THE DELAGOA BAY REVIEW

07/10/2010

1.000.000.000 DE EUROS EM 2010

Filed under: Politica Portuguesa — ABM @ 3:19 am

O Arpão: o meio de transporte mais caro em 900 anos de história

por ABM (7 de Outubro de 2010)

Por coincidência o nosso Senador hoje abordou a compra de uns aviões quaisquer em segunda mão para as forças armadas portuguesas no mesmo dia em que eu ia falar da Mãe de todas as aquisições militares da história portuguesa: dois submarinos, a uns supostos meros quinhentos milhões de euros cada um mais uma certamente longa lista de apartes (peças, contratos de manutenção, formação, ir à oficina apertar os travões, etc).

Quinhentos milhões de euros, cash. Cada um. E são dois.

O que está na imagem acima chama-se NRP Arpão. O outro é o NRP Tridente.

Isto, para o supremo azar do Eng. Sócrates, a acontecer precisamente no ano de todas as desgraças no orçamento do governo português, depois de andar anos e anos a reboque de ministro após ministro. O coitado do Dr. Paulo Portas, que por acaso foi ministro da Defesa português durante uns tempos e que para variar lá desbloqueou o processo, foi logo alvo de suspeitas de tudo e mais alguma coisa, desde ter levado luvas até ter um submarino só dele estacionado na garagem.

Na imprensa, brevemente, pois a calamidade a abater-se sobre a prole é tal que nem submarinos de 500 milhões de euros já são tópico de grande debate, ainda se leram alguns resmungos do tipo “foda-se, pá, não podemos devolver essa merda lá aos alemães? agora não dava mesmo jeito nenhum.”

Pois à primeira vista parece um pouco catatónico um país que vai cair numa recessão em que até o seu way of life (definido por José Sócrates no seu discurso do IVA a 23 como sendo o Estado Social Cor de Rosa) está sob ameaça terminal, gastar mil milhões de euros a comprar submarinos à Alemanha.

Se calhar é por isso (e mais os Mercedes, os Audis, os Volkswaggens, etc) que as contas dos alemães estão sempre numa boa e os portugueses estão sempre numa má. Quantas rolhas de cortiça, tonéis de vinho e latas de sardinha tem Portugal que exportar para pagar isto? Quantas máezinhas não vão ter o subsídio do leite para o seu bebé? é o eterno debate das prioridades.

Mas alguém fez-me o favor, a semana passada, de surripiar uma apresentação Powerpoint daquelas para jornalistas burros, a explicar um pouco o contexto.

E o contexto é muito simples:

1. Portugal é membro da NATO e da União Europeia e ocupa um importante flanco da região.

2. Na base dos compromissos internacionais de segurança assumidos pelo País há já muitos anos, os nossos tropas estrategas (conheço alguns e são bons, penso) defenderam, e houve consenso nisso, que devem ser os portugueses um elemento relevante na defesa do flanco marítimo em que Portugal se situa.

3. E isso significa dois submarinos de alguma qualidade, feitos na Europa, para no caso de algum problema com os americanos depois não haver aquele problema das peças sobressalentes e dos mecânicos.

4. Há um elementozito adicional em estilo de corolário: se os portugueses não fizessem isto, a responsabilidade estratégica pela defesa da costa e dos oceanos deste sector e correspondente à função dos submarinos, recairia sobre os Hespanholes. Lembram-se dos Hespanholes, aqui ao lado, os dos Filipes, da Guerra das Laranjas, de Olivença, etc e tal?

Pois são esses mesmo.

Aliás a fotografia acima surripiei dum sítio brasileiro só sobre armamentos e aviões militares e submarinos e lá os nossos brothers brasileiros não se cansavam de fazer elogios quase desgarrados a tudo: que os submarinos eram fantásticos, que os portugueses tinham comprado aquilo baratíssimo, que a estratégia portuguesa era realmente superior, bem como a forma como todo o processo de negociação e compra decorreu, etc e tal. Na óptica deles, foi tudo bácana, jóia, gêniále, ótchimo.

Claro que eles são um pouco como nós: enquanto elogiavam, os brasileiros referiam que têm uma frota de submarinos aparentemente americanos que eles achavam que era a maior porcaria desde que Dona Carlota Joaquina marchou para o Rio de Janeiro com o seu marido João para fugir do Napoleão.

Mas os nossos irmãos não têm que se preocupar, pois com o Arpão e o Tridente eles agora têm um forte aliado aqui deste lado.

É a Cooperação CPLP underwater.

Bem, só me falta uma questão: alguém que está a ler isto conhece alguém que conheça alguém que me possa mostrar o submarino? é que eu pago impostos aqui há uns anitos e, já agora, nunca vi um submarino de 500 milhões de euros ao perto. Uma foto de ABM em cima do Arpão aqui no Maschamba era verdadeiramente um Dia de Feriado.

E prometo que não carrego em nenhum botão.

1 Comentário »

  1. Pelo nome, talvez nos deixassem pescar umas baleiasitas, o outro não consigo descurtinar o modelo, não sei se é de mentol, morango ou outra coisa qualquer.

    Comentar por Victor Pataquim — 07/10/2010 @ 11:51 pm


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