THE DELAGOA BAY REVIEW

04/12/2011

TERRA SONÂMBULA, UM FILME SOBRE MOÇAMBIQUE

Filed under: Cinema, História Moçambique, Mia Couto, Terra Sonâmbula — ABM @ 6:59 pm

"A Noite Estrelada", de Vincent van Gogh.

Do blogue Meia-Palavra copiei o resumo deste filme, escrito por Felipe Cordeiro, mas como não percebia bem aquilo que lá estava adaptei-o ao meu próprio desacordo ortográfico:

Na Moçambique pós-guerra, num cenário devastado onde a cultura e a sobrevivência são dois elementos que se cruzam em “Terra Sonâmbula” (baseado na obra de Mia Couto), somos apresentados ao velho Tuahir e o menino Muidinga que, à procura de abrigo, encontram no mato um machimbombo incendiado e cheio de corpos carbonizados.

Dentro desse machimbombo Muidinga encontra doze diários, pertença de Kindzu, um fugitivo da guerra.

A partir da leitura desses diários, vemos a relação entre Tuahir e Muidinga estremecer. O garoto, que não sabe qual é a sua origem, questiona diversas vezes o velho que o acompanha, querendo saber de onde veio, quem são seus pais e qual é a sua relação com o velho.

As duas narrativas cruzam-se. Nos diários, Kindzu conta as dificuldades em viver num lar que respeita todas as crenças da sua cultura: a adoração dos espíritos, os devaneios do pai pescador, a cegueira social de seus vizinhos, etc. Entretanto, foge do seu meio sem ter de renegar as tradições supersticiosas e torna-se um guerreiro e acreditar em seus sonhos, que afinal não tem. É nesse ponto de tradições e relatos que as histórias se entrecruzam e caminham juntas, nunca sendo uma narrativa dentro da outra, uma influenciando a outra.

Numa terra onde dormir não é uma escolha, a chave para toda a apreciação da obra é saber que sonhos são tão reais quanto uma guerra, e a destruição e a vida caminham juntas por um caminho cheio de obstáculos e anseios.

E aqui, grátis e em sete prestações, o filme, na íntegra, bastando para tal ir vendo por aí abaixo.

Grato ao Issuf Mohamed, cujo pai e o meu se conheciam há 50 anos na velha Lourenço Marques, por me chamar a atenção para o tópico e que no filme é o indiano cantineiro que acaba numa cadeira de rodas, amigo do Kindzu.

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22/09/2011

AS METÁFORAS DO MEDO, POR MIA COUTO

Manifestantes, quase todos brancos, em frente ao Palácio da Rádio em Lourenço Marques, Setembro de 1974, na sequência do anúncio, numa cidade zambiana a três mil quilómetros de distância, de um cessar-fogo em Moçambique e da entrega directa do poder pelo Estado português à Frente de Libertação de Moçambique e uma Independência sob o comunismo dali a menos que dez meses.

Interessante, curta e algo atribulada prelecção do biólogo e escritor Mia Couto, de Moçambique, numa iniciativa cultural que presumo evocativa das Conferências do Casino de 1871, denominada Conferências do Estoril. Em 2011.

O meu corolário ao que é dito:

O medo também inclui o medo de encarar o passado.
O medo também inclui o medo de chamar os nomes às coisas.
O medo inclui também ignorar o medo dos outros.

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