THE DELAGOA BAY REVIEW

06/12/2010

A IMPRENSA PARA AS MASSAS EM 2010

Filed under: Globalização, Imprensa Moçambique, Imprensa Portuguesa — ABM @ 3:46 pm

por ABM (6 de Dezembro de 2010)

Noé Nhantumbo resmungou elegantemente e em detalhe esta manhã no Canalmoz sobre o que ele considera alguma manipulação da agenda noticiosa nos mídia moçambicanos, sobriamente e sem nomear nomes. Ou porque não se quer chatear, ou porque (dizem-me que sim) toda a gente que ler a sua crónica sabe perfeitamente de quem e do que é que ele está a falar.

De certa forma, o que ele refere deixa-me algo perplexo, não tanto pela realidade que ele retrata, mas pela realidade que ele retrata e que é tão comum em quase todo o mundo.

Sim, em quase todo o mundo.

O que é surpreendente. É que, para quem tem algum dinheiro, alguma educação e especialmente um computador e acesso à internet, nunca foi o acesso imediato a tanta informação (incluindo este blogue) garantido e a tão baixo preço – por enquanto.

Mas a manipulação da informação global joga-se a dois níveis. Provavelmente a manipulação (ou, para ser mais simpático, “o estabelecimento de critérios editoriais para a sua disseminação”) a que Nhamtumbo se refere é a informação “de massas”: a televisão, a rádio (especialmente em África) e aos grandes jornais, concentrados nos principais aglomerados urbanos. Que se confecciona e é dirigida a um vasto grupo que provavelmente não tem interesse, não tem recursos ou não tem digamos a capacidade educacional-cultural de ir buscar outra coisa. Aí a tentação, especialmente por parte dos conglomerados económicos e e a elites políticas, em afectar de alguma forma o que sai pelos variados canais de distribuição, é quase absolutamente irresistível, independentemente de se esses meios sejam pública ou privadamente detidos.

Ou deverá dizer-se que a tentação para essa afectação é incontornável, já que esse comportamento faz parte da sua maneira de estar na sociedade?

Por uma razão ou outra, parece ser esse o caso, com as consequências previsíveis. Um interessante artigo escrito pelo académico português Francisco Rui Cádima sobre o tema e divulgado na “nova” revista Janus, agora generosamente acessível pela internet, com o título Televisões globais, história única, vai ao encontro do que Noé Nhamtumbo lamenta, mas a uma escala muito mais vasta, que inclui por exemplo, a referência à CNN e a uma das minhas estações favoritas (para análise apenas, isto é), o conglomerado de mídia português sustentado pelos contribuintes portugueses a um custo médio de um milhão de euros diários, chamado RTP.

Ou seja, com o tempo, tanto parece que mudou, e tão pouco parece que mudou, no apuramento da verdade e no aferimento da realidade.

Que, pese todo o investimento e toda a tecnologia, continua a ser uma arte, para quem produz, e para quem consome a informação.

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