THE DELAGOA BAY REVIEW

08/10/2010

DEUS, O NEGÓCIO E O PECADO NA RUA ARAÚJO EM LOURENÇO MARQUES

A Rua Araújo em dia de sol, anos 1890

por ABM (8 de Outubro de 2010)

Quis divertir-me um pouco hoje.

Vamos lá.

AGRADECIMENTOS

Esta nota é dedicada ao Nuno Quadros, que involuntariamente foi o seu agent provocateur ao mandar-me uma mensagem a dizer que S.Exa. o Aga Khan tinha inaugurado um dos casinos que operaram na Rua Araújo (acho que não, Nuno) e à Sra D. Suzette Malosso que, na plenitude dos seus 82 anos de idade, tendo crescido na cidade aqui focada, lembra-se de coisas que eu não sabia sequer terem existido e que teve a pachorra de aturar os meus interrogatórios.

INTRODUÇÃO

Creio -dizem-me- que uma das expressões enfáticas e mais badaladas da protagonizada ética limpa do então novo regime que se instalou em Moçambique com a retirada da administração portuguesa da governação do país em 1975, foi, literalmente, o encerramento dos estabelecimentos na Rua do Bagamoyo em Maputo (então Rua Araújo em LM, terminologia que se usa doravante, pois o relato situa-se nessa era) e a proibição da sua vida boémia, tida como imoral, decadente, capitalista e exploradora, entre outras coisas, dos corpos e vulnerabilidades das mulheres moçambicanas.

A agenda dos líderes guerrilheiros da Frelimo recentemente chegados à capital, aparentemente horrorizados com os seus decadentes hábitos e costumes, foi, claramente, de dar um sinal das coisas para vir e da Nova Ordem, congeminada lá no meio do mato, em Nachingwea. Aquilo que viam em Lourenço Marques era o colonialismo. e o colonialismo acabara. A prole, emocionada, estúpida e oportunista, aplaudiu logo o gesto de eliminação da prostituição e da vida boémia – e já agora de tudo o resto mais que viesse à cabeça dos Libertadores.

Libertadores para quem, mais do que a Independência, que já era obra, consideravam a Revolução para Criar o Novo Homem Moçambicano o objectivo mais sério, e para quem o exemplo predilecto da pura vivência revolucionária – um pouco como Eça ironiza quando em A Cidade e as Serras “obriga” um rico parisiense a gostar de viver na parca rispidez serrana portuguesa – era aquela vida porreiraça e espartana que tinham andado eles próprios a viver lá no mato no Norte.

A solução clara era simples: o povo genuíno vem do mato, a gente não controla bem as cidades, que estão cheias de colonos brancos que ainda por cima pensam que ainda mandam alguma coisa e que são um veneno e um empecilho à Revolução Moçambicana. Portanto vamos colocar esta gente toda na ordem, mostrar-lhes quem manda aqui e correr com o maior número possível deles, preferencialmente de forma a que o que eles pensam que é deles (mas que é nosso) fique atrás.  E acabar já com os reaccionários vícios deles.

Não demorou muito (basta perguntar a quem passou por esta altura e que especialmente é white ou quase) e as cadeias estavam cheias de gente que foi repetidamente presa durante dias e dias porque atravessou a rua na hora errada, porque não bateu uma continência que não sabia que tinha que fazer, que não parou o carro a tempo quando a banda lá no palácio se lembrou de tocar o novo hino, que se esqueceu do bilhete de identidade naquela noite em que foi ao cinema com os amigos.

E isto era só para os que não tinham feito nada.

Mas na altura a Rua Araújo foi muito mais falada porque era uma medida muito mais visível, mais colectiva e mais ostensiva. O simbolismo era inescapável, e deliberado.

As alegadas putas e os seus alegados proxenetas foram mandados para a reabilitação e a rua (o tal de Araújo que dava o nome à rua foi o primeiro Governador do Presídio de Lourenço Marques, nomeado em 1781) mudou mais uma vez de nome, desta vez para um dos locais sacros da Gloriosa Guerrilha lá longe na Tanzânia: Bagamoyo, a escola para a formação do Novo Homem Moçambicano, cortesia da Frente de Libertação de Moçambique e, durante algum tempo, de Janet Mondlane.

Mas que apropriado.

O encerramento (na altura rotulado como “limpeza”, referido numa edição de Abril de 1975 na outrora Pacatamente Burguesa mas agora Raivosamente Revolucionária revista Tempo – e em que Ricardo Rangel era sócio) coincidiu com a Independência, felizmente para Victor Crespo, o memorável almirante e o último (e único) Alto Comissário em Moçambique, que representou o novo regime português pós-golpe de Estado em 1974 antes de formalizar a entrega do poder aos líderes da guerrilha na data por eles escolhida. Pois refere quem viu,  que o Almirante passava mais tempo no Dancing Aquário na Rua Araújo a beber whiskies e a discutir as colorações epidérmicas das senhoras que lá dançavam, que no seu escritório a fingir que presidia às formalidades da governação e que defendia os interesses do seu país (em boa verdade, parece que na altura ninguém sabia quais eram esses interesses e mesmo assim por essa altura a Frelimo estava-se a marimbar para o que quer que fosse que ele dissesse, que mesmo assim foi nada).

E esse acto apenas foi um começo. No início de Novembro de 1975, numa operação de grande envergadura e que durou dois dias e incluiu três cidades, as forças da Frelimo, de AK47s em riste apontadas contra uma população urbana basicamente inocente e completamente indefesa, pura e simplesmente prenderam cerca de três mil pessoas, que consideraram suspeitas de estarem envolvidas com drogas, prostituição, roubo ou vadiagem. Pois.

Era o legalismo revolucionário, conferido e legitimado pelo Povo.

Na altura da Indepedência eu não soube de nada destas tricas da Frelimo com a Rua Araújo nem do terror dirigido aos “colonos” (ou será que era payback time?), pois estava mais ou menos tranquilamente a estudar a oito mil quilómetros de distância, em Coimbra, onde o mais que havia de aguerrido eram os desenhos dos gigantescos seios das caricaturas do José Vilhena. Um pouco como em Moçambique, a pornografia via-se era na vida política, todos os dias, nos noticiários politizados da Érretêpê.

Dez anos depois de eu ter deixado de residir em Maputo e nove anos depois da Independência, em plena era do Repolho e do Carapau, visitei a cidade, que me pareceu deserta, abandonada e parada no tempo, as pessoas com terror sequer de pensar alto, com medo de lhes ser apontado o dedo por alguém ligado à Nomenclatura. Mas não se sentia qualquer fervor revolucionário. Apenas cansaço, conformidade e um perpétuo esforço de meter alguma coisa no prato. Pois não havia quase nada. Mas ainda assim foi-me discretamente servida uma lista das Grandes Mudanças (para além da de praticamente toda a gente que eu conhecia não estar lá, claro). E o desmantelamento da Rua Araújo estava nos top dez, o que eu achava curioso, até estranho, pois apercebi-me que isso indiciava o simbolismo, na cabeça de muita gente, que aquilo acarretava, antes e depois da Independência.

Se bem que antes da Independência aquilo não era de forma alguma “a” referência nem tinha o relevo que se possa querer dar-lhe. Era apenas mais um dos locais exóticos, quiçá um pouco mais sórdido, da cidade. Eu hoje tenho 50 anos de idade, e nos passeios a pé higiénicos da família BM aos sábados à noite depois do ocasional jantar chinês no Restaurante Hong Kong, lá pelos fins dos anos 60, princípios dos anos 70, devia eu ter uns dez anos de idade, lembro-me muito vagamente do que aquilo parecia, pelo menos a parte da Rua Araújo para quem vem da Praça onde fica a estação dos Caminhos de Ferro: que tinha muitos bares porta sim porta sim, muita gente, muita música aos berros, montanhas de luzes e coloridos anúncios de néon a acender e a apagar, à porta de uns bares e dancings umas fotografias dumas meninas de coro (brancas) muito pintadas com umas coisinhas penduradas nas pontas das maminhas expostas e um ambiente mais ou menos aguerrido.

Nos dias que correm, isto é troco para bebés.

A Rua Araújo nos anos 60, de dia. À noite parecia Las Vegas junto do Índico.

Uns anos depois, a primeira referência que eu vi sobre a antiga Rua Araújo foi na forma de umas fotografias que o saudoso e agora exaltado Ricardo Rangel (que se dava muito bem com o meu pai) publicou e que tirou nessa altura, e que correspondem vagamente ao que eu vira e mais ou menos imaginava ser a Rua Araújo, claro que sem aquela carga ideológica-sociológica-pós-colonial que se sente agora, e que, despida de contexto, dava uma aura quase lunática àquele fenómeno da velha Lourenço Marques.

Casal fotografado por Rangel na Rua Araújo - o sórdido passou a ser arte

Uns anos mais tarde, já no fim dos anos 90, quando a Nomenclatura freliminana  relaxou involuntariamente os costumes públicos e, sem qualquer veio condutor, a capital moçambicana descambou quase completamente para um free for all em termos dos seus hábitos mais prúridos. Alguns decerto se lembram das legiões de jovens serpentes nas esquinas do Polana e da Sommerschield (a baixa era uma cidade fantasma à noite) depois da hora do jantar e todos os passeios em redor da discoteca do Sheik completamente tomada pelos possantes 4×4 da nova classe de “empresários de sucesso” e suas sumptuosas, esculturais acompanhantes.

(Elas eram chamadas serpentes porque quando a gente passava por elas no carro elas faziam assim: “pssssssssssst, psssssssst”)

Houve então muito boa gente na cidade que pensou, e disse, que se calhar fazia mais sentido trazer de volta a velha Rua Araújo e meter isso tudo ali. Mas as coisas não são assim tão fáceis de fazer. Hoje em dia, não estou lá muito dentro dos detalhes do negócio do prazer e do entretenimento maputiano, mas acredito que ainda há muito, muito por fazer.

A verdade sobre a Rua Araújo é muito mais profunda.

E, na minha opinião, se calhar não há rua que mais e melhor espelhe a História desta cidade que hoje é Maputo.

De facto, houve uma lógica muito clara no aparecimento do negócio por que a Rua Araújo se tornou quase mítica. Para a entender, tem que se recuar até ao fim do século XIX e entender o que se passava na região.

Se o exmo Leitor tiver a paciência, acompanhe-me nesta aventura.

A CIDADE APARECE

Apesar da apetência britânica pela baía defronte de Maputo, sucessivamente combatida pelos portugueses com a ajuda do Duque de Magenta (hoje mais conhecido como 2M), o flanco sul da então frágil, precária, indefinida colónia portuguesa, estava praticamente abandonado aos seus habitantes, que faziam mais ou menos o que sempre fizeram, os portugueses tendo o ocasional problema com os ingleses, que se alternavam com os Boers a tomar conta do que é hoje a Suazilândia, e os boers do Transvaal, que também gostariam de ficar com a parte Sul do actual Moçambique.

O momento verdadeiramente fundacional para a cidade – e de tal forma que em meros vinte anos o epicentro de todo o Moçambique se deslocou dois mil quilómetros do eixo Ilha de Moçambique-Nampula para a Baía de Lourenço Marques, ao ponto de a elegante e centenária capital ter sido descartada para os pântanos em redor da Ponta Vermelha – foi o conhecimento pelo mundo da descoberta de ouro no Rand, uns campos situados a Norte da pacatíssima capital boer do Transvaal (nome formal: República Meridional Sul-Africana), Pretória.

Tirando as negociatas do Albasini, pouco fluía entre o interior e a costa.

A "cidade" original não era uma cidade: era uma ilha. A uma distância regulamentar do Presídio, fez-se um aldeamento precário. Na parte baixa desse aldeamento vê-se a Rua dos Mercadores - a original rua de Maputo - mais tarde a Rua Araújo

Assim, quase subitamente, em 1874, na pequena língua de terra situada a Poente de onde Joaquim Araújo se lembrou de mandar edificar o lastimável Presídio de Lourenço Marques, centenas de pesquisadores e aventureiros americanos e australianos ali desembarcaram ao mesmo tempo para se dirigirem para o interior, enquanto que, do Transvaal, centenas de boers faziam a caminhada no sentido contrário, para vir buscar mercadorias e mantimentos aos navios. Nesse ambiente de “fronteira” completamente desregulado, de negócios, bebida e prazer, logo se esboçou um – o primeiro- o primeiro de todos – arruamento onde essas actividades se desenvolveram:

A Rua Araújo.

Que na altura, à boa antiga portuguesa, não tinha nome de gente, mas um nome que traduzia a sua utilidade: o de Rua dos Mercadores. Era um assentamento precário, com casas feitas de madeira, suficientemente sólidas para se poder lá dentro guardar, comprar e vender tudo e em que o português era provavelmente a terceira ou quarta língua mais falada.

Um ano depois, ao fim da tarde do dia 12 de Setembro de 1875, um violento incêndio consumiu tudo o que havia entre a actual estação dos caminhos de ferro e a sede o Banco de Moçambique (dantes o BNU). Para evitar situações semelhantes,o então governador português, um tal de Augusto Castilho, mandou que as casas passassem a ser feitas com materiais mais duráveis: argamassa, tijolo, adobo, telha, zinco. E logo a seguir veio o Major Joaquim José Machado e a sua equipa, que esboçou o plano director do actual centro da cidade. São essas as casas que os postais mais antigos de Lourenço Marques hoje mostram.

A Travessa da Palmeira (hoje fica entre a sede do BIM e a Nova Mesquita). Após o incêndio de 1875, as casas passaram a ser feitas de alvernaria, tijolo e telha.

Com as notícias da descoberta de ouro em Magaliesberg e em Barbeton, a pressão de ligar a Baía ao interior sul-africano britânico e boer foi quase insustentável. Logo se abriu a que ficou conhecida como a Estrada de Lindenbugo (que começava no fim da actual Av. 24 de Julho, a seguir a um enorme quartel que acho que ainda lá está). Lindenburgo (se é que ainda tem esse nome) fica situada a meio caminho entre Maputo e Pretória. Naquela altura Nelspruit (Mmmmmbombélááá!) basicamente não existia e seria assim até o comboio passar por lá anos mais tarde.

As coisas encaminhavam-se, perante o ar atónito dos Rongas, que ali viviam em redor, e que assistiam certamente preocupados com o reboliço enquanto que por sua vez iam fazendo as suas negociatas e de vez em quando umas razias para saquear.

A Rua Araújo, quando em Lourenço Marques se vivia um ambiente de fronteira

Mais um aspecto da Rua Araújo no fim do séc. XIX

Os momentos-chave seguintes foram a inauguração da linha de caminho de ferro para Pretória (1895), logo a seguir a abertura do porto marítimo da cidade, culminando com o desencadear da Guerra Anglo-Boer (1899-1902), um complicado imbróglio militar e político, que trouxeram muita, muita gente à cidade e montanhas de negócio. Nessa altura, Lourenço Marques (ou a sua designação inglesa, Delagoa Bay) estava nas primeiras páginas dos grandes jornais de todo o mundo, a Baía bloqueada pela poderosa marinha britânica (foi ali usado pela primeira vez no mundo o telégrafo sem fios para a coordenação de operações militares-navais. Enfim, vale o que vale).

A linha de caminho de ferro abriu em 1895. O edifício da estação chegou mais do que dez anos depois. Directamente em frente, ficava a Rua Araújo, e à direita o porto marítimo.

E o que é que, fisicamente, estava precisamente no meio disto tudo?

A Rua Araújo.

De facto, a Era de Ouro da Rua Araújo não foi nos anos 50, 60 e até 1975.

Pelo contrário, foi nas quatro décadas anteriores.

OS DIAS DE OURO

Capa dum folheto publicitário em inglês, sobre Lourenço Marques, anos 20.

Estabilizada a guerra e colonizado o Transvaal pela Grã-Bretanha (cujo consulado em LM, desde que abriu sempre esteve no mesmo local onde hoje se encontra a actual embaixada em Maputo), o negócio aumentou sempre e cada vez mais, tendo Lourenço Marques, que entretanto foi praticamente comprada e desenvolvida com capitais ingleses, sul-africanos e boers através de companhias, lá a partir dos anos 20, criado e desenvolvido um negócio novo, complementar, e extremamente rentável, para além do import/export e do álcóol: o negócio do lazer e do prazer para os brancos sul-africanos.

Dia de "São Navio" em Lourenço Marques. A cidade toda acorria ao Cais para assistir ao espectáculo, e cuscar quem chegava e quem partia. Era um evento. Depois ia tudo beber um copo para a Praça 7 de Março.

De facto, a cidade tinha várias valências nesse sentido. Para além de ser organizada, limpa, e bonita, tinha um clima aprazível, ficava junto ao mar, tinha acessibilidades (barco, comboio, estrada, telégrafo para o mundo exterior), boas instalações, boa comida, instalações desportivas e tinha o exotismo informal cultural luso-africano que nem se sonhava existir na África do Sul.

O antigo campo de golfe da Polana. Situava-se imeditamente a seguir ao actual Hotel Polana e estendia-se até à actual embaixada americana e entrava um pouco para dentro da actual Sommerschield.

A entrada do Pavilhão de Chá, junto à antiga praia da Polana e a 150 metros a Norte do actual Clube Naval de Maputo

O bar da Estação de caminho de ferro de Lourenço Marques estava ao nível do que de melhor havia no mundo na altura

Lourenço Marques, com as suas praias, o Pavilhão de Chá, os seus vários hóteis, quiosques, clubs e restaurantes, alegremente acolhia esse negócio, nos anos 20, 30 e princípios dos anos 40.

O cais da estação de caminho de ferro de Lourenço Marques

Nessa altura, para além dos navios, que traziam centenas de marujos, passageiros e homens de negócios à cidade, vinham diariamente comboios de Joanesburgo e de Pretória, cheios de carga e gente, na busca de repouso ou de prazer, ou para apanhar um barco para a Europa, ou regressar à África do Sul.

E, para além de bowling, golfe, a caça, a pesca e o ténis, Lourenço Marques tinha bebidas à descrição, jogo e prostituição, práticas estas proibidas e reprimidas pelos estóicos britânicos e ainda mais pelos puritanos boers. Em Lourenço Marques, para além de vinho, whisky, camarões e cerveja à descrição (incluindo aos domingos e feriados religiosos) até fados e touradas havia,  perante o espanto dos visitantes. E cinema, e excelente ópera italiana, esta no resplandecente Varietá, que ficava do outro extremo da Rua Araújo, junto à Praça Sete de Março (hoje 25 de Junho, o dia da Independência em 1975), a sala de estar da cidade – com chás e delicados bolos de pastelaria servidos às cinco horas da tarde, enquanto música tocada no seu coreto por bandas contratadas, quase todos os dias.

Antes do Polana abrir, o Carlton era o hotel de escolha em Lourenço Marques. Ficava situado a meio da Rua Araújo. Mesmo depois de abrir, durante muito tempo o Polana era considerado fora do caminho.

Cedo a cidade se tornou ponto de visita obrigatório para os milionários e as classes mais abastadas de Joanesburgo e de Pretória, que para ali se dirigiam em conforto exuberante no Blue Train, um comboio de luxo que parava semanalmente na estação de Lourenço Marques.

Que ficava a cem metros da Rua Araújo.

Para além dos navios de passageiros que atracavam todas as semanas no porto, mesmo ao lado.

As touradas e as pegadas de touros eram uma atracção turística única em África.

A meio da Rua Araújo, do lado direito, cedo abriu o Casino Belo, mais exclusivo, e mais abaixo o Casino Costa, os únicos casinos no Sul de África. O Casino Belo (no edifício mais tarde funcionou o conhecido Dancing Aquário, para quem se lembra) era uma luxuosa máquina de fazer dinheiro. Estava aberto toda a noite, sete dias por semana. Tinha uma grande orquestra (o chefe de orquestra do Casino Belo durante dez anos chamava-se Jorge Vara e era o pai da D. Suzette, por isso é que eu sei isto tudo) tocava diariamente, sete dias por semana, das 9 da noite até às 4 da manhã, com um intervalo de meia-hora.

Aspecto da sala de jogo do Casino Belo na Rua Araújo, em Lourenço Marques. Lá dentro, era obrigatório o uso de fato ou smoking e vestido comprido para as senhoras.

Ali encontravam-se as famosas e as originais Taxi Girls de Lourenço Marques(não são as que mais tarde se chamavam pelo mesmo nome, e que basicamente eram prostitutas). Estas eram jovens sul-africanas desesperadamente belas, vestidas de rigor com vestidos compridos, todas as noites, e como referi não eram prostitutas (o que não significa que não dessem uma volta com quem lhes apetecesse). O que elas faziam era que à noite conversavam com os clientes, entretiam-nos e bebiam um copito ou outro. E qualquer homem podia comprar uma “fita” de bilhetes por dois e quinhentos cada bilhete, e por cada bilhete a menina dançaria com ele uma música. No fim quase todas elas acabaram por casar com portugueses de sucesso na cidade e hoje fazem parte do DNA dos descendentes de quem lá viveu (imagino que estrategicamente omitindo os detalhes da sua procedência).

Curiosamente, naquela altura as crianças podiam entrar no Casino, que tinha também umas limousines com motoristas fardados para levarem os clientes e seus convidados para os hotéis ou de volta para o Blue Train.

O Varietá, na altura creio que a segunda Casa de Ópera em toda a África excepto o Cairo, situado na Rua Araújo, no local onde hoje se situam o Cinema Matchedge e o Estúdio 222.

Nesses tempos, ganharam-se e perderam-se verdadeiras fortunas nos casinos da Rua Araújo. Após uns dias de loucura na roleta e no bacharat, muitos dos visitantes mal tinham dinheiro para pagar o bilhete de comboio de volta para Joanesburgo e Pretória e houve um número considerável de suicídios, cometidos por gente que perdeu tudo o que tinha nas mesas de jogo.

Na Rua Araújo, o negócio da noite não era só para os ricos. Era socialmente vertical. Os bares, cabarets e salas de jogo da Rua anualmente atendiam milhares e milhares de marinheiros, viajantes, homens de negócios, etc, trazidos pelo movimento louco no porto e no caminho de ferro.

Curiosamente, quase todo o negócio era entre brancos – incluindo, malgré as suspeitas da Frelimo, a prostituição. Mas do lado esquerdo da Rua Araújo, houve mais tarde uma casa amarela, o Bar Pinguim, que era o único sítio na Rua Araújo onde havia, para além de prostitutas brancas, prostitutas negras e mulatas e cujo ambiente era puro caos estilo filmes do Texas. Nos anos 50 era um hangout favorito de, entre outros, o poeta Reinaldo Ferreira.

Durante esses anos, a autoridade policial, especializada e presente, mantinha a ordem, num misto de negligência latina e pauladas vigorosas. Alguns se recordarão dum agente de polícia alto e encorpado que vigiava a Rua Araújo, e que era legendário por resolver problemas de rua com uma saraivada de cacetadas, o que supostamente funcionava bem junto dos marujos e dos tropas mais alcoolizados.

Convenientemente situadas perto da Rua Araújo, havia grandes casas de prostituição, negócios legais, de porta aberta. As prostitutas eram praticamente todas brancas, a maioria francesas e sul-africanas. Refiro por exemplo uma luxuosa mansão que existia na rua a seguir à antiga Paiva Manso (não faço ideia qual é o nome da rua hoje) e que era a maior e considerada a melhor, gerida por uma senhora que era conhecida na cidade pela sua generosidade e que tinha vários filhos que se formaram todos na África do Sul.

Belo, proprietário do principal casino, era uma figura conhecida na cidade, riquíssimo, generoso, respeitado. O primeiro frigorífico eléctrico doméstico que houve em Moçambique foi ele que o instalou em sua casa. Teve três filhos, um deles o Ernesto, outro que foi gerente da Casa Coimbra (aquele prédio mesmo ao lado esquerdo do Banco de Moçambique na 25 de Setembro em Maputo) e um terceiro sobre o qual nada sei.

O FIM DE UMA ERA

O fim desta Era Dourada da Rua Araújo começou quando, lá muito longe, do outro lado do mundo, em Lisboa, o ditador Oliveira Salazar, tentando perpetuamente fintar os jogos de cadeira locais com as diferentes facções sociais (são sempre as mesmas: radicais vs católicos vs maçónicos vs monárquicos, a treta do costume), com a intervenção do seu antigo amigo e antigo colega de carteira, Manuel Gonçalves Cerejeira, então Cardeal de Lisboa e representante da Igreja Católica Apostólica Romana em Portugal, celebrou em 1940 (ano em que se celebrou também o tricentenário da reaquisição da independência portuguesa das mãos dos Hespanholes) um entendimento formal entre o Estado português e o Vaticano, a que se chamou Concordata.

Através desse documento, para todos os efeitos, a Igreja Católica encerrou um trágico capítulo aberto com o advento da I república e assumiu uma parceria com o Estado português que teve assinaláveis ramificações por todo o Império.

Em Lisboa, os três amigos: o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, o Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, e o seu Presidente, Óscar Carmona. Dos três, só Salazar nunca meteu os pés em Moçambique.

Talvez não seja coincidência que nessa altura, se começou a construir a actual Catedral de Maputo, que foi concluída em 1944, recorrendo os poderes locais para a sua construção essencialmente a trabalho escravo nativo, o que enfim, é mais uma pequena vergonha e uma expressão do tal colonialismo no seu pior (alguém devia meter lá uma placa na parede para que se soubesse e se lembrasse essa vergonha).

A expressão da Trilogia do Poder Imperial no centro de Lourenço Marques: o Estado (a Câmara Municipal), a Igreja (a Catedral) e o vulto de Mousinho. Em 75, Samora despachou Mousinho para um canto da "fortaleza" antes de rebaptizar o local de Praça Mousinho de Albuquerque para Praça da Independência. E de meter uma gigantesca fotografia sua na fachada. Mousinho out, Samora in.

Em Agosto de 1944, já a II Guerra Mundial estava a começar a chegar ao seu término, num navio Serpa Pinto obscenamente artilhado para acolher Sua Católica Eminência, o Cardeal Patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira, viaja para Moçambique e desembarca em Lourenço Marques para inaugurar com imperial pompa a nova catedral, que ficou situada mesmo ao lado do também novo e imponente edifício da Câmara Municipal de Lourenço Marques, talvez para simbolizar a nova parceria entre o Estado e a Igreja – algo que acontecia pela primeira vez em Moçambique, cujo pluralismo religioso era palpável.

O quarto de cama de Gonçalves Cerejeira no Serpa Pinto

A sala de jantar do Cardeal Cerejeira no Serpa Pinto

O Serpa Pinto até tinha uma espécie de "sala do trono" para o Cardeal Cerejeira. Isto hoje dava um filme.

Pouco depois, a prostituição e os jogos de casino foram ilegalizados e desmantelados em Lourenço Marques.

Na Rua Araújo, ficaram os bares, os dancings e o ocasional jogo ilegal. A prostituição passou para a clandestinidade.

O RESSURGIMENTO

Mas a Rua Araújo não morreu.

Pouco depois, no início dos anos 60, com a instauração do apartheid do Sr. Verwoerd na África do Sul e a preparação e o início do que veio a ser a guerra pela Independência, Lourenço Marques conheceu um período de enorme movimento de pessoas, de investimento e de crescimento. Muitos portugueses vieram viver e trabalhar para a cidade, o número de visitantes da África do Sul, que agora viajavam em carros particulares, cresceu significativamente, e os navios começaram a chegar da Metrópole cheios de jovens militares sózinhos, muitos desejosos de fazer uma escalada na Rua Araújo para beber uns copitos e talvez experimentar o deslumbre de uma experiênciazinha sexual, para depois se ocuparem da defesa do território. E o movimento de navios, aviões e comboios cresceu quase exponencialmente. A cidade fervilhava.

O mito das LM Prawns: acima, o Restaurante da Costa do Sol, nas mãos da família luso-greco-moçambicana Petrakakis desde 1938.

Os usos e os costumes entretanto liberalizaram-se, muito mais em Moçambique do que era a norma quer na Metrópole portuguesa, quer no ambiente severo de Calvinismo puritano imposto na África do Sul – apesar de, nas praias e nos cafés de Lourenço Marques, serem as bifas que deixavam os locais de boca aberta, as meninas locais manietadas pelos velhos costumes dos seus pais portugueses.

Ainda que com a Pide a mordiscar, o Regime nervoso e a guerra dois mil quilómetros ao Norte a desenvolver-se, o ambiente na cidade tornou-se muito mais sofisticado e multiracial, começaram a aparecer galerias de arte, surge toda uma geração de pintores e escultores portugueses e moçambicanos, brancos e negros e com temas africanos, lojas de moda, a Sociedade de Estudos, a Casa Amarela, os bikinis, a mini-saia, veio a revolução musical com o rock, vomitado 24 horas por dia, sete dias por semana pela LM Radio, a Estação 2 do Rádio Clube que era de longe a mais popular em todo o Sul de África. Do Rádio Clube veio também a  marrabenta e inaugurou-se também a primeira estação de FM stereo, com jazz e música clássica, em todo o território português.

Em termos de desporto, tudo havia e tudo se fazia tudo na cidade. Campos de futebol de básquet, piscinas, golfe, mini-golfe, hóquei, equitação, aviação, tiro, regatas, pesca, pesca submarina. Era uma obsessão. Em entre 50 e 60 surgem estrelas como Coluna, Velasco, Matateu, Eusébio, Lage, Mário Albuquerque, Fernando Adrião, Dulce Gouveia, Mussá Tembe e tantos outros. A lista não acaba.

Nos anos 60, o pai BM, à esquerda, treinava equipas de futebol em Lourenço Marques.

Por sua parte, a Rua Araújo acompanhava todo este ambiente à sua maneira, com mulheres, marijuana, misturada com cerveja, vinho, shows de striptease (alguém se lembra da famosa travesti Belinda?) e com verdadeiras sessões de pancadaria que inevitavelmente envolviam comandos, fuzileiros e a polícia de choque a correr atrás deles com cacetetes. Segundo o Eduardo Pitta, até havia um discreto underground gay e lésbico na Rua Araújo que a Maluda vagamente confirma. O Carlos Gil esteve lá nos seus tempos de teenager e no seu livro Xicuembo deu uns lamirés da fauna louca que aquilo era.

Como em toda a parte, dizem-me que havia prostituição para todas as cores, todos os gostos e todas as bolsas. Mas se calhar a Rua Araújo não era o ponto principal dessa actividade. quando muito era um ponto de começo.

O Hotel Central e o Dancing Aquário, um conhecido empório da Rua Araújo e ponto de paragem de Vítor Crespo.

Foi esta Rua Araújo que Ricardo Rangel conheceu e retratou nos anos 60. E que, em meados dos anos 70, ajudou a destruir na sua revista.

De certa maneira, para a velha rua, esse foi apenas mais um momento da sua vida.

Uma nova metamorfose do que fora.

Viva a futura amizade entre os povos da CPLP !

E com o tempo, essa imagem do que fora nos anos 60 e 70, congelou-se e tornou-se num cliché, e pior, no todo, excluindo os quase cem anos que o precederam. Até Licínio de Azevedo recorreu agora a ele para o seu recente filme “Margarida”.

O tal símbolismo que eu acho que, isoladamente, não teve.

EPÍLOGO

Hoje, a Rua Araújo – a Rua do Bagamoyo – sobrevive precariamente, um dinossauro da história da Cidade, o seu berço irreconhecido, maltratado, desrespeitado, ignorado pelos cidadãos da Cidade, aguardando por melhores dias, quando eventualmente haja outro ressurgimento da Baixa da Cidade e uma outra apreciação do seu rico passado.

Que forma terá esse ressurgimento, ninguém sabe.

Uf. Depois disto, vou jantar ao chinês ali na esquina.

Bom fim de semana.

43 comentários »

  1. (lá estou eu…) li em qualquer lado que o tal Araújo da “rua do nosso Major” – como familiarmente se lhe referiam os tropas – foi responsável pela (prática e bonita) topografia de LM, quando ela escalou as colinas: o rectilíneo, as avenidas largas, etc, tudo terá saído da sua planificação. onde li? sei lá… mas que li li, juro!

    Comentar por cg — 09/10/2010 @ 12:32 am

  2. a pastelaria na praça 7 de Março, ao lado da Casa Amarela se não erro, não era a Nicola? com uma esplanada na placa central, a zona do jardim e do coreto?

    Comentar por cg — 09/10/2010 @ 12:56 am

  3. Carlos

    Uma cábula:

    JOAQUIM ARAÚJO – primeiro governador do presídio de LM ou seja: foi Vicente Caetano da Maia e Vasconcelos, um governador interino de Moçambique, empossado em Maio de 1781, que mandou instalar “uma feitoria e casa forte” para proteger o comércio português na Baía de Lourenço Marques. Em 25 de Novembro de 1781, nomeou como seu capitão-mor e governador Joaquim de Araújo e “deu-lhe as instruções por que deveria reger-se, (…)que constituem a primeira carta orgânica-política, administrativa e económica da baía e terras de Lourenço Marques”. Oficialmente, essas instruções, consubstanciadas no denominado Regimento de 25 de Novembro de 1781, são consideradas o diploma de criação de Lourenço Marques. Antes de 1781, e de Araújo, não havia nada ali de português.

    JOAQUIM JOSÉ MACHADO – Algarvio, foi ele que fez o tal de plano director de Maputo. E completou (finalmente) a linha de comboio para Pretória. Na altura era Major mas acabou General. Mais tarde foi governador de Moçambique, três vezes separadas e director da Cia de Moçambique. Teve uma filha, Luísa, que alguém deu, durante algum tempo, o nome a Marracuene. O Kruger adorava-o e deu o seu nome a um buraco que se veio a chamar Machadodorp. Mas ele fez muito mais, por exemplo em Angola. A Praça 25 de Junho em Maputo chamava-se antes da Independência 7 de Março. Porquê? Porque nesse dia em 1877 Joaquim José Machado e a sua equipa desembarcaram ali. A Escola Preparatória General Machado foi nomeada em sua honra. Políticas aparte, Moçambique e Maputo devem algum respeito a este senhor, pois fez muito e fez bem, ao contrário de tanta canalha que andou por África no patifório. Deixou uma grande marca em Maputo. Aliás a revista dos CFM em Maputo tem um belo artigo sobre ele basicamente a dizer isto.

    Imagino que hás-de ler muita coisa, mas estes dois são básicos para decorar.

    Comentar por ABM — 09/10/2010 @ 1:24 am

  4. Nicola: sim, era.

    Comentar por ABM — 09/10/2010 @ 1:36 am

  5. acho que não é o mesmo, Tomané (o Araújo)

    Comentar por cg — 09/10/2010 @ 5:36 am

  6. (a esta hora ter de pôr um roupão em cima da pelota e ir lá abaixo!…. grrr….🙂 )

    ora bem: é realmente outro, o nosso Araújo da rua das putas. este é do tempo dos majores comandarem os serviços cartográficos, etc, tal como o Joaquim Machado que referes. o “plano Araújo” trata do plano de ampliação da cidade, de 1887 a 1895. que vigorou mais ou menos até aos anos 50, a que lhe sucedeu o “plano Aguiar”.

    consultei o “Maputo – Património da Estrutura e Forma Urbana – Topologia do Lugar”, João Sousa Morais, Livros Horizonte, 2001

    Comentar por cg — 09/10/2010 @ 5:59 am

  7. Buen trabajo amigo. Te felicito!. un saludo juan re-crivello

    Comentar por juan re crivello — 09/10/2010 @ 10:21 am

  8. Carlos

    Bom dia. Não conheço outro Major Araújo e apenas li uma referência não confirmada a um “plano Araújo”, o que me suscitou dúvidas pois a partir da “expedição” do então Major Joaquimm José Machado em Março de 1877, o plano da cidade era de Machado, não de Araújo. De qualquer forma, a única maneira que eu tenho de positivamente testar essa questão, já que manténs uma dúvida, que é perfeitamente válida, é consultar um velho livro sobre a toponímia da velha cidade que eu tenho algures. E suscitar eventuais contribuições de quem nos ler. Como ando em obras de Santa Engrácia com o meu ridículo espólio bibliográfico, não sei onde ele anda. A questão fundamental é “qual” é o Major Araújo que deu o nome à Rua Araújo.

    Juan

    Muchas gracias. Fico contente de teres gostado

    Comentar por ABM — 09/10/2010 @ 1:27 pm

    • O Major Araújo, a quem se deve o nome da rua, era Augusto Cândido de Sousa Araújo. A ele se deve grande parte do desenho da cidade de LM depois de Ressano Garcia. Foi também chefe da policia de LM e mais tarde foi governador da cidade da Beira. Era pai de Alberto Novaes de Sousa Araújo, grande caçador e dono da 1a coutada de Moçambique, Kanga N’Thole.

      Comentar por Miguel Souza Araújo — 28/03/2014 @ 11:50 pm

  9. Venho felicitá-lo, ABM, pelo excelente pedaço de história que aqui nos deixa. Eu, que não tive oportunidade de conhecer a bela ex-Lourenço Marques, fico grato pela exposição.

    Comentar por ERFERREIRA — 09/10/2010 @ 8:29 pm

  10. Sr Ferreira,

    Agradeço, isto é apenas um esboço, acredite que ainda só passaram 24 horas e já tenho mais uns dados…

    Comentar por ABM — 09/10/2010 @ 9:28 pm

  11. […] ontem acabava um texto sobre a Rua Araújo, a D. Suzette cantarolou uma canção que atribui ao poeta Reinaldo Ferreira. Só sabia esta parte […]

    Pingback por REINALDO FERREIRA: POEMAS, MÚSICA E A RUA ARAÚJO | ma-schamba — 09/10/2010 @ 9:29 pm

  12. Excelente, JPT.
    Debaixo dessas arcadas também se encontram umas preciosidades editoriais. Desviadas é certo, mas que pode fazer um visitante ávido de saber?

    Comentar por VA — 09/10/2010 @ 11:37 pm

  13. VA ainda que isto seja um poiso colectivo (donde também propriedade dos leitores …) esta “ganda malha” de post é do ilustre ABM. Donde “excelente, ABM” …

    Comentar por jpt — 10/10/2010 @ 12:18 am

  14. Olá VA

    O que é uma “preciosidade editorial desviada”?

    Comentar por ABM — 10/10/2010 @ 1:29 am

  15. ??? filha pequena do Pepe??

    Comentar por ABM — 10/10/2010 @ 2:06 am

  16. Eu queria mesmo dizer ABM.
    Desculpa, ABM. sei que esta “grande malha” é tua. Estilo inconfundível.
    Vinha de comentar a Bagamoyo do JPT.
    As preciosidades editoriais desviadas (ahahahah) são uns livritos antigos que se encontram nas bancas de rua.

    Comentar por VA — 10/10/2010 @ 11:10 am

  17. Gostei muito deste escrito, e de um modo geral, partilho de muitos dos seus pontos de vista. Se calhar por ter um percurso de vida, embora mais extenso, com muitos pontos de contacto com o seu.
    Porem o que me leva a comentar é tambem um “must” que sabia ter lido mas q só hoje encontrei nos meus papeis.Está num Boletim Oficial da Cª de Moçambique de 14 de Setembro de 1899 (!) e é o Regulamento das Toleradas!!. Refere-se à cidade da Beira , mas penso que haveria algo idêntico para LM e para a Rua Araujo.Muito interessante … ainda para mais numa publicação oficial.
    Se estiver interessado em ler, contacte que envio-lhe o texto.
    Cumptos
    JASP

    Comentar por José A.Silva Pinto — 27/10/2010 @ 5:32 pm

  18. Sr Silva Pinto

    Ainda bem que gostou de ler, e CLARO que estou interessado em ler o seu escrito, não sei como mo pretende fazer chegar mas o meu endereço de correio electrónico está algures nesta Casa mas mando-lhe aqui: bcaluanda@gmail.com.

    Mas o que é isso o regulamento das toleradas?

    Comentar por ABM — 27/10/2010 @ 7:16 pm

  19. HELLO ABM, GOSTEI IMENSO DA HISTORIA DA RUA ARAUJO, PARA MIM EM LM, AONDE VIVE OS MEUS PRIMEIROS 36 ANOS DE VIDA, TENDO TRABALHADO NA MANICA TRADING ESQUINAS DA RUA ARAUJO COM A RUA SALAZAR,VIVI A EPOCA LOUCA DOS ANOS 6O ATE 1974 DA RUA ARAUJO E TAMBEM LM A CRESCER E MUITO ; CONVIVI COM A MAIORIA DOS NOMES E PESSOAS DA EPOCA,TRABALHAVA NO JORNAL DIARIO, COMO TRADUTOR, ANDEI NAS CACADAS LOUCAS DE LM ATE QUELIMANE, DE CARRO, FUI A TETE DE AVIAO PRIVADO COM O ACACIO LOBO DA STEIA;VISITAR CABORA BASSA E TETE AONDE NASC -ESTIVE NA BEIRA QUE ERA DIFRFENTE, FREQUENTAVA O BAR DO POLANA, AONDE FALAVA COM O DAVID DAVIES DA LM RADIO, VI AS CENAS DE PANCADARIA NO PINGUIM,QUANDO LI O SEU ARTIGO LEMBREI-ME DO QUE PERDEMOS, POIS NAO CONTAVAMOS COM OS POLITICOS DA METROPOLE, VIVIAMOS NUMA ILHA ISOLADA,ESTAVAMOS SEPARADOS DA REALIDADE DO QUE VERIA A ACONTECER NO 7 DE SETEMBRO, CONHECIA OS TIPOS QUE ESTAVAM ENVOLVIDOS TANTO EM PORTUGAL COMO OS DO 7 DE SETEMBRO – MAS A VIDA NA ILHA;ACABOU NO DIA 25 DE ABRIL DE 1974, EM AGOSTO ESTAVA EM DURBAN, NUNCA MAIS VOLTEI A LM – MESMO ASSIM TODOS NOS TIVEMOS UMA VIDA INVEJADA, ONTEM PASSEI A TARDE A LER O QUE FOI MOCAMBIQUE E SE UM DIA NOS ENCONTRARMOS HAVERA UMA OPURTUNIDADE DE TROCAR IMPRESSOES, COMO A SENHORA QUE ENCONTROU EM CASCAIS TERIA MUITAS OUTRAS HISTORIAS E ASSUNTOS QUE SO ME VEEM A BAILA QUANDO LEIO O QUE ESCREVEU.COMO DISSE CONVIVI NO DESPORTIVO, CLUBE NAVAL,CLUBE CIVIL ( NAO ERA O MEU FAVORITO)ESTIVE MUITO LIGADO AO GDLM, MAS DESLIGUEI-ME CASEI-ME TIVE FILHOS E DEPOIS COMO TODOS NOS FOMOS PARA A RUA, CORRIDOS PELOS POLITICOS E PELO SISTEMA IMPLATADO EM PT E QUE AGORA VAO PAGAR E BEM CARO – ENQUANTO EU CORRI O MUNDO, DESDE RSA,GERMANY,SAUDI ARABIA, EGYPTO, BRAZIL ETC – NUNCA PENSEI QUE ESSA SERIA A MINHA VIDA, MAS TIVE DE LUTAR PARA SOBREVIVER E NAO FOI FACIL
    UM ABRACO
    ADRIANO GRACA

    Comentar por Adriano Silva Graca — 22/03/2011 @ 9:22 am

    • Sr Graça, fico muito contente que se tenha divertido a ler este texto e espero contactar consigo em breve. A sua vida dava um filme, isso já percebi, mas as suas memórias de Moçambique são uma homenagem àquela terra e povo junto do qual eu creci e o sr viveu tantos anos.

      Comentar por ABM — 23/03/2011 @ 10:35 am

  20. CARO ABM.,
    OBRIGADO DAVA UM FILME DE CERTEZA,OU UM LIVRO E TALVEZ CONVERSANDO MUITA COISA VEM A BAILA – BASTA VER ENTRE AS PROFISSOES QUE EXERCI, FUI AMANUENSE DOS SERVICOS DE AGRICULTURA SITUADO NUM PREDIO NA PRACA 7 DE MARCO,FUNCIONARIO DE DIVERSAS FIRMAS ” INGLESAS OU S.A” AONDE ERAMM DISTINGUIDOS COMO DE SEGUNDA CLASSE PAGOS A SEMANAM, CASH,SE FOSSEMOS INGLESES TINHAMOS SALARIO POR CHEQUE AO MES,FIZ TUDO EM DESPORTO, FUTEBOL,BASKET( FRACO)ATLETISMO ( CAMPEAO NA EPOCA)TENIS,PESCA NA INHACA BONS MARLINS TIRAMOS, CACADOR DURANTE 10 ANOS, DE LM ATE QUELIMANE, MATAMOS DE TUDO, MENOS LEOES NEM ELEFANTES, NOS EMPREGOS FORA DE MOCAMBIQUE FUI 7 ANOS ESTIVADOR E MANAGER NOS ULTIMOS 30 ANOS EM EMPREEZAS NA RSA,GERMANY, ITALY,KSA ETC. VISITEI 15 VEZES O BRAZIL, EM NEGOCIOS, E ACHEI QUE ESTAVA DE NOVO EM MOCAMBIQUE,POIS OS BRASILEIROS TEEM A MESMA ABERTURA QUE NOS OS MOCAMBICANOS TINHAMOS E NAO HAVIA A INVEJA UM DOS PROBLEMOS DA METROPOLE.

    AINDA MIUDO ENTREI NO CASINO COSTA, LOGO QUE VI A FOTO ME LEMBREI E AS FOTOS DA RUA ARAUJO DOS ANOS 60 E 70, ERA O QUE SE VE E NADA TINHA A VER COM COLONIALISMO, LEVEI UM PROFESSOR UNIVERSITARIO DA UNIVERSIDADE DE BERSKLEY NA CALIFORNIA, QUE FICOU ABSOLUTAMENTE LOUCO E O TERMO, E QUE SE APAIXONOU POR UMAS DAS GIRLS ( UMA MISTURA DE SANGUES DE TODOS OS PONTOS DO NOSSO IMPERIO COLONIAL)QUE ERA DE FACTO MUITO EXOTICA.) E CLARO ISSO FOI UM ANO ANTES DA ABRILADA E ESSE PROFESSOR JA DEVE TER DESAPARECIDO NA VORAGEM DA VIDA. \
    UMA PERGUNTA SE NAO SE IMPORTA O SEU PAI AINDA ESTA CONNOSCO?? DEMO-NOS UM POUCO, MAS ELE ERA OFICIAL E EU SARGENTO, MAS CONHECIAMO-NOS NO DESPORTO.
    MUITO OBRIGADO PELA RESPOSTA CA FICO AGUARDANDO NOTICIAS E VOU APRENDENDO O QUE NAO SABIA SOBRE A MINHA TERRA.
    O ABM ESTA EM PT OU NOS EUA??
    UM ABRACO AMIGO DO KOCUANA
    ADRIANO GRACA.\
    EM OCTUBRO HA UM ALMOCO DO GDLM – SE ESTIVER EM PT VOU, MAS E CLARO SERA DIFICIL.
    A DULCE E O FLORES CARDOSO SAO OS PATROCINADORES.

    Comentar por Adriano Silva Graca — 26/03/2011 @ 8:38 am

    • Sr Graa

      Muito obrigado pela sua precisosa nota. A sua vida que dava um filme ! ainda bem.

      O meu pai faleceu h dez anos, estava para durar cem anos mas foi um azar e os mdicos que ele consultou antes, no sei como, no deram por nada. Fica a sua memria e eu aqui para dar uma ajuda.

      Vou tentar telefonar-lhe amanh. Bem haja!

      Comentar por Antonio Botelho de Melo — 27/03/2011 @ 4:30 pm

  21. Hello ABM, sorry about your father, as I now tell to people, e a Voragem da Vida, quase todos os que faziam dos meus amigos e conhecidos ja foram.
    Telefone que terei muito gosto, tambem lhe posso telefonar, aqui neste pais, KSA, O SISTEMA TELEFONICO E BASTANTE BOM, MAS COMO EM TODAS AS AREAS DO MUNDO TUDO E GRAVADO E REGISTADO, NAO ME FAZ DIFERENCA,NADA TENHO A VER COM A POLITICA LOCAL QUE ATE ADMIRO POIS E A UNICA CERTA, COMO JA ESCAPEI EM AFRICA E AQUI A DOIS ATAQUES SEI DO QUE ESTOU A FALAR -E A VIDA – UM ABRACO E ATE BREVE.
    ADRIANO GRACA TEL.DIRECT. +96643225249, MOB +966050361316

    Comentar por Adriano Silva Graca — 28/03/2011 @ 7:49 am

  22. recordar o ano 1971 Fevereiro. aqui os checas perdim a virgindade

    Comentar por João Guerreiro — 29/10/2011 @ 6:55 pm

  23. Peço desculpe mas gostaria se possivel ver mais fotos da rua araújo onde trabalhei na coop.

    Comentar por ROSA MARIA NASCIMENTO — 02/08/2012 @ 1:41 pm

    • A COOP ,SERIA O MEALHEIRO COOPERATIVO,QUE FICAVA ,LOGO AO COMEÇO DA RUA ARAÚJO,PARA QUEM SAÍA DA PRAÇA 7 DE MARÇO??A CURIOSIDADE É QUE FOI AÍ QUE EU AINDA COMO ESTUDANTE ABRI A MINHA 1ªCONTA BANCÁRIA

      Comentar por jorge ferreira do carmo — 20/03/2013 @ 2:42 pm

      • Olá Jorge, penso que a Coop no início da Rua Araújo era apenas a Livraria, mas não tenho a certeza, apenas me lembro de ir lá com a minha mãe comprar livros e revistas. ABM

        Comentar por ABM — 21/03/2013 @ 5:43 am

      • Sim,o mealheiro cooperativo ficava onde diz, também lá tinha uma conta com a finalidade de mais tarde concorrer a um andar dos da COOP, cujo valor perdi como outros na mesmas condições, e alias como perdi o predio onde morava……coisas de quem trabalhou uma vida em LM, na Rua Araújo,a pensar no dia de amanhã !!!!!!

        Comentar por José Coreia — 03/07/2014 @ 3:12 pm

  24. SÓ TENHO QUE AGRADECER A ESTE SITE «the delagoa bay world »,tudo o que publica sobre lçº.marques e moçambique ,é na verdade um manancial de informação,Obrigado e continuem.

    Comentar por jorge ferreira do carmo — 20/03/2013 @ 2:45 pm

    • Jorge, muito grato pelo encorajamento. Este é um hobby de interesse histórico, mas também de carinho para com as pessoas e o País que muitos de nós aprendemos a gostar e a respeitar. ABM

      Comentar por ABM — 21/03/2013 @ 5:41 am

  25. Brilhante relato.Nos anoa 60,quando de Vila Pery vinha a Lourenço-Marques,era uma visita obrigatória.Bons Tempos.
    Obrigado por estas recordações.Estão de Parabens.

    Comentar por Fernando Fragoso — 30/05/2013 @ 5:48 pm

    • Obrigado pela nota e ainda bem que gostou Fernando, é uma das especialidades aqui da casa, que tem muito já para se ver sobre Moçambique. ABM

      Comentar por ABM — 31/05/2013 @ 12:02 pm

  26. gostei de rever o tempo, boas fotografias muito obrigado.

    Comentar por Jorge Tchemo — 29/06/2013 @ 6:04 am

  27. Parabéns! Excelente texto e ritmo.

    Comentar por Carlos Trocado Ferreira — 15/11/2013 @ 8:47 pm

  28. Gostei muito deste artigo,fez-me recordar parte da minha vida (57/76) cuja actividade profissional era passada na Rua Araújo,Navegação..

    Comentar por José Correia — 03/07/2014 @ 3:17 pm

  29. Parabéns, excelente texto que fez reviver tempos que passei em LM ao serviço da PM e muitas rondas fiz na rua Araújo

    Comentar por João oliveira — 06/02/2015 @ 3:15 am

    • Olá João, tardiamente, agradeço a simpatia e ainda mais que gostou do que escrevi. Abraço moçambicano, ABM

      Comentar por ABM — 26/10/2015 @ 7:32 pm

  30. Por favor, alguem sabe de alguns dados de como era ou fotos etc da minha Mãe Olivia Silva a “suicidada” no predio miramortos na Beira?? E sim que trabalhava como “artista” na rua Araújo??obrigada. lomenavasil@gmail.com

    Comentar por Maria Filomena — 06/07/2015 @ 9:56 am

    • Olá Maria, quem era tua Mãe?! fiquei intrigado. Abraço, ABM

      Comentar por ABM — 26/10/2015 @ 7:30 pm

  31. Caro Tomané;
    Trabalho excelente e didáctico, os meus parabéns. De todas formas deixeme fugir um pouco ao de sempre, -“bares, raparigas, e noites de farra”- para lhe dar a minha recordaçao da Rua do nosso Major.
    Trabalhei muitos anos na Rua Araujo, na empresa Costa & Cordeiro, Ltda., e a recordaçao que se mantem viva na memoria deste Moçambicano da diáspora é a de uma Rua onde se trabalhava muito, onde estavam sediadas grandes empresas que contribuiam para a economía da Provincia e que tinha sido a Alma Mater da mina cidade.
    Nao é justo que só se recordé o que era de noite.

    Comentar por FPenha — 25/04/2016 @ 1:39 pm


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