THE DELAGOA BAY REVIEW

14/06/2010

NOS BONS VELHOS TEMPOS

Filed under: António Botelho de Melo, Música — ABM @ 8:24 pm

por ABM (14 de Junho de 2010)

Nos bons velhos tempos, quando a maior parte das pessoas em casa só tinha um rádio que apanhava menos de meia dúzia de estações em onda média e, para os mais afortunados, um gira-discos (na velha LM dizia-se um pickup, que se dizia “picâpe”), as pessoas quando muito cantarolavam baixinho e mais alto quando estavam sózinhas nuas e trancadas na banheira, com o chuveiro a correr e a escovar as costas com aquelas escovas de banho com um cabo de madeira longo.

Em Moçambique, quando eu crescia, era assim com os brancos, mas rodeados por um belo, estonteante, omnipresente, contagiante mar de canto e dança africano.

Hoje em dia deu nisto. Uma espécie de hooligans bem intencionados e armados com um exército de câmaras e aparelhagens sonoras aparecem em lugares públicos, armando ciladas musicais que deixam alguns dos transeuntes sem saber o que dizer. Depois escarrapacham uma gravação do evento no Iutúbe.

Como no fundo acho divertido e a seguir vem mais um desses textos chatos sobre economia, coloco aqui dois dos que mais gostei.

O primeiro foi feito por alguns membros da Companhia de Ópera de Filadélfia, que descaroçaram uma ária de La Traviata num mercado local.

O segundo, creio que mais conhecido, foi feito em Amsterdão e inclui uma das minhas canções favoritas, Do, re, mi, do filme A Música no Coração (Óscar para melhor filme em 1965, entre outros).

Aliás, li num jornal da Beira de hoje que uns jovens estão a preparar naquela cidade uma manifestação de apoio ao Sr. Bachir da MBS (acho que é mais para chatear os americanos e as suas medidas administrativas mas enfim) dançando numa praça da cidade da mesma maneira.

Das coisas que mais aprecio em África é que, em África, regra geral, cantar e dançar faz parte da vida. A maioria dos brancos na Europa tem já gerações de tentar parecer sério…e gente séria não canta nem dança….e nunca em lugares não designados. Não?

Com um bocado de sorte, seguir-se-á uma análise sociológica do tema pelo nosso Senador e talvez (oh se isso fosse possível) pela Exma. Sra Baronesa, que calcorreou África, conhece as Europas e tem um olho prescrutante para estas coisas. JPT, Sra Baronesa, porque é que as coisas têm que ser assim?

1 Comentário »

  1. ICAR

    Comentar por jpt — 14/06/2010 @ 11:07 pm


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