THE DELAGOA BAY REVIEW

01/10/2010

EM EUROS, SE FACHAVOR

Filed under: Portugal-Moçambique, Sociedade moçambicana — ABM @ 8:45 pm

Uma das entradas da Escola Portuguesa de Moçambique

por ABM (1 de Outubro de 2010)

O Diário de Notícias de Maputo de hoje informou na sua primeira página que, apesar de instruções em contrário, a Escola Portuguesa de Moçambique, situada em Maputo, e frequentada principalmente por alunos portugueses e moçambicanos (cujos pais optaram pelo sistema de ensino português para os seus filhos) continuava a cobrar propinas em euros, em vez de meticais. E basicamente protestou pelo acto de “desobediência” daquela instituição.

O que a peça (não assinada) do DN não indicou, e que pode não ser evidente para quem não vive em Maputo, são duas coisas.

A primeira é que, ao cobrar os seus honorários em euros, isso significa que, especialmente para quem ganha e tem acesso apenas a meticais, o custo de frequentar aquela escola efectivamente duplicou no espaço de um ano.

A segunda, é que, se se ignorar o primeiro ponto, dado o actual contexto do país, não é assim tão fácil como isso arranjar euros para pagar as propinas da escola dos meninos.

Há um elemento adicional que deve ser referido. É que a prática de cobrar em Maputo na moeda europeia não cabe na cabeça de ninguém. É, apenas, meramente, mais uma portuguesada.

Apenas igualado pela portuguesada ainda mais estúpida e absurda, de obrigar os portugueses que residem em Moçambique e que têm o azar de precisar de alguma coisa dos seus serviços consulares (grande cônsul, by the way), de terem que fazer precisamente a mesma coisa.

Não que sejam os únicos que tenham a majestática atitude umbiguista anal-retentiva. Lembro-me que uma vez, por exemplo, que tive que renovar os meus passaportes português e norte-americano em Maputo, há uns tempos. Na embaixada americana, tive que pagar em dólares americanos, e no consulado português, em euros. Quanto aos dólares, ainda vá que não vá, pois havia-os com abundância. Mas ir comprar euros com meticais para pagar o novo passaporte (a um preço absolutamente ultrajante, quer o câmbio quer o custo da emissão do documento) foi um filme, e no fim lembro-me que não tinham o troco em euros para me dar (mas claro!) e em que moeda é que eu recebi o meu troco?

O exmo. Leitor que adivinhe.

Grande país, este Portugal, que, onde quer que esteja, sempre se esforça para tornar o dia-a-dia dos seus cidadãos mais fácil.

Já viram o que é que seria se os nossos hermanos moçambicanos decidissem, só para chatear, instruir a sua embaixada em Lisboa para cobrar os seus emolumentos em meticais, obrigando quem quisesse ir a Moçambique, a ir desencantar meticais em Portugal para comprar um visto?

Já é mais do que altura para endireitar estas coisas.

38 comentários »

  1. Lá me vão os profs da C. chatear a miúda por tua causa …. (já não bastava eu?!!!)

    Comentar por jpt — 01/10/2010 @ 9:37 pm

  2. Ninguém paga a escola inglesa em Lisboa em libras, certo?
    Aposto que recebeste o troco em…dólares…
    e como diz ironicamente uma amiga residente em Maputo : “Estamos juntos, mas não nos misturamos”. Bah!

    Comentar por VA — 01/10/2010 @ 11:15 pm

  3. Eu acho que se pode pagar em meticais, tenho que ir perguntar. Mas é fim-de-semana prolongado, depois direi algo

    Comentar por jpt — 01/10/2010 @ 11:34 pm

  4. VA

    Acho que o troco veio em Mets.

    Jpt

    A escola aceita mets ao câmbio do dia do BCI para euros, creio. Mas a questão é só parcialmente essa. Num contexto em que o Met caiu substancialmente e a tabela de preços é em euros, quem paga leva uma trancada no preço sem saber como. Para estes pais, a inflação lá em cada não foi 20 por cento. Foi uns 40 se se contar o custo escolar. Creio que a “orientação” do governo tem como objectivo fundamental evitar mais uma pequena explosão de descontentamento, desta vez na comunidade estudantil e os seus papás, que sem saber como ficam encostados à parede com estes custos. No caso dos pais moçambicanos (se me lembro há um desconto substancial para os meninos de nacionalidade portuguesa)é um valente estaladão financeiro.

    Comentar por ABM — 02/10/2010 @ 4:52 pm

  5. Sobre esta realidade eu tenho uma visão muito particular:
    a) o estado português não tem nada que ter uma escola pública em Moçambique;
    b) se o estado português tem uma escola portuguesa para apoiar: 1) o ensino dos filhos dos seus cidadãos emigrados e 2) disseminar o português (língua + “cultura”) junto dos (filhos dos) cidadãos de outros países então
    – 1: vá fazer escolas para Sidney
    – 2: idem para Zurique et al
    – 3: idem para Paris
    – 4: porque não New Jersey ou Newark ou qualquer desses estranhos sítios onde aportaram bacalhoeiros ou similares em XIX e seus descendentes em XX
    – 5: JHB
    – etc e tal

    c) se os portugueses querem emigrar para Moçambique e ter uma escola pública portuguesa para os seus descendentes e/ou dependentes, que ainda para mais tem boas condições, que paguem as propinas indexadas à moeda portuguesa, as quais ainda por cima dão para pagar uma percentagem reduzida dos enormes custos desta operação dita (malevola, ridículo e politicamente – no pior sentido deste último advérbio) de “cooperação”

    Por estas razões todas e mais algumas não poderia discordar mais deste teu texto, que me reenvia para o pior (mas para o pior mesmo) dos representantes da dita “comunidade portuguesa” (entidade inexistente) local que – profissional e pessoalmente – acompanhei nos finais de XX e inícios de XXI nas suas absurdas, nefastas e anti-cidadãs (ou seja, anti-portuguesas no pior sentido das palavra) exigências ao Estado português. O qual, no seu triste avatar socialista (basta ver a na escola portuguesa a parede de placas alusivas às visitas ministeriais, presidenciais, primo-ministeriais e secretariais, que é um verdadeiro muro da vergonha, um muro de ridículo, para entender a verdadeira força motriz deste tipo de construção), o qual no seu triste avatar socialista, dizia eu, se lançou na construção deste tipo de empreendimento (Macau, Maputo e, julgo saber, Luanda) por razões de simbolização política e nada mais

    Em suma, pague-se em euros um serviço que custa em euros. Não querem: a) ponham as crianças noutra escola; b) voltem para o país onde têm escolas públicas; c) emigrem para outros países onde não escolas públicas portugueses

    Independentemente das opções, o renhanhanha do diário de notícias de maputo que vá para a merda

    (este meu iradissimo post está escrito sob total isenção da falta de nicotina. Sinto, visceralmente, todo o desprezo que aqui boto. E sinto-o há década e meia.)

    Comentar por jpt — 02/10/2010 @ 6:27 pm

  6. No longo comentário anterior esqueci os alunos não portugueses da EPM. Que fique explícito que lhes atribuo a mesma receita que aos patrícios: não quer pagar indexado em euros? Há outras escolas. Passar bem.

    Comentar por jpt — 02/10/2010 @ 6:30 pm

  7. Meu caro Senador

    À primeira vista poderá parecer que a tua desnicotinização (?) e a minha gripe ranhosa ribatejana sejam contundentes nos efeitos na escrita e na argumentação.

    Mas, de lenço no nariz, descreio.

    Pois creio que falamos de coisas completamente diferentes. Neste caso, tomo como fait accompli a existência da tal de escola portuguesa, que, creio, interga uma estratégia portuguesa de apostar (e logo, atirar dinheiro) para manter uma relação especial com as ex-colónias. Há uma destas escolas (maior) em Luanda, outra em Macau, etc.

    Nos Estados Unidos, conheci de perto o programa local do ensino de português e a admninistração dos exames e atribuição das equivalências dessa instrução ao sistema de ensino português (era gerido com literalmente tuta e meia por uma GRANDE açoriana cujo nome a gripe bloqueia)e que era essencialmente uma rede voluntária, paga pelos maioritariamente papás e mamãs portugueses emigrados, aulas nos liceus e escolas locais em regime pós-laboral e fins de semana, livrinhos pagos do bolso dos papás, sendo que o governo português apenas dava uma achega.

    Se a discussão se cinge ao ensino escolar português nas ex-colónias, incluindo Moçambique, creio que o historial e os fundamentos para este investimento são conhecidos. Apenas é curioso para mim que quando eu era miúdo no tempo antes da Independência, metade dos meus irmãos fizeram o liceu completo na África do Sul, pois na altura a impressão que se tinha é que a escolaridade portuguesa era branda demais. Os moçambicanos e os portugueses que vivem aí estes dias parece que mandam os filhos para essa tal de escola portuguesa. Se o preço continuar a subir, se calhar começa a fazer sentido mandá-los para a África do Sul. E que se lixe a fraternidade luso-moçambicana (e se calhar os contribuintes portugueses poupavam umas massas valentes).

    Se estamos a falar do ensino de português a nível mundial, creio que poder-se concluir que a situação de Maputo, Luanda e Macau são excepcionais e não têm propriamente que ver com assuntos corriqueiros como a nossa conveniência e a dos nossos filhos.

    Têm que ver com uma estratégia entre estados.

    Claro que se pode fazer uma coisa como a escola americana aí, que é uma iniciativa privada, custa balúrdios obscenos e é boa para estarem lá os filhos dos americanos, cujas empresas pagam tudo, e os filhos daquele senhor que os americanos dizem que é barão. Pois àqueles preços, só mesmo barão.

    Uma notinha final: estive em Luanda a viver dois anos, e o meu rebento mais novo andava num colégio particular que administrava o ensino português, custava vinte mil dólares por ano e estava cheio.

    Mas Angola tem petróleo, elite com taco e não há cá motins do pão.

    Ai a gripe.

    Comentar por ABM — 02/10/2010 @ 10:30 pm

  8. Mais curioso que a moeda é que, estando a EPM dependente do Ministério da Educação português e sendo uma escola oficial do seu sistema de ensino (e embora tenha um estatuto especial, que é essencialmente exigido pela sua implantação em Moçambique), é inconstitucional, para além de ilegal à luz de leis ordinárias, que a escola cobre propinas a cidadãos portugueses para frequentarem os graus de ensino que são obrigatórios pela legislação portuguesa – antes, do 1º ao 9º anos; agora, do 1º ao 12º.

    O que seria legal corresponde, aliás, ao que se passa por exemplo com o Instituto Espanhol em Algés. Os cidadãos espanhois não pagam, os portugueses (ou de outra nacionalidade) que decidam lá estudar pagam (e bem), porque não estão abrangidos pelas obrigações legais espanholas nem são usufrutuários da obrigação que o Estado espanhol tem de lhes fornecer as condições para que as cumpram; é aos Estados da sua nacionalidade que compete assegurarem-lhes um sistema de ensino adequado, de acordo com os seus critérios nacionais.

    Os dois pareceres que em tempos pedi (a um constitucionalista e a um especialista de direito administrativo) não têm quaisquer dúvidas acerca da inconstitucionalidade e ilegalidade dessas propinas. Mesmo se um deles levanta a dúvida acerca de se o pagamento não poderia ser exigido a quem elegesse domicílio de longa duração num país onde exista uma escola portuguesa, exercendo uma actividade privada. No entanto, ambos os respeitados juristas foram unânimes num ponto: colocar a questão no Tribunal Administrativo e sustentar o recurso (fosse quem fosse a vencer aí) para o Tribunal Constitucional ficaria muitíssimo mais caro do que o muito que tinha pagado para ter a minha filha um ano na EPM.
    Mas se os pais de alunos portugueses da EPM quiserem juntar-se e colocar colectivamente uma acção em tribunal…

    Seria também simpático que, quando se fala disto em Maputo com importantes ou promissoras figuras públicas moçambicanas, elas se abstivessem de esclarecer que, por “cunha” vinda da Julius Nyerere ou da Mao Tse Tung, pagam ou pagaram só 50 ou 25% (depende, segundo percebi ao 4º caso, de quão importantes ou promissores são) daquilo que é exigido aos pais de portugueses.
    Esta “atenção” (como se diz nas lojas da velha guarda) é, claro, uma compreensível medida de política diplomática.
    Mas que seria bem mais aceitável se os portugueses não tivessem que pagar propinas elevadas e ilegais.

    Comentar por Paulo Granjo — 02/10/2010 @ 11:27 pm

  9. PS: leia-se, obviamente, “pago”, em vez de “pagado”. Não sei o que me deu; telvez seja de vos ter visitado no intervalo da escrita de um artigo em francês.

    Comentar por Paulo Granjo — 02/10/2010 @ 11:31 pm

  10. PG vou regressar a um enquadramento intelectual que, em inglês francês ou outra língua qualquer, é radicalmente outro: passar pela cabeça de um cidadão português que o Estado português tem qualquer obrigação de prover ao ensino público e gratuito nos outros países e, muito em particular, nas antigas colónias é a coisa mais repugnantemente fascista e colonialista e patrioteira que me botaram na merda do blog durante sete anos. Posso discordar, dolorosamente até, de um evolucionismo oitocentista alheio e sobre ele discorrer de forma velada. Mas sobre isto não há véu nenhum. Os fundamentos da reflexão são horrorosos Ou então são ignorantes (artigos legal à parte, que no caso quanto muito apenas ecoará um enquadramento legal que não previa este desenvolvimento). Há quem não queira compreender isso, e eu não me vou por a perder tempo com contra-argumentações mais profundas. Porque honestamente acho mau de mais. E acho no meio disto absolutamente pavoroso, e denotativo, que seja eu jpt o gajo da direita. Foda-se, há limites? Não. Haja, caralho, haja então limites …

    [quanto ao resto, às tais “cunhas” tão apropriadas para a choraminguice do “eles” afinal pagam menos do que “nós” … É política. Também há bolsas de estudo políticas, também há contingentes especiais. Também há projectos de investigação especiais, também há apoios especiais. Foda-se, toda a conversa é repugnante. Mas insisto, é um quadro intelectual diferenciado. É essa a diferença]

    ABM não tem nada a ver com coisas diferentes. Nos últimos tempos tenho aqui escrito alguns textos sobre a escola portuguesa. Sobre a sua qualidade. E sobre as suas características derivadas do ensino português (âmbito ligado à distinção a que tu te referes de há décadas, entre o ensino sul-africano e o português). Não vou insistir no que disse acima: há uma escola portuguesa em Moçambique que foi constituída enquanto pólo de cooperação no ensino (cumpre, muito secundariamente, funções nessa área). Os seus alunos pagam propinas. O estado português (o ministério de educação, julgo) assegura uma percentagem bem maioritária do seu orçamento e do quadro de pessoal. Que os portugueses venham protestar que pagam é mesmo de quem acha que o raio do império ainda não acabou e que, como arengava o Salazar, “os melhores para Angola” (e contracosta, acrescento). Que venham carpir que pagam em euros ou a isso equivalente é de … ir ao cu

    Não falo mais sobre o assunto: tenho vergonha disto.

    Comentar por jpt — 03/10/2010 @ 12:23 am

  11. Senador

    Mas isto é o Império. O Quinto Império. O do Pessoa. Acho que é ao que se estão a agarrar, pelos colarinhos, com o que podem, fazendo destas. O que o Pessoa se esqueceu é que, por virtude dos números, o V Império vai sempre acabar numa mistela afro-brasileira em que os portugueses acabam indo a reboque.

    Felizmente temos aqui o Maschamba, que é autónomo, independente e do sector privado…. aqui fala-se português como se quer e sem agendas estatais.

    E não se pagam propinas.

    Comentar por ABM — 03/10/2010 @ 2:33 am

  12. Há uma retórica “lusófona” que se inscreve no que dizes, entre-ironias. Fartei-me de o escrever aqui, do fundo tonto, incompetente e tardo-imperial do nhanhanha lusófono. Que foi (está já em desuso) importante no socialismo português dos anos 1990s. Por influências das comemorações dos descobrimentos, fundação da CPLP, a expo-98, mas também pelo vazio da intelectualidade socialista (falo do PS) portuguesa, do seu pendor ensaístico (paraparaparapara… espremes e interrogas-te) e da herança colonial do republicanismo – que é muito marcante no PS profundo, e não estou a dizer que seja colonialista.

    Essa retórica, essa incapacidade de pensar o real sem ser em termos de (ex?)potencia colonial mostrou-se muito, mas vai-se diluindo com o passar das décadas (não há mal que sempre dure, diz o povo). Em meu entender estas “obras de regime” das 3 escolas (não há mais) representam isso. O que não quer dizer que não sejam úteis, ou que não funcionem bem. Mas a sua razão política de existência está aí centrada (e com este dinheiro tanto se poderia fazer em termos de cooperação estruturante, mas isso é outra conversa, pois na prática nunca se faria por falta de recursos humanos capazes de pensarem nisso)

    Aqui não se pagam propinas. Nem há V império ou outro qualquer. Nem mesmo pessoanos (acho). Mas o que não da minha parte, com toda a certeza, o desplante de achar que o estado português tem que me por uma escola gratuita na capital das antigas colónias para que eu vá para lá viver e eduque os meus filhos no sistema português gratuito. E que depois arrote postas de bacalhau sobre o meu progressismo político-teórico. Isto é mau demais. E o mau demais quando se repete, cada cavadela sua minhoca, não tenho paciência. O império acabou? Sim, mas “lisboa”, a “lisboa” de merda dos amanuenses maledicentes não. Anda aí.

    Fica por Alcoentre, ou segue directo a Cascais.

    Comentar por jpt — 03/10/2010 @ 4:13 am

  13. Flávio (ou JPT):

    Em lado nenhum do que escrevi se pode ler que o Estado português tenha obrigação de estabelecer escolas oficiais onde quer que seja, fora do território nacional.
    Lê-se que, onde quer que as estabeleça (seja em Maputo ou em Freixo de Espada à Cinta), o ensino ministrado tem que ser, segundo a legislação em vigor, isento de propinas para os cidadãos portugueses abrangidos pela obrigatoriedade de frequentar os graus de ensino ministrados. Só.

    Ora, embora por vezes possa não parecer, Portugal é um estado de direito. O que implica que a lei tem primazia sobre as preferências e vontades de quem detenha poder de decisão administrativa ou governativa.

    É claro que os ministros, embaixadores, directores de escolas têm direito à sua opinião, tal como tu, eu ou o Zeca da Esquina.
    Afinal, como dizia o Dirty Harry, «opiniões são como o olho do cu; cada um tem a sua».
    E todos temos, claro, o direito de refilar, argumentar ou agir para a alteração das leis de que discordamos. Mas, até que sejam alteradas, são elas que regulam os aspectos sobre os quais incidem.
    O que faz com que, independentemente das opiniões que existam acerca das políticas diplomáticas, de ensino ou da língua (questões que, confesso, estão muitíssimo longe de ser prioritárias para mim de momento), eu não devia ter sido roubado pela EPM e tu não devias estar a ser roubado por ela.

    Quanto às tuas diatribes sobre pós-colonialismos, fascismos e quejandos, como elas não têm a ver com nada do que eu tenha escrito ou me tenhas alguma vez ouvido, não tenho obviamente qualquer resposta a dar.

    E, conhecendo a tua dificuldade em reconheceres erros e pedires desculpa, resta-me sugerir que guardes essas tuas opiniões (e os insultos associados) para quem as justifique.
    Ou então, que as faças reverter pra o tal sítio que, tal como opiniões, toda a gente tem.

    Comentar por Paulo Granjo — 03/10/2010 @ 8:17 pm

  14. Dr P Granjo

    Realmente parece ser um ponto válido. Em Portugal, está escrito que a escolaridade mínima obrigatória (tirando a negociata dos livros escolares, que é a maior mafiosidade que eu já vi) é grátis para os cidadãos portugueses.

    Quais as razões formais (ou melhor, os fundamentos legais) porque é que as escolas em Luanda, Maputo e Macau cobram o que cobram aos portugueses, desconheço.

    “Comissão de gestão por o tugazinho estar longe do torrão”?

    Dum ponto de vista estritamente economicista, é um bom negócio pagar as comissões cobradas, se se olharem outras alternativas, sendo que suspeito que o verdadeiro terror de muitos pais portugueses é, por serem prezadamente portugueses mas escolhendo pecursos de vida fora de fronteiras, facultem educações formais mais exóticas e possivelmente desadequadas para o eventual, almejado retorno ao solo pátrio. Não vá a criancinha tornar-se noutro misógeno cultural alcoolizado como o Fernando Pessoa, um eterno estrangeirado que acabou traduzindo cartas e vivendo alucinado, precariamente, entre a luso e a anglofonia, salvo dessa inconstância por um oportuno ataque de fígado. E cuja obra sublime só foi reconhecida por meia dúzia na altura e por todos meio século mais tarde.

    Apropriado, aliás, pois Portugal é uma verdadeira Dead Poets Society.

    Comentar por ABM — 04/10/2010 @ 3:20 pm

  15. ui, meus caros. E isto tudo porque na embaixada portuguesa em Maputo o Sr. ABM pagou em euros e recebeu o troco em meticais. E todos sabem que a moeda franca é o dólar. Haja consenso, p.f.

    Comentar por VA — 04/10/2010 @ 4:26 pm

  16. Então, VA? veja lá em cima. A minha nota foi motivada por um artigo saído num jornal de Maputo a protestar a obrigatoriedade do pagamento de propinas em euros na Escola Portuguesa em Maputo, contrariamente a uma “orientação” governamental. O assunto é mais sério do que possa parecer à primeira vista.

    Comentar por ABM — 04/10/2010 @ 4:35 pm

  17. E estou perfeitamente de acordo consigo, ABM. Ninguém paga a Escola Inglesa em Lisboa em libras. Mas a discussão enveredou para questões de legitimação da existência, ou não, de uma escola portuguesa e os interesses (político/estratégicos) que lhe estão associados.
    E em lado nenhum do planeta as escolas estrangeiras são públicas…não podem, não devem, não faz sentido. Mas essa já não é a sua guerra, ABM.

    Comentar por VA — 04/10/2010 @ 4:49 pm

  18. Caros,

    Recebi os comentários por um amigo. Confesso que não consegui ler tudo. Não por desinteresse, mas por manifesta falta de tempo. E confesso que vou alargar um bocado o que vou dizer. O JN que verifique se existe ou não, um tratamento especial à EPM. É que o mesmo JN deve ter por lá algumas crianças filhas de administradores e/ou directores que beneficiam de belos descontos. E por favor, não me venham falar que o salário de tais pessoas é incomparavelmente menor que o meu! Alguns desses senhores do JN que lá têm os filhos, habitam em casas de 2.500,00USD ou mais por mês de renda! E não é por um valor de 100,00€ por mês que vão ficar mais pobres!!!!!!

    Estou em Maputo há quase 3 anos, e tenho os meus filhos na EPM.

    Para que me entendam: apenas desejo que os meus filhos tenham acesso a um bom ensino. Se pagamos muito? Sim. Mas o custo não é nenhum absurdo, comparado com o que a maior parte de nós recebe. Aliás, acho mesmo que nenhum de nós viria de animo leve para Moçambique, caso não tivessemos um trabalho que nos proporciona um bom nível de vida. Ou será que eramos desempregados ou eramos todos uns funcionáriozecos que o salário mal dava para viver? Eu vim pelo Curriculum e por uma nova experiência. Mas o que recebo também pesou na decisão. Não que receba muito mais que em Pt, mas as condições gerais são melhores. Por isso, não sejamos hipócritas com uma questão que deve custar mais ou menos 1.200,00€ por ano (sim, 100,00€ por mês) por criança.

    Quanto às crianças Moçambicanas que lá estudam e que em grande parte usam do factor C para poderem lá estar com custos reduzidos: acho que a escola deveria promover aulas para crianças que de facto necessitam. Acho que os paizinhos que usam os seus cargos deveriam ter vergonha em pedir desconto! Mas não me importo que parte das propinas que pago anualmente pelos meus filhos funcionassem mesmo para ajudar outras crianças.

    Quanto à questão dos Euros: tanto quanto sei a EPM possui um estatuto especial dado pelo governo moçambicano (logo o JN deveria antes de falar, verificar). Mas a EPM tem uma facilidade grande em resolver o problema de apenas cobrar em Meticais: basta, no início de cada ano lectivo, ver qual será o custo de cada propina em €, converter para Metical a uma taxa de cambio estimada no valor médio do cambio do ano anterior e adicionar 15%. Desta forma estarão a salvo! Posso mesmo dizer que a taxa de câmbio do último ano rondou os 45,00Mt por cada €, que acrescida dos 15% estariamos a pagar cada € a 51,75Mt! Será isto que desejam?

    Sei, no entanto, que as receitas com propinas equivalem a cerca de 30% do custo anual de exploração da EPM! Como é possível? É que os professores que lá leccionam recebem exactamente o mesmo que receberiam em Portugal. Poderemos dizer o mesmo da Direcção? Não… E os Profs a única ajuda que recebem da EPM é de 50% do valor do DIRE…

    Por falar em DIRE, porque é que o JN não vai analisar um Protocolo da CPLP, o qual Moçambique assinou, em que os cidadãos da CPLP emigrados em países da CPLP só pagariam 50% dos custos de taxas e emolumentos referentes aos vistos de residência? É que nós pagamos 24.000,00Mt por pessoa!… o equivalente, em Euros, a mais ou menos 500,00!!!!! Ao passo que em Portugal qualquer cidadão que solicita o visto de residência paga 60,00€, mas os cidadãos da CPLP pagam apenas 30,00€!!! Inclusivé os Moçambicanos!!! Não tenho nada contra os Moçambicanos. Nem contra os Portugueses! Tenho é contra os 2 governos! Tratam os seus povos muito mal.

    O nosso, e apenas falo do nosso porque voto apenas em Portugal, é, neste momento, uma quadrilha! Cada vez mais me custa a compreender a capacidade dos meus compatriotas que ainda acreditam no Sr. José Socrates, sim, por que de engenharia apenas percebe da obra já feita – como a desfazer pedra a pedra. Num processo lento e agonizante, onde as pessoas cada vez mais parecem carneiros de um rebanho de olhos vendados… Doí-me a alma, e acreditem não é uma figura de estilo que aqui coloquei.

    Mas, doí-me também ver tanta gente a falar mal e a queixar-se da crise, quando em Julho deste ano (não foi em Agosto) fui ao Algarve e vejo tudo lotado: hotéis, restaurantes, bares, praias, esplanadas… etc! E só ouvir falar em Português. Pior, acreditando na CRISE imaginei que poderia com facilidade arranjar alojamento (e ainda iriam ficar gratos!) para mim e para a família! Pois, meus caros, passei horas à procura e se não fosse um modesto, mas muito simpático, Hotel em Loulé, teria voltado para trás por falta de onde dormir!

    Tudo isto por causa de um artigo no JN de Maputo que nem vem assinado (há pessoas que têm mesmo medo), e que infelizmente imagino que seja português! Pois só mesmo nós somos comezinhos a este ponto!

    Um abraço a todos que lerem estas palavras.

    Comentar por Rui Pereira — 05/10/2010 @ 11:14 am

  19. PG Aquilo a que tu chamas “insultos” ou aludes a “pedidos de desculpas”, restringe-se a isto: Escreveste um comentário referindo à inconstitucionalidade dos portugueses pagarem propinas na EPM e aludindo à hipótese dos cidadãos assumirem individual (o que desaconselhas por razões da tua experiência)ou colectiva uma prática no sentido de as fazer terminar. Não contesto (nem agora nem no meu comentário anterior, onde aliás o refiro) que isso corresponda ao enquadramento legal (constitucional) vigente. Como digo muito provavelmente o enquadramento legal não foi actualizado e não tinha previsto este desenvolvimento de escolas públicas funcionando no estrangeiro. É a base.

    Que um cidadão português que esteja em Moçambique, conhecedor desse enquadramento, entenda contestar a legitimidade do pagamento das propinas? Está no seu direito. É a sua economia familiar, claro. Mas é também a sua concepção da sua cidadania, da sua articulação com o seu Estado (“direitos”, ou seja “relações”). E da sua compreensão do contexto em que o seu Estado funciona – neste caso particular, de como um organismo público português funciona no estrangeiro.

    Que um cidadão português que venha residir em Maputo, encontre uma escola portuguesa pública (que aqui existe por razões de história de curto prazo, de simbolização política pós-CPLP e também como fruto da actividade de uma cooperativa de ensino maioritariamente constituída por portugueses desde finais de 1980s) e que entenda que a sua relação com essa escola é (deve ser) igual àquela que teria num qualquer contexto português é sintomático que incompreende (ou quer incompreender) a característica central desta escola, o ser no “estrangeiro” e presumir uma diferente relacionamento (donde, de “direitos” recíprocos) com os cidadãos portugueses. Não estão legislados condignamente? Diga-se, promova-se a alteração legislativa (inclusivamente através de blogs, se necessário). Mas reconheça-se neste exercício (familiar, de economia doméstica também) de cidadania a característica estruturante, fundamental, desta insitutição e que recobre a relação com os cidadãos portugueses. Existe, é, no estrangeiro.

    Negar isso, exigir (ou aventar) a homologia da relação cidadãos-escola face às relações habituais (constitucionais) no território nacional é negar a característica central desta instituição e do contexto que a forma. É negar a dimensão “estrangeiro”. Pode-se fazer isso conscientemente ou inconscientemente. Sobre isso já não opino. Intepreto mas não opino.

    É absolutamente similar, esta exigência de homologia de relação cidadãos-estado aqui face à existente em Portugal (que é muito recorrente, diga-se, em alguns meios da “comunidade portuguesa”), ao que vi acontecer em momentos de maior tensão, como os conflitos de 2008 ou 2010, e até mesmo nas cheias de início da década. As críticas imediatas ao estado português (em particular aos serviços consulares) porque não davam total e imediato apoio, na preservação da segurança dos cidadãos portugueses ou, pelo menos, na transmissão muito atempada e completa de informações, em tempo real. É sintomático, de novo reenviando para o estado portuguÊs um conjunto de exigências que se traduzem na imagem de que se exige aqui a mesma quasi-omnipresença (e produção de ordem, policial e comunicacional) que se exigiria em Portugal. Esta incapacidade ou invontade de entender as diferentes relações, conteúdos e possibilidades entre instituições publicas portuguesas e cidadãos portugueses (os “direitos”, no fundo) no país e aqui estã não alimentada por uma ideologia reinvindicativa individualista mas fundamentalmente é produto de um caldeirão histórico, em que as perenidades pós-coloniais são reforçadas. Ninguém tem o mesmo discurso sobre um instituto camões em bangkok ou um consulado em san francisco aquando de um terramoto. E isto é cristalino.

    É a isto que eu chamo patrioteirismo, fascismo e colonialismo. É insulto? Entende-o assim. É disso que queres que eu peça desculpa? NEm pensar nisso. Porque me é repugnante o choradinho de exigir os serviços públicos grátis no estrangeiro (ainda para mais deste tipo). Sob o ponto de vista de cidadania. E porque tenho esta muito antiga concepção do espírito ideológico que está por detrás de todas estas exigências, aqui.

    Quanto ao resto, a tralha dos insultos, etc e tal. Há um mês tivemos aqui uma troca de comentários sobre as manifestações. Não vou fazer “coy paste”. Pois para além desta diversa interpretação política de “portugal” em Moçambique, dos cidadãos portugueses em Moçambique, das concepções que regem a nossa relação com o Estado e suas instituições, há coisas muito mais importantes. Está lá tudo escrito. Está explícito.

    Comentar por jpt — 05/10/2010 @ 12:08 pm

  20. Rui Pereira, ainda bem que está o suficientemente ocupado de tal modo que não tem tempo para ler os comentários de um texto que lhe interessa. Mas ainda bem que arranjou tempo para escrever o seu comentário.

    Comentar por jpt — 05/10/2010 @ 12:10 pm

  21. VA as escolas no estrangeiro podem ou não ser públicas ou ter ligações aos Estados “emissores” por assim dizer. Claro que discutir a EPM coloca discutir muito mais do que se se paga em meticais ao câmbio do dia ou do mês. Discutir a EPM é discutir a cooperação no ensino Portugal-Moçambique e discutir a EPM é também discutir “cesuras” (grande palavra) existentes ou não.

    A gente começa a discutir e azeda? Nunca. O azedo está antes. Acima o comentador RP já se está a preparar para protestar com o facto da direcção da EPM ganhar mais do que ganharia em Portugal. Começou por dizer que veio para aqui ganhar mais, mas já está a resmungar com os malandros dos funcionários públicos que para cá vêm ganhar dinheiro. A conversa está a azedar? Nada – já estava podre antes de começar. Faço-me entender? Faço, como é óbvio.

    Comentar por jpt — 05/10/2010 @ 12:15 pm

  22. Caro IPG,

    Não estou a dizer que a Direcção da EPM veio ou não ganhar mais. Problema deles e melhor para eles. Mas seria de esperar mais competência, ou estarei errado em exigir que, pagando (e isso não contesto nem resmungo) trabalhem em condições e façam mais pela referida Escola, seus alunos e funcionários?

    Quanto ao eu ganhar mais, sim, ganho. Afirmo-o sem quaisquer problemas ou sentimentos de culpa, mas no meu trabalho sei que sou competente e que o que recebo é merecido integralmente, e com isto não questiono o que outros recebem ou deixam de receber. Apenas que exijo, porque pago, que o meu dinheiro seja melhor gasto. Acaso alguém está distraído com a situação que se vive em Portugal? Parece que sou eu…

    Desculpe-me se o ofendi de alguma forma… e eu talvez não tenha tempo para ler todos os comentários, mas parece-me que o meu não foi entendido/lido para se poder afirmar que “estou a resmungar”. Eu não resmungo. Apenas disse o que pensava e se não se pode dizer o que se pensa, com seriedade, o tempo do meu comentário foi PERDIDO, o que lamento.

    Ainda numa resposta sua ao VA falou em censuras. Com as suas palavras “censurou” o meu comentário e parece pretender condicionar outros comentários.

    Sejamos todos sérios… Pelo menos o que eu disse é o que sinto. Obviamente respeito a diferença de opinião, mas não a qualifico de “resmungos” ou “protestos”…

    Meus senhores, tenham um bom almoço…

    Comentar por Rui Pereira — 05/10/2010 @ 12:34 pm

  23. Caro IPT,

    Desculpe-me, mas no último post chamei-o de IPG, por isso as minhas desculpas.

    Comentar por Rui Pereira — 05/10/2010 @ 12:35 pm

  24. RP repito, ainda bem que tem tempo para comentar. Com toda a franqueza lhe explicito o meu resmungo: é recorrente o tipo de argumentação que apresenta, “eu não tenho tempo para vos ler mas já agora vou dizer algo a propósito do que vs disseram”. Está implícita uma hierarquia que é sumamente irritante, para não dizer desrespeitosa. É involuntária? Porventura, mas é recorrente como já disse, e torço-lhe o nariz. Ou, dito de outra forma, resmungo – que é coisa que eu faço e que, pelos vistos, V. não faz.
    Ultrapassado esse ponto de somenos importância vamos ao sumo: V. veio ganhar mais para cá e também eu quando vim. Nada a opor, e foi muito natural e saudável o seu comentário inicial sobre a matéria. Considera – no entanto – que os da direcção já serão criticáveis ao contrário de V. que é competente. Entenda eu não o conheço, longe de mim pressupor a sua incompetencia (ainda para mais em regime de boas-vindas a este nosso blog). Mas isso é ser juiz em causa própria, V. acha-se competente e acredito que a direcção da escola também se ache. Isto (a avaliação por parte dos interlocutores, no nosso caso presumo que ambos “encarregados de educação” e cidadãos) não vai lá por considerações avulsas (e in-blog) Trabalham eles mal, diz V.? Substantive-se e dissemine-se a opinião, não bastará ficar por uma “boca” e por uma generalidade como V. aqui deixou
    Mas para que não me fique a achar advogado do diabo queira (caso tenha interesse) seguir ao meu outro blog Courela onde tenho um texto recente, impressionista é certo, muito pouco simpático para com a escola. Ainda que o formato seja peculiar (é um blog de cura) está lá substantivada uma crítica.

    Quanto ao resto eu naõ falei em “censuras” falei em “cesuras”. Exactamente aquelas que V., e muito bem, interroga. Por isso mesmo passíveis de serem dialogadas. Cumprimentos

    Comentar por jpt — 05/10/2010 @ 2:37 pm

  25. Fazes-te entender, claro!
    Ainda ando a investigar quanto pagam os alunos/cidadãos espanhóis no Instituto Espanhol Giner de los Rios. De facto, as propinas apresentadas on-line só remetem para alunos não-espanhóis.
    Será que o ABM pode dar uma ajuda na investigação?
    Depois disto e se a conversa ainda estiver na ordem do dia, posso tentar tecer alguma elucubração sobre escolas públicas ou privadas no estrangeiro.
    Até lá, divirto-me com os comentários irreflectidos que saem do “coração”, melhor, das “vísceras”, e com a tua assertividade imediata a apanhar a contradição. Eu, incluída, claro está. É que as pessoas não gostam de ser chamadas à atenção nas suas contradições, JPT. Levam-se muito a sério!!!

    Comentar por VA — 05/10/2010 @ 5:35 pm

  26. Cheira-lhes a censura, e afinal, só se trata de uma eficiente e profunda cesura.

    Comentar por VA — 05/10/2010 @ 5:40 pm

  27. Flávio:

    Como referi,limitei-me a escrever que o quadro legal a que se subordina a EPM torna ilegais à exigência de propinas às pessoas e nas condições que explicitei.
    (É aliás também o caso da Espanha, com uma legislação substantivamente igual à portuguesa quanto a esse aspecto, conforme poderá verificar a VA ao longo da sua pesquisa.)

    Se, já que esse facto contraria a tua opinião de como as coisas deveriam ser, achas evidente que a única razão plausível para que a situação seja essa é terem-se esquecido de modificar a Constituição e a Lei de Bases do Sistema Educativo para acomodar o caso da EPM, enfim… é um raciocínio peculiar, mas um direito que te assiste – e um pouco de narcisismo só te fica bem e te dá graça.

    Se achas que, sendo esse o quadro legal, a Constituição e a Lei de Bases são fascistas, neo-colonialistas e patrioteiras, enfim… estás ainda no teu direito.

    Se, por eu reclamar contra o incumprimento da lei, te sentes no evidente direito de me chamar fascista, neo-colonialista e patrioteiro (e de me atribuir todos os pensamentos e pressupostos ocultos que te desagradaram nas pessoas com quem te foste cruzando na vida), aí, nem estás no teu direito, nem o raciocínio e a reacção parecem estar isentos de características patológicas e/ou de má-fé.

    Quanto às bolas rematadas ao lado, para desviar a conversa do seu assunto:

    – As coisas que escrevi e continuo a escrever acerca do 1-2 de Setembro, baseadas em conversas e pesquisas desde 2008 até finais do mês passado, poderão até (como qualquer análise social) estar erradas. Mas parecem fazer algum sentido para moçambicanos e estrangeiros que se interessem por isso, pelo menos a julgar pelas solicitações que suscitam e pela integração, no debate público e mediático por aí, de expressões e teses que avanço nesses escritos. Sem embargo de, enquanto antropólogos, devermos estar sempre prontos a questionar as nossas conclusões, isso descansa-me um pouco, de momento.

    – De facto, zangaste-te comigo em 2008, quando reclamei por o consulado e a embaixada estarem fechados e incomunicáveis durante os tumultos. Sugeriste até que eu quereria uma força militar portuguesa para me proteger… Essa reclamação parece não ter sido considerada fascista, neo-colonialista e patrioteira nos meios diplomáticos – e, segundo me disseram os portugueses com quem falei por aí, o comportamento e acção da nova consul foi, no 1 e 2 de Setembro, irrepreensível. Ou seja, parece que há mais “fascistas”, “neo-colonialistas” e “patrioteiros” a acharem que as instituições devem cumprir as responsabilidades que lhes competem, sem negligências e desculpas do desgraçadinho, e que o trabalho de consul pode, afinal, ser bem feito.

    Comentar por Paulo Granjo — 05/10/2010 @ 8:12 pm

  28. VA

    Eu posso tentar elucubrar tudo se me explicares o que é a matéria elucubrável. Confesso que no meio deste debate suado (mas ainda oh tão tenuamente amigável) entre os nossos fiquei ao mesmo tempo elucidado e confuso. Mas faz parte.

    Comentar por ABM — 05/10/2010 @ 8:22 pm

  29. Esquece, ABM. Esta conversa já não é nossa e o elucubrável tornou-se impróprio. Eles que se entendam.Ysh!!

    Comentar por VA — 05/10/2010 @ 10:20 pm

    • VA as coisas são como são. Se a conversa não é vossa o silêncio impõe-se. O resto é intromissão. O ABM espalha-se ao ensaiar a ironia. Não há ironia no reino da hipocrisia pública, há “lisboa” a clamar insultos quando se lhe diz “lisboa”. O resto é a merda de sempre. Morre aqui.

      Comentar por jpt — 06/10/2010 @ 12:39 am

  30. Sim. Que morra e repouse em paz, como merda que nunca deveria ter sido excretada.

    Mas não como a lisboa que se quer maputo (e se quer todo o maputo, mesmo o que não conhecee ou conhecerá, mas muito mais maputo do que alguém que alguma vez chegue ou tenha chegado alguma vez poderá ser) e que clama hipocrisia onde não a pode apontar, quando já nenhum outro espaço de manobra há para apontar o que quer que seja.

    Que não morra essa lisboa degredada e aspirando à maputanidade exclusiva porque, para além da básica humanidade e das boas recordações que a ela me unem (e apesar da descrição anterior que reapropria a sua própria linguagem), até que ela faz falta e tem graça.

    Embora não tanto (no meu caso, e como se prova) em conversas que não sejam cara a cara.
    Doravante, a essas me limitarei.

    Entretanto, desejos de sucesso na desintoxicação tabágica.
    A minha, está agendada para o dia seguinte à agregação. Uma cobardia, bem sei.

    Comentar por Paulo Granjo — 06/10/2010 @ 3:08 am

    • O exercício da interpretação não é censurável. A interpretação sobre propostas de cidadania e seus fundamentos é o risco de quem as publicita. Pode ser, essa interpretação, matizada ou alterada numa reconsideração. Neste caso não o é. Nem sequer é uma análise individual, é abrangente. Ainda que o seu contexto individual de formulação a torne mais “berrante”. Por mais que custe a outrem eu considero “denotativo” de uma posição de cidadania “horrorosa” e de uma concepção de relacionamento inter-nacional a proposta de estrategizar para não pagar propinas numa escola pública. Compreensível e até expectável se de alguns, bem mais complexo se vindo de outros. Nisto não há recuo.

      Outra coisa é o exercício público da hipocrisia, a qual não se relaciona directamente com a EPM ou outro qualquer assunto, é transversal. Pode vir acompanhada com os sofismas todos, pode vir com as pretensas indignações todas (e até pode produzir sentidas indignações). E até pode ser acompanhado por comentários externos de índole salazarenta apelando ao charme discreto da burguesia, à auto-censura (lamento VA mas não é momento para gentilezas, é mesmo isso que penso, e é isso que eu acho sobre os teus altaneiros comentários). Será um dia futuro, com toda a certeza, lembrado por bloguistas lisboetas (“lisboa” existe) da supra-esquerda que virão aqui sublinhar calúnias (aqui a Maputo, aqui ao ma-schamba). Tudo isso, todo o exercício da calúnia privada cruzado com a pública amizade é um monte de merda. Repito, neste campo estou como a Maria José Nogueira Pinto – tal não anuncia nada de bom para mim, sei-o bem.

      Chega mesmo. Porque é uma merda de anos. Injustificada e indecente. Mas mais do que tudo não compatível com encenações públicas de companheirismo, bloguístico ou outro. Fica o jpt como o gajo que insulta? Que fique. Mas que fique explícito que não fica o jpt como o gajo que calunia e estrategiza a má-sorte alheia.

      Estas coisas discutem-se em privado (como quer a ideologia da pequena-burguesia)? As coisas privadas discutem-se em privado, o exercício público da hipocrisia discute-se em público. Ou nem sequer se discute, “repugna-se” em público.

      Comentar por jpt — 06/10/2010 @ 8:34 am

  31. Caro IPT,

    Antes de mais obrigado pelo “Benvindo” ao Blog! De facto, foi assim que me senti depois das suas palavras.

    Voltando aos “resmungos”… Agora percebi a sua razão, parece-me que afinal fui eu que percebi mal. E compreendo-o! De facto, as minhas palavras nesse sentido foram involuntárias, não querendo ir por esse caminho que assinalou. O meu comentário sobre a falta de tempo para ler tudo foi apenas no sentido de me desculpar, desde logo, sobre alguma coisa imprópria ou descontextualizada, que à frente fosse dizer. Mas agora arranjei algum tempo para ler tudo.

    Perdoem-me se parecer um pouco “básico” no meu comentário seguinte: quanto à constitucionalidade ou não de a EPM cobrar propinas e estas serem indevidas ou não, mais que discutir se a EPM as deveria cobrar ou não aos cidadãos portugueses a residirem em Maputo – Moçambique, deveriamos nós, pais, fazer com que a EPM use bem esse dinheiro.

    Mas, para que não subsistam dúvidas fui consultar a forma como a EPM-CELP foi criada: Em parceria com os Governos de Portugal e Moçambique, sob a forma de Instituto Público e com autonomia financeira (lei 3/2004 de 15 de Janeiro). Ou seja, não é uma escola como as existentes em Portugal. Mais, para além de apenas adoptar o sistema de ensino português (e basicamente é esta faceta que está sob a tutela do ME Português) tem outras actividades e objectivos (ver regulamento interno disponível no site http://www.epmcelp.edu.mz) onde se destacam: “Trata-se de uma instituição educativa dotada de personalidade jurídica e de autonomia cultural, pedagógica, administrativa, financeira e com património próprio, frequentada por mais de 1.200 alunos”.

    Espero ter elucidado, embora não seja jurista, pesquisei alguns artigos e leis de modo a, minimamente, fundamentar a minha analise.

    Quanto à competência, minha no caso, de facto estou a julgar em causa própria… O que não é próprio. Mas quanto à direcção da EPM, e aí a opinião é minha, embora tenha uma ideia do que seja gerir um estabelecimento com mais de 150 funcionários e mais de 1.000 alunos, percebo que seja difícil, mas, como no meu caso (inadevertidamente) o peixe morre pela boca, e nos meus diversos contactos com a direcção da EPM o resultado foi particularmente desastroso na demonstração de competência das pessoas em causa. Note-se que nada tenho contra a Direcção de EPM ganhar muito ou não, ou das pessoas! Mas, a minha espectativa é tanto maior quanto os próprios geram. E a minha frustração/indignação é tanto maior quanto as mesmas expectativas geradas e não cumpridas. Pois de nada vale dizerem a um pai que “tal” situação não volta a acontecer apenas para o acalmar e depois esperar que o assunto morra ali e que o mesmo pai não se recorde mais do assunto… Acredito que seja pai e que os seus filhos estejam ou estiveram em algum momento na EPM. Se apresenta um caso à Direcção e prometem que o mesmo será resolvido, a sua expectativa é que tal aconteça. Passado algum tempo sucede um episódio semelhante e a mesma pessoa diz-lhe(pessoalmente) que não se recorda de ter reclamado. É necessário voltar à sua casa, buscar a cópia protocolada e assinada por essa mesma pessoa e mostrar-lhe. O pior é dizer que mesmo assim não se recorda. Solicita que vão buscar o original. Não é encontrado… Não existe registo de entrada… Se é assim com um membro da direcção imagine-mos como será com os funcionários. Mas há mais, lamentavelmente. Claro que não vou maçar mais quem lê o blog com um caso pessoal, mas apenas dei como exemplo a questão supra para elucidar e poder basear a minha opinião sobre a competência da(s) pessoa(s).

    Fundamentalmente, o que espero da direcção da escola que os meus filhos frequentam (e os filhos dos meus amigos e toda a comunidade estudantil) é que o ambiente seja bom e o ensino tão bom quanto possível. Sendo que à Direcção da EPM (ganhe muito ou pouco) cabe gerir a EPM de forma a que pais e alunos sintam que da parte da direcção existe um esforço real para que a EPM seja cada vez melhor…

    Quanto à cesura: confesso que tive de ir ao pai dos burros para saber o seu significado.

    Cumps,

    Comentar por Rui Pereira — 06/10/2010 @ 10:50 am

  32. Flávio:

    Muito a sério, e falando para ti, embora neste espaço inesperado de disclosure emocional:

    Garanto que NUNCA te caluniei, em público ou em privado.

    A amigos ou conhecidos comuns, fiz várias vezes (frequentemente com preocupação) comentários que nalguns casos poderão ser desagradáveis, mas não são caluniosos.
    Que andavas mais conflituoso e cada vez mais pessoas sentiam necessidade de me declarar, em Maputo, que se tinham incompatibilizado contigo. Que me parecias estar a ficar isolado e amrgo com isso. Que o insulto fácil e violento, no blog, se tornava frequente, excessivo, desagradável quando atingia amigos meus, e te criava inimigos. Que, como disseste em tempos num post, isso podia ter a ver com um copo a mais na altura da escrita e com a ideia de que, aqui, tudo te é permitido. Que os teus valores pessoais me parecem estar bastante à esquerda dos teus comentários mais “reaças”, que tinham chocado os meus interlocutores. Que continuava surpreendido e entristecido pela ruptura unilateral daquilo que considerara uma amizade sólida. Que me tratavas com hostilidade despropositada, fora do “faz de conta que está tudo bem” das conferências e seminários. Que me parecias manter, apesar das coisas desagradáveis, as características que te tornam uma pessoa interessante.
    Recomendei-te a várias pessoas que iam a Maputo e, quando lhes tinha mais estima e consideração, alertava-as para terem algum cuidado no seu trato contigo pois, se és a mais encantadora e prestável pessoa a receber alguém que chege, também por pouco te zangas e passas a demonstrar o teu pouco apreço por ela.

    Parece-me que algumas destas coisas serão constatações, outras serão interpretações (por subjectivas que sejam) de 11 anos de convivência. Mas, repito, não são calúnias.

    Pelo contrário, ainda há um par de anos uma pessoa de certa influência cortou relações comigo por, tendo-me essa pessoa contado uma história muito grave e acerca da qual teria supostamente tomado uma decisão punitiva, eu lhe ter respondido e repetido que não acreditava que tivesses feito isso.
    Reproduzi essa história uma vez, mas salientando como ela me parecia absurda, e utilizando-a como ilustração para mostrar a que ponto pode chegar a boataria caluniosa no pequeno mundo de Maputo, quando se suscita a inimizade ou inveja de alguém.

    Em contrapartida, fui ouvindo, várias vezes e de diversas pessoas, comentários profissionalmente desprestigiantes que acerca de mim terias tido, calúnias que terias espalhado, sacanices que me terias feito pelas costas.

    Porque é que, então, continuo a ser afável contigo, a demonstrar companheirismo e, até, a insurgir-me contra calúnias que acerca da ti são ditas?
    Não é por ser tótó nem masoquista.
    É porque, por um lado, dou algum desconto aos teus excessos.
    E porque, por outro, nada me garante que as coisas que me vêm contar sejam relmente verdade.

    Se algum dia te quiseres sentar e tirar tudo isto a limpo, estou disponível.
    Se não quiseres, tal como com o Tiririca, “pior do que está não fica”.

    Mas talvez valesse a pena, da próxima vez que te contarem uma calúnia que acerca de ti eu tenha supostamente dito, lembrares-te que, independentemente daquilo que não gostes em mim, há três coisas que certamente não sou: nem mentiroso, nem dissimulado, nem moralmente cobarde.

    Comentar por Paulo Granjo — 06/10/2010 @ 12:22 pm

  33. PS: creio que já é disclosure que chegue. Peço que eventuais continuações da conversa sejam tidas em privado, por muito pequeno-burguês que isso te pareça.

    Comentar por Paulo Granjo — 06/10/2010 @ 12:28 pm

  34. aaaaahh….já tive pegas destas.
    Boa sorte. Isto resolve-se.
    one way or the other.

    Comentar por ABM — 06/10/2010 @ 1:34 pm

  35. Amigos são sempre amigos…

    Por maiores que sejam os defeitos de cada um, une-os sempre o laço inquebrantável do que foram as boas memórias em comum.

    Desculpem a minha achega e espero que não me considerem abusado por estas palavras a ambos…

    Cumps,

    Comentar por Rui Pereira — 06/10/2010 @ 2:09 pm

  36. Do alto do meu púlpito salazarento pequeno-burguês- ou será cinzento? – mais uma vez reafirmo que o actual estado da arte sobre esta temática está fora do meu âmbito.
    Que a chuva caia sobre vós e faça assentar a poeira.

    Comentar por VA — 06/10/2010 @ 3:25 pm


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