THE DELAGOA BAY REVIEW

05/12/2011

SOBRE AS MINHAS PRENDAS DE NATAL EM 2011

Natal português sem bacalhau norueguês não é Natal.

Que fique registado que este Natal e final de ano assinalarão o início do primeiro annus horribilis português em muitas décadas. Se muito boa gente no rectângulo lusitano atér agora ainda andou a queimar (estupidamente, na minha visão reconhecidamente prudente e conomicista) os últimos cartuchos em termos dos seus cada vez mais duvidosos empregos, das suas poupanças ou ainda do que restou dos subsídios de desemprego e – apesar de tudo – o corte de apenas um dos “subsídios” salariais para quem trabalha no “sector público”, daqui a um ano será radicalmente diferente. Para muito pior. Ao ponto de parecer que as forças policiais, linha de frente da ordem e paz domésticas, senão da chamada legalidade democrática (whatever that may mean) se preparam para eventuais perturbações sérias da ordem pública em 2012, treinando e comprando mais uns cassetetes (uma palavra francesa que elegantemente descreve um pau para dar nos cornos a quem não acate a ordem dum agente da nossa segurança).

Há muito que eu simplesmente sublimei o lado material do espírito natalício, que tende a ser um exercício de desperdício caro, para outros e especialmente para mim. Para dar um exemplo, há dois anos, alguém ofereceu-me uma máquina de filmar de vídeo Sony do melhor que havia. Usei-a uma vez, para filmar a festa de aniversário do piriquito de um amigo.

Isto para dizer que, especialmente hoje em dia, dada a massificação das comunicações e o seu preço menos usurpador, um simples email ou um telefonema para mim é, felizmente, mais do que suficiente – uma coisa simples, pois apresentações em filmes e apresentações elaboradas em Powerpoint que não acaba e passo o Natal a tentar responder ao que recebo, habitualmente sem grande sucesso e às tantas irritado.

Uma consequência adicional do crescente uso e facilidade no envio de mensagens electrónicas, adicionalmente, é que, ao contrário de antigamente, quando as pessoas compravam cartões e prendas, que dava trabalho e custava dinheiro, hoje qualquer pessoa manda um cartão de Natal electrónico a qualquer pessoa. As empresas, no que considero uma medida que faz todo o sentido, estão a migrar para o formato electrónico, o que poupa dinheiro e árvores e trabalho e vai dar ao mesmo. Mas aí está outro perigo. Outro dia recebi (e já estou a receber, não percebo porquê) um cartão de Natal do Banco Santander, onde nunca tive conta. É bonito, todo encarnado, e a nevezinha electrónica, que também arranjei premindo uma opção qualquer há um ano, também existe neste blogue.

Claro que se algum amigo mais abonado quiser, sugiro que não me dê nada de electrónico, nem roupa nem útil. Tudo isso, admito, tenho.

O que eu gostava mesmo de ter é o quadro em baixo, do Senhor Malangatana, que vai a leilão nos meus amigos do Palácio do Correio Velho, em Lisboa, que de vez em quando me mandam uma mensagem a dar conta do que vão leiloar. Este leilão então é um luxo, tem um pouco de tudo, vários Malangatanas e até um Arpad-Szénes a preço de saldo.

Este, dizem os especialistas, deverá ir por entre uns meros 10 e uns mais substanciais 20 mil euros, mais Ivas e alcavalas.

Ah, mas que prenda seria. Chegar a casa e dar de caras com uma obra do Mestre.

Claro que, até lá, esperarei sentado ficarei a apreciar aqui esta imagem da obra do nosso grande Mestre de Moçambique, que ele pintou em 1982, cujas cores e caras menos enfadonhas que o habitual, me seduziram.

 

Malangatana, 1982. Ora eis uma prenda de Natal. Alternativamente, mande-me um email simples. A simpatia e amizade não têm preço. Se quiser ver a obra em tamanho maior, prima na imagem duas vezes com o rato do seu computador.

2 comentários »

  1. Caro Delagoa,

    Um bom Natal e Bom Ano 2012 para ti tambem e família.
    Que todos continuemos com saúde, que o resto vem por acréscimo.
    O Homem como Ser holistico, é parte do todo que é o planeta Terra. Irá-se adaptar e sobreviver.
    Esse é o nosso destino. Continuar em frente.
    Tambem espero que continues a dar-nos o prazer de ler os teus artigos, sobre tudo, mas especialmente sobre Moçambique.
    Quanto ao quadro do Malangatana como presente de Natal deste ano, está descansado que assim que tiver um dinheirito a mais, envio-te.

    Abraço,
    Victor Silva
    http://www.facebook.com/v5ilva
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    Comentar por Victor Silva — 06/12/2011 @ 4:07 pm

    • Obrigado Victor, espero que interpretes a “exortação” como pura alegoria divertida. Por outro lado, espero que haja um ou outro entre a nossa comunidade que se possa interessar nas obras do Malangatana que estão a leilão. São bonitas e, nestes tempos loucos e incertos, não são ouro, mas quase. ABM

      Comentar por ABM — 06/12/2011 @ 4:13 pm


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