THE DELAGOA BAY REVIEW

25/10/2010

ANTES DA FESTA, OS TEMAS BÁSICOS

Filed under: Saúde, Sociedade portuguesa — ABM @ 3:30 am

Sinal internacional que indica a proximidade de um hospital.

por ABM (25 de Outubro de 2010)

Estes dias vivem-se em Portugal momentos de reflexão pré-Orçamento do governo central para o ano de 2011, documento esse que estará a ser negociado à porta fechada entre grupos nomeados pelo PS e pelo PSD.

Já está mais ou menos assente que esse orçamento não vai reflectir qualquer visão para o futuro dos portugueses ou do desenvolvimento do país.

Na realidade, vai ser mais um exercício contabilístico do desespero à última hora e da oportunidade política, que já não vai a tempo de evitar uma recessão em 2011 cujos efeitos são ainda imprevisíveis.

Na face de um regime de Ali Babá e os 40 Ladrões e dívidas e despesas monstras e ainda a ameaça do corte dos continuados financiamentos lá de fora, agora os débitos têm que se aproximar dos créditos, algo que em quinze anos seguidos de nacional porreirismo Socialista (e até certo ponto social-democrata) não aconteceu e que só agravaram perigosamente após a hecatombe internacional em finais de 2008.

Para além da possibilidade de coisas inacreditáveis como a eliminação das deduções da matéria colectável nos impostos das despesas com a educação e a saúde, e a apropriação do Estado dos Fundos de Pensões para estoirar a tapar os buracos imediatos, fico quase boquiaberto que até na área saúde, que em Portugal é supostamente garantida a todos os cidadãos mas que anda a descambar perigosamente, esse acesso está-se a tornar cada vez mais dúbio.

O que é curioso, se se tiver em conta que esse acesso terá sido uma das grandes bandeiras do pós-25 de Abril e um dos grandes responsáveis pelo quase assombroso melhoramento nas estatísticas de qualidade de vida dos portugueses.

E que é uma medida inconstestavelmente Socialista.

Ou seja, sem dinheiro e aparentemente sem ideias e sem princípios, é a própria República Socialista que contribui para abalar um dos seus mais visíveis pilares. Pois parece que essa área tem muito que se faça para melhorar mas não se fez e agora não há dinheiro.

Neste contexto, achei refrescante ver as declarações do Senhor Tony Benn, parte dum notoriamente tendencioso documentarista americano. Ele, um esquerdista convicto, estava lá quando o Reino Unido introduziu o sistema nacional de saúde britânico em 1948. E explica o que foi, como foi e porque foi.

Mais importante, um pouco como em Portugal, ele refere algo importante sobre o Reino Unido, que por vezes se esquece no luso rectângulo: há muito que esta questão deixou de ser uma bandeira de esquerda ou de direita.

Algo que alguns lobbies portugueses parece que ou não se aperceberam ou, pior ainda, não querem perceber.

E o velho Benn ainda diz algo relevante sobre o que é uma democracia e como deve funcionar.

Neste dias que correm, é sempre salutar rever os temas básicos.

Um senhor no Iútube fez o favor de traduzir. Sofrivelmente e em pós-ortografês.

1 Comentário »

  1. Grande entrevista.

    Comentar por jpt — 25/10/2010 @ 9:33 am


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