THE DELAGOA BAY REVIEW

16/10/2009

Tudo Bom Versus Estamos Juntos

Filed under: Design Moçambique, Tudo Bom vs Estamos Juntos — ABM @ 1:56 am

barbearia-mcel-vodacom1

(Barbearia Tudo Bom/Estamos Juntos em Quelimane: azul em cima/amarelo em baixo)

por ABM –

A semana passada quis falar com o meu amigo Paulo em Maputo para ver como estava a vida com ele. O Paulo, protótipo do Homos Moçambicanus de Sucessus, tem todos os indicadores correspondentes: é jovem, tem mulher, amante, filhos de ambas, carro com cilindrada obscena, ganha em dólares (portanto quanto mais o Metical cair, melhor para ele), um emprego daqueles de estar sempre lá fora à custa da empresa – e um daqueles celulares sensacionais, a cores, com mil funções que quase fala sozinho, pago pela empresa. E ligado à rede TUDO BOM.

Quando lhe liguei, ele não atendia. Pelo fixo, liguei para o emprego na baixa de Maputo e ele lá explicou que a Rede TUDO BOM tinha tido “avaria grossa”. Como? Avaria grossa? Mas…afenal isto não era a melhor rede do mundo com o melhor serviço do mundo vinda do país mais tecnologicamente avançado do mundo? aquela que pinta tudo e enche as televisões e os jornais e pinta as palhotas todas e dá concertos de rock? que veio ensinar à rede ESTAMOS JUNTOS como é que as coisas se fazem?

E no fim o telefone não funciona?

E agora?

O Paulo disse “não te preocupes, hoje mesmo vou arranjar um chip da rede ESTAMOS JUNTOS”.

“Ok”.

O tempo passou e hoje quis ligar ao Paulo para saber qual era o câmbio do metical com o dólar na loja da Dona Miquinhas ali ao pé do Piri-Piri.

Liguei para o novo número dele na ESTAMOS JUNTOS.

Nada.

Liguei para o fixo dele na supostamente reles linha da TDM. “Brother P, o teu telefone não funciona outra vez, como é isso?”

“Eh pá não vais acreditar. Agora foi a ESTAMOS JUNTOS que pifou”. “Avaria grossa deles”.

“Outra avaria grossa? Isto é mesmo azar. Então e agora?”

“Agora tenho que ver qual delas é que funciona”.

“Ah.”

Escusaria de referir que estamos a falar de duas das mais poderosas, dinâmicas, rentáveis, notórias empresas em Moçambique, que gastam milhões em publicidade e esforços de venda, em inovação de serviços e concorrência. As suas campanhas quase que poluem as vistas da urbanidade moçambicana, os programas de televisão,  rádio, imprensa. São, com os bancos, a crista da onda da modernidade em Moçambique, a espinha dorsal em redor da qual quase tudo o resto acontece, e vai acontecer.

Mas tipicamente e no fim do dia só vende bem aquilo que funciona, não é?  Os meninos do marketing operam no pressuposto que há algo de bom e de inovador para dizer. A mera prestação do serviço e a sua dependabilidade – exequível facilmente através de investimentos em programas de disaster recovery, planos de contingência, centros informáticos alternativos, a inclusão de redundâncias, planos de data recovery, são coisas do mais básico em empresas que se prezem. Têm o único problema de não serem assuntos sexy nem que potenciem vendas. E são caros. Mas sem eles o resultado é este: um rato roi o fio, um raio atinge a antena, um computador pifa e não há nada para ninguém. E assim, por mais que se diga que está TUDO BOM e que agora ESTAMOS JUNTOS, o silêncio das linhas fala mais alto.

Que sirva de lição.

Entretanto e para não perder o cunho cultural deste espaço internético, pesquei e aqui coloco três excelentes anúncios que são autênticos manifestos culturais em publicidade. Eles são da TUDO BOM, da ESTAMOS JUNTOS e dos irmãos sul-africanos da TUDO BOM SA.

Nos três casos, os criativos, os marketings e os gestores estão de parabéns: vão à luta com humor, agressividade e com um forte cunho nacional.

Agora só falta os telefones funcionarem sem problemas.

Eu e o Paulo agradecemos.

Ora vamos lá:

ANÚNCIO TUDO BOM

http://www.youtube.com/v/b2d2gm32ZAQ&hl=en&fs=1&

ANÚNCIO ESTAMOS JUNTOS

http://www.youtube.com/v/-wm_FRh_eo4&hl=en&fs=1&

ANÚNCIO TUDO BOM Á. DO SUL

http://www.youtube.com/v/5bCaxcio6H8&hl=en&fs=1&

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