THE DELAGOA BAY REVIEW

19/12/2011

LOURENÇO MARQUES E A PRINCESA PATRICIA DE CONNAUGHT

Filed under: Maputografia, Princesa Patrícia — ABM @ 12:46 am

A Princesa Patrícia, a que deu o nome à rua e à pastelaria em Lourenço Marques. E à filha de Cavaco Silva, actual presidente português, que lhe deu o nome porque gostava do nome da rua onde viveu nos anos 60 em Lourenço Marques, onde prestou serviço militar.

Victoria Patricia Helena Elizabeth, a Princesa Patrícia, nasceu em 17 de Março de 1886 e morreu em 12 de Janeiro de 1974.

Era filha de Suas Altezas Reais o Duque de Connaught e de Strathearn (um dos filhos da Rainha Vitória da Grâ-Bretanha) e a Princesa Luísa Margarida da Prússia.

Patrícia tinha um irmão e uma irmã, Artur e Margareth.

Em Janeiro de 1905, correu o boato, veiculado no Sun, um jornal britânico, de um possível casamento de uma das princesas com o Príncipe Real de Portugal, Dom Luiz Filipe (o que foi assassinado com D. Carlos em 1 de Fevereiro de 1908). Na altura Patricia tinha 19 anos de idade e Luiz Filipe era exactamente um ano mais novo do que ela.

Mas nada aconteceu.

Os Connaught à paisana. Patrícia está de pé do lado esquerdo.

Un anos mais tarde, ventilou-se, entre outros, um eventual enlace com a Casa de Orleáns e Bragança, desta vez com D. Manuel II, na altura (Novembro de 1909) já rei e ainda solteiro. A especulação dos papparazzi britânicos atingiu o auge durante a visita que Dom Manuel fez à capital britânica  nessa altura. Ao que parece, ela não gostou da ideia e a própria monarquia britânica, horrorizada com a carnificina do Regicídio, apesar dos esforços do então embaixador em Londres, Luís de Soveral, começava a ter sérias dúvidas quanto à capacidade da monarquia portuguesa se aguentar no poder.

A especulação casamenteira não passou disso.

Dom Manuel II, ao centro, em Novembro de 1909, aquando da sua visita ao Reino Unido.

Em 1906, a caminho de uma visita real à então União Sul-Africana, ainda em formação, Patrícia e os pais passaram por Lourenço Marques para apanhar o comboio para Pretória. Até pouco depois da Independência, o seu nome adornou uma das ruas da capital de Moçambique, então em rápido crescimento.

Pouco depois, a monarquia foi derrubada em Lisboa por um bando de radicais supostamente bem intencionados.

A Duquesa de Connaught de pé, a Princesa Margareth à esquerda e a Princesa Patrícia à direita. Aqui vestidas em traje fornal da corte.

Em 1919, já com uns provectos 33 anos de idade, Patricia casou um tal de Alexander Robert Maule Ramsay, um comandante da marinha, não de sangue azul muito escuro, mas ainda assim o terceiro filho do Earl of Dalhousie, que nestas coisas do DNA da nobreza, parece que ainda conta para alguma coisa. A partir daí, Patricia passou a usar o título de Lady Patricia Ramsay. Muito popular no Canadá, onde seu pai foi Governador e onde havia (há?) um regimento com o seu nome.

Falecida em 1974, ficou (e permanece) sepultada no cemitério real em Frogmore, perto de Windsor, onde estão também sepultados os seus pais e os seus avós paternos, a Rainha Vitória e o Principe Alberto.

O pai dela era Artur, Príncipe Real e, a partir de 1874, Duque de Connaught e de Strathearn (1850-1942) , terceiro filho e supostamente o favorito da Rainha e Imperatriz Vitória – e portanto irmão do Rei Eduardo VII. O Duque passou a maior parte da sua vida a exercer funções militares, de chefia e de representação da coroa britânica.

Arthur e Louise, os Duques de Connaught.

A mãe de Patricia era filha do Príncipe Frederico Carlos da Prússia, com quem Artur se casou em 13 de Março de 1879.

A actual Rua Salvador Allende em Maputo, era anteriormente designada Rua Princesa Patrícia. Salvador Allende foi presidente do Chile até ser derrubado num golpe militar dirigido por Augusto Pinochet. Assunto muito popular com a esquerda pró-soviética nos anos 70, com a vantagem de Allende, que basicamente ia levar o Chile para o comunismo,  ter sido democraticamente eleito, o que complicava a dialéctica para os anti-comunistas no Ocidente.

A actual Avenida Friedrich Engels, em Maputo, onde se situa o Miradouro para a Baía, era anteriormente designada Avenida dos Duques de Connaught. Engels era um intelectual rico que patrocinava Karl Marx em Londres. Supostamente menos brilhante que este, mas ainda assim ficou na fotografia e obviamente o regime da Frelimo daqueles anos quis honrá-lo dando uma vassourada no nome dos pais de Patrícia, que, sendo tio-bisavós da actual soberana britânica, Isabel II, para eles obviamente não eram ninguém.

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