THE DELAGOA BAY REVIEW

30/10/2010

ABERTURA DA LOJA FRANCA EM MAPUTO, ANOS 80

Abertura da Loja Franca em Maputo nos anos 80 em Maputo, nas instalações do antigo Centro Comercial Man Kei, na Av. 24 de Julho.

por ABM (30 de Outubro de 2010)

No princípio dos anos 80 não havia praticamente nada que se pudesse comprar. As pessoas tinham meticais, mas nada para comprar na cidade. Estava-se em plena Era do Repolho e do Carapau. Sobrevivia-se através de vastas e discretas redes de troca de bocadinhos disto por bocadinhos daquilo. À semelhança das experiências de outros estados comunistas, as instâncias oficiais decidiram abrir uma “loja franca”, onde apenas podiam entrar estrangeiros, diplomatas e algumas figuras gratas da cidade. Ali havia mais ou menos o que hoje se compra normalmente pela cidade de Maputo (uma versão muito mais resumida, isto é) mas era tudo caríssimo, de fraca qualidade e, principalmente, tudo tinha que ser pago em moedas ditas fortes, como dólares e randes.

Eu visitei a loja em Dezembro de 1984. Estava de visita à cidade e quis comprar….um sabonete. Ali encontrei uma barra de sabonete Lux feita na África do Sul, que parecia que tinha caído de um machimbombo e rolado pelo chão. Custou um dólar e meio. Grandes ladrões.

A entrada da loja estava vedada por dois camaradas do exército, cada um com uma AK47 em riste. Uma pequena multidão, obviamente destituta e ordeira, olhava lá para dentro e pedia esmola a quem estivesse a entrar e a sair. Para entrar, tive que exibir o meu passaporte, se bem que eu pressentisse que a minha epiderme e a minha indumentária tivessem sido meio caminho andado. Não gostei.

Mas tive com que tomar banho na semana e meio seguinte.

Acima, uma imagem da inauguração da Loja Franca, tirada por Armindo Afonso, mostrando o Grande e incontornável Kok Nam, que certamente estava lá para fazer a cobertura do evento. Não sei quem está com ele.

Não sei exactamente a data da inauguração.

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12 comentários »

  1. não sei quem é ABM mas, certamente não é uma pessoa muito bem informada. Um texto fraquíssimo sem nenhuma informação digna de publicidade (que valha a pena tornar-se pública.
    Os produtos à venda eram de qualidade e os preços bastante acessíveis. A pessoa ao lado de Kok Nam é José Cabral, também fotógrafo.
    Já se passou muito tempo e a memória fica fraca embora muitas vezes, não haja como recorrer à memória quando não se tem informação.
    Como jornalista há muito o que aprender e, como curioso, há muito o que pesquisar…

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    Comentar por pureza silva — 31/10/2010 @ 5:27 pm

  2. Concordo inteiramente com o comentario anterior.
    Quase nunca se deve ter pedido identificacao a um branco para entrar nesta Loja Franca.Sou branca (enfim, assim dizem..:) e como muitos outros mocambicanos, sabia que poderia entrar sem problemas pois a entrada ninguem nos pediria identificacao (seria preciso azar, como parece ter acontecido com ABM..). A maioris de nos, nunca la entrou , ou realmente muito raramente , e por opcao.. por conviccao. … Isto sim, poderia dar para um artigo jornalistico interessante.

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    Comentar por Amelia Russo — 31/10/2010 @ 7:22 pm

  3. Sra Pureza Silva

    Também não sei quem é – inconsequente para o tema em causa- e discordo totalmente da sua aferição. Falei na primeira pessoa e relatei o que vi e sobre o que me informei. Se achou o assunto fraco ou mal escrito, espere por melhores dias, ou mude de canal. A maior parte das pessoas que conheço nunca estiveram num regime comunista, muito menos numa “loja franca” numa cidade onde quase nada havia à venda para consumir, como foi a Maputo que encontrei. A maior parte dos moçambicanos vivos hoje nem sabe o que isso é. Talvez onde a sra se encontre seja comum, ainda que eu tenha conhecimento que isso nunca existiu no Brasil. Quanto aos géneros que eu vi à venda na loja (e na altura vivia nos EUA) aquilo era de qualidade inferior e a preços exorbitantes, quer em termos do que eu estava habituado, quer no que vi na vizinha Joanesburgo na altura, onde estive uns dias à espera do voo da LAM para Maputo. Portanto fique na sua que eu fico na minha. Obrigado pelo nome do José Cabral.

    Sra Amélia Russo

    Diga-me lá: qual foi a parte do texto em que eu disse que me foi pedido que exibisse o meu passaporte à entrada da loja franca de Maputo em Dezembro de 1984 que a Sra não entendeu? referir que “a maioria de nós brancos moçambicanos não ia lá” é-me basicamente irrelevante, ainda que falacioso, mas para vir aqui dizer que a loja estava aberta a qualquer moçambicano é de bradar aos céus. Nem eu conseguiria ter inventado essa. O que eu vi foi um símbolo de privilégio, que a entrada era guardada e que definitivamente não era qualquer um que entrava lá dentro – quando eu lá estive. Que mais não seja porque 99.90% dos moçambicanos não tinha acesso a moeda forte.

    Ah, mas quase me esquecia: tanto a Sra. como a Sra D. Pureza consideram este tema indigno de publicidade.

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    Comentar por ABM — 31/10/2010 @ 11:53 pm

  4. Eu não venho interferir nesta questão, não conheci esta realidade como tal nada tenho a opinar. Mas ocorre-me um comentário ao ler o que PS escreveu – e não crítica ou contra-crítica, repito. Mas é uma concepção diferente, que me parece importante. E nesse sentido é com PS que dialogo: em meu entendimento um blog não é um jornal (mesmo quando é feito por jornalistas), não tem a mesma “responsabilidade social” (eu gosto deste termo, que é vago). Isto é um diário, de acontecimentos, de ideias, do que vai na cabeça de cada um. Ou seja, tudo vale a pena ser público, e nesse sentido não há regras. Eu acabo de colocar uma entrada com dois bichos de seda, fazemos doze anos de casados, são as nossas “bodas de seda”. O que interessa isso aos outros, ao mundo? Interessa-me a mim (e espero que pelo menos À minha mulher) e pronto, isso basta. Este é o registo de blog e, no meu entender, é o único registo de blog que realmente vale a pena. [a mesa de café, chamo-lhe] Os outros registos, que se centram no que vale a pena colocar, numa agenda ou numa linha, são mimetismos – de livros, de jornais, de rádios, revistas. Alguns serão óptimos, outros nem tanto. São legítimos. Mas não são exactamente isto.

    Como me parece óbvio, mas quero sublinhar para que não seja mal-entendido, isto não significa que o botar o que nos vem à cabeça não seja criticável (pontapeável) por quem passa, como neste caso acontece [e daí que nas 3-4 regras deste blog, acima explícitas no estatuto editorial, consta “há comentários”]. Mas somos criticáveis como bloguistas.

    Cumprimentos

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    Comentar por jpt — 01/11/2010 @ 1:11 am

  5. Jpt

    Ah, pois, e há isso também…mas para quem se habitua a ler o Corriere della Sera e o Diário do Pará isto aqui é sempre indigno de referência.

    “bodas de seda”? isso existe?

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    Comentar por ABM — 01/11/2010 @ 1:30 am

  6. ABM no mural do Sérgio Santimano no facebook vi esta foto identificada, o autor é Armindo Afonso.

    Há uma lista de bodas, todos os anos há um título (às vezes até vários).

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    Comentar por jpt — 01/11/2010 @ 1:34 am

  7. Jpt

    Se lesses o me efémero inconsequente escrito acima, a 3ª linha a contar de baixo diz quem tirou a fotografia.

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    Comentar por ABM — 01/11/2010 @ 1:44 am

  8. Pois estava, desculpa o olhar padronizado (pobre) à procura da identificação junto da fotografia.
    Tal como discordo de PS neste assunto também discordo de ti, na ironia que vejo neste teu comentário. Isto é mesmo efémero e inconsequente. É a sua piada.

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    Comentar por jpt — 01/11/2010 @ 7:34 am

  9. Nasci e vivi em Maputo até 1983. Lembro-me muito bem da Loja Franca, na altura estava localizada na Av Julius Nyerere, perto do Ateneu Grego, penso que no Edificio Montegiro e perto de onde eu morava. Foi lá que comprei a minha primeira aparelhagem (Hi Fi). Na altura paguei (em dólares, claro) quase o dobro do que custava na Africa do Sul.
    Também eu, entrei naquela estabelecimento poucas vezes, porque comprava mais barato em Nelspruit, Africa do Sul. Claro que dá vontade de rir quando dizem que poucos brancos Moçambicanos lá iam. Excluindo um ou outro preveligiado, sinceramente não estou a ver um negro moçambicano entrar na Loja Franca e exibir um punhado de dolares para comprar o que quer que fosse. Esse individuo seria imediatamente interrogado sobre a provêniencia do dinheiro e levado pela policia de então (SNASP), acusado de sabotagem económica, lembram-se? Alguêm pode dizer honestamente que isto não é verdade? Então de certeza que não viveu em Moçambique naquela altura. Sei o que digo, mesmo que não seja do agrado de alguns. Concordo com o que o ABM relatou. Ainda por cima ele limitou-se a descrever uma situação que aconteceu com ele. Porquê duvidar do que ele afirma? É mentiroso? Porquê tentarmos ser politicamente correctos e esconder qualquer situação negativa? Eramos assim tão perfeitos? Claro que não e foi por isso que tanta coisa mudou, ou não mudou?
    Pegar na qualidade do texto é desculpa para esconder aquilo que não se quer admitir que aconteceu. O ABM sempre nos presenteou com crónicas de boa qualidade e humor. Estará o mal na qualidade da escrita ou na verdade? Pôr o dedo na ferida ainda pode ser doloroso para muitos.

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    Comentar por George Ribéro — 04/11/2010 @ 2:39 am

  10. Aproveitando esta intervenção (inusitada) eu quero aqui aproveitar para saudar o machambeiro honorário George Ribéro, que nos brindou com a sua invejável sapiência aquando do recente mundial de futebol. Que muitos campeonatos se sucedam … Até breve

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    Comentar por jpt — 04/11/2010 @ 8:00 am

  11. To Mané, a mim em 80,s na minhas varias idas á Franca com a minha Mae, e mais tarde com a minha Irma que em 86 passou a ser secretaria da Embaixatriz da Afr do Sul, de modo que sempre se arranjavam Randes, sempre me pediram o Passaporte para la entrar, e a maior parte das vezes íamos la para comprar determinados produtos que de facto nao havia em lado nenhum, e era de facto uma tristeza. Na altura e comparativamente ao ex-MKay, era uma mercaria. 🙂

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    Comentar por Paulo Manso — 23/11/2011 @ 9:33 pm

    • Pois Paulo, se me recordo, ou melhor, basta olhar para baixo, ainda levei sete seguidas no focinho simplesmente por dizer o que vi. Um abraço. T.

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      Comentar por ABM — 23/11/2011 @ 9:42 pm


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