THE DELAGOA BAY REVIEW

15/12/2010

OS AMERICANOS E MOÇAMBIQUE

Filed under: EUA, Wikileaks — ABM @ 3:45 am

por ABM (16 de Dezembro de 2010)

Transpondendo.

O assunto vai por partes.

INTRODUÇÃO

Ao contrário do que alguns possam supor, este texto não é sobre Moçambique.

É sobre os Estados Unidos.

Vamos lá a ver.

Não sei se já contei esta história alguma vez. Isto foi-me contado pelo meu pai. Por volta da Independência de Moçambique, o meu pai esteve em Portugal uns dias, de férias. Eu estive com ele em Coimbra, para onde fui estudar. O pai BM fora um oficial de polícia antes 1972 e conhecia mais ou menos bem o país. Era a nossa casa até então e não havia outra. Não sei como, mas uma agência de inteligência dos EUA pediu para falar com ele. Acho que eram da CIA mas não faço ideia. Dois senhores foram ter com ele, e tiveram uma conversa. Sobre o que se passava em Moçambique, quem era quem, como funcionava o quê, o que é o que pai BM achava disto e daquilo. Eu só me lembro bem dos finalmentes. Eles no fim perguntaram o que é que ele achava que os Estados Unidos deviam fazer em relação a Moçambique. E a resposta dele terá sido: “Os moçambicanos são ciosos do seu destino. Não se metam e deixem os moçambicanos decidirem por eles como vão gerir o seu país. Eles lá saberão melhor o que fazer.”

Na altura, e ainda agora, considero a descrição dessa conversa, que só me foi revelada pelo pai BM já cerca de dez anos, extraordinária, por várias razões, de entre as quais o facto de que, na altura, não só estiveram os EUA a um fio de entrar por Angola a dentro, como já se antevia que a fase da pós-independência ia ser, já estava a ser, o que foi. Os EUA viviam tempos traumatizantes, com a demissão de Nixon e o Congresso a tentar atar as mãos a Kissinger, enquanto que em Portugal o Embaixador Carlucci e os alemães manobravam no sentido de o país não resvalar para o comunismo. No fim, ficou “socialista”.

Em Moçambique, apesar da linha ideológica em sentido contrário seguida pelo regime de então, os americanos abriram a sua embaixada e lá estavam desde cedo, fazendo o então habitual jogo do pau e da cenoura, que ao que sei irritava de sobremaneira os moçambicanos, que na altura viviam tempos de “vigilância” interna e um crescente conflito com os dois vizinhos do lado, por razões digamos que bilaterais. Em 1980 ou 81 meteram alguns diplomatas americanos na rua, mas passados poucos anos veio um degelo muito rápido. Samora mandou o seu homem a Washington preparar o terreno e pouco depois tirou a fotografia com Reagan e a seguir Valeriano Ferrão abriu a embaixada na capital federal americana. Desde então, os EUA têm sido essencialmente parte das troikas que prestaram vários tipos de apoio a Moçambique, directa e indirectamente, especialmente depois de acabar formalmente a guerra em Outubro de 1992.

O CONTEXTO

A ajuda norte-americana é legendária por ser relativamente burocrática e prenha de contrapartidas e exigências. Não vou entrar nos detalhes, mas decerto os exmos. Leitores já ouviram falar das leis americanas que não permitem a ajuda médica em casos em que sejam praticados abortos, ou que para haver ajuda o governo tem que fazer x e y e z. Os americanos não tendem a brincar e estão no mundo para defender os seus interesses, não para espalhar a sua generosidade aos quatro ventos, e o dinheiro é deles. É assim que eu encaro as coisas.

E as coisas estavam a correr mais ou menos bem, até mais ou menos a minha ex-colega de faculdade Sharon Wilkinson, ainda afecta aos democratas de Bill Clinton, ter terminado o seu mandato como embaixadora norte-americana em Maputo em 2003.

Mas, durante esse mandato da Sharon, dois eventos ocorreriam que completamente mudariam tudo.

A primeira, foi a eleição de George W. Bush, que sucedeu a Bill Clinton.

A segunda, foram os ataques terroristas em Nova Iorque e Washington no dia 9 de Setembro de 2001.

Por essa altura, ou melhor, pouco tempo depois, Joaquim Chissano decidiria não se recandidatar à Presidência de Moçambique e o candidato escolhido para a sucessão era Armando Guebuza.

O NOVO CONTEXTO

A natureza dos ataques de 2001 e quem estava por detrás deles, tiveram profundíssimas implicações para os Estados Unidos especialmente na forma em como esse país passou a encarar as suas ameaças e as suas necessidades de segurança, a todos os níveis.

Essencialmente, a impressão inicial nos EUA foi de que os sistemas e os parâmetros existentes para a sua defesa intena e a dos seus interesses pelo mundo, eram totalmente inadequados para enfrentar a nova ameaça, que não era um estado, nem um exército, mas uma “rede” extremista islâmica, minimalista, metódica, bem financiada, bem motivada – e absolutamente mortífera.

Para a combater, o consenso era que medidas excepcionais teriam que ser adoptadas.

E medidas excepcionais foram adoptadas.

Não vou entrar nos detalhes da aparente aventura americana no Iraque, dado que o que nos interessa aqui é África.

E, dentro de África, Moçambique.

ÁFRICA

O novo conceito de segurança norte americano era global e era o de combater o novo inimigo – essencialmente o extremismo islâmico – com todo o vasto arsenal de medidas à disposição do governo norte-americano.

Em África, inportavam principalmente aos Estados Unidos, creio, duas coisas.

A primeira, era não deixar grassar espaços vazios de soberania onde podessem florescer forças alinhadas com o seu apercebido inimigo. Principalmente, estamos a falar de lugares como o corno de África. Mas não só.

Segundo, importava aos Estados Unidos “secar” qualquer fontes de apoio, seja de que forma fosse, a seja quem quer que fosse que prestasse apoio, logístico, mas principalmente financeiro, aos seus inimigos.

Inimigos cujo epicentro geográfico é o Paquistão e o Afeganistão e, também um pouco, o Irão.

E para tal, importava aos Estados Unidos que os Estados africanos exercessem um controlo mais apertado de a) o que se passa dentro das suas fronteiras, e b) o que se passa nas suas fronteiras.

De um momento para o outro, tornou-se muito importante para a estratégia global dos Estados Unidos que os estados africanos controlassem, de forma eficaz e digamos que conclusiva, a circulação de:

–  pessoas
–  mercadorias
–  dinheiro

Parte desses sistemas os exmos. Leitores já têm conhecimento. A legislação norte americana é draconiana no que toca às penalizações a pessoas e empresas que façam negócios com o inimigo, na forma da Lista OFAC – a tal em que foi incluído um conhecido homem de negócios de Moçambique. Mas esta lista inclui milhares de pessoas, de empresas e de entidades a nível mundial, e é gerida por um pequeno exército bem financiado em Washington.

Para além de que a sua diplomacia, se detectar potenciais ameaças em qualquer local, faz saber as suas preocupações e solicita, ou exige, a tomada de medidas para lidar com essas ameaças apercebidas.

Ora, o continente africano é notório pelas suas fragilidades no que concerne a capacidade dos seus países controlarem as suas fronteiras, a circulação de pessoas, o mesmo acontecendo com o seu dinheiro.

E recordo que os dois primeiros grandes ataques da tal rede que dá pelo nome de Al-Khaeda, ocorrreram em solo africano, em Nairobi e em Dar-Es-Salam, há quinze anos.

Existem consideráveis comunidades islâmicas ao longo da Costa Leste do continente, algumas com laços estreitos com o tal epicentro extremista islâmico que é o foco privilegiado da atenção americana.

Mas – perguntará o exmo. Leitor – o que tem Moçambique a ver com isto?

MOÇAMBIQUE

Não estou dentro dos detalhes, mas creio especular educadamente quando postulo que, entre 2003 e 2006, o governo norte-americano começou a apertar o cerco em torno destas questões em todo o mundo – incluindo em Moçambique.

Situação sobre a qual não elaborarei em vista do estatuto deste blogue no que concerne a matéria.

Mas pode-se afirmar que a combinação dos temas, aliás correntes e recorrentes, nos jornais em Moçambique – as percepções e relatos de corrupção, de enriquecimentos rápidos, de uma poderosa comunidade empresarial islâmica, indícios de tráfico de droga e de lavagem de dinheiro, a sua circulação sem grandes restrições, a fraqueza e a falta de recursos do Estado em segurar as fronteiras, os fluxos de pessoas, de bens e de dinheiro (incluindo drogas ilegais), no mínimo faziam com que os norte-americanos se sentissem nervosos com as eventuais implicações de um tal estado de coisas para a sua segurança global.

Pelo menos é o que se depreende.

E aqui entra em cena o Sr. Todd Chapman.

TODD CHAPMAN

Não sei muito sobre este senhor. Antes de ir para Moçambique estava na Bolívia, que não era pêra doce, e onde era conselheiro na embaixada americana local, e que agora é suposto estar (para variar) no centro do epicentro do esforço militar global norte-americano do momento, o Afeganistão.

No entretanto, esteve em Moçambique.

Chapman nunca foi embaixador. Nem sequer era para ser embaixador. Quando a anterior embaixadora cessou as funções, o que aconteceu foi que a pessoa nomeada pela Administração Bush para o cargo não foi aprovada pelo Congresso (não sei qual foi a razão mas isso pode-se saber). E, nessas alturas, a pessoa no cargo dele exerce interinamente as funções do titular da embaixada, com a designação de “encarregado de negócios”. Ou para quem gosta de francês, “chargé d’affaires”.

E assim ficou até meados deste ano.

Antes de se ir embora, houve o famoso episódio, abordado neste blogue algures, em que o senhor do centro comercial em Maputo foi declarado proscrito pelas autoridades norte-americanas.

E, numa viragem quase espectacular, mas relevante, das circunstâncias, aparecem há uma semana quatro mensagens confidenciais escritas por Todd Chapman, cuja autenticidade até este momento não foi disputada por ninguém.

A WIKILEAKS

Devo dizer, primeiro que tudo, que, pese a minha desconfiança e desconforto com uma boa parte da diplomacia, e de alguns diplomatas que já conheci, que aquilo que são e o que representam é algo entre um mal necessário e um reconhecimento de que vivemos num mundo imperfeito. Acredito que são necessários, se bem que sinta que às vezes me lamente demais que eles pareçam esquecer-se de para quem trabalham: os cidadãos dos estados que representam.

E, nesse contexto, é absolutamente imprescindível que o seu trabalho tenha uma componente de absoluta confidencialidade e discrição. Nem devia ter que dizer isto, é por demais evidente. Muita da diplomacia não sobrevive cinco minutos à luz do dia, quanto mais ao escrutínio imediato dos jornais.

Portanto, o traidor que divulgou isto tudo deve ser preso, julgado e condenado, e se possível regado com alcatrão e penas como se fazia nos filmes do velho Oeste.

Por outro lado, quem desenhou os sistemas de comunicações confidenciais dos norte-americanos devia levar outra valente vassourada, pois o que sucedeu não foi uma falha, foi um buraco negro sem fim.

Mas sucedeu. E, para variar, aparece no meio esta entidade, a Wikileaks, quase unicamente habilitada a captar toda essa informação e capaz de a disseminar ao público, através da internet, pelos vistos apesar dos esforços desesperados sobre os quais se vai lendo nos jornais.

As pessoas da Wikileaks parecem ideologicamente motivadas pela teoria, parcialmente válida, creio, de que os estados têm que se submeter ao escrutínio dos seus povos. O que, reconheça-se, não só cada vez acontece menos, como por vezes sinto que assistimos em nossas vidas às piores previsões da sinistra novela de George Orwell, “1984”.

Seja como fôr, o conteúdo das suas divulgações é incontornável. É impossível de ser ignorado. Em Portugal, há dois dias que não se fala de outra coisa senão em algumas revelações feitas sobre pessoas e situações locais, incluindo o Presidente de Portugal, Cavaco Silva.

O que revelam, então, as mensagens de Chapman?

AS MENSAGENS

Provavelmente não há entre o público leitor que tenha lido em maior detalhe do que eu as quatro mensagens assinadas por Todd Chapman. Inclusivé colaborei na sua tradução, pois acredito ser importante que quem lê deve ser capaz de ler o mesmo que eu li. E este blogue é primariamente em português, não em inglês.

E vou ser breve porque não há, na minha opinião, contrário ao que alguns pensarão, muito a dizer.

Nas quatro mensagens de Chapman, não vi prova de coisa nenhuma, para além de que ele parece irritado por os moçambicanos não fazerem aquilo que ele manda. E resmunga e insinua e chateia, porque alguns jornais em Moçambique (que ele cita) dizem que dizem, e ele diz que eles dizem, e ele diz que um senhor diz que diz, e que o outro disse que disse.

Face à gravidade das alegações e insinuações contra um número de pessoas de relevo, não basta, para o leitor atento, a referência ao diz-que-disse-que-ouviu-que –o-outro-disse. E o que o outro acha que.

É preciso mais.

Pode ser que a situação mude, mas para já é só.

O que eu leio nas mensagens de Todd Chapman, creio, é uma mistura talvez de um certo empenho pessoal na sua causa, e, isso sim, o reflexo de uma preocupação absolutamente focada em três coisas: o controlo, ou falta dele, por parte do Estado moçambicano, em relação à circulação de pessoas, bens e dinheiro dentro e para fora das suas fronteiras.

Isto no contexto da batalha que os Estados Unidos estão agora envolvidos e a que acima referi.

Esse é “o” assunto em mão entre os dois estados. E que deve ser resolvido entre os dois estados. Os seus representantes fechados à porta, longe da luz do dia, dos jornais, das televisões e certamente dos blogues. Acordar se há problema, e se há, resolvê-lo.

O resto, e que pode não ser pouco, é, como disse o pai BM em 1975, assunto que é melhor deixado para os moçambicanos resolverem entre si, quando e como acharem melhor.

Foi também por esse direito que lutaram para ser independentes.

Eu sinto Moçambique, e não é boa gente quem não sente. Mas aqui compete-me apenas desejar que tudo corra pelo melhor e que os desafios que se apresentam todos os dias, sejam superados.

THE BEST FOR LAST

A razão da minha dedicação a este tópico, possivelmente dos mais interessantes e reveladores da diplomacia norte-americana em Moçambique nos últimos anos, é cristalina: a clareza total na abordagem a um tópico incontornável da actualidade perante quem lê este blogue, que eu tenho por pessoas inteligentes, interessadas, conscientes e tudo menos parvas. Pegar nos assuntos sérios pela rama é pouco sério.

Numa nota pessoal, já antes me apercebera de alguns dos constrangimentos implícitos de escrever aqui e das suas implicações. Por essa razão questionei a quem de direito se, em tais circunstâncias, se justificaria o meu contributo (totalmente grátis, representando centenas de horas do meu tempo) para esta magnífica publicação electrónica que é, ou tem sido, o Ma-Schamba. Que como muitos dos exmos. Leitores, lia com redobrado prazer muito antes de o Senador ter vindo pessoalmente à minha quinta o ano passado, exortar-me para aqui escrever. Sentindo-se algo ludibriado, a minha retirada para outras pastagens seria a coisa mais fácil e natural do mundo, para mais se em causa está o bem estar de terceiros. Bastando para tal um ténue sinal, que infelizmente não foi dado, ou não foi recebido. Em vez disso, num espaço de vinte e quatro horas, sem qualquer aviso, fui confrontado com a saída em marcha solidária de todos os meus colegas da caneta e a insinuação quase peripatética de ser “eu” ou pior, querer ser eu, o blogue Ma-Schamba. Que, para que conste, e para quem saiba do que falo, não sou nem nunca fui. Que mais não seja porque, declarações, posturas, éticas e estatutos aparte, os ficheiros da Casa estão afinal a um clique de distância e as palavras-chave e os acessos desta casa permanecem firmemente – e bem -com o seu fundador até este momento, o para sempre meu magnífico Senador, com quem tive o privilégio de privar sob este tecto durante um ano e meio.

Com quem aprendi a meter um post num blog.

E só isso já foi obra.

E esta é a sua obra, de sete anos. A que adicionei umas pindéricas trezentas e noventa e seis inserções, quase todas elas inconsequentes. Até por isso, talvez, já fui insultado hoje duas vezes por leitores. Agradeço terem-se dado ao incómodo, mas não precisavam.

Esta é a última vez que aqui escrevo uma nota.

Sanadas as eventuais desinteligências, especialmente lá em Maputo sobre quem é quem e quem fez o quê e porquê e quando – eu assino o que escrevo e sempre o fiz – muito me aprazeria se o Senador e seus amigos aqui voltassem e trouxessem de novo o seu vigor e literacia a todos nós, sob esta marca que já diz algo a alguns, em vez desse tal de pouco-pouco.

Maschamba forever.

(fim)

Comments (15)
15 Comentários »

Esta é uma situação lamentável e penso que desnecessária, embora desconheça os contornos. Acredito que entre gente boa este episódio pode ser ultrapassado! O Ma-schamba não merece acabar assim!

Comentário by José — 15/12/2010 @ 10:58

Não conheço algum dos autores, mas como sou moçambicana, gostava de ler os vossos posts, principalmente, reconheço, os relativos às fugas Wiki fiquei chocada ao ler, até o mencionando lá no spot, que o fundador do Ma-schamba se retirava pois os posts do ABM colidiam com interesses pessoais de quem vive em Moçambique ou lá detém interesses (lá está, de novo, a palavra mágica profissionais…ora, mas não é a liberdade de expressão isso mesmo- o confronto de interesses por princípios ou a verdade só a é quando interessa? Estranha forma de a encarar…Admiro a coragem que é aquela que é actualizada quando dói mesmo, agora, quando é daquela que só se mostra quando convém isso para mim tem outro nome…Como tal, gosto dos seus posts Abraço

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 12:53

Entendam-se que os leitores não têm nada a ver com esta história. Queremos todos o Ma-schamba a funcionar.

Comentário by Pedro Silveira — 15/12/2010 @ 13:11

Este é o último post de um blog onde escrevi sete anos. Já disse tudo o que tenho para dizer e não deveria intervir mais. Mas é o último post, é isto que vai ficar a encabeçar o blog nos anos que estiver disponível e confesso que me custa deixá-lo assim, sem resposta, só para simular a “indiferença olímpica”. Certo que face a ABM já disse em privado e em público o que entendi dizer. Posso (lá está, é mais forte do que eu) apenas responder ao argumentado no texto. Dois pontos: 1) nunca enviei nenhum sinal de desconforto com a presença de ABM no ma-schamba porque nunca o tive. Tive discordâncias, algumas, e concordâncias muitas. Apenas isso. E essas foram recorrentemente comunicadas, numa troca de mensagens abundante, quase sempre divertida, agreste uma ou outra vez. O desconforto, radical, abrangente, que tive este último fim-de-semana foi explicitado em mensagem privada, a qual com toda a certeza esclareceu hipotéticas dúvidas que agora ainda transparecem no texto. É uma situação radicalmente nova, não em grau, sim em género, se se quiser dizer assim; 2) neste contexto de argumentação reduzir esta questão, que tem sido entre-discutida desde há muito tempo, ao “bem estar de terceiros” é penosamente redutor. E é(-me) evidente que isso é sabido por ABM pelo que não uso mais adjectivos. É óbvio que não “é o bem estar de terceiros” a questão, mas que o é com toda a certeza o “nem no bem estar de terceiros pensaste”. A diferença entre as duas posições, duas atitudes, é muito grande. E o ABM sabe-a e percebe-a.

Para, realmente, terminar. Isabel Metello deixa um comentário. Ao longo dos anos aqui sempre disse que a interpretação é uma decisão. Isabel Metello decide interpretar de determinada forma. Quando escrevi o que escrevi antevi a pomposa chegada deste tipo de gente [e eu podia retoricamente ter elidido o aspecto pessoal da argumentação – quem o discutiria? quem o aventaria? Estou certo que ninguém.]. É uma das formas da cobardia, truncar o que os outros dizem e escrevem, deturpar a la carte para poder concluir com aparente panache. Mas é uma aparência vã, apenas com a baixeza da desonestidade, que até transparece na semântica intentada, aventando gente que “lá detém interesses”, da qual nenhum de nós falou – é um deslizar das palavras de quem as conhece bem, e como tal de quem interpreta de um modo porque o quer mesmo, não por mera inépcia. Sempre aqui defendi o direito e, acima de tudo, o dever do insulto – e algumas vezes o pratiquei. Neste seu caso, Isabel Metello, nem isso se justifica. O seu soez comentário é um auto-insulto. Suficiente.

Comentário by jpt — 15/12/2010 @ 16:29

Vai uma pessoa para o mato trabalhar durante 2 semanas e quando regressa encontra uma mensagem destas…

E que tal, para abreviar, ir tudo para banhos natalícios (forçosamente à temperatura exterior ambiente, naturalmente…) e voltarem depois das festas, hã?

Vá lá, se eu até no meio do mato Angolano faço um esforço para ler o Ma-schamba, e outras pessoas fazem o mesmo, é porque merece uma ponderação dos ‘donos-da-bola’.

Boas festas a todos (aproveito a deixa)e sff voltar ao palco em Janeiro!!

Abraços a todos.
Miguel A.

Comentário by Miguel A. — 15/12/2010 @ 18:01

Caro JPT, escreveu “interesses” escreveu e se reler o que escreveu verá de onde parte a desonestidade que invoca…quanto “a este tipo de gente” creio que se enganou…aliás, de onde me conhece para mostrar dessa forma a sua tão elevada educação? Eu baseei-me no que escreveu, não o ofendi pessoalmente, aí está a diferença…aliás, foi a !”este tipo de gente” a quem endereçou um pedido para divulgar o seu blog e fi-lo com todo o gosto, inscrevendo-o na minha lista…agora, eu sou daquele tipo de gente que reafirma: defender princípios, como a verdade, a liberdade, etc…é muito bonito na teoria, mas só GENTE os aplica na prática…e mantenho o que disse…

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 21:28

E passo a citar o seu 8º parágrafo da sua nota de despedida, para comprovar quem está a fugir à verdade: “(…)Para mais, e como já fiz ver em mensagem privada, levantando outra questão. As mensagens americanas vituperam o estado moçambicano. ABM, no seu propósito divulgador e denunciador, assume explicitamente o seu conteúdo como verdadeiro. Ora se assim é, se o Estado moçambicano assim o é, ABM inconsiderou os meus interesses e a minha situação pessoal, familiar e profissional, sabendo-me único residente, único trabalhador dependente aqui e conhecido como fundador do blog que ele utilizou para atacar o poder moçambicano. Bem como, ainda que em menor grau, os dos outros três co-bloguistas que têm também interesses profissionais e pessoais no país. A nenhum de nós perguntou se estaríamos disponíveis para aderir à sua iniciativa. Mais uma vez o refiro, usurpou um local colectivo, com regras bem-dispostas mas explícitas, em função dos seus interesses e/ou das suas vontades (…)”

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 21:49

Isabel Metello V. escreve bem demais para não saber que há uma gigantesca diferença entre referir que tem interesses e gente que detém interesses. Um pequeno deslizar que não é um pequeno deslize, e que mostra bem a sua vontade de truncar e falsificar. E não me venha com retóricas negacionistas em que nem V. acredita Tal como não me venha com falsas reclamações identitárias. Quanto ao resto quis falsificar as minhas afirmações e argumentação, paraodiando-as. E tem a pobre, e atrevida, concepção de que é aqui que deve vir encontrar a “verdade”. Nunca isto foi um local detectivesco, foi sempre reclamado como um sítio de opinião. SEmpre. Quando foi individual, quando foi colectivo. Que V. me venha aqui apoucar a dignidade, falsificando a minha argumentação, e exigindo que seja um local da verdade (já agora, expressa em versão rápida pela wikileaks), ao qual nunca se reclamou, seria paródico se não fosse execrável. E como entenderá muito bem não é por divulgar este ou outro blog que isso tem algum cabimento. Não tem nenhum, nem se dá minimamente ao respeito. É, para mim, ponto final parágrafo. Nem aqui nem em algum outro local V. me merecerá um mero esgar que seja.

Comentário by jpt — 15/12/2010 @ 21:52

Bem, o JPT está a entrar por um caminho desrespeitador e isso não lho admito, pois está a demonstrar uma total falta de educação para com uma leitora do seu blog, que não conhece, que se limitou a comentar palavras suas, que qualquer alfabetizado lê- aliás são afirmações explícitas, o JPT até o poderia ter expressado de forma mais metafórica e, aí, poderia invocar uma interpretação mais subjectiva, mas não- foi peremptório e bem explícito no que afirmou.
Assim, quem não se dá ao respeito não sou eu, pois eu jamais pretenderia responsabilizar alguém daquilo que tinha acabado de escrever. E a Dignidade está ligada à Liberdade de expressão, condigna e não insultuosa.
Quanto aos ressentimentos de que tb fala no seu texto de despedida não me espanta a estratégia retórica, pois a inversão de situações é típica de quem desce de um debate sobre conceitos para ofensas pessoais…

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 22:07

Só mais um reforço: quanto ao seu esgar, JPT, por Amor de Deus, o ridículo tem limites! Quanto aos tiques autoritários implícitos na sua última afirmação, mas julga que estamos aqui numa autocracia ou oligarquia parodiada? A nossa democracia pode não ser perfeita, mas ainda não se chegou ao ponto de se contar consigo para censor rubro. Ou julga que as máximas de Staline já não estão aqui bem desconstruídas?
Olhe, quanto à falsa identidade, mostre que detém ou tem hombridade e prove o que diz. O que quer dizer com isso?

Comentário by Xikuembo_Xanhaque, vulgo Isabel Metello — 15/12/2010 @ 22:23

O segredo da felicidade está na liberdade; o segredo da liberdade está na coragem.
(Péricles)

Comentário by espinhoso — 15/12/2010 @ 22:35

A publicação das 4 mensagens secretas no Ma-schamba, na minha opinião, justificou-a plenamente ABM. Sem espingardar, enquadrando historicamente os seus motivos e deixando aos Moçambicanos as ilações. Um abraço.

Comentário by ERFERREIRA — 16/12/2010 @ 5:50

A casa caiu. A Mãe Morreu. Está tudo bem.

Comentário by Pedro Silveira — 16/12/2010 @ 13:02

[…] alguns textos em regime solitário ABM terminou no ma-schamba. No último texto entre aparentes reverências deturpa as minhas opiniões, e isso é feio. Reduz […]

Pingback by ma-schamba e PNETMoçambique « Pouco-pouco — 16/12/2010 @ 14:12

Nas primeiras páginas do jornal Savana, as traduções aqui publicadas. Muito obrigado, ma-schamba.

Comentário by Espinhoso — 16/12/2010 @ 14:23

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