THE DELAGOA BAY REVIEW

20/10/2010

UMA VISÃO GERACIONAL SOBRE MOÇAMBIQUE

Filed under: Imprensa Portuguesa, Portugal-Moçambique — ABM @ 11:42 pm

O símbolo corporativo da portuguesa Televisão Independente

por ABM (20 de Outubro de 2010)

Para os exmos. Leitores que não viram e que têm internet mais ou menos a sério, em baixo uma reportagem de 35 minutos feita há umas semanas sobre algo em Moçambique, a que alguém escolheu dar o nome (que é o da reportagem) de Geração de Viragem.

Confesso que, para além do alegórico das imagens habituais e do abundante cut and paste e acompanhamento musical exótico-africano, não percebi bem qual era o fio da meada nem a relação entre o que vi e o título.

Mas se calhar é só coisa minha.

Lá mais uma vez comparece em farta abundância o incontornável, o indomável, o insaciável, o inevitável Embaixador de Moçambique at large, o eminente escritor e biólogo (ou é biólogo e escritor?) Mia Couto. Que, mais uma vez, nos mata a todos com amor.

E aquele fim, aquele fim tão prenho de imagens de emoção silenciosa e pingante do António Peres Metello (que de outro modo é cinco estrelas), que parece que paga do seu bolso a educação duma jovem moçambicana…. fiquei quase, quase, rendido.

Foi, simplesmente….embevecedor.

É isso. Fiquei embevecido.

E para o exmo Leitor ver se se embevedece também, prima AQUI, depois com o rato prima a seta no vídeo e veja o documentário.

Esta peça foi para o ar na passada segunda-feira na TVI em Portugal continental, logo a seguir ao noticiário deles.

9 comentários »

  1. Credo. Não vi, mas agora não sei se terei coragem de ver…

    Comentar por Catarina Campos — 21/10/2010 @ 2:38 am

  2. Tens razao ABM o documentario e’ mesmo mauzinho.

    Uma ressalva apenas: nao e’ Rui, e’ Antonio. Conheco-o bem e sou muito amiga dele. E’ uma das pessoas mais generosas que conheco e conheco tambem de muito perto actos anonimos da sua generosidade. E sei tambem que a comocao que mostrou publicamente e’ a mesma que mostra sempre que, em privado, fala na sua afilhada mocambicana.

    Comentar por AL — 21/10/2010 @ 4:13 am

  3. É de facto embevecedora a reportagem. Tal como todas as reportagens feitas neste registo. Como aquelas a que assisti nos anos 60 e 70 do século passado, em documentários apresentados no cinema, servidos como entradas. Tudo era apresentado assim, dum modo idílico. E as pessoas apareciam felizes, a confirmar aquilo que lhes era sugerido. Ainda a TVI não tinha sido inventada e o Mia Couto andaria de calções, alegremente, a correr para a sala de aulas da primária. Reparou, ABM, que no fim houve distribuição de lembranças? Nem nisso as coisas mudaram por aí além, em relação aos anos 60 do século XX. As crianças contentam-se com pouca coisa.

    Comentar por ERFERREIRA — 21/10/2010 @ 4:14 am

  4. D Catarina,

    Veja, veja, não perde nada.

    Sra Baronesa

    Corrijo já o nome, claro, deve ter sido lapso freudiano meu. Indirectamente, já tive contacto pessoal com o APM e vejo o seu desempenho nos media. Mas aquele final no programa foi a meu ver um pouco extemporâneo para que não o conhece ou o seu envolvimento pessoal no tópico.

    Sr E R Ferreira

    Absolutamente acertado. Aliás, o que me surpreende é – por azar – o péssimo timing do documentário, que vai para o ar um mês e meio após os traumatizantes eventos em Maputo, que puseram lá todos a pensar e de que já resultaram mudanças no elenco ministerial e o cancelamento de duas importantes visitas ministeriais, entre outras. Há três aspectos que eu creio serem fundamentais de referir e que não foram, sendo que o documentário foi feito para uma audiência portuguesa, em Portugal: 1) a má preparação dos professores, segundo o que leio na imprensa moçambicana, tópico a meu ver mais crucial que tudo, pois um bom professor ensina por baixo de uma bananeira se for preciso. O governo português, que se reputa gasta várias dezenas de milhões de euros por ano em “cooperação”, nem sei se foca em coisas simples como dar assistência ao magistério primário; 2) não entendo porque é que os meninos e meninas da escola primária em 2010 é que são a “geração de viragem” moçambicana. Isso pressupõe que as duas gerações anteriores não o são, o que é uma afirmação que se calhar daria para alguma discussão; 3)parece-me, da minha leitura da situação actual em Moçambique, que se caminha para uma situação verdadeiramente explosiva em Moçambique na medida em que a) a população vai-se urbanizar muito rapidamente nos próximos 30 anos, b) as escolas estão a fabricar graduados em que em alguns casos as credenciais podem não ter a qualidade que se pretende, mas, mais importante que tudo, c) não havendo a industrialização e a criação de emprego ao nível do crescimento da população alfabetizada e urbanizada, cria-se a real possibilidade de gerar mais uma geração perdida e, mais preocupante, frustrada por constatar que, face à promessa de uma vida melhor que uma educação pressupõe realizar, deparar-se com uma vida atribulada e miserável, por falta de oportunidade. Em Moçambique como em toda a parte, é imperativo que nos preocupemos em assegurar, em termos geracionais, essa “cadeia de valor”. Face à relativa explosão populacional moçambicana, isso não está a acontecer ainda.

    Comentar por ABM — 21/10/2010 @ 11:43 am

  5. Nao podia ABM estar mais de acordo contigo em tudo. A idealizacao da escolarizacao como degrau para um futuro melhor, quando a qualidade da educacao e’ duvidosa e nao se criam oportunidades de emprego e’ um problema bem real ja em muitos paises e nao so em Africa. Quanto ao Antonio, concordo tambem contigo e por isso mesmo deixei a ressalva e o meu “testemunho” de amiga.

    Comentar por AL — 21/10/2010 @ 11:53 am

  6. Passando por cima de muitos aspectos já focados relativos à qualidade da reportagem, o que não admira face à ignorância generalizada sobre “África”, esse chavão que tudo quer dizer, e nada diz!, friso a ausência que quaisquer imagens, relatos, das escolas e do basto sector de ensino já de alta qualidade, alicerçado nas enormes áreas libertadas (In cadernos s/a guerra colonial e boletins anti-coloniais).

    A reportagem diz zero sobre essa temática, pedra basilar, angular, da educação do homem novo.
    Lamento a parcialidade encapotada da TVI.

    Registo a naturalidade verdadeira, o engajamento, a consciência cívica e profissional dos entrevistados.

    E finalmente registo, também, o “tamanho” da capital, no dizer espantado da jornalista.

    Shiiiiiiiii

    Comentar por umBhalane — 21/10/2010 @ 4:53 pm

  7. Ainda tenho que ir ver a reportagem …

    Comentar por jpt — 21/10/2010 @ 6:04 pm

  8. A reportagem da TVI “Repórter TVI Geração de Viragem” mostra a situação do Ensino Básico em Moçambique, mas podia ser filmada em qualquer outro país com o desenvolvimento após independência.

    A Geração de Viragem não é a que vimos na reportagem mas sim os jovens que estiveram há alguns anos, logo após a Guerra Civil, na mesma ou pior situação que das crianças na reportagem.
    Neste momento estes jovens são sem dúvida a “Geração de Viragem Avançada”.
    A ONGD portuguesa Amigos Sem Fronteiras, trabalha em regime cem porcento voluntariado e tem o projecto de ajudar jovens moçambicanos depois de terem concluídos o Ensino Secundário, preparando-os entre outros, a dar o mesmo apoio que eles beneficiam de momento, aos jovens de futuro.
    Veja mais sobre o trabalho deste ONGD e como apoiar em http://www.amigossemfronteiras.org ou no “Facebook” pagina Amigos Sem Fronteiras. Ajuda um projecto com pés e cabeça.
    Lisboa, 21 de Outubro de 2010
    Nuno Magalhães.

    Comentar por Nuno Magalhães — 21/10/2010 @ 9:37 pm

  9. Esta reportagem pareceu ter sido encomendada, pois tratou-se de uma peça facciosa onde foram detorpadas algumas realidades.
    Desiludida com o nosso querido escritor Mia Couto que nem sequer se predispos a disponibilizar um único exemplar da sua colecção para a escola carenciada.
    Concordo com o que foi dito sobre o final da reportagem.
    Valeu pelo turbilhão de sentimentos desplotados pela recordação dos lugares daquela Terra.

    Comentar por Maria — 21/10/2010 @ 10:45 pm


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