THE DELAGOA BAY REVIEW

14/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 11

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:58 am

por ABM (13 de Junho de 2010)

Como estive a cortar erva o fim de semana todo em Alcoentre, a missão de reportar os eventos do campeonato ficou adiada para agora.

O Mundial Só Para Os Ricos

Hoje de manhã descobri uma novidade: que, como em tempos aconteceu com a TVM em Moçambique (e rolaram cabeças por causa disso), afinal a cadeiazinha pública de televisão RTP só comprou à Fifa os direitos de transmissão para alguns jogos. Portanto, se o povão quiser ver os joguinhos todos, tem que comprar o servicinho duma tal Sport-TV (acho que 20 eurozitos por mês mínimo) uma empresa privada dum senhor que oiço que está desesperadamente rico.

Serviço que eu, por algum desinteresse na temática desportiva em geral, não tenho nem vou ter.

Mas, sinceramente, não entendo. A Érretêpê o ano passado custou aos contribuintes portugueses em impostos um milhão de euros limpos de impostos por dia. O que deu em cerca de 400 milhões de euros de subsídios do Estado – que, em termos de pilim, somos nós os que aqui residem. Afinal, gastam esse dinheiro em quê? Telejornais?

No entanto, nada pára esta casa. Após uma pesquisa rápida no Gúgele, a equipa Maschamba aqui assistiu aos jogos num sítio meio obscuro na internet, que emanava os jogos da África do Sul via Estados Unidos a partir da Turquia, através duma coisa chamada live streaming. A imagem dava para ver – devia ter a mesma qualidade da televisão normal depois de se beberem duas garrafas de tintol – e pelo menos não tive que pagar aos Sport-TVs aquela barbaridade que parece que eles andam a cobrar por aí.

O problema era o som. Para mais detalhes, ver o comentário do jogo Argentina-Nigéria, mais abaixo.

Cá Se Fazem, Lá Se Pagam

Peço desculpa aos exmos. Leitores, antes de ontem não reparei que ontem havia um jogo entre a Coreia do Sul e a Grécia. O nosso Senador, avisado, outro dia facultou um excelente guia dos jogos mas os técnicos do Posto de Observação do Maschamba em Cascais City (POMC) esqueceram-se de o descarregar.

Mas nada escapa aqui. E eis que surge o primeiro jogo em que alguém ganhou a alguém. A relativamente obscura Coreia do Sul goleou por 2 a 0 a Grécia.

Enquanto que a Coreia do Sul é a parte da península coreana que os americanos conseguiram reter da investida comunista nos anos 50, resultando mais tarde na criação da Hyundai e da Samsumg, a Grécia é um pouco como Portugal, só que é melhor a sacar subsídios da União Europeia e tem uma vizinhança lixada. Em vez de dois tem mil arquipélagos e novecentos Albertos João Jardins, e em vez de uma Espanha como fronteira, tem dum lado os descendentes dos Otomanos (que parece que são muçulmanos como os portugueses são católicos) sempre a picá-los, e do outro lado aquele inóspido fosso milenar de ódios chamado os Balcãs, especialmente aquele pequeno país que se chama Macedónia mas que os Gregos, talvez inspirados no Artista Anteriormente Chamado Prince, insistem que se chame qualquer coisa como A Anterior República Juguslava Chamada Macedónia, para não se confundir com a Beira Alta lá deles, que tem o mesmo nome, que era o antigo nome da tribo de onde veio o Alexandre Grande (que na verdade era o Brad Pitt, para quem já se esqueceu).

Vá lá um tipo entender.

Mas os portugueses lembrar-se-ão desses senhores talvez pelo que lhes fizeram em Lisboa no verão de 2004, no Europeu do Sr. Scolari, aquele, com as bandeiras e o hino, como se estivéssemos em Aljubarrota, em que depois de uma progressão verdadeiramente inspiradora dos luso-jogadores, especialmente aquele golo do guarda-redes nos penaltys, o que despachou os ingleses e assegurou o lugar na final, com a graça e a inspiração de uma retro-escavadora em segunda mão a aplanar um campo de trigo, os Gregos ganharam no fim o campeonato e foram-se embora para Atenas com a taça, deixando os portugueses a olhar para a dezena e meia de estádios acabadinhos de fazer e as respectivas dívidas.

O Comentador do Maschamba George Ribéro refere que a culpa pela derrota é toda do treinador dos gregos, que é um alemão, que já foi chão que deu uvas e portanto a técnica da retro-escavadora estes dias já cheira a môfo, razão porque os Samsungs, dinamizados por doses reinvigorantes de arroz chau-chau e algumas técnicas tipo kamikaze, deram-lhes cabo do canastro.

Eu digo que foi Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, que lhes fez a cama.

Duas camas a zero.

My name is Dona, Maradona

Argentina 1 – Nigéria 0

Este foi o jogo que vi pela emissão na internet aos soluços e com uma mistura de vovozelas e um tipo aos gritos em turco.

Confesso que, entre a berreira insuportável das vovozelas lá na South Africa e a excitação de um locutor turco meio maluco que ia berrando a progressão do jogo na sua língua (que faz lembrar o russo se falado com a boca cheia de pedras) ia dando em doido. Mas ainda dava para perceber algumas coisas. Do tipo: “brr, brr, brr, gurka gurka puf puf Maradona. Ufa ufa, árre puf puf roc roc, Messi. Isca pufa rumba rumba Maradona”. Já percebi que este Messi é uma espécie de Cristiano Ronaldo lá das argentinas, e o Maradona é aquele senhor que inspirou multidões antes de se meter na cocaína e andar aos caídos durante anos. Pelos vistos arranjou um fato Armani e agora é treinador, o que significa que, por mais dificuldades que enfrentemos na vida, há sempre um lugarzinho de treinador algures à nossa espera.

O resultado, 1 a 0, foi mais ou menos o esperado.

O frango engolido pelo guarda redes inglês

Estados Unidos 1 – Inglaterra 1

Por causa das confusões toponímicas em Portugal, nunca sei bem se aqui se tratava da Inglaterra mesmo ou se do Reino Unido. Mas parece que o Reino Unido é Unido para tudo menos no caso do futebol, onde as suas partes é que jogam. Deve ser uma coisa lá deles.

Talvez a relação especial inaugurada por Winston Churchill e depois refrescada por Margaret Thatcher nos anos 80 com Ronald Reagan, ajude a explicar o resultado. A verdade é que até ontem eu nem sabia que os EUA tinham uma equipa de futebol, e se tivesse que apostar alguma coisa é que eles não valiam um caracol furado. O golo da Inglaterra não surpreendeu. Agora, o golo que os americanos meteram na baliza inglesa, talvez em homenagem àquele feriadozinho que os portugueses não sonham que existe mas que é grande e se chama Thanksgiving, em que toda a gente come perú assado, não foi um frango: foi um perú, e dos grandes. O guarda-redes, um tal Green, devia estar a consultar o seu astral quando a bola chegou.

O frango engolido pelo guarda-redes argelino

Eslovénia 1 – Argélia 0

Pensando bem, não sei onde fica a Eslovénia. A Argélia sim: deram cabo dos franceses, treinaram o Samora Machel numa vilazinha junto à fronteira com Marrocos nos tempos épicos da luta armada, e exportam quase todo o gás que nós usamos quer em canos, quer nas bilhas que são enchidas lá na CLC perto de Alcoentre e que depois são enviadas para todo o Portugal a 19.75 euros a dose.

Por estas razões, eu favoreceria a Argélia no jogo com a Eslovénia. Mas o futebol é assim: pode-se ter o gás todo deste mundo, que mesmo assim o outro pode ganhar. Neste caso, as equipas não jogavam: competiam para ver quem era pior. O resultado só foi este porque o guarda-redes argelino levou outro frango, este ainda maior que o perú que o inglês acima levou dos americanos.

Ghana 1 – Sérvia 0

Bom jogo. Ao contrário do que alguns pensam, o Ghana não é uma república das bananas e tem bom futebol, diz o George que é um dos top 5 de África. A Sérvia (não me façam dizer nada da Sérvia) quando não está à estalada com os vizinhos, também joga futebol muito bom. Mas neste caso os meus irmãos africanos espremeram-se mais e, apesar de terem marcado o golo da vitória com um penalty (que para mim é pouco mais que uma fraude para despachar o jogo) mereciam ganhar.

Finalmente,

alguém se lembra da série Hogan's Heroes?

Alemanha 4 – Austrália 0

Foi um massacre. Os Down Unders foram mesmo Down Under.

Mas folgo em ver que a Alemanha de 2010 já não é a Alemanha de 1936. Na equipa havia alemães arraçados de turco, de polaco, e até de brasileiro, um tipo chamado…Cacau (estou a imaginar a mãe a chamá-lo “Ó Cacau, traz o pau!”). Independentemente das ascendências, o George diz que a equipa é muito boa no agregado e nas componentes, o que ajuda a explicar o morticínio. Os cangurus até não são maus rapazes, alguns até jogam em equipas na Europa, mas nada que se compare com os alemães.

Os Adamastores

Continuam em Magaliesburgo. Nimguém se magoou por enquanto.

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