THE DELAGOA BAY REVIEW

27/01/2011

A HOMENAGEM A EUSÉBIO E AS ORGANIZAÇÕES PORTUGAL

Filed under: Uncategorized — ABM @ 12:06 am

Imagem tirada pelo incomparável Rogério Carreira, que esteve lá, durante a homenagem a Eusébio no dia do seu 69º aniversário. Durante os minutos em que ... a electricidade pifou no Coliseu dos Recreios na baixa de Lisboa.

Ok, não quero ser muito mauzinho. Apanhei por puro acaso e levei em cima com a maior parte do “especial” da RTP para comemorar 69 anos de idade e 50 anos de carreira no futebol de Portugal do jogador de futebol Eusébio. Isto quando a patroa não me roubava o controlo remoto e mudava de canal, que ela não estava para estas cantigas.

O que dizer do “especial” de Eusébio? Os meus comentários da noite:

1. De longe o que mais me tocou foi o depoimento do Sr. Mário Coluna, que mais uma vez provou a sua grandeza e magistral maneira de estar, que nem uma apresentadorazeca com tiques de excesso de excitação conseguiu perturbar. Aliás, como foi possível homenagear Eusébio sem aproveitar para fazer coisa parecida ao Sr. Mário Coluna é um daqueles mistérios da vida. Mas ele estar lá foi muito bom.

2. Gostei do vídeo com a alocução do Sr. Presidente de Moçambique. Guebuza foi muito simpático, ainda que se perceba vagamente, especialmente em Moçambique, que metade do mundo se torça todo com a Questão Eusébio em dois aspectos. O primeiro é que, sendo que ele mais do que moçambicanérrimo e mais do que made in Moçambique e made in Africa, foi bafejado a noite toda como o português mais português de todos (que acho que também é, genuinamente). A segunda é que, enquanto os Libertadores andavam na guerra da Libertação lá no Cabo Delgado aos tiros aos soldados e aos colonos brancos, e a comer merda de elefante no mato, e em Lourenço Marques o Malangatana e o Craveirinha e o Nogar e esses todos levavam a ocasional visitinha do Sr. inspector da Pide entre pinturas e poemas, o Eusébio parece que se estava a marimbar para isso tudo e era a incontestável mega-estrela do Portugal colonial e  ditatorial, Salazar a gozar o prato, na sua mão o cartão de visita da arregimentada visão de um multirracialismo que, aceitemos, naquela altura era pouco mais que pura teoria. Os portugueses de então, como hoje, não são racistas – excepto quando são, o que é quase sempre. Perguntem a qualquer português preto e ele explica.  Mas no futebol parece que não são, pois não há racismo que obste a qualidade e o sucesso a meter golos. E aquela geração de pretos e mulatos de Moçambique, sem nada dizer sobre o assunto, ensinou isso em duas décadas. Curiosamente, nunca, mas nunca, ouvi Eusébio falar sobre o assunto. E mesmo quando se deu a turbulenta caminhada para a independência de Moçambique, não sei se ele disse alguma coisa. Reparei de facto que ontem à o presidente moçambicano foi muito simpático – mas nunca aferiu directamente a moçambicanidade de Eusébio.

Não que importe. Creio que Eusébio, como o Sr. Mário Coluna, verdadeiramente, estão acima, e merecem, o respeito e admiração dos dois povos.

3. A parte dos vídeos do programa foi interessante, pois elencava alguns dos inesquecíveis momentos que o tornaram numa figura maior e num mito do desporto e da vida social dos portugueses.

4. A música achei uma bimbalhada.

5. Foi, por tudo isso, pela solenidade mediática do evento, e pelo aparente esforço logístico levado a cabo pelo Benfica e pela RTP (que custa aos contribuintes 1 milhão de euros por dia em impostos, em boa parte visível todos os meses nas lusas contas de electricidade) que considero absolutamente incompreensível a falha de electricidade que, pensava eu, nos pouparia do inane discurso do actual presidente da Cãmara Municipal de Lisboa. Então montam uma operação na baixa de Lisboa, com transmissão directa para todo o mundo e arredores, e a electricidade vai ao ar? imperdoável. E mais imperdoável foi ter que ver novamente o presidente da Câmara vir ao palco com um menino do Benfica na mão e repetir tudo o que disse. Não se pode pedir a demissão dum ministro qualquer por causa disto?

4 comentários »

  1. Mais do que um tributo a Eusébio (já é a segunda vez, a primeira foi dos 50 anos da chegada a Portugal onde ele disse que não gostava do Sporting de Lourenço Marques porque esse clube não admitia “pretos” na equipa,era do regime etc…, o que É UMA GRANDE MENTIRA, conforme se poderá comprovar com as fotos das equipas), e que trazia uma carta da sua MÃE para ir para o Benfica.Como? Ela sabia assinar o seu nome ? Não acredito. É que pôr uma impressão digitam do dedo, qualquer dedo serve…), É UMA FESTA DO BENFICA E DOS BENFIQUISTAS COM DIREITO A TELEVISÃO pela segunda vez. É UM EXAGERO. Eusébio foi tão só um extraordinário jogador. Nada mais. Como foi FIGO e mais ainda CRISTIANO RONALDO (o melhor português de todos os tempos).Tem razão quanto a Mário Coluna. Nesse tempo (das gerras no ultramar) era voz corrente que Coluna e Eusébio ajudavam monetáriamente, como se dizia na altura, o chamado “terrorismo” em Moçambique. De facto pagamos impostos para se sustentar “parasitas” como KINGS. Eusébio não fala (conforme diz) porque não sabe ainda “falar português”. Essa de “comer merda de elefante no mato” e do “racismo” não me convence. EU ESTIVE LÁ.O único racismo que vi foi em Portugal Continental.

    Comentar por Hildebrando Campos — 27/01/2011 @ 2:32 pm

  2. Sr Hildebrando

    Grato pelo seu ponto de vista. Eu acho que havia racismo um pouco por todo o lado mas na peça referia-me principalmente ao de Portugal.

    Comentar por ABM — 27/01/2011 @ 10:04 pm

  3. Passei por aqui para te dar um beijo pelo dia de hoje. Fica bem aqui na homenagem ao Eusebio, tu tambem filho de Mocambique. Que juntes muitos aos poucos que ja tens.🙂

    Comentar por Ana — 29/01/2011 @ 10:32 pm

  4. Ainda bem que te referes ao racismo de Portugal! Porque se havia racistas, em Moçambique, um dos que nunca escondeu que o fosse foi Guebuza. Devias ter tido contacto com ele quando foi ministro do interior. Quando era assim a modos que uma versão de Otelo S. Carvalho, racista ( não estou a dizer que Otelo era, apenas estou a comparar os mandatos de captura assinados em branco com o racismo de Gebuza ). Pessoas como Guebuza não mudam. Enganam. Foi ele o causador do meu regresso Portugal

    Comentar por jorge — 13/02/2011 @ 8:37 am


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