelo épico barrete enfiado por Dom Manuel há quinhentos anos.

Convenientemente, durante quinhentos anos, a cópia portuguesa do mapa de Zhi fica guardada nada menos que algures na estranhíssima Charola do Convento de Tomar, que a heroína do filme, uma desenrascada investigadora americana de roubos de arte, com a ajuda de um amigalhaço e a antecipável estupidez colectiva de um grupo de tomarenses distraídos, rouba da Charola e assim força a jogada do Visconde.

Se o livro de Menzies já me fazia sorrir um pouco, o de Terrell, que se lê numa noite, ao contrário do outro, já me faz soltar uma gargalhada ligeiramente mais sonora, se bem que, reconheça-se, está relativamente bem pesquisado nos essenciais, tirando a afirmação de que os Açores ficam situados a Sul da Madeira e ainda que Terrell se tenha esquecido que um aspecto fundamental do percurso técnico que possibilitou as viagens de então foi o desenvolvimento da capacidade de navegar contra o vento.

Também não percebo a insistência em chamar “navios” às naus de Vasco da Gama.

Apesar de Menzies e de Terrell, e sendo a História eternamente reinterpretável, proponho no entanto que de momento os Maschambianos sigam o conselho daquele poeta, Luís Vaz de Camões, e considerem aquilo que aqueles antigos portugueses fizeram, verdadeiramente, uma coisa do outro mundo.

Porque foi.

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10 comentários »

  1. independentemente dos argumentos que avanças tenho as minhas dúvidas sobre a tua teoria do eunuquismo …

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    Comentar por jpt — 05/06/2010 @ 6:48 am

  2. … mas que grande pontapé na gramática. Soberbo exercício de leviandade e displicência na abordagem deste tema e da História. Tal como o VdG não veio por aí às apalpadelas, tb não o Bartolomeu, nem o Colombo, nem o Cabral, nem o Tratado de Tordesilhas foi obra da intuição, numa altura em que, supostamente, “todo o mundo” ainda era obrigado a “acreditar” que a Terra era plana. Já agora, qual foi o conselho do Luis?

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    Comentar por ARL — 05/06/2010 @ 10:15 am

  3. ARL

    Tem razão, texto já editado e sff verificar se está menos estapafúrdio. Espero.

    O conselho de Luis é que se considere os feitos dos portugueses como coisa do outro mundo. Conhece “Os Lusíadas”, presumo…?

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    Comentar por ABM — 05/06/2010 @ 11:01 am

  4. Jpt

    Não há teoria e apenas relato uma passagem do livro. Na verdade, o assunto parece ter panos para mangas, se consultares a Wikipédia (http://en.wikipedia.org/wiki/Eunuch).

    Zheng He era um eunuco.

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    Comentar por ABM — 05/06/2010 @ 11:11 am

  5. ARL

    Desculpe não tinha acabado de responder. Também não acredito que esses navegadores fizeram o que fizeram à toa. Há fortes indícios disso. Mas vou aguardar para aparecer prova de que eles possuíam mapas chineses. Ou que os chineses fizeram o percurso oposto e ainda que estiveram em Moçambique oitenta anos antes de Gama.

    Sei que eles estão lá agora, mas chegaram há meia dúzia de anos e vieram em voos da Air China.

    Mas não me chocaria. Sabe que Madagáscar, do outro lado do Canal de Moçambique, foi colonizado por malaio-polinésios há dois mil anos, não é?

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    Comentar por ABM — 05/06/2010 @ 11:36 am

  6. Quanto a Os Lusíadas, sim, já ouvi falar… vagamente! (da leviandade à arrogância). By the way, Zheng He também era eunuco e mongol… e valeria a pena entender bem a estrutura das relações de poder na China de então para enquadrar o papel desses eunucos. Quanto ao resto, sugiro um pouco mais de reflexão e consulta quanto às provas. Não sei se vexa estará familiarizado com o conceito do “Lugar Índico” como cruzamento de culturas ou da sua antiguidade, apesar da referência à Ilha de São Lourenço. E já que levanta o tema, muito estranho que ignore a presença chinesa em Moçambique muito antes da Air China, como por exemplo nos Prazos da Coroa (sabe o que foram e quem foram?) e mesmo, segundo os testemunhos arqueológicos, pelo menos desde o séc IX e tão a sul quanto o Bazaruto. E imagino também que tenha sido em Lourenço Marques que v. tenha tido contacto com a comida chinesa (ou não?). O que não retira nenhum valor aos lusos feitos, muito pelo contrário até, na medida em que tiveram de se bater por (e destruir) uma estrutura de comércio bem montada e muito antiga. Recomendo porém que aprofunde melhor o tema para não induzir em erro ou descrédito os leitores inadvertidos.

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    Comentar por ARL — 05/06/2010 @ 12:29 pm

  7. Sr ARL

    O propósito do meu texto foi referir duas obras específicas, e não académicas, sobre o tema de quem fez o quê nas navegações antes de 1498 e dar uma opinião sobre isso, na base do que ali é referido.

    Vir caracterizar o que refiro como leviandade, displicência e arrogância é assaz infeliz da sua parte e só demonstra que ou não me conhece ou, mais provavelmente saiu da cama hoje com o pé errado e em vez de dialogar, quer resmungar – especialmente se tiver em conta que tive que repetir o que já havia dito sobre o tema central da mais conhecida obra de Camões – que ninguém é obrigado a conhecer. Nem mesmo o senhor.

    Se ARL é um conhecedor ou pós-doutorado neste tópico, sugiro que use este espaço para dizer de sua justiça em vez de andar extemporâneamente a mandar petardos. Este também pode ser um espaço de comentário, de análise, de diálogo, de debate e de aprendizagem.

    Mas até agora aprendi pouco consigo. O petrado argumentativo ofusca mais do que ilumina.

    Por exemplo, fale das evidências chinesas do Bazaruto no séc. IX, sobre as quais nunca ouvi falar. E já agora diga-nos o que, na sua opinião, isso prova. Que os chineses mantinham rotas comerciais directas com o Bazaruto?

    Ai sim?

    Mas se assim for, venham elas.

    Sei, porque li, e creio ser informação corrente, sobre a estrutura de comércio milenar na costa oriental africana, que os portugueses essencialmente apresaram essencialmente dos árabes, basicamente à paulada.

    Mas não é disso que se trata aqui – e, recordo-lhe mais uma vez que o tema considerado era estritamente o conteúdo de dois livros acima referidos, não a história dos chineses nos prazos da coroa (que postecipam 1498, e portanto não contam para a análise do tema central das duas obras – não é?).

    Obras, que, depreendo, não leu.

    Não entendo o seu comentário sobre a comida chinesa, que absolutamente venero. Aos sábados era comum a família BM jantar no Restaurante Hong Kong, ao pé do Bazar de LM. Tínhamos amigos chineses. Já visitei a China e Macau (onde comi que nem um alarve), os meus pais viveram em Macau 8 anos nos anos 50 e três irmãos meus nasceram lá. E em casa tenho um fabuloso armário da Dinastia Ming que veio de Cantão – herança dos pais.

    Não creio que nada disto conte muito para o cômputo geral. Ainda assim, é muito mais do que muita gente que conheço e certamente mais do que a sua atitude e comentários deixam transparecer.

    Bom fim de semana e volte sempre.

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    Comentar por ABM — 05/06/2010 @ 2:08 pm

  8. Sr ARL

    Entre um café e um croissant com queijo, li o curioso texto de Julie Wilensky, uma pesquisadora da Univerisdade de Yale, intitulado “The magical kunlun and Devil Slaves: Chinese perceptions of dark-skinned people and Africa before 1500” (em Sino Platonic Plates, Nº 122, Julho de 2002, do Departamento de Línguas e Civilizações Asiáticas da Universidade de Pennsylvania).

    Está aqui: http://www.sino-platonic.org/complete/spp122_chinese_africa.pdf

    São só 56 páginas.

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    Comentar por ABM — 05/06/2010 @ 2:56 pm

  9. Obrigado pelo texto muito interessante e que junto à minha colecção.
    O propósito da minha observação foi apenas que tivesse mais consideração pela matéria que essas obras abordam, particularmente a do Menzies (o outro não conheço e sobre ele não me pronunciei). Sobre esse aspecto referi leviandade, sobre o facto de eu poder não conhecer Camões considero arrogância a maneira como coloca a questão (já agora, recomendo muito que releia nessa peça os cantos do Oriente). Finalmente, quem afirma que os chineses aqui chegaram há meia dúzia de anos na Air China é você (editou?): limitei-me a situar a afirmação como deslocada do tema e no tempo da História de Moçambique e da África Oriental. Eu saio sempre da cama com o pé errado (qual é o certo?). E repito: o facto de os vários almirantes de He terem andado pelos mares todos muito antes dos portugueses não retira valor ao seu feito. Na verdade (estaremos de acordo nisso?) a Europa de então mal se conseguia mexer entre as cadeias da Inquisição e a Ciência era perseguida. Nesse contexto, o facto de Portugal só ter aderido à Inquisição em finais do séc. XV, terá feito com que muitos dos perseguidos no resto da Europa aí tenham procurado refúgio. Entre eles muitos cientistas, cartógrafos e matemáticos, como também muitos comerciantes de todas as praças europeias. E não lhe será estranho, certamente, o papel que essas figuras tiveram no “gabinete” do Infante. Nem sequer o papel do Convento de Tomar e da Ordem de Cristo na protecção de documentos ameaçados.
    Finalmente, entre o café e o tiramissú li os Lusíadas, e não vi lá nenhum conselho, apenas poesia épica e uma mui sui generis interpretação da “aventura” portuguesa pelos mares afora. Que de dilatação do Império terá sido, como da fé nos proveitos do comércio de que era dono o Venturoso.
    Para afagar o ego, recomendo a leitura de “Para Além de Capricórnio”, Peter Trickett. Caderno, 2007. Onde a devida honra é feita aos heróicos lusos que terão chegado à Austrália 250 anos antes de Cook, depois só mesmo dos mesmos chineses de He, o que pelo menos enfurece os ingleses.

    Do resto, dos cacos do Bazaruto, da Ilha de Moçambique e do Ibo que, como bem diz, por si não provam nada, há por aí muito material publicado. Procure sob Ricardo Teixeira Duarte, João Morais, Chrsitopher Stephens, Paul Sinclair…

    Bem haja, vou ver a final das senhoras

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    Comentar por ARL — 05/06/2010 @ 4:05 pm

  10. 🙂 e eu tou a ver o derby dos gaijos bons.

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    Comentar por candida — 07/06/2010 @ 11:52 pm


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