THE DELAGOA BAY REVIEW

07/04/2011

ECONOMIA DE QUÊ?

Filed under: Economia Portuguesa, Globalização, Sociedade portuguesa — ABM @ 4:39 pm

O Economist de ontem referiu o resultado de um inquérito internacional sobre o capitalismo. À questão “concorda que a economia de mercado é a melhor para o futuro do mundo”, as respostas foram as seguintes:

Percentagem dos que concordaram com a frase "a economia de mercado é a melhor para o futuro do mundo".

Suspeito, insidiosamente, que Portugal não participou neste inquérito porque a maioria dos inquiridos não sabia o que era uma economia de mercado.

Na realidade, a discussão pública do modelo de sociedade que as forças vivas da sociedade portuguesa querem (entendendo-se por isso os bardos que aparecem nos programas de televisão e os que publicam livros intragáveis e mal organizados do que é aquilo que pensam) tem sido quase cómico, e mais o seria não fosse a situação tão dramática.

Pelo meio, há a manipulação da imprensa, às vezes por ela própria, pois este país é uma patética manta de retalhos ideológicos que se batalham rua a rua, casa a casa, emprego a emprego, pelo que acham que são as suas justas convicções. No topo estão os PS’s contra os PSD’s, depois os esquerdenhos (PCPs, BEs e Cia Limitada), os minoritários da direita (CDSs e outros que não conheço), monárquicos, maçónicos, católicos, opus deis, independentes que acham que por si só são movimentos, humanistas, etc.

Às vezes apetece vomitar, pois numa emergência, pelo menos em democracia, há que haver uma coisa horrível chamada “consenso”, e uma cara que consubstancie esse consenso.

E aí é que a porca torce o rabo.

É que em 858 anos de Portugal (aqui conto a partir da bula papal de 1143) falando muito muito genericamente, só houve três tipos de consenso:

1. O consenso é o que o rei diz que é.
2. O consenso é o que o partido diz que é (só nos vinte anos do rotativismo no fim da monarquia, e mesmo esse viu-se no que deu)
3. O consenso é o que o Salazar diz que é.

Ou seja, consenso em democracia, em que se senta tudo à noite em volta da fogueira e alguém diz “então, o que é que vamos fazer agora aqui com o nosso país?”, não conheço. As elites políticas arrasam-se desrespeitosamente umas às outras e o eleitorado vai a reboque.

E este é o país onde já se encara com naturalidade a equipa de futebol do Sport Lisboa e Benfica ir ao Norte e levar com pedregulhos em cima nas auto-estradas, e a do Futebol Clube do Porto vir a Lisboa e no fim dum jogo apagarem-lhes as luzes do estádio e ligar os repuxos de rega para os chatear.

Com exemplos de consenso e civismo destes, à espera de ver fico das soluções que vão ser agora propostas.

1 Comentário »

  1. somos dois a suspeitar….

    Comentar por Marta Reprezas — 07/04/2011 @ 5:46 pm


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