THE DELAGOA BAY REVIEW

16/09/2011

SOBRE O SAUDOSISMO: A SAUDADE

O África atraca no Cais Gorjão em Lourenço Marques, princípio do Século XX..

Anónimos que me parecem brasileiros compilaram na Wikipédia a seguinte discorrência sobre o termo “saudade”. O texto estava um tanto indigesto por isso dei-lhe um retoque mínimo. Aqui vai.

SAUDADE

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, “saudade”, só conhecida em galego e português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.

A palavra vem do latim “solitas, solitatis” (solidão), na forma arcaica de “soedade, soidade e suidade” e sob influência de “saúde” e “saudar”.

Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e no Brasil colonial esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou ações. Provém do latim “solitáte”, solidão.

Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica a esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia.

A gênese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.

A origem etimológica das formas atuais “solidão”, mais corrente e “solitude”, forma poética, é o latim “solitudine” declinação de “solitudo, solitudinis”, qualidade de “solus”. Já os vocábulos “saúde, saudar, saudação, salutar, saludar” proveem da família “salute, salutatione, salutare”, por vezes, dependendo do contexto, sinónimos de “salvar, salva, salvação” oriundos de “salvare, salvatione”.

O que houve na formação do termo “saudade” foi uma interfluência entre a força do estado de estar só, sentir-se solitário, oriundo de “solitarius” que por sua vez advém de “solitas, solitatis”, possuidora da forma declinada “solitate” e suas variações luso-arcaicas como suidade e a associação com o acto de receber e acalentar este sentimento, traduzidas com os termos oriundos de “salute e salutare”, que na transição do latim para o português sofrem o fenômeno chamado síncope, onde perde-se a letra interna l, simplesmente abandonada enquanto o t não desaparece, mas passa a ser sonorizado como um d. E no caso das formas verbais existe a apócope do e final.

O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade “saudosismo” e seu adjetivo “saudosista”, apegado à ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjetivo de forte carga semântica emocional “saudoso”, que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstratos como em “os saudosos tempos da mocidade”, ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.

Recentemente, uma pesquisa entre tradutores britânicos apontou a palavra “saudade” como a sétima palavra de mais difícil tradução.

Pode-se sentir saudade de muita coisa:
de alguém falecido.
de alguém que amamos e está longe ou ausente.
de um amigo querido.
de alguém ou algo que não vemos há imenso tempo.
de alguém que não conversamos há muito tempo.
de sítios (lugares).
de comida.
de situações.
de um amor
do tempo que passou…

A expressão “matar a saudade” (ou “matar saudades”) é usada para designar o desaparecimento (mesmo temporário) desse sentimento. É possível “matar a saudade”, e. g., relembrando, vendo fotos ou vídeos antigos, conversando sobre o assunto, reencontrando a pessoa que estava longe etc. “Mandar saudades”, por exemplo no sul de Portugal, significa o mesmo que mandar cumprimentos.

A saudade pode gerar sentimento de angústia, nostalgia e tristeza, e quando “matamos a saudade” geralmente sentimos alegria.

Em Portugal, o Fado, oriundo do latim “fatum”, destino, está directamente associado com este sentimento. Do mesmo modo, a sodade cabo-verdiana está intimamente ligada ao género musical da morna. No Brasil, esse sentimento está muito retratado no samba de fossa e na bossa nova.

Em galego, além do termo saudade, existe o próximo “morrinha”, que em português é associado à doença animal.

(fim)

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