THE DELAGOA BAY REVIEW

09/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 4

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 2:28 pm

por ABM (9 de Junho de 2010)

We Are Lusofone Family

O jogo particular entre Portugal e Moçambique foi recepcionado ao vivo e a cores no Posto de Observação do Maschamba em Cascais City (POMC) com interesse, pois as declarações prévias dos treinadores deixavam antever uma espécie de comemoração de uma irmandade um tanto amarfanhada por décadas de alheamento entre os dois países. Chiquinho Conde, o actual selecionador moçambicano e que em tempos jogou em Portugal, disse que os seus jogadores iam jogar, sim senhor, mas com cuidado, não vá um dos Mambas dar uma canelada imprevista num dos Adamastores e partir-lhe um mastro – até porque os moçambicanos desta vez estavam a torcer por Portugal e portanto era um contrasenso injuriar um dos ilustres.

Do lado dos Adamastores, Carlos Queiroz, que os moçambicanos afectuosamente rotulam de luso-moçambicano (conhecendo a cultura vigente, é obra. Quando não gostam da pessoa o termo mais frequentemente usado é “tuga de merda”) cingia-se a uma posição tecnocrática apolítica em que o jogo fazia parte de um programa de preparação e aperfeiçoamento para o Mundial. Portanto aquilo não era bem um jogo de ganhar e perder; na verdade, à partida todos já tinham ganho.

Ainda assim, os Adamastores lograram remar três bolas para dentro da baliza dos Mambas oponentes-amigos, não se registando incidentes de maior entre a multidão de Madeiras e de Magaíças, que a seguir foram todos comer um braaizito e beber umas Castle, as provisões de Superbock estando em baixa.

Sinfonia Vovozélica

O que deixou os espectadores portugueses meio boquiabertos e os locutores da Televisão Independente (mas dependente da espanhola Prisa) estupefactos é que este jogo foi a primeira vez que assistiram uma partida de futebol pela televisão em que se usou a Vovozela em colectivo. A minha amiga Dulce Maria, que estava sentada a ver parte do jogo enquanto comia uma saladinha de atum, ao princípio pensava que o som do televisor se tinha avariado e que só se ouvia um ruído chato, intenso e contínuo. Com o aparelho de controlo por remoto na mão, baixei o som e tentei explicar-lhe o mais detalhadamente possível o que se estava a passar: “não Dulce, Maria, a televisão está boa, o que estás a ouvir são as Vovozelas, que na África do Sul usam para alegrar os jogos de futebol”. Num desabafo pouco político, ela atalhou “mas aquilo é um som horrível!”. Os locutores portugueses interrogavam-se em alto como é que os jogadores conseguiam sequer pensar com aquela barulheira toda. Passaram segmentos a explicar o que era aquilo. Meteram um tipo em directo a berrar a Vovozela para se ouvir bem (aí a minha cadela Cookie começou a uivar). Médicos de bata dedicaram-se a explicar que o barulho da Vovozela tinha um efeito nocivo nos ouvidos. Pelo meio, a companhia petrolífera portuguesa Galp continuava a bombardear anúncios prometendo uma Vovozela a qualquer cidadão que se atrevesse a encher o tanquezito a 1.5 euro cada litro.

The Metralha Brothers

Pela manhã de hoje, as estações de televisão portuguesas passavam em barra vermelha em baixo do écran uma notícia urgente de “última hora”: dois jornalistas portugueses (havia mais um, mas este era espanhol) foram assaltados à mão armada esta madrugada dentro do hotel onde estavam por uns jovens adeptos Magaliesberguenses não Vovozelados, que lhes levaram tudo e mais alguma coisa. Mas a polícia local, num quase súbito rasgo de eficácia, anunciou que já estava no encalço de um deles. Agora já só faltava apanhar os outros. A TVI abriu o noticiário das 13 horas com o incidente em longo detalhe (para chatear, explicado pelo espanhol – e sem tradução!) com extensos comentários sobre o crime e a criminalidade na África do Sul.

Portanto lá se vai a promessa de Magaliesberg como futuro epicentro de veraneio dos turistas portugueses.

Nani Nã Ta Ki

Finalmente, o anúncio de que o jogador de futebol Nani não jogaria no campeonato porque estava injuriado. Os comentadores e treinadores de bancada locais gastaram horas a analisar o assunto e só achei estranho quando o Mr. Queiroz explicou que ele já tinha ido magoado para a África do Sul. E que afinal não se tinha curado. Expeditamente, despacharam um outro jogador no Tap para Joanesburgo. Pergunta estúpida: se ele estava magoado desta maneira, antes de ser seleccionado, porque foi? Enfim. O futebol definitivamente não é o meu forte.

4 comentários »

  1. mais estranho é a lesão do nani… e a pirueta (“mortal”) que este deu no festejo do golo frente aos camarões. quem tem a clavícula lesionada não se arrisca assim, penso eu de que…

    Comentar por harness — 09/06/2010 @ 3:16 pm

  2. ou porque não foi logo um 24º jogador?

    quanto às vuvuzelas acho piada é a escroque GALP continuar com a campanha e os pategos patrícios continuarem a comprar e a soprar

    Comentar por jpt — 09/06/2010 @ 3:55 pm

  3. Pois parece-me que a guerra da vovozela está perdida, quer no mundial quer no fututo mais próximo.

    Quanto aos assaltos, bom, só quem os vive é que sabe o que se sente. E por aqui não vão parar.

    O Nani era muito importante para nós.

    E agora, meus amigos, vovozelem porque como se diz: se não os consegues vencer………..

    Comentar por Pedro Silveira — 09/06/2010 @ 4:26 pm

  4. Sobre a vuvuzela, sugere-se:

    http://www.facebook.com/profile.php?id=630709506#!/photo.php?pid=4012036&id=630709506

    Comentar por Pedro Silveira — 09/06/2010 @ 5:12 pm


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