THE DELAGOA BAY REVIEW

13/11/2010

O FACEBOOK E OS VÁRIOS MOÇAMBIQUES

por ABM (13 de Novembro de 2010)

A minha amiga Patrícia do Facebook mandou este vídeo do sinopse de uma vida no Facebook. Se o exmo. Leitor ainda não está lá, bem, enfim….ali é diferente.

Eu ainda mal sei mexer na minha conta, aberta por causa desta Casa há uns meses (havia um acesso facilitado ao Maschamba via o tal de Facebook). Durante a maior parte desse tempo, eu tinha vinte “amigos”. Portanto quando o JPT me contactou um dia e me propôs apresentarmos os respectivos um ao outro, eu pensava que eu lhe apresentaria os meus vinte amigos e ele me apresentaria os seus vinte amigos.  Para tal, lá consegui preencher meia dúzia de banalidades sobre mim (quando nasci, onde estudei, coisas desse género) e colocar uma fotografia mais ou menos tal e coisa aqui do rapaz para a rapaziada ver.

O que eu não sabia é que o JPT tinha 3.402 amigos. Assim, durante duas semanas, o meu computador de linha branca com nove anos e dois upgrades esteve perto de pifar umas dez vezes.

Tem sido interessante adaptar-me a este novo mundo dos conhecimentos alargados. O nível do diálogo tem sido supreendentemente sério e culto, sem grande peixarada, atravessando as barreiras culturais, geográficas e temporais. E de facto sinto que tenho algum vislumbre de com que dialogo – e vice versa.

Obviamente que a socio-biologia de quem está no Facebook é relativamente específica. Para além de ser tendencialmente monolingual – 99.9% de com quem me relaciono escreve em língua portuguesa – afinal só lá está quem tiver requisitos específicos: um computador, ligação à internet, literacia informática suficiente para navegar nos meandros da internet e dinheiro para sustentar isto tudo.

Apesar desses elementos limitativos, a relativa minoria moçambicana presente na internet é vibrante e genuína. Pode-se, portanto, assim dizer que, para quem quiser, hoje há um bocado de Moçambique em toda a parte.

Aliás, mais do que um Moçambique. Frequentemente, assisto a um curioso convívio do Moçambique actual com o Moçambique que foi. Muitos dos que viveram naquele país até à Independência, e que depois saíram digamos que abruptamente e em alta velocidade e sem olhar para trás, e que na esmagadora maioria dos casos perderam o rasto dos amigos e conhecidos, de repente estão a reatar essas convivências, mesmo que residualmente. A maior parte claramente parece que está noutra onda completamente diferente, mas sinto que vibra com as recordações da sua juventude africana e partilha o que à primeira vista parece ser a mesmíssima sub-cultura que os diferenciou, no caso de Portugal, enquanto “retornados” – não o sê-lo, mas está-lo. Ou melhor, a sua maneira de estar.

Mais curioso é o conjunto (mais pequeno) dos que viveram em Moçambique depois da Independência e que expressam o mesmíssimo apreço pelas suas recordações, mas neste caso no contexto dos tempos revolucionários e do braço no ar.

Mas há lá de tudo, incluindo este blogue, claro. Até o meu amigo, o Sr. António Rita Ferreira, que estudou Moçambique uma vida inteira, e que amanhã completa 88 anos de idade, passou a ter a semana passada (mea culpa) a sua página pessoal no Facebook (sob o seu pseudónimo literário, António Rita-Ferreira).

Se o exmo Leitor ainda não experimentou o Facebook, vá lá ver. É grátis e não engorda. E pode ser que nos encontremos lá.

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