THE DELAGOA BAY REVIEW

19/02/2012

MALANGATANA E PANCHO GUEDES

Foto da Kitty Viljoen, gentilmente cedida.

 

Suzette Honwana (mulher do Luis Bernardo), Malangatana e Pancho Miranda Guedes

17/12/2010

EXPOSIÇÃO “AS ÁFRICAS DE PANCHO GUEDES” EM LISBOA ATÉ 8 DE MARÇO

Filed under: Arquitectura Moçambique, Pancho Miranda Guedes — ABM @ 11:12 pm

Saiu no Diário de Notícias de ontem. O texto é da jornalista Marina Marques. Com vénia, aqui vai:

(a parte salientada é obra minha)

Colecção feita ao sabor de viagens e amizades

São mais de 500 peças de artes plásticas, artesanato, arte popular, objectos  do quotidiano e de carácter ritual que Pancho Guedes juntou desde os anos de 1950/60.

À entrada, uma arca concebida por Pancho Guedes cheia de estátuas de animais em madeira, qual Arca de Noé, é uma das poucas peças feitas pelo artista patentes na exposição “As Áfricas de Pancho Guedes”, que pode ser vista no Mercado de Santa Clara, em Lisboa, até 8 de Março. “É o Pátria”, diz o arquitecto, numa referência ao transatlântico que fazia a ligação entre Moçambique e Portugal.

Diferente das habituais colecções de arte africana, escolhidas em antiquários, Pancho Guedes foi juntando estas mais de 500 peças a partir dos anos 1950/60, e o acervo foi enriquecido um pouco ao sabor das viagens profissionais do arquitecto e das relações pessoais que foi travando.

E isso mesmo se percebe ao percorrer a exposição na sua companhia, à medida que vai contando a história de cada peça. Objectos de carácter ritual – como as máscaras de iniciação lómuès (tribo do Norte de Moçambique) – ou de uso quotidiano surgem lado a lado com obras de arte plástica, arte popular e artesanato. E como Pancho Guedes percorria grande parte do território africano em trabalho ou a título particular, recolheu peças de locais tão diversos, como os desertos do sudoeste de Angola ou a Nigéria.

“Uma exposição imprevisível e irreverente”, diz Alexandre Pomar, que comissaria a exposição, juntamente com Rui Mateus Pereira. “E a montagem da exposição ainda acentua mais esses aspectos, porque houve uma grande intervenção do arquitecto, mesmo na colocação de algumas peças, que não corresponde ao habitual noutras exposições”, refere. Situação ilustrada por um busto de Salazar, em pau-rosa, que Pancho Guedes quis fixado na parte superior de uma vitrine, de cabeça para baixo. Bem-disposto e com sentido de humor, o arquitecto explica: “É como se estivesse no céu, mas vem cá de vez em quando.”

Na sequência de três outras exposições de colecções africanas promovidas pela Câmara Municipal de Lisboa, esta é uma colecção mais próxima da realidade e das populações africanas e apresenta numerosas peças de artistas amadores, “gente que trabalha noutras coisas e que faz a sua pintura e escultura fora de horas”, nas palavras de Pancho Guedes. De entre os vários exemplos, destaque para um núcleo de bordados. “Vivíamos em Maputo, em frente ao quartel com os magalas africanos que faziam os bordados, e como ao sábado o general Kaúlza de Arriaga (1915-2004) queria que as tropas vissem filmes de cowboys, eles depois faziam coboiadas nos bordados”, explica o arquitecto.

(fim)

In Diário de Notícias de 17 de Dezembro de 2010.

 

 

30/06/2010

PANCHO GUEDES ALGARVIO

Filed under: Pancho Miranda Guedes — ABM @ 10:01 pm

por ABM (Quarta.feira, 30 de Junho de 2010)

Para os Maschambistas e aficionados de Pancho Guedes nos Algarves, noticia o Barlavento Online de hoje o seguinte:

Um encontro entre a obra do arquiteto, pintor e escultor Pancho Guedes e de um conjunto de jovens artistas portugueses nascidos nos anos 70 e 80 é a proposta da exposição “A Linha Curva, Deambulações em torno de desenhos de Pancho Guedes”, que abre no dia 2 de Julho (sexta-feira), no Posto 1 de Vilamoura.

Um dia depois, o artista volta a estar em foco com “A Voz do Mar”, uma intervenção no Promontório de Sagres, que contempla uma instalação de caráter temporário, colocada à volta de uma cavidade natural existente no terreno.

As duas exposições integram o programa “Allgarve’10”, sendo consideradas um dos momentos mais significativos do cartaz de arte contemporânea a decorrer até Novembro.

“O trabalho do Pancho Guedes está a ser redescoberto com grande intensidade por uma geração mais nova, que começou a questionar o nosso destino enquanto país, a nossa aventura ultramarina”, afirma Nuno Faria, programador de arte contemporânea do “Allgarve’10” e curador da exposição “A Linha Curva”, juntamente com Pedro Ressano Garcia.

Sobre o título da exposição, refere que “a obra do Pancho tem muito a ver com a linha curva, esta espécie de utopia arquitetónica, que estabelece uma relação com a utopia modernista de Vilamoura”.

Filipa César, Mariana Silva, Pedro N. Marques, Hugo Canoilas, Manuel Santos Maia, Miguel Rondon, Otelo Fabião, Francisco Sousa Lobo, Manuel Santos Maia foram os artistas convidados para participar na mostra, patente até 30 de Setembro.

Na exposição “A Voz do Mar”, o projeto acústico de Pancho Guedes dá a conhecer um lugar onde o mar é sentido literalmente debaixo dos pés, através da presença ritmada do som produzido pelas marés e as paredes que sobem em altura desenham um percurso até à descoberta do local.

Arquiteto, escultor, pintor e professor, Amâncio d’Alpoim Miranda Guedes, conhecido como Pancho Guedes, nasceu em Portugal em 1925 e estudou em S. Tomé e Príncipe, Guiné, Lisboa, Lourenço Marques, Joanesburgo, Porto.

Foi professor e diretor do departamento de arquitetura na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.

O seu período mais criativo passou-o em Moçambique, nas décadas de 50 e 60, onde fez mais de 500 projetos para edifícios, muitos deles tendo sido construídos em Moçambique e alguns em Angola, África do Sul e Portugal.

Os seus edifícios e projetos exuberantes, ecléticos, complexos e pensativos, estando muito longe dos edifícios americanos do pós-guerra, foram reconhecidos pela sua qualidade e originalidade.

A sua obra absorve muitas influências, desde a arte de África ao surrealismo, e sintetiza-as num estilo que é reconhecivelmente seu, embora os resultados possam parecer diferentes à primeira vista.

A atividade como pintor surgiu quando estava a acabar o curso de arquitetura em Joanesburgo e participava em exposições com os artistas mais progressistas da época.

Em 1961, esteve presente na Bienal de S. Paulo, Brasil e, em 1975, na Bienal de Veneza.

É comendador da Ordem de Santiago e Espada e recebeu a Medalha de Ouro para a Arquitetura do Instituto dos Arquitetos Sul-africanos, havendo sido doutorado honoris causa pelas universidades de Pretória e Wits, na África do sul.

INFORMAÇÕES

A Linha Curva, Deambulações em torno de desenhos de Pancho Guedes
Curadoria de Nuno Faria e Pedro Ressano Garcia.
Em parceria com a Lusort, Inframoura e Câmara Municipal de Loulé.
Posto 1 – Vilamoura (Loulé) – 2 de Julho a 30 de Setembro

A Voz do Mar
Curadoria de Pedro Ressano Garcia.
Em parceria com a Direcção Regional de Cultura do Algarve.
Fortaleza de Sagres – 3 de Julho a 30 de Novembro

Hum, Pedro Ressano Garcia na “curadoria”. Será que este Ressano Garcia tem ligação com o Ressano Garcia de Ressano Garcia?

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