THE DELAGOA BAY REVIEW

22/12/2011

AS MELHORAS AO REI

Filed under: Desporto, Eusébio — ABM @ 2:06 am

Eusébio está hospitalizado desde ontem em Lisboa em cuidados intensivos para tratar uma broncopneumonia.

O Rei.

11/08/2010

VAIPRAKONADATUATIAMEUKABRÃO

Filed under: Desporto, Eusébio, Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:36 am

Carlos Queiroz e Eusébio da Silva Pereira

por George Ribéro, título e edição por ABM (11 de Agosto de 2010)

Definitivamente, Carlos Queiroz e a Federação Portuguesa de Futebol não se têm dado bem.

Penso que será tudo uma questão de mentalidades.

Recapitulemos um pouco.

Em 1989 e 1991, Portugal foi campeão do Mundo de Juniores (Sub-20) ao vencer na primeira final, na Arábia Saudita, a Nigéria por 2-0, tendo em 1991, em Lisboa, vencido o Brasil nas grandes penalidades.

Em ambos os Mundiais, o treinador de Portugal foi Carlos Queiroz.

Ficou então provado que Carlos Queiroz era excelente a formar jovens jogadores de craveira mundial.

Mas muitos torceram o nariz quando Queiroz foi o eleito para treinar a equipa principal de Portugal. Afinal, ia lidar com adultos. Portugal perdeu com a Itália e não foi apurado para o Mundial 94 nos EUA. Na altura, Queiroz disse em alto e bom som que a FPF precisava de uma vassourada para tirar de lá os podres do futebol Português.

Logo a seguir, e até 1996, treinou o Sporting Clube de Portugal, tendo ganho uma Taça de Portugal.

Partiu depois para o estrangeiro, onde treinou várias equipas, como a selecção dos EUA em 1997, os Emiratos Árabes Unidos em 1998, a selecção da África do Sul de 2000 a 2002, tendo apurado a selecção africana para o Mundial 2002, e equipas como o Nagoya do Japão, os MetroStars dos EUA e, finalmente, como adjunto de Sir Ferguson no Manchester United, com um intervalo de um ano para treinar o Real Madrid, em 2003.

Ou seja, experiência “adulta” não lhe falta, sendo sobejamente conhecido e respeitado a nível mundial.

Estava Queiroz tão bem em Manchester, quando em 2008 aceita o convite para treinar a selecção nacional, para mim um desafio enorme, não pelo valor dos jogadores portugueses, mas pelos tais podres que ainda existem na Federação Portuguesa de Futebol. Cá para nós, os tugas só gostam de complicar e gostam de se pôr em bicos de pés quando a coisa corre bem e assobiar para o ar quando acontece … borrada. Lembram-se de Saltillo e Coreia? Pois…

A ideia inicial era apurar Portugal para o Mundial de 2010 na África do Sul e Queiroz fez a vontade. Pelo meio, aconteceram coisas estranhas, como a lesão de Nani, que viajou para a África do Sul e depois regressou a Portugal. Uma escassa semana depois, já estava fino e pronto para outra. Estranho. Mas quem sou eu para duvidar da lesão do jogador, penso que no ombro?

Obscuro para quase todos nós na altura, emerge há dias que, durante o estágio na Covilhã, uns senhores do CNAD – Concelho Nacional Anti Dopagem, decidiram fazer umas análises a alguns jogadores portugueses. Os relatos indicam que Carlos Queiroz não ficou agradado com a visita desses senhores. Afinal, estavam em pleno estágio e a concentração é muito importante. Por sua vez, o CNAD tem o direito e dever de fazer o seu trabalho para prevenir possíveis escândalos durante o Mundial. Então, ao que tudo indica, Carlos Queiroz terá dito algo como “Vai mas é fazer análises para a c… da tua mãe”, uma linguagem escandalosa enquanto cabeçalho de jornal, mas, para quem acompanha o futebol, perfeitamente normal no quotidiano do mundo futebolístico.

Penso que a FPF, sentindo os ventos internos, e mortinha por despedir o treinador (sem pagar) decidiu abrir um inquérito aos acontecimentos, entretanto relatados pelos profissionais do CNAD, cuja versão foi a divulgada. Assim, caso Queiroz fosse considerado culpado, por conduta imprópria, não haveria lugar a uma indemnização que se diz rondar os 3.5 milhões de euros.

Muita massa.

Queiroz, moçambicano de Nampula (o Super Macua) não é propriamente mentecapto e contra atacou com testemunhas de peso como, entre outros, Pinto da Costa, Alex Ferguson, Figo e Filipe Vieira. Já estou a ver o Figo a dizer quantas vezes já lhe chamaram filho da puta, cabrão e outras coisas piores, mesmo entre colegas. Seria bonito afinar cada vez que lhe chamavam um desses nomes mais “floridos” por falhar um penalty ou um passe.

Moral da história: Quem está ligado ao futebol sabe que todo o impropério que vai de filho da puta para baixo, não é verdadeiro, não há comunicação.

Tentar afastar o Queiroz com uma desculpa dessas é no mínimo ridículo. É querer maliciosamente envenenar a imagem do homem e tentar escapar de pagar o que contratualmente lhe é devido.

Queiroz pode não ser um Mourinho. Há quem diga que é melhor como director técnico que como treinador de campo e aí posso até concordar mas, caramba, o homem apurou Portugal para o Mundial 2010, apurou a África do Sul para o Mundial de 2002, deu DOIS títulos mundiais a Portugal (Sub-20), treinou grandes equipas e afinal, não presta para Portugal?

Mostrem-me lá esse caixote do lixo.

Vamos ver no que dá este inquérito. Mas cá para mim, Queiroz na selecção, só por birra ou para obrigar a Federação a pagar a tal pipa de massa. Esse dinheiro até dá para comprar uma ilha em Moçambique (em concessão devidamente autorizada, entenda-se), porque não?

Uma coisa é certa: Carlos Queiroz não ficará desempregado por muito tempo.

Pergunto: Se Portugal tem ido mais longe no Mundial da África do Sul, estaríamos nós agora a assistir a esta patética novela ou estariam a esta hora os senhores do CNAD a fazer análises … noutro “sitio” qualquer?

30/01/2010

Sobre o Pai de Eusébio da Silva Ferreira

Filed under: Eusébio — ABM @ 2:25 am

http://www.youtube.com/v/GhqDT6RKcFE&hl=en_GB&fs=1&

por ABM (Alcoentre, 30 de Janeiro de 2010)

Ontem o Exmo Senhor João Imala escreveu-me uma nota por e-mail de Maputo, questionando a minha afirmação (baseada numa fonte que considero muito credível) de que o pai de Eusébio da Silva Ferreira era branco. Sugeriu que eu estava errado e que buscasse na Mafalala informações adicionais sobre o assunto, cuja relevância aproveitou para questionar.

Claro que a relevância destas coisas é sempre relativa – mas pelos vistos foi-o o suficientemente para o bom Sr. Imala me escrever uma notinha.

Naturalmente que, na face das coisas, essa pareceria ser uma improbabilidade, pois que Eusébio parece ser negro, não mulato, como se poderia derivar desta informação sobre o pai.

Devo esclarecer que não sou perito em raças mais do que o vulgar cidadão na rua e confesso que uma consulta à página da Wikipedia sobre o assunto de raças só me baralhou. Tecnicamente falando, parece ser um assunto muito mais complicado do que à primeira vista parece. Especialmente quando elas se misturam, situação em que as regras são um bocado….obtusas.

Eusébio foi o quarto filho de D. Elisa Anissabeni, essa uma figura conhecida em Maputo nos seus tempos áureos.

E, segundo os registos mais ou menos detalhados do seu percurso a partir dos 15 anos com o Sporting de Lourenço Marques (nem acredito que o Desportivo não o aceitou, erro que já não aconteceu com a incomparável Lurdes Mutola pela mão do saudoso Sr. José Craveirinha), é a sua mãe, D. Elisa, quem assume todo o protagonismo parental. Nunca o pai dele é mencionado.

Felizmente para o Senhor Imala, e para quem tenha dúvidas, sou o feliz proprietário de uma publicação chamada Eusébio – A minha História, da autoria de João Malheiro, publicada em 2005 pela QN-Edição e Conteúdos. Uma edição de luxo sobre a vida da estrela de futebol.

A qual, na página 14, refere breve mas especificamente o seu pai.

E refere que o seu nome era Laurindo António da Silva Ferreira.

E que era angolano de nascença (de Malange).

E cita o próprio Eusébio: “Angolano e branco”.

A minha fonte conheceu o pai dele e confirma.

Em 1950 Laurindo Ferreira morreu de tétano com 35 anos de idade (Eusébio tinha então 8 anos de idade) após trabalhar durante alguns anos nos Caminhos de Ferro de Moçambique, para onde fora transferido de Angola.

Fora também jogador de futebol e Eusébio ainda terá visto o seu pai jogar futebol.

Em cima, o celebérrimo jogo dos quartos de finais do Mundial de Futebol de 1966 entre Portugal e a Coreia do Norte, disputado no Goddison Park em Liverpool no dia 23 de Julho de 1966. Aos 25 minutos da primeira parte Portugal já está a perder por 3 a 0. Mário Coluna é o capitão e no intervalo (Portugal ainda a perder por 3 a 2) terá dito nos baneários duas ou três ao plantel português.

Portugal acaba o jogo derrotando os norte-coreanos por 5 a 3.

Eusébio marcou quatro dos 5 golos (José Augusto marcou o 5º golo).

Algures na multidão de 52 mil pessoas que viram o jogo no estádio naquele dia, estava um jovem pai BM, que desertou a família por umas semanas para ver o campeonato em Inglaterra.

25/01/2010

Os 68 Parabéns de Eusébio

por ABM (Cascais, 25 de Janeiro de 2010)

O antigo jogador de futebol Eusébio completa hoje 68 anos de idade.

Aproveito assim para abordar brevemente esta figura do desporto português e moçambicano.

Ao contrário do clã BM, eu nunca liguei quase nada ao futebol, que em Moçambique antes da independência era uma total obsessão para muita gente. Fui a muitos jogos de futebol em Lourenço Marques, mas mais como castigo e para não causar distúrbios em casa aos fins de semana.

Olhando retrospectivamente, o futebol estabelecia uma das diferenças visíveis entre a África portuguesa e as colónias e ex-colónias inglesas, que rodeavam Moçambique, onde os desportos seguiam padrões raciais e culturais muito específicos. Na África do Sul, o futebol era, e ainda é, regra geral, um desporto predominantemente de e para os negros, enquanto que os brancos se cingiam quase exclusivamente ao râguebi e ao cricket e desprezavam o futebol como “desporto de preto”. Presumo que pouca gente então se apercebeu que o piropo também se dirigia aos portugueses, que aos olhos de muitos dos boers e dos sul-africanos brancos, eram uma raça “cafrealizada” – os kaffirs from the sea, como diziam alguns (touché).

Em Moçambique aquilo era mais um pagode, tudo ao molho e fé em Deus. Toda a gente ia e toda a gente vibrava com o futebol, independentemente das questões raciais, económicas e sociais que os analistas de hoje possam congeminar. Aos fins de semana muita gente ia ver o futebol e durante a semana falava-se do que tinha acontecido no fim de semana anterior. Os jogos eram transmitidos pelo rádio clube em simultâneo em português e em ronga. Nesse aspecto, fazia parte do ídílio africano de que falarei mais tarde e que pelos vistos se tornou desporto das classes literadas de hoje desafiar.

Se no esquema geral das coisas essa paixão partilhada entre brancos e negros na África portuguesa valia o que valia, ela existia e pelo menos baralhava um pouco as cartas em termos da dialéctica de então. Os portugueses do regime usavam-na para apontar credenciais não racistas ao mundo, enquanto que os restantes a desvalorizavam, apontando que praticamente não havia quaisquer moçambicanos negros em posições de poder e influência na nomenclatura nacional e colonial.

Mas, só para chatear – excepto no futebol.

Esta realidade foi a meu ver algo injusta em termos de verdadeiros talentos como Eusébio, Coluna e Hilário (por exemplo, mas há mais, como o Vicente, o Shéu, o Matateu, o Matine, o Abel) cujo valor deveria estar acima destas questões mas acabou, durante algum tempo, por ser questionado por temas que nada têm que ver com o facto de que eram atletas de invulgar talento.

As estrelas que Moçambique produziu foram muitas e brilharam. Outro dia ouvi um comentário que achei interessante e parcialmente correcto, não me lembro de quem, mas que dizia que a primeira “verdadeira” selecção de Moçambique foi a que Portugal levou ao Mundial de 1966 em Londres. Sem descurar os restantes jogadores, o talento moçambicano reunido naquela equipa era verdadeiramente excepcional.

E Eusébio, filho de um senhor branco e de uma senhora negra do Xipamanine (pois…) foi a estrela cadente desse conjunto de homens notáveis. Ao ponto de integrar, nas mentes do povão, com a tal de vidente Lúcia e a fadista Amália Rodrigues, uma espécie de santa trilogia do Portugal da segunda metade do salazarismo: Fátima, Fado e Futebol.

Ele era um deus em Moçambique quando eu era pequeno. Um dia, não sei bem por que razão, nos anos 60, ele visitou a casa onde os meus pais viviam na Polana. Não sei como, a palavra passou que ele estava lá, e em cinco minutos a casa estava rodeada de uma multidão a querer vê-lo e a pedir autógrafos. Diligente, eu passei o meu tempo a recolher livrinhos de autógrafos e levá-los ao Eusébio enquanto ele estava calmamente sentado a falar com o pai BM – e ia assinando os livrinhos.

Como um simbolo inescapável de Portugal, difícil foi, e tem sido, a reconciliação com o regime moçambicano, que, antes e depois da independência, nunca o viu como seu, e que nunca aceitou o portuguesismo de Eusébio – apesar de ele ser logicamente também tão moçambicano como qualquer outro, produto genuíno do Xipamanine e da Mafalala dos anos 50 do século passado.

Também não ajudou o facto de que, ao se nacionalizarem os bens imóveis em 1976, incluíram-se os investimentos que quer Coluna quer Eusébio tinham feito na sua terra. Na base da ideologia e de que não podiam abrir excepções, deixaram-nos mais pobres e mais ressabiados. Coluna, que regressou a Moçambique independente e refez lá a sua vida, ficou quase na miséria. Mas isso é história que dava panos para mangas.

Independentemente de todas essas questões, acho que a História já colocou Eusébio no seu lugar devido: o de ter ele sido um dos maiores talentos do futebol que o mundo jamais viu.

Um talento moçambicano.

E, também por isso, lhe dou hoje, e a nós também, os parabéns.

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