THE DELAGOA BAY REVIEW

27/07/2011

A BANCA PORTUGUESA ENTRA NO TÚNEL

Os Big Five Portugueses. Destes, um é espanhol e o outro é do governo português.

Duas peças nas notícias de hoje chamam a atenção. O Grupo BCP levou quase um cartão vermelho para arrumar a casa e se preparar para o que vem aí.  Mais folgadamente, o Grupo BPI passa um pouco pelo mesmo.

Suspeito que o BES esteja também bem alerta para os tempos que se avizinham.

Quase implausivamente, os depósitos dos portugueses continuam alegremente a subir nas contas dos bancos. Para eles, os bancos, isso é bom. Muito bom. Dá-lhes liquidez e é uma indicação de que os portugueses ainda acham seguro ter lá as suas poupanças (o mesmo não está a suceder na Irlanda e na Grécia, onde os saldos dos bancos caíram a pique).

Mas a ameaça, havendo, vem de outros quadrantes. Presumo que o crédito mal-parado, assim como as suas consequências em termos de constituição de reservas e custos de recuperação, vão continuar a subir. O nível de bons negócios vai cair.

Tudo isto, mais do que a rentabilidade, vai afectar a liquidez dos bancos, que é o calcanhar de Aquiles em qualquer situação de debilidade económica. Invariavelmente, um banco vai à falência quando não tem liquidez. Os planos para o empréstimo a Portugal incluem um valor expressivo para garantir essa liquidez.

O CEO do BPI sugere que não chega.

De qualquer modo, a rentabilidade já está a ser vertiginosamente afectada. Nos primeiros seis meses de 2011, o BPI ganhou mais lucro com as suas excelentes operações em Angola e Moçambique que com o negócio de Portugal, muitas vezes maior em dimensão – porque o negócio em Portugal contraiu.  As receitas nos mesmos países com as respectivas operações têm sido também um importante contributo para os lucros do BCP, que, para além dos condicionalismos que acima refiro, tem ainda uma base de capital Tier 1 (isto é banquês) relativamente frágil, 5.4%. Então se se levarem em consideração o que está previsto no protocolo de Basileia 3 (mais banquês) os bancos portugueses estão com o problema de terem que aumentar expressivamente o seu capital numa altura em que não há dinheiro para isso e não há interesse particular em ter acções de bancos.

Isto numa altura em que está na moda chamar os nomes todos e mais algum aos bancos, aos banqueiros e tudo o que tenha a ver com banca.

Pois. Carpir é fácil.

Mas ninguém sequer se atreve a sonhar em ir um dia ao seu balcãozinho levantar o seu dinheiro e ele não haver.

Aliás, as chances são que, se isso acontecer, ocorrer o que sucedeu com o BPN em Portugal, ou com o Banco Austral em Moçambique: o governo, ou seja, os contribuintes, contribuirão o que for preciso para estancar uma falência.

Só que, excepto em Angola, que Deus presenteou com poços de petróleo, as contas dos estados já estão à flor da pele.

Por essa razão, convém haver serenidade e ir acompanhando o que se passa. Os bancos, e o governo, têm um percurso a percorrer. Para o bem de nós todos, que o façam com bom senso e sucesso.

E que todos juntos vejamos a luz no fundo do túnel em que vamos entrar.

2 comentários »

  1. Olha olha… um jardineiro convertido em Robinson Crusoe… hehehe. Boas tardes.
    “Os bancos entram no tunel”… Meu caro ABM, os bancos cavaram o tunel, buraco, sejamos claros, nao ha “outro lado” nenhum para sair.

    “Esta na moda chamar nomes aos bancos” e porventura nao e merecido? Ou sera que alem de tapar o buraco financeiro com os meus impostos e depois ter de repagar, a ELES, a divida que criaram, mais juros (requintados filhos da puta) no fim ainda tenho de por carinha laroca e dizer muito obrigado? Tenha la paciencia…

    Lembra-se das nossas “discussoes” sobre os PECS do Socrates? Agora andam a lembrar toda a gente que a Italia e a Espanha, nao sao nem a Grecia, nem a Irlanda nem Portugal. Pela minha parte sorrio a tragicomedia de observar como um grave problema economico-financeiro faz os economistas agarrarem-se aos livros de geografia…
    E no seguimento dessas mesmas discussoes reitero, uma vez mais a minha cada vez mais profunda conviccao de que o Euro caira. E tenho andado a avisar a minha familia concomitantemente de ha um ano a esta parte pelo menos, se me ouviram ou nao e la com eles.
    Uma coisa e certa, nem “isto” nao e tunel nenhum, e nao vai acabar bem.

    Comentar por Lowlander — 29/07/2011 @ 12:51 pm

  2. […] 07/10/2011 : S.A. InvestimentosPortugal: O terceiro socorro financeiro – Correio InternacionalA BANCA PORTUGUESA ENTRA NO TÚNELMoody’s corta “rating” dos principais bancos Português:Prova FinalConheça os bancos que […]

    Pingback por Lista de bancos em Portugal actualizada — 07/10/2011 @ 5:07 pm


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