THE DELAGOA BAY REVIEW

20/11/2010

PRIMEIRA EDIÇÃO MUNDIAL: NUNO CANAS MENDES ANALISA PORTUGAL E AS COLÓNIAS NA SOCIEDADE DAS NAÇÕES

Filed under: História, História Moçambique, Nuno Canas Mendes — ABM @ 3:39 am

Os rapazes da I República que compunham a delegação que representou Portugal nas conferências de que resultou a formação da Liga das Nações, antecessora directa da Organização da Nações Unidas. Ao centro está essa figura incontornável do radicalismo republicano da altura, Afonso Costa, que liderou o grupo após Egas Moniz ter sido corrido após Sidónio ter sido morto. À sua esquerda creio que Júlio Dantas, e à direita João Chagas. Atrás dele António Ferreira. Não sei os nomes dos senhores que estão dos lados de Ferreira. Primeira prioridade destes cavalheiros: salvaguardar as colónias. Segunda prioridade: sacar indemnizações dos alemães.

por ABM (20 de Novembro de 2010)

Após ter assistido à excelente conferência dada pelo Prof. Doutor Nuno Canas Mendes na Sociedade de Geografia de Lisboa há uns dias, intitulada O Tratado de Versalhes, a Sociedade das Nações e a Política Ultramarina Portuguesa, e pensando nos milhares e milhares de exmos Leitores do Maschamba que não podem esperar para saber mais sobre o assunto do que o meu resumo de há três dias, e ainda nos estudiosos e académicos em Moçambique, Angola e arredores, que ouvem falar nestas coisas mas que depois nunca vêem népia, atrevi-me a pedir ao Sôtor Nuno que permitisse a divulgação do seu trabalho.

Ele, que já esteve em Moçambique e ainda por cima gostou, gentil e prontamente acedeu, pelo que, numa primeira apresentação mundial, disponível e em exclusivo apenas no Maschamba, aqui se apresenta (ta-ram!) o texto integral da sua conferência:

O Tratado de Versalhes[1][1][1]

O exmo. Leitor poderá entrar nos detalhes desta área pouco estudada da história e ainda comparar se o meu resumo faz justiça a este poço de erudição académica que são as dezoito páginas da comunicação feita.

Não havendo mais nada a dizer, aproveito para inserir umas fotos relacionadas com este tema, pois a apresentação do Sr. Professor, apesar de eminentemente informativa, tem apenas duas fotografias e mesmo assim muito mixurucas.

Imagem tirada durante a 2ª Assembleia da Sociedade das Nações em Genebra, em 1921. Repare o exmo Leitor no gozo disto: praticamente toda a gente na imagem está a fazer pose para o fotógrafo que tirou esta fotografia.

Os delegados na Salle d'Horlogue na casa de campo de Louis XIV (Versailles): ali se preparou muita da lei internacional actual, desarmou-se e puniu-se a Alemanha, preparou-se a partição da Palestina, criou-se o esquema dos mandatos como prelúdio para as independências e remendou-se (mal, como de costume) o imbróglio nas balcãs. Isolacionistas, os EUA nunca entraram na SdN. Anos mais tarde, Adolf Hitler daria cabo dela.

A comissão de "arranque" da Sociedade das Nações. Repare bem o exmo. Leitor em duas pessoas. O sexto senhor de pé a contar da esquerda é o General Jan Smuts (aquele a quem puseram e tiraram o nome ao aeroporto de Joanesburgo), que na altura era o primeiro ministro da União Sul-Africana e que lá andou às voltas para mais uma vez tentar rapinar Maputo e arredores dos portugueses. Foi dos poucos, senão o único, desta fotografia, que em 1945 esteve presente em São Francisco na criação da ONU. O terceiro senhor de pé a contar da direita é o português Jaime Batalha Reis, amigo de peito de Antero, Oliveira Martins e de Eça (quando Eça saiu do Consulado de Newcastle para Bristol, Batalha Reis foi para Bristol) e que era de certa forma um perito em África. Batalha Reis tinha acabado de fugir por um triz da revolução comunista na Rússia em 1919 quando foi mandado como representante português para Versailles, onde se desdobrou em trabalhos, incluindo certamente mandar Smuts à fava com as suas ideias de retalhar Moçambique.

Os senhores e senhoras da Comissão Internacional do Trabalho, de que o Dr. Nuno Canas Mendes faz menção. A Comissão era um organismo autónomo da Sociedade das Nações mas trabalhava muito de perto com essa instituição. Mais tarde transformou-se na actual Organização Internacional do Trabalho. Segundo Canas Mendes, fartaram-se de chatear Portugal por causa da escravatura e trabalho forçado nas colónias portuguesas.

A Etiópia era o único país africano sub-sahariano na Sociedade das Nações. O resto era tudo colónia, mandato ou parte do império britânico, como a África do Sul. Aqui, Sua divina Majestade Hailé Selassié, Rei dos Reis e Imperador da Etiópia (o título formal dele é mais longo) vai à Sociedade protestar eloquentemente contra a invasão dos seus domínios pela Itália de Benito Mussolini, no dia 30 de Junho de 1936. Não serviu de nada mas mais tarde os italianos levaram uma valente sova e saíram de lá.

Bom fim de semana. E boa leitura.

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2 comentários »

  1. Independentemente de outras considerações respeitantes à douta comunicação (que irei ler( e à apresentação iconográfica quero, desde já, fazer duas referências: a) a fotografia de pose, com tanta gente, algo descabido hoje (em modelo tão amplo); b)o sistema de iluminação, detectável na terceira fotografia. Estrondoso e estridente

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    Comentar por jpt — 20/11/2010 @ 8:47 am

  2. O texto da comunicação será publicado num volume que reúne todas as conferências deste ciclo de comemoração do centenário da república na Sociedade de Geografia de Lisboa.

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    Comentar por Nuno Canas Mendes — 20/11/2010 @ 11:52 pm


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