por ABM (18 de Outubro de 2010)
A semana passada entupi e envenenei os canais maschambianos ao mencionar na Casa a presença de Marcelo Rebelo de Sousa num estúdio de televisão em Maputo, de onde se dirigiu à Nação portuguesa, tremelicante com as tsunamianas notícias das subidas de impostos e o possível chumbo no orçamento de 2011.
Então, sobre Moçambique, onde estava, serviu-nos chá, charme, Mia, e livros.
Esta semana (eu vi o seu segmento porque a sogra vê – diz que ele lhe simplifica aquela confusão da carpidaria da semana em parágrafos sucintos que ela depois usa para falar com as amigas ao telefone), já de regresso à base em Lisboa (ele vive em Cascais City) o Prof. Marcelo encantou novamente.
Mal se sentou na cadeira da TVI, com aquele ar de quem esteve uma semana no Bazaruto em vez de a trabalhar arduamente, disse logo que acabara de chegar de Maputo (no TAP da manhã) e que tinha o seguinte a dizer sobre Moçambique (aí disparei a correr buscar um lápis e um papel).
Segue-se o que ele disse, mais ou menos tal e qual, vai em bullets
– em relação aos episódios de 1-2 de Setembro em Maputo, que havia uma primeira camada da população que estava serena [não explicou qual];
– que havia uma segunda camada do burgo que eram os políticos, em que Sr G fez remodelação ministerial (mudou um amigo e despediu outros três), cancelou ida a Espanha que já era o segundo cancelamento;
– sobre a economia, que recusou cortar nos gastos mas que a inflação está a ser mortífera, em que o salário mínimo moçambicano é um quinto do português mas que as coisas básicas que se têm que comprar em Maputo City e arredores custam o mesmo que na Tuga;
– e ainda havia o factor de milhões de jovens que estavam a crescer e que em breve entrariam na sociedade, com o impacto previsível [presumo que de imprevisibilidade];
– que não há oposição política em Moçambique, ou melhor, que a oposição é feita apenas pelos jornais – com menções honrosas para o Savana de Fernando Lima e de Kok Nam e o Zambeze, que acho que é do Fernando Veloso [sem mencionar nomes. ele tinha uma cópia do Savana deste fim de semana passado na mão com ele – que inveja…]
– Que o Sr. G fez bem em demarcar-se dum senhor que era barão da droga e dono dum shopping mas que devia parar a ostentação da riqueza entre os ricos e os poderosos em Moçambique [depois disse qualquer coisa sobre um Jaguar da filha do presidente que não percebi]
– que ele achava que os tops moçambicanos pareciam que estavam a tentar copiar o modelo angolano de desenvolvimento/enriquecimento [não percebi] das elites, mas que não funcionava pois Moçambique é pobre e que portanto não havia massa crítica para fazer as negociatas que os generais angolanos fazem.
E no fim da sua intervenção, o já habitual “ah que saudades de quando o meu pai foi governador-geral naquele aninho e meio”, que foi o melhor período da sua vida, etc e tal.
Isto foi o que ele disse.
Estatutariamente, aqui não se faz análise política.
Mas o que o Professor disse fez-me pensar.
Hum.
É que a semana passada ele estava em Maputo e disse basicamente pouco ou nada e foi só mel e rosas sobre Moçambique. Livros moçambicanos, ah a boa gente, conversinha de alcova com o Mia. Chit chat.
Chegado a Lisboa uma semana depois, e diz o que disse (mais ou menos) acima. Com uma cópia do Savana na mão.
Post Criptum
O que eu vi, menos a parte final que referi e que não está aqui, pode ser vista premindo AQUI.

hahahaha muito me ri … !
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Comentar por Lucia Costa — 18/10/2010 @ 1:25 am