THE DELAGOA BAY REVIEW

28/12/2010

TIREM-ME DAQUI 2

Filed under: Politica Portuguesa, Presidenciais 2010 — ABM @ 12:51 am
O Nando, o Aníbal, o Chico e o Manel.

O Nando, o Aníbal, o Chico e o Manel.

27 de Dezembro de 2010

A sucessão dos assim-chamados debates presidenciais está-se a tornar de dia para dia, pior. Está a chegar ao ponto em que o dever cívico se está a tornar em não os ver.

Esta noite, enquanto mascava distraidamente o jantar, vi aquilo que passou por mais um debate, este entre o Fernando Nobre, que é o senhor da AMI, e um candidato que nem sei bem quem é e que se chama Defensor Moura. Acho que é um autarca do Norte mas não sei. Nem sei se quero saber.

Meu Deus.

Mas estes senhores não têm quem os aconselhe umas coisas mínimas em termos de estratégia? de estratégias de campanha? de debate? o curto tempo que tinham passaram-no basicamente a agredirem-se a a ver quem era mais esperto (algo que no fim fiquei sem perceber também).

Se calhar eu estou mimado com os malefícios das eleições americanas, onde se sabe anos antes quem é que está a concorrer, o que nos dá algum tempo para vagamente perceber quem é, ou são os candidatos. Estes, entretanto, vão arranjando dinheiro e montando estruturas de campanha, que os assistem em termos do que devem fazer, devem dizer, devem debater.

Em Portugal não. Tirando Cavaco Silva e Manuel Alegre, um porque é o actual presidente, e o outro porque sempre o quis ser (espero sinceramente que esta seja a última vez), e que têm algum apoio logístico (e mesmo assim…), os outros nem dá para perceber o que lhes deu. Apareceram assim, de repente, do nada.

É como se eu, achando-me iluminado pelos deuses, uma noite decidisse concorrer a presidente do país. Mesmo em Portugal, as coisas não funcionam assim. É preciso mais que ser um bom homem e com ideias (ideias que nenhum dos candidatos parece ter, ainda por cima).

Mas o pior foi esta do esquema dos debates. Juntaram todos e esperam que os vejamos a esgrimar alternadamente em curtas séries de menos que uma hora, com uma jornalista no meio a disparar à esquerda e à direita. O debate de hoje deve ter sido entre o 4º e o 6º nas sondagens. Os dois pareciam um par de velhotes num café a discutir a actualidade nacional: impossível de os levar a sério. O país à beira de uma síncope económica e possivelmente social, e os candidatos a discutir não se sabe bem o quê.

Parte do problema já o referi, reside  na natureza do cargo, que é só muito marginalmente executivo. Ou seja, o que é que se pode esperar dum candidato, face à actual situação? pouco, para além de que não abane mais o barco do que ele já anda. A partir daí, quem está na presidência pode chamar a atenção da cidadania para o que quiser, que no fim do dia quem decide as coisas é o governo e o parlamento, dependendo da correlação de forças.

E tudo indica que se avizinha uma fase em que provavelmente os senhores do PSD serão governo, com uma maioria maior ou menor. Quem nessa altura estiver a exercer o cargo de presidente – provavelmente Aníbal Cavaco Silva – vai dizer as coisas do costume e assinar por baixo quando e onde lhe for dito.

Certamente não vai resolver nenhuma das desgraças que estão prestes a abater-se sobre os portugueses.

Assim, felizmente, constato que esta “campanha” presidencial acaba dentro de semanas.

A ver se se passa para o que tem que ser feito a seguir.

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