THE DELAGOA BAY REVIEW

18/12/2010

TIREM-ME DAQUI

Filed under: Politica Portuguesa, Presidenciais 2010 — ABM @ 4:18 pm

A antiga sede da Pide em Louremço Marques. Hoje, mais uma ruína de Maputo.

18 de Dezembro de 2010

Sou só eu ou os debates em Portugal entre os candidatos para o cargo de presidente no mandato que começa no ano que vem estão a ser simplesmente impossíveis de aturar? já houve três debates, e cada um me parece que consegue o feito de ser pior que o anterior.

Não há pachorra.

Vamos lá a ver – e eu já o referi num texto há uns tempos num blogue onde escrevia antes deste: à partida, creio que, para melhor ou pior, por uma variedade de razões, Aníbal Cavaco Silva vai ganhar facilmente a eleição à primeira volta.

Especialmente se conseguir manter-se calado o mais possível, o que não tem feito.

A partir daí, a ideia de ter que aturar dez debates a dois – dez, nada menos – para esclarecer o eleitorado sobre não sei bem o quê, parece interessante mas ao mesmo tempo insuportável.

Porquê insuportável?

Eu explico porquê.

Porque, apesar de as candidaturas para presidente serem uninominais, ou seja, de indivíduos, e das suas ideias, perfis e personalidades, na verdade há muito que o processo eleitoral presidencial português está alinhado com o restante processo político, ou seja, reflecte os alinhamentos das diferentes máquinas partidárias.

E quanto a isso, temos a máquina partidária PSD/CDS contra a máquina PS, com uns restinhos no fundo do cesto para os outros, de que mencionarei apenas o camarada Chico Pereira do PC e o Dr. Fernando Nobre da AMI.

Isto não é a eleição americana, em que há candidatos à nomeação pelos democratas e pelos republicanos, que depois debatem, ou melhor, se degladiam, pelo cargo presidencial. Que, esse sim, é um cargo executivo.  Aí, apesar de tudo, há margem para algum debate e interesse. Há substância.

E mesmo assim, no fim do dia, este é um não-combate entre um incumbente, Cavaco Silva, e um dinossaurus rex socialista, o Dr. Manuel Alegre. Um não-combate em que de um se diz de nota ter tido as primeiras relações sexuais com a criada lá em casa, e do outro que assinou a ficha da Pide quando foi à tropa em Moçambique (cuja sede em Lourenço Marques era o casarão cheio de azulejos lá em cima) a dizer que sim, que estava alinhado com o regime. Touché, Manel. Há cinquenta anos tu fugiste não sei para onde na Argélia enquanto os nossos boys andavam aos tiros em África e a gente também não fez grande mossa disso.

O que tem piada – e desespera ao mesmo tempo – é ter que assistir a discursos e a debates em que se tenta protagonizar a função presidencial precisamente por aquilo que, por desígnio, não é.  Tendencial, e constitucionalmente, é bom presidente aquele que está calado e faz pouco ou nada. Quando raramente sai dessa postura, quase sempre fica o caldo entornado. É assim há cem anos. Mais, se se incluírem os últimos anos de D. Carlos, que foi um rei investido com mais ou menos os mesmos poderes “moderadores”. A esse mataram-no, e ao filho de 18 anos, que não fez mal a ninguém.

A crise que se vive em Portugal não é presidencial. É uma crise de regime e de um povo que anda na lua há 35 anos seguidos, confundindo democracia com economia, mordomias e negociatas.

Agora, chegou a hora de se fazerem contas.

E à partida não é este ou aquele presidente que vai resolver isso.

 

 

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