THE DELAGOA BAY REVIEW

08/06/2010

A CRISE E A GUERRA EM 2010

Filed under: Mundo — ABM @ 5:10 pm

por ABM (8 de Junho de 2010)

Há uma semana, o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), um instituto de pesquisa independente fundado em 1966 e financiado primariamente pelo governo sueco (em inglês think tank, que outro dia vi traduzido como um “tanque de pensamentos”) publicou o seu Anuário de Armamentos, relativo a 2009.

Se o exmo leitor for como eu, assistirá durante o ano a resmas de notícias e programas sobre guerras e ameças de guerras por todo o mundo, sem perceber muito mais do que o calor e a tragédia do momento, e quem são os bons e os maus da fita – se conseguir.

É aqui que o SIPRI pode dar uma ajuda, pois entre várias outras funções, o Instituto tenta acompanhar o dinheiro que se gasta despesas e investimentos militares em cerca de 172 países.

Então o que nos dizem os suecos do SIPRI sobre o que se está a passar neste campo?

Segundo o sumário do seu relatório, no ano de 2009 estimaram que o mundo gastou em despesas militares 1.531 mil milhões de dólares, representando um aumento, em termos reais, de 5.9%, 49% se comparado com os valores para o ano de 2000.

Os Estados Unidos, que mantêm um aparato bélico impressionante e que estão envolvidos em vários conflitos abertos ou latentes, representam mais de metade do valor do aumento observado em 2009. Curiosamente, os analistas do SIPRI apontam para a curiosidade de, apesar da retórica e expectativas em relação à presdência de Barack Obama, na realidade os Estados Unidos praticamente não alteraram numa vírgula a sua postura em termos de investimentos militares, que continuam a crescer de forma significativa, tendo o orçamento de defesa dos Estados Unidos em 2009 sido de 661 mil milhões de dólares e o valor para 2010 de 719 mil milhões de dólares e o (preliminar) para 2011 de 739 mil milhões de dólares.

Ou seja, o equivalente a 350 projectos como o famigerado TGV português.

Uma curiosidade, é que no caso dos países que produzem petróleo e gás, o aumento na despesa militar foi astronómico, na ordem dos 200 a 400 por cento em relação a anos anteriores.

Em África a Sul do Sahara, em 2009 gastaram-se 17.4 mil milhões de dólares em despesa militar (o que os EUA gastam em menos de uma semana), um aumento em termos reais de 5.1 % em relação ao ano anterior e 42% em relação aos valores de 2000. Os grandes protagonistas nas despesas militares na África sub-sahariana são Angola, a Nigéria e a África do Sul.

Já a Europa gastou 386 mil milhões de dólares em 2009 – cerca de metade do que os EUA gastaram.

No Médio Oriente gastaram-se 103 mil milhões de dólares.

A América do Sul gastou 58.1 mil milhões de dólares.

A Ásia e a Oceania gastaram 276 mil milhões de dólares. Só a China gastou 100 mil milhões de dólares, menos de um sexto do que os americanos gastaram. No entanto, nos últimos dez anos, o orçamento chinês é o que exibe de longe a maior taxa de crescimento em termos de despesas militares.

Para além disso, em 2009 realizaram-se 54 operações de manutenção da paz que custaram 9.1 mil milhões de dólares e envolveram 219 mil pessoas. Estes valores representam um aumento de 16% em relação ao ano anterior, devido principalmente ao envolvimento internacional no Afeganistão.

Ainda em 2009, o SIPRI estimou que a operação norte-americana no Afeganistão custou 65 mil milhões de dólares, contra 61 mil milhões de dólares gastos no Iraque.

O SIPRI estima que em 2009 os poderes nucleares conhecidos detinham cerca de 7.500 armas nucleares, das quais cerca de 2.000 estão em alerta permanente e podem ser arremessadas numa questão de minutos.

Tudo isto para só nos sentirmos mais seguros e protegidos em casa à noite.

Em resumo, em termos militares, até agora não houve crise nenhuma.

Tirando Portugal, que acho que anda relativamente nas lonas em termos das suas despesas e aparato militares (orçamento de 2.4 mil milhões de dólares em 2009, contra 18.3 mil milhões de dólares dos nuestros hermanos), está tudo bem.

Podemos ir à praia descansados este verão.

Aqui não há crise.

11 comentários »

  1. A dizer mal do Obama? Que dirão os nossos (parcos) visitantes obamistas? [Aí o mais afamado obamado anda a oferecer bolsas de estudo com nacos do seu ordenado.]

    Sério, sério, é incrível (mais vale ir ver a stan-up comedy que deixaste abaixo)

    Comentar por jpt — 09/06/2010 @ 1:55 am

  2. Jpt

    Recebi este comentário do Ten Cor Brandão Ferreira, que achei interessante nesta altura, pois contrasta o carnaval do Mundial com o que os militares portugueses fazem. Passo a transcrever uma crónica sua com data de 5 de Junho:

    O MUNDIAL DE FUTEBOL E AS MISSÕES MILITARES NO EXTERIOR

    05JUN2010

    A Selecção Nacional de futebol de 11, começa a 5 de Junho uma missão no exterior: vai participar no Campeonato Mundial da modalidade que se realiza na República da África do Sul (RAS); e tem um objectivo que é a de defrontar e, se possível, vencer as equipas que lhe calharem em sorte, até ao derradeiro jogo final. Em qualquer dos casos jogar bem, esforçar-se e cumprir os deveres associados.

    As Forças Armadas Portuguesas (Fas) e a GNR têm, neste momento, várias unidades suas destacadas em diferentes teatros de operações com perigosidade variável, a saber: cerca de 200 homens no Afeganistão; 300 no Kosovo; 12 na Bósnia; 130 no Líbano, cerca de 40 homens a operar no Corno de África e 120 em Timor. Em cooperação técnico militar nos PALOPs, existirão uns 30 e outros 40 estão distribuídos por diferentes quartéis-generais. Há cerca de 20 anos que assim é, tendo já sido mobilizados cerca de 30000 homens para mais de 30 países diferentes. A sua missão é o de participarem em missões humanitárias, de paz e de imposição de paz, no âmbito das organizações ou alianças de que Portugal faz parte. Neste momento o Afeganistão configura um verdadeiro teatro de guerra.

    Vejamos alguns aspectos que ilustram o modo como os órgãos do Estado, os “media” e a população em geral, encara estas duas realidades.

    A preparação para o campeonato de futebol, que é apenas uma competição desportiva de carácter lúdico e que está confinada a um período curto de espaço e tempo, desenvolve-se em ambiente festivo e com uma visibilidade mediática que raia o estupidificante.

    É um verdadeiro massacre visual, auditivo e em papel, que cai sobre o cidadão que, aparentemente, gosta. Pelo menos esta é a desculpa recorrente dos órgãos de comunicação social para fazerem o que fazem.

    As condições dos eleitos que constituem a “caravana” é rodeada de todos os luxos que fazem os atletas e técnicos parecerem uns nababos, já para não falar nos vencimentos algo pornográficos que auferem, não havendo “crise” que os refreie. O seleccionador está, ao que corre, em sexto de todos as mais bem pagos que participam e aos jogadores, só por estarem “deslocados” na Covilhã, num meio circo meio estágio, usufruem a modesta quantia de 800 euros/dia, só de ajudas de custo, quando ainda por cima não têm que despender um cêntimo…

    Os jogadores, que cada vez menos configuram uma selecção nacional – deram em naturalizar uns quantos estrangeiros à pressa – são rodeados de todas as atenções. A participação no campeonato não envolve quaisquer riscos, a não ser aqueles decorrentes de lesões ou de uma falta mais dura, além de uma ou outra pergunta mais incómoda de um jornalista ou de uns quantos assobios, na volta, derivados de uma eventual má prestação.

    A entidade organizadora do evento é a Federação Portuguesa de futebol, que se move num meio cravejado de claques e toda a sorte de desvergonhas, impróprias de olhares de menores de 70 anos.

    Quando chega a hora da partida, há foguetes, bandas, bandeiras, comezainas, declarações furiosas de optimismo e fezádas de vitória. Vá lá, à falta de boas notícias e de nunca mais sair o totoloto, sempre é uma maneira do pessoal ter uns momentos de alegria. Percebe-se. Alguns até aprendem a cantar o hino que de outro modo não saberiam e inventam usos inusitados para a bandeira nacional, que o olhar complacente e às vezes embevecido, dos agentes de autoridade consente.

    Os poderes públicos ao verem tão patrióticos propósitos e desbragado entusiasmo, cavalgam a onda, e não raras vezes ultrapassam, pela direita alta ou pela esquerda baixa, o entusiasmo popular.

    Meio mundo tenta explorar as oportunidades de negócio que o evento proporciona e milhares de pessoas compram bilhete e tiram férias, sabe-se lá com que sacrifícios.

    *****

    Vejamos agora o que se passa com as missões militares no exterior.

    Estas missões são definidas ao mais alto nível do Estado e servem, supostamente, para defender os interesses globais desse mesmo estado e do país. São pois, altos desígnios que estão em jogo, não um simples campeonato desportivo. Estes desígnios não são a “feijões”. Envolvem somas financeiras elevadas e um conjunto complexo de meios e exige uma selecção, preparação e treino muito apurados, de meios humanos. Finalmente, estas missões envolvem riscos sérios que, não poucas vezes, causam ferimentos graves e a própria morte, nos intervenientes.

    Ora o que acontece?

    Normalmente, e ao contrário dos campeonatos de futebol cujo calendário se sabe com muita antecipação, as missões militares são decididas de um momento para o outro – o que há partida exige uma estrutura que se compadeça com uma coisa destas; vai-se a ver e falta normalmente tudo o que é preciso, pois os meios ou não estão previstos na Lei de Programação Militar e, ou, são postergados continuamente; a seguir corre-se a comprar por ajuste directo, o que sai mais caro e nem sempre se consegue. Por várias vezes o governo português teve já, que pedir material emprestado a nações aliadas…

    Sobre o que se passa, pouca gente fala. Os orgãos de comunicação social (OCS), habituados a toda a sorte de cusquices, sentem uma verdadeira azia quando se trata de reportar o que se passa. Uma ou outra notícia fugaz, de um treino; uma reportagem de um enviado especial quando o rei faz anos e umas imagens de choros e abraços nas partidas e chegadas.

    O comportamento dos responsáveis do Estado também não é melhor: quando não primam pela ausência, aparecem embaraçados, distantes, conformados com uma maçada. Falta-lhes convicção e autenticidade. Ou é isso que reflectem. Dizem umas palavras de circunstância e, logo a seguir, vão por detrás e zás, mais umas facadas no orçamento, estrutura, meios, etc., das FAs.

    Quando morre um militar tudo se altera: passa-se do 8 para o 80. Os OCS despejam pipas de notícias, massacrando a família e amigos da vítima; descobrindo imensas coisas que criticar, etc.. Os representantes do Estado estão presentes ou fazem-se representar num esforço desproporcionado ao evento, mas sempre rezando para que o ocorrido seja esquecido rapidamente. O povo em geral, anestesiado por catadupas de informação e desinformação, encolhe os ombros e sussurra quanto muito um “coitado teve azar”. E alguns rematam, dizendo “foi para lá porque quis…”.

    Ou seja a acção destes homens que abnegadamente servem o seu país, ganham mal (relativamente), estão longe da família em ambiente hostil e perigoso, sofrendo as inclemencias do clima e o “stress” do perigo e que, calados e humildes, cumprem as suas missões sem queixumes – mesmo quando o seu equipamento não é o adequado – não têm qualquer tipo de reconhecimento nem visibilidade. E se os compararmos aos 20 minutos que uma qualquer estação televisiva dedica às ementas, aos quartos e às massagens dos jogadores da bola, estaremos até a ofendê-los.

    Quem prepara estes homens e é responsável por os manter operacionais e com moral elevado é a Instituição Militar (IM). A IM também já teve os seus momentos maus, mas é uma instituição nacional, séria, cuja história se confunde com a nacionalidade e sem a qual Portugal nunca teria existido nem se manteria. O mundo das FAs não é propriamente o mundo do futebol e os generais e almirantes não se parecem nada com os dirigentes dos clubes. Ou parecem? Agora meditem no tratamento que goza a F.P.F. comparado com o Exército, a FA ou a Armada!

    Acreditem que gostaria que a nossa selecção de futebol ganhasse a taça. Já ficaria contente se tivesse uma boa prestação.

    Agora aquilo que de facto me satisfaria, era que na nossa terra houvesse o sentido das proporções, da justiça relativa e que não se andasse a matar o bom senso diariamente.

    Porque, até ver, ainda ninguém morreu de ridículo.

    João José Brandão Ferreira

    Comentar por ABM — 09/06/2010 @ 2:49 am

  3. ABM:

    1. Não sei se a intenção do ten-coronel era que publicitasses esta sua opinião e/ou se a comunicação te foi dirigida ou é uma “circular”. Caso(s) afirmativo(s) acho que isto é um post [com ligação para este, porventura] e não uma mera adenda na “catacumba” dos comentários.

    2. Concordando eu em muito do que o ten-coronel aponta, tanto quanto ao tralálá festivo com a bola (eu gosto de lhe chamar “futebolização”) como ao “cinzentismo” com que se trata as missões militares no estrangeiro (e no interior) – que tem sempre o tom demagógico de que “se gasta muito dinheiro” com a tropa, oriundo do mal-estar português com as suas FA [que tem razões ideológicas, em contra-corrente com a democracia mas enfim] – há uma dimensão crítica ao circo futebolista com a qual não só discordo como me parece fazer perder acutilância (não direi pertinência) ao seu argumento. As críticas aos ordenados e às condições dos jogadores e staff contrapostas às dificuldades dos militares, por mais “sonoras” que possam ser, não têm cabimento: não é o Estado que financia directamente (há poderosas redes entre bola, partidos e sponsors, nós sabemos) os futebolistas e o paralelismo acima invocado parece-me obscurecer o real. Ou seja, em termos liminares, não interessa se o Ronaldo ganha milhões e se os lençóis sul-africanos onde dorme são dourados, nada disso influencia as missões internas ou externas. Só moralmente, e acho que isso é coisa de cada um.

    3. Já agora, ao fim de uma boa temporada em Moçambique continuo a pensar o mesmo. As únicas “cooperações” portuguesas que funcionam são a militar e a policial (penso que se chateiam quando se lhes chamam paramilitar) – acções que não são exactamente aquelas em que o ten.-coronel se centra mas que também refere. Terão com toda a certeza problemas e ineficiências. Mas têm duas coisas fundamentais: logística (ou seja, e paradoxalmente, recursos) e cadeias de comando (donde objectivos e racionalidade). Bem diferentes das outras vertentes entregues aos referidos “responsáveis do Estado” e respectivos apaniguados. Mas isso é assunto que ainda me levaria a uma jeremíada maior do que a do ten.-coronel.

    Comentar por jpt — 09/06/2010 @ 8:04 am

  4. Depois há outro ponto, mais vasto (ou mais profundo) que tem a ver com o que é “representação nacional” e se isso cabe (ou como cabe, e que ecos deverá ter) no mundo mediático, e em particular no relacionado com estas duas esferas de actividade. Mas isso não me pareça que seja blogo-assunto.

    Comentar por jpt — 09/06/2010 @ 8:06 am

  5. Jpt

    Bom dia, desculpa, a língua portuguesa é traiçoeira. Eu não “recebi” do Sr Ten Cor o texto. Recebi de outrém e achei propositado dado o tratamento do tema. Acho que há alguma validade no lamento da falta de reconhecimento (e de homenagem pelo esforço e sacrifício?) dos militares portugueses nestes importantes envolvimentos. Que devem olhar para este expressar colectivo de “nacionalismo futebolístico” com, no mínimo, ironia. Mas é como dizes, o futebol é um espectáculo único de massas e as pessoas em Portugal gastam uma vida a discutir os jogadores, os clubes, o jogo. E é assim em grande parte do mundo.
    Mas o argumento não deixa de ter força. Nos Estados Unidos a população genuinamente celebra os seus militares e esforços, respeita-os, apoia-os, fazem paradas, até têm matrículas de carros especiais para veteranos. Em Portugal trata-se os militares como se fossem funcionários públicos da repartição da esquina. Ora, não é assim. Eles não são pessoas quaisquer. No evento de conflitos, especialmente estas missões, em que Portugal, por interesses superiores participa, eles põem as suas vidas em risco todos os dias – por nós, portugueses. Eles são a nossa bandeira e somos vistos pelo seu comportamento e actuação. E recebem regra geral salários que no sector privado podem ser considerados …muito modestos (um general recebe menos que um sub-director de um banco). Eu acho que merecem esse reconhecimento público, respeito, e apoio.

    Mas é só a minha opinião e, pelos vistos, a do Sr. Ten Cor., cujos escritos leio de vez em quando.

    Comentar por ABM — 09/06/2010 @ 9:54 am

  6. 1. Os portugueses tratam “envergonhadamente” os seus militares, em termos da visão pública. Em meu entender isso prende-se com dois aspectos: a) ainda a “vergonha” da derrota nas guerras em África (aquilo a que chamo acima uma visão em “contra-corrente com a democracia”); b) efeitos do fundamentalismo liberal, o que acho ser o radicalismo individualista de fachada libertária, que implicou uma longo processo social de desvalorização da actividade (e instituição) militar vindo a culminar (sob Fernando Nogueira e Cavaco Silva, convém não esquecer para não perdermos de vista o desnorte ideológico e político que o pobre economicismo também convoca) com o final do SMO (que fossem “sortes” por racionalidade da dimensão institucional, sempre foi a minha ideia) – e acho esta parte muito importante dado que é um ponto que permite antever os efeitos de dissolução (na prática e na concepção pública) que outras instituições alvos do referido fundamentalismo liberal irão sofrer após as mutações que têm vindo a ser produzidas (escola, família, etc).

    2. Remunerações – não me parece que os militares ganhem mal, o que acho é que os quadros superiores de alguns sectores da economia (banca, serviços de comercialização e “anunciamento” (publicidade), organismos partidário-estatais) ganham demais. Digo-o não no sentido ético-moral, mas sim olhando para um país que face aos seus congéneres apresenta diferenciações de remunerações (hiatos sociológicos) bem maiores. Ou seja há uma burguesia apropriadora dos recursos sociais.

    3. O argumento do tenente coronel tem força – o que disse é que se perde num tom algo demagógico-populista e dá a entender uma concepção “estatizada” do real (lendo-o dá a entender que é o Estado que paga aos futebolistas, etc.) Tem acima de tudo força ao apontar uma política (sim, é uma estratégia) de futebolização nacional, identitária, uma disciplina de pensamento que intenta reduzir reflexão e identidade ao pontapé na bola.

    4. A comparação com os EUA não me é particularmente atraente: os EUA serão o caso contrário pois a) são uma economia de guerra [o teu próprio post deixa-me reforçar essa opinião] o que implica um disciplinar do pensamento popular não em termos da sua futebolização mas sim em termos da sua militarização; b) a mudança pós-Vietname que implicou o fim da obrigatoriedade do serviço militar e a sua tendencial profissionalização (assalariados) implica uma produção constante de valores militares apelando à participação (os filmes, sublinhando-se a importância da indústria fílmica seja em termos económicos seja em termos de produção de concepção do mundo, são o exemplo mais visível para os estrangeiros). É nesse eixo que me parece poder integrar o “respeito pelos militares” numa sociedade que assenta o seu poder político e económico (por enquanto) numa supremacia militar.

    Comentar por jpt — 10/06/2010 @ 12:51 pm

  7. […] de guerra. É este último aspecto do discurso que me parece vir muito a propósito do texto “A crise e a guerra em 2010″ que o ABM aqui deixou. Aqui deixo o referido […]

    Pingback por [BLOCKED BY STBV] Europa (2): a economia de guerra | ma-schamba — 10/06/2010 @ 1:06 pm

  8. Jpt

    Pois, ser e querer ser a única superpotência custa dinheiro… e tem os seus benefícios.

    Comentar por ABM — 10/06/2010 @ 5:10 pm

  9. Não estou lá muito impressionado. Os portugueses foram a reboque do populismo americano (lá, acertado, pois as grandes asneiras foram enormes e os que as fizeram ganhavam milhões) e, encapotando a sua inveja, agora carpem contra os salários de alguns senhores da praça. Não questionando que alguns valores são um pouco empolgantes para a miséria que se vai encontrando, a verdade é que estes gestores respondem perante accionistas que estabelecem objectivos e definem correspondentes remunerações. E negoceiam os salários com estes gestores. Ninguém lhes aponta uma pistola à cabeça e diz “dá-lhe três milhões e meio ou levas um tiro”.

    Por outro lado, creio que a acusação de que a alguns destes cargos estão associadas remunerações completamente descabidas, também concordo. Rui Pedro Soares na PT a ganhar dois milhões e meio de euros por ano? a fazer o quê?

    A notícia menos má é que metade destes valores são comidos para impostos. O Estado ganha mais do que eles…

    Comentar por ABM — 11/06/2010 @ 12:24 am

    • Há os salários descabidos. E nisso estamos de acordo. Mas há também a plutocracização – que é acompanhada da ideia de que é “normal” ou “natural” a existência de grandes disparidades (aliás, frutos, como dizes, da negociação entre partes). Depois de repente percebemos que essas disparidades são, num país como Portugal nem miserável nem noruega, maiores do que os seus congéneres. Ou seja, não é apenas um fenómeno de mercado inter-individual. É apropriação de recursos sociais. Para reprimir com decretos? Não. Mas para combater. Para des-naturalizar, com toda a certeza

      Comentar por jpt — 11/06/2010 @ 1:33 am


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