THE DELAGOA BAY REVIEW

07/02/2011

CARLOS MENDES, O ARQUITECTO DO BAZAR DE LOURENÇO MARQUES

Do sítio ProF. 2000, com vénia, retirei o texto em seguida, creio que da autoria do Sr. Carlos Albino:

Carlos Mendes, que concebeu o actual Bazar de Maputo, inaugurado em 1903.

De seu nome completo Carlos Augusto José Mendes, nasceu perto da cidade de Aveiro a 13 de Agosto de 1869, no Cojo, filho de um empregado da Alfândega e de uma padeira. Era gente muito pobre.

Apesar de inúmeras dificuldades materiais, o seu enorme talento artístico impeliu-o a matricular-se na Academia Portuense de Belas Artes, em Arquitectura Civil, em 21 de Outubro de 1889.

O Bazar de LM, pouco depois de inaugurado. Que eu saiba, foi a única obra de Carlos Mendes em África.

Aí frequentou também Escultura, Desenho Histórico e Pintura, tendo sido companheiro de estudos dos que viriam a ser os tão conhecidos aveirenses, arquitecto Jaime Inácio dos Santos e escultor José Maia Romão Júnior.

A grande pintora portuguesa Aurélia de Sousa foi sua contemporânea na Academia.

Carlos Mendes foi primeiro 2° prémio do concurso “Soares dos Reis”, com um projecto de “invenção de arquitectura civil”.

Nos arquivos da Academia Portuense de Belas Artes há notícia de Carlos Mendes, como aluno, ate 31 de Agosto de 1894 [tinha 25 anos].

Em 1908 [38 anos] , publicou um anúncio no jornal aveirense “Democrata”, oferecendo-se como professor de desenho e pintura e projectista de arquitectura.

Outro aspecto do Bazar. Construído sobre terrenos onde antes havia uma praia, o trabalho de aterro aqui nunca foi adequadamente feito, por não ter sido nivelado com a "ilha" em frente. O resultado é que sempre que chove copiosamente, a zona inunda.

Foi o primeiro Comandante dos Bombeiros Novos de Aveiro, de 1 de Dezembro de 1909 até Outubro de 1913.

O primeiro quartel [dos Bombeiros de Aveiro], feito de raiz, de sua autoria, começou a ser construído em 1920.

O desenho do auto de posse da Primeira Comissão Municipal Administrativa Republicana é de sua autoria.

Carlos Mendes foi chefe da repartição das Obras Municipais da Câmara de Aveiro, merecendo, conforme registos em actas camarárias, desde a mais violenta censura até ao mais rasgado elogio, como funcionário, como arquitecto e como cidadão.

Outro aspecto do Bazar de LM.

Tentou a sua sorte nas Colónias e deixou em Lourenço Marques, hoje Maputo, talvez a sua obra arquitectónica mais impressiva: o Mercado Municipal desta cidade moçambicana é de sua autoria, constituindo visita obrigatória para os estudantes de arquitectura da África do Sul.

Veio a morrer em Aveiro, aos 25 de Maio de 1922 [com 52 anos de idade].

Mais uma imagem da fachada frontal do complexo, que dá para a actual Avenida 25 de Setembro em Maputo.

A parte de trás do Bazar tinha uma zona aberta ao céu, chamada pelos vistos o "bazar nativo", que desde a abertura teve um grande sucesso. E pelos vistos era já destino turístico.

Mais uma imagem da parte de trás do Bazar, em dia de muito negócio.

Uma vista aérea da zona do Bazar nos anos 60. Com a destruição do Café Olímpia e a construção do mastodonte onde hoje se situa a sede do Millennium BIM, a zona começou a descaracterizar-se.

A actual fachada. Durante o mandato de Eneas Comiche, já neste século, a cidade mandou arrancar o símbolo original e colocar o nome e selo actual da cidade. O efeito estético é este.

O enquadramento actual do Bazar. Apesar de tudo, continua a ser um dos principais monumentos de arquitectura pública da cidade. Consta que vai ser restaurado. Carlos Mendes agradece.

2 comentários »

  1. Não foi na década de 1980 que se retirou o emblema das armas da cidade nem foi Eneas Comiche quem mandou fazer isso. Aconteceu em 1975/6 e Cidade nem tinha Câmara Municipal pós-independência. Os municípios foram constituídos, por Lei, em 1998.

    Comentar por Carlos E. Nazareth Ribeiro — 26/10/2015 @ 6:54 pm

    • Olá Carlos, agradeço e lamento mas mantenho o que afirmei pois eu estava em Maputo e vi. Se quiseres confirma ou vamos os dois beber um chá com o Dr Eneas e ele diz-te isso na cara🙂 Um abraço moçambicano, ABM

      Comentar por ABM — 26/10/2015 @ 7:24 pm


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