THE DELAGOA BAY REVIEW

27/10/2010

QVO VADIS A REPÚBLICA SOCIALISTA

Filed under: Economia Portuguesa, Politica Portuguesa — ABM @ 3:06 pm

por ABM (27 de Outubro de 2010)

Quanto vai custar aos portugueses a inabilidade dos seus políticos eleitos se entenderem quanto à formulação de um orçamento? sendo que quem vai pagar os custos desta incapacidade é quem vive e paga impostos em Portugal.

O que transparece é que, no fim do dia, não foram os detalhes, foram as posturas de base que ditaram o insucesso da tentativa de acordo.

Entretanto, separam-se as águas. O PS, na boca do actual ministro das Finanças, na face da postura do PSD, reitera que a solução para tudo é mesmo aumentar impostos.

O que só confirma uma constatação minha de há vários anos: o PS não consegue cortar nada, mas nada, no aparelho de Estado. Só sabe cobrar mais impostos e endividar o erário público.

O presidente, Cavaco Silva, convidou os membros do Conselho de Estado para uma reuniãozinha de fim de dia na sexta-feira. Não vai servir para nada, basicamente, a não ser alimentar egos e dar a sensação de que alguém está a falar.

E surge uma notícia de jornal alerta que afinal a bomba que é o falido BPN é maior e mais perigosa do que se está a dizer, com fortes indícios de que vão ser os contribuintes fiscais portugueses a tapar o buraco.

Hum.

Como é que se sentiram mesmo os habitantes da Islândia naquele dia em 2008 em que acordaram de manhã para descobrir que todo o seu país estava na bancarrota?

19 comentários »

  1. Acho interessante a brincadeira que fazes com a bandeira. Custa-me um bocado, acho que a bandeira não deve ser adulterada (talvez por isso é que há bloguistas me dizem reaccionário). Mas como os bancos portugueses mandam produzir bandeiras com os símbolos trocados e com os seus logotipos inscritos (e ainda são não só respeitados como também financiados pelo Estado que possui a bandeira, e estou mais uma vez a falar dos aldrabões espíritos santos que destroçaram o sporting para ganharem uns trocos) acho relativamente interessante que metes um trio de papaias no sítio do escudo.

    Antes isso do que meter um tipo que ministro passou de benfica à lapa a decidir o futuro orçamento da gente. Populista, eu? O caralho.

    Comentar por jpt — 27/10/2010 @ 3:18 pm

  2. Tentames para uma estratégia de combate à crise e à divida pública portuguesa

    Preâmbulo.
    Portugal necessita urgentemente de uma estratégia, endógena e sustentada de combate ao flagelo da dívida pública. Ao contrário do que tem sido ultimamente propalado o nosso problema não é o défice público, uma vez que gastar mais do que se tem nunca fez mal a ninguém, e só se torna problemático quando aqueles que nos emprestam começam a refilar que já devemos muito, e depois sobem os juros. Podemos estar descansados que não deixam de emprestar, até porque eles precisam de emprestar, e precisam dos juros altos. Daí que o problema nacional de fundo seja o de devermos muito, e termos que pagar juros elevados para termos mais dinheiro. Por conseguinte, a estratégia deve atacar o verdadeiro problema, a dívida pública.
    Estratégia
    1.O primeiro passo a dar prende-se com a redefinição estatutária do país. Nesse âmbito o governo devia decretar imediatamente que Portugal é um “país subdesenvolvido em vias de mais subdesenvolvimento”. Isso pode fazer-se por decreto-lei, aliás como fez Cabo Verde há uns anos quando decretou o país como “país em vias de desenvolvimento”. Este nosso novo estatuto, além de original e que honra os nossos pergaminhos de pioneiros em qualquer coisa ao nível mundial, tem a vantagem de imediatamente assustar os credores internacionais, as agências de rating, e até o FMI, BM, UE e ONU.
    2.Imediatamente a seguir usamos o slogan estudantil do “Não pagamos”. Invocando a nossa condição de “país subdesenvolvido em vias de mais subdesenvolvimento” pedimos logo o perdão da dívida pública, prometendo melhorar as coisas e que, finalmente se descobriu petróleo no Beato, ou que se pode vir a descobrir.
    3.Para melhor pressionarmos as ditas instituições internacionais, aproveitamos a nossa moribunda frota pesqueira e enchemo-la, do arrastão mais imponente à chata mais pequena, de emigrantes clandestinos nas mais variadas direcções, dada a nossa experiência histórica. Para o Brasil, que agora está a dar; para os States, já é um costume; para o norte da Europa, que ainda não nos conhece bem. Podemos mesmo requisitar os barcos turísticos privados para esse efeito.
    4.Internamente simulamos um golpe de estado, e até uma hipotética guerra civil. Possuímos até do mais moderno material, que podemos começar já a utilizar: submarinos nucleares; aviões, fragatas; helicópteros; e soldados com vasta experiência em conflitos alheios.
    5.Se mesmo assim não convencermos as ditas instituições, o governo deve contratar algumas claques futebolísticas para provocarem desordens generalizadas, devidamente controladas e encenadas com as forças polícias. Alguns ataques cirúrgicos às sedes da ONU, UE e outras instituições internacionais representadas em Lisboa devem ser prioritárias. Já agora podemos atacar novamente a embaixada de Espanha, afinal já não era novidade e eles já estão habituados a isso, e até dava uma espécie de carácter étnico à arruaça.
    6.Finalmente, legalizávamos o tráfico de estupefacientes, a uma taxa de IVA de 30% e IRC a 35%, contribuindo assim para o aumento do empreendorismo luso, do PIB interno, da menor dependência dos mercados externos, e recolocávamo-nos no topo mundial das transacções comerciais em especiarias, 500 anos depois. E até já podíamos deixar o Sebastião morrer em paz.
    7. Se mesmo assim ninguém nos der ouvidos, fazemos ao mundo financeiro internacional o que Bordalo Pinheiro nos ensinou a fazer, e continuamos a gastar à grande. A ver se eles não arrepiam caminho.
    FF

    Comentar por FF — 27/10/2010 @ 3:21 pm

  3. Zé,

    A bandeira foi-me enviada por um cidadão português em Maputo que está preocupado com a sua Pátria, que considero metáfora apropriada para o actual momento retratado em baixo.

    Comentar por ABM — 27/10/2010 @ 3:23 pm

  4. ABM bem me parecia que conhecia estas papaias de algum sítio.
    FF a decisão legislativa de apelar à comunidade internacional não seria mal pensada. De qualquer forma o leasing em andamento não andará muito distante disso, com as vantagens de não afectar a “auto-estima” da rapaziada.

    Comentar por jpt — 27/10/2010 @ 3:41 pm

  5. FF

    A sua soberba e creio que humorada nota tem um lado sério: se calhar é uma alternativa…. viável.

    Comentar por ABM — 27/10/2010 @ 3:50 pm

  6. ABM o douto FF é daqueles que bem poderia acampar nestas hortas.

    Comentar por jpt — 27/10/2010 @ 4:08 pm

  7. A falar assim mais depressa vai a ministro.

    Comentar por ABM — 27/10/2010 @ 4:10 pm

  8. Afinal a minha neta tem razão, quando me diz que as cores da bandeira são verde, vermelho e amarelo. Vai longe esta princesa!
    Mas alguém duvida que os socialistas portugueses estão apostados em dar razão ao Marx e fazem tudo que podem para garantir a sua própria acumulação primitiva de capital? Daí que o estado tem de continuar a engordar.

    Comentar por ERFERREIRA — 27/10/2010 @ 4:12 pm

  9. o FF a ministro? Hum … partia a loiça toda, se bem o conheço

    Comentar por jpt — 27/10/2010 @ 4:18 pm

  10. Zé,
    Se eu fosse ministro partia a louça toda, que é velha e comprada no gato preto, mas depois havia de comprar tudo novo, em porcelana e Vista Alegre. Pagava a Refer, ou a EDP, ou até mesmo a TAP, que nisso não haveria de ser esquisito.
    abraço ao pessoal, abraço a ti e que daqui a 150 anos ainda possamos ler o Courela, eu já consumido pela tosse e pelos azuis e tu todo purificado, velhos e babados.

    Comentar por FF — 27/10/2010 @ 4:42 pm

  11. Será que eu denoto entre FF e o nossos Senador ecos de águas vivas passadas?

    Comentar por ABM — 27/10/2010 @ 7:07 pm

  12. águas vivas sempre presentes. o gajo é mano

    Comentar por jpt — 27/10/2010 @ 9:54 pm

  13. Pessoal, tenham calma,

    Como dizia o visionário Jorge Sampaio “… há vida para além do déficit…” Já ele, naquele tempo via o futuro cor de rosa. Os homens não são numeros dizia Guterres.

    Comentar por Pedro Silveira — 28/10/2010 @ 12:22 am

  14. E esqueci-me do mais importante:

    O actual Ministro das Finanças diz que tem de ser rigoroso neste orçamento.

    Estamos safos.

    Comentar por Pedro Silveira — 28/10/2010 @ 12:25 am

  15. Sr Pedro Silveira

    O facto é que, do meu ponto de vista, isto é como um violento tremor de terra no sítio onde vivemos: tudo o que está a acontecer era previsível há muitos anos. Mas vê-lo a acontecer ao vivo é totalmente outra coisa.

    Comentar por ABM — 28/10/2010 @ 12:36 am

  16. Sr. ABM,

    Eu sei que ver o que se está a ver não é bom mas por vezes uma boa cacana expele o que não queremos ou não precisamos.

    Vamos a ver o que a cacana faz. porque depois das ultimas eleições não se pode dizer que vivemos num mundo racional.

    Tenho passado os dias a rir do dia em que Jorge Sampaio dissolveu o Parlamento no governo de Santana Lopes.

    Não há rosa que resista……

    Comentar por Pedro Silveira — 28/10/2010 @ 12:48 am

  17. Sr Silveira

    Apoiado na sua primeira afirmação, mas em que contexto refere os eventos durante o governo de Santana Lopes? ou melhor, que relação estabelece?

    Comentar por ABM — 28/10/2010 @ 12:53 am

  18. Eu nunca entendi as verdadeiras razões da dissolução da Assembleia da Républica conforme a comunicação do PR na altura.

    Mas a avaliar pelo que se dizia na altura, invocava-se desorganização e alto défict, temos de agradeçer ao Dr. Jorge Sampaio a solução de substituir Pedro Santana Lopes por Sócrates.
    O Governador do Banco de Portugal da altura, Vitor Constâncio, avalizou o défict. Capacidade analitica inversa ao que fez nos anos posteriores no Banco de Portugal. Mas o “crime” compensa, está num bom lugar, sossegado.

    Pelo menos agora sabemos que a emenda foi pior do que o soneto.

    Como dizia Sampaio na altura, ” há vida para além do défict”. Bom, acho que chegou a altura de lhe perguntar onde pára essa vida porque nós não a vemos.

    Até me dá vontade de perguntar: e nós é que somos a geração rasca???????

    Contuni interessado na sua moeda.

    Comentar por Pedro Silveira — 28/10/2010 @ 3:59 pm

  19. Sr Silveira

    Ok já percebi e acho que tem toda a razão.

    Se quiser uma destas moedas eu posso procurar e depois mandar-lhe as referências. Esta foi baratinha e ainda não está à venda. Mas eu acho que não vou levar nada para a cova, esse era o meu ponto…

    Comentar por ABM — 28/10/2010 @ 6:00 pm


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

site na WordPress.com.

%d bloggers like this: