THE DELAGOA BAY REVIEW

17/12/2010

EXPOSIÇÃO “AS ÁFRICAS DE PANCHO GUEDES” EM LISBOA ATÉ 8 DE MARÇO

Filed under: Arquitectura Moçambique, Pancho Miranda Guedes — ABM @ 11:12 pm

Saiu no Diário de Notícias de ontem. O texto é da jornalista Marina Marques. Com vénia, aqui vai:

(a parte salientada é obra minha)

Colecção feita ao sabor de viagens e amizades

São mais de 500 peças de artes plásticas, artesanato, arte popular, objectos  do quotidiano e de carácter ritual que Pancho Guedes juntou desde os anos de 1950/60.

À entrada, uma arca concebida por Pancho Guedes cheia de estátuas de animais em madeira, qual Arca de Noé, é uma das poucas peças feitas pelo artista patentes na exposição “As Áfricas de Pancho Guedes”, que pode ser vista no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, até 8 de Março. “É o Pátria”, diz o arquitecto, numa referência ao transatlântico que fazia a ligação entre Moçambique e Portugal.

Diferente das habituais colecções de arte africana, escolhidas em antiquários, Pancho Guedes foi juntando estas mais de 500 peças a partir dos anos 1950/60, e o acervo foi enriquecido um pouco ao sabor das viagens profissionais do arquitecto e das relações pessoais que foi travando.

E isso mesmo se percebe ao percorrer a exposição na sua companhia, à medida que vai contando a história de cada peça. Objectos de carácter ritual – como as máscaras de iniciação lómuès (tribo do Norte de Moçambique) – ou de uso quotidiano surgem lado a lado com obras de arte plástica, arte popular e artesanato. E como Pancho Guedes percorria grande parte do território africano em trabalho ou a título particular, recolheu peças de locais tão diversos, como os desertos do sudoeste de Angola ou a Nigéria.

“Uma exposição imprevisível e irreverente”, diz Alexandre Pomar, que comissaria a exposição, juntamente com Rui Mateus Pereira. “E a montagem da exposição ainda acentua mais esses aspectos, porque houve uma grande intervenção do arquitecto, mesmo na colocação de algumas peças, que não corresponde ao habitual noutras exposições”, refere. Situação ilustrada por um busto de Salazar, em pau-rosa, que Pancho Guedes quis fixado na parte superior de uma vitrine, de cabeça para baixo. Bem-disposto e com sentido de humor, o arquitecto explica: “É como se estivesse no céu, mas vem cá de vez em quando.”

Na sequência de três outras exposições de colecções africanas promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa, esta é uma colecção mais próxima da realidade e das populações africanas e apresenta numerosas peças de artistas amadores, “gente que trabalha noutras coisas e que faz a sua pintura e escultura fora de horas”, nas palavras de Pancho Guedes. De entre os vários exemplos, destaque para um núcleo de bordados. “Vivíamos em Maputo, em frente ao quartel com os magalas africanos que faziam os bordados, e como ao sábado o general Kaúlza de Arriaga (1915-2004) queria que as tropas vissem filmes de cowboys, eles depois faziam coboiadas nos bordados”, explica o arquitecto.

(fim)

In Diário de Notícias de 17 de Dezembro de 2010.

 

 

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