THE DELAGOA BAY REVIEW

20/01/2011

O FUTEBOL CLUBE DO PORTO E O BENFICA EM 2011, POR GEORGE RIBÉRO

Filed under: Desporto, Futebol, George Ribéro Says — ABM @ 12:18 am

por George Ribéro (19 de Janeiro de 2011)

O comentário futebolístico de George Ribéro, de volta, e agora no Blogue Delagoa Bay. O George tirou doutoramento e pós graduação em futebol na Rua dos Aviadores em Lourenço Marques. Hoje subscreve a Sport TV e treina no sofá.

Ao contrário do ano passado, este ano o campeão de inverno é o FC Porto. Engraçado que não foi muito empolgado, não se viu nenhuma nota na comunicação social, talvez porque os portugueses estão habituados a que o FC Porto vença. Será que é notícia só quando o Benfica ganha?

Na época de 2009/2010, o campeão foi o Benfica e penso que com mérito. Campeão dos Túneis, levado ao colo, enfim, independentemente de uma ou outra situação, confesso que Jorge Jesus pôs os encarnados a praticarem um futebol agradável e ofensivo. Saviola é, quanto a mim, o coração desta equipa, um jogador muito influente mas a equipa, no seu todo era uma máquina trituradora. Dei comigo a pensar que nenhuma equipa consegue estar a um nível tão elevado a época inteira e que, mais cedo ou mais tarde, iria quebrar. Enganei-me, pois apenas se assistiu a um ou outro jogo menos conseguido do Benfica.

Então uma equipa pode estar no topo, sempre no limite por muito tempo? Claro que não, como tudo na vida. O Benfica pagou a factura no início do presente campeonato e ainda por cima sem o Di Maria, este ano a jogar muito bem pelo Real Madrid, e o Ramirez, que optou pelo Chelsea e as suas libras. Juntando a isto, alguns problemas de balneário e a situação ficou um pouco mais frágil.

Porquê? Pois, é difícil gerir um plantel que tem jogadores a quererem ganhar mais porque foram campeões, outros que querem sair (talvez Luisão e David Luiz) porque têm clubes a acenarem com mais notas ou até porque podem existir alguns jogadores que não estão habituados a ganharem e depois não sabem bem como se comportarem com o sucesso. Acontece com muita boa gente e não vale a pena referir nomes.

É sem duvida mais difícil permanecer no topo do que lá chegar e nisso, o FC Porto é bom e sabe como o fazer. Tem muito melhor organização, fecha a sete chaves qualquer problema que possa surgir internamente e os jogadores sabem que podem pisar o risco (errar é humano) mas NÂO podem passar para além do risco. Se o fizerem, good-bye que eu good fico!

Podem chamar os nomes que quiserem ao Pinto da Costa (pois, ele ganha muitas vezes) mas esse senhor, que há duas semanas completou 73 anos de idade, tem 30 anos de experiencia e dá aulas de gestão e inteligência a muitos oportunistas da praça.

Muitos dizem que o Porto ganha porque compra árbitros, etc … mas então têm também que explicar porque é que o FC Porto ganha lá fora e as outras equipas Portuguesas nem por isso.

O Benfica é uma Instituição que merece todo o respeito e que também contribuiu (e contribui) para que Portugal seja olhado com respeito (pelo menos no mundo do futebol, porque em matéria de políticos, bancos e dívidas, estamos falados). Penso até que mais de 60% dos portugueses são adeptos do Benfica e não deve faltar quem queira investir no clube (sim, incluindo se calhar alguns angolanos, pelo menos fala-se nisso) mas quando é vão perceber que o verdadeiro problema está na organização e na mentalidade? Para mim, o Benfica é o espelho de Portugal. Sem organização, sempre a receber dinheiro e não saber bem como o rentabilizar (mas sabendo gastá-lo) e quando tem UM sucesso, deita-se junto ao Tejo a dormir e a sonhar que vai ser assim para sempre. Como portugueses, pensamos assim desde os tempos dos Descobrimentos e palavra que me irrita solenemente esta mentalidade do “deixa andar que logo se vê”. Para séculos de história, já devíamos ter aprendido mais qualquer coisa. Como passamos de bestiais a bestas em tão pouco tempo.

Claro que o Benfica vai voltar a ganhar, mas ás vezes penso se será benéfico para este clube, ter tanto apoio, tanta comunicação social a favor e tantos jornais a dedicarem-lhe tantas páginas diariamente ou se, pelo contrário, se se devia deixar os seus dirigentes trabalharem em paz. É que não convém nada misturar democracia com Cadeia de Comando. E se calhar há muitos -demasiados – a opinarem e a darem palpites quando a coisa corre bem e a fugirem a sete pés quando a coisa corre mal.

Isso não acontece no FC Porto. E aí reside uma diferença fundamental, que ajuda a determinar o sucesso de um, e a criar problemas ao outro.

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17/11/2010

PRÉMIO ORA DIGA LÁ ISSO OUTRA VEZ

por ABM (17 de Novembro de 2010)

Reproduzo na íntegra, e com vénia, a peça publicada ontem na secção de desporto do jornal O País, que circula em Maputo, sobre um caso de alegada corrupção no futebol moçambicano (estamos todos chocados, chocados, com isto).

Apenas realço em bold (em português: “a negrito”) duas frases. Para os exmos Leitores lerem melhor e poderem meditar sobre a sofisticação da conceptualização do que ali se está a tentar dizer.

Realmente o português é uma língua lixada.

Cá vai. O texto é do genial Lázaro Mabunda.

DENÚNCIAS DE SALVADO JÁ ESTÃO NA PROCURADORIA GERAL DA REPÚBLICA

A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) decidiu remeter as denúncias de Arnaldo Salvado ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC).

Trata-se de um caso em que o treinador, Arnaldo Salvado, denuncia a existência de esquemas de corrupção no Moçambola, a principal prova futebolística nacional, envolvendo dirigentes desportivos, jogadores de futebol e equipas de arbitragens, o que ensombra a verdade desportiva no nosso futebol.

“O Conselho de Disciplina reunido em sessão ordinária, no dia 11 de Novembro – última quinta-feira – do ano em curso deliberou: remeter ao Gabinete Central de Combate à Corrupção cópias das denúncias apresentadas à Liga Moçambicana de Futebol, sobre alegados actos de corrupção desportiva”, lê-se no Comunicado Oficial n.º 149/LMF/DE/2010, de 12 de Novembro passado, última sexta-feira.

A Liga Moçambicana de Futebol decidiu, igualmente, remeter o caso à Federação Moçambicana de Futebol e a “resposta da notificação feita ao sr. José Arnaldo Salvado, pelo Conselho de Disciplina da Liga Moçambicana de Futebol, referente ao alegado envolvimento da arbitragem na corrupção”.

Dificuldades de ouvir os acusados

Ontem, o nosso jornal procurou as figuras que são citadas nas cartas de Salvado, para ouvir as suas versões, mas foi em vão. Os dois dirigentes da Liga Muçulmana, nomeadamente, Rafik Sidat e Cássimo David, encontram-se fora de Maputo.

O futebolista, também acusado de ter participado no aliciamento dos colegas do Atlético Muçulmano, neste caso Alcides Chihono, mais conhecido por Cantoná, declinou pronunciar-se em torno do caso, prometendo fazê-lo “no momento oportuno”.

A Comissão Nacional de Árbitros de Futebol (CNAF) disse à nossa equipa que muito oportunamente irá pronunciar-se sobre a carta “bomba” de Salvado, que atingiu também alguns membros da CNAF, nomeadamente, Arão Júnior, António Massango, Ainad Hussene, Mateus Infante, o próprio presidente do organismo, Venilde Mussane, e João Armando.

Liga reúne-se hoje.

A Direcção da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) reúne-se hoje, em Maputo, para analisar vários assuntos, dos quais a polémica em torno da eventual viciação de resultados desportivo. Em relação à homologação do campeão nacional, o presidente da LMF, Alberto Simango Júnior, negou que ainda não tenha sido homologado o vencedor do Moçambola. “Em princípio, foi homologado, porque os resultados foram homologados. Não tenho informação de tal não tiver acontecido, até porque já entregámos a taça. Mas a reunião da direcção é amanhã” (hoje).

Liga-Atlético em inquérito

Num outro comunicado, com data de 11 deste mês, o Conselho de Disciplina da LMF analisou a denúncia relativa a alegados factos ocorridos na véspera do referido polémico jogo entre o Clube Atlético Muçulmano e a Liga Desportiva Muçulmana de Maputo, e deliberou “instaurar um processo de inquérito para efeitos de inequívoca qualificação e determinação das ocorrências, eventualmente, integrativas de infracção disciplinar e seus autores”.

08/10/2010

A MELHOR EQUIPA DE SEMPRE

Filed under: Desporto, Futebol, Sporting — ABM @ 6:51 pm

Por ABM (8 de Outubro de 2010)

A visitar o Sul de África. Em 1954.

Agora esta do folheto ser em inglês não cabe na cabeça de ninguém.

01/09/2010

CONTROLO ANTI-DOPING

Filed under: António Botelho de Melo, Desporto, Futebol, Jogos Olímpicos — ABM @ 3:16 am

Kornelia Ender a sair da piscina

por ABM (1 de Setembro de 2010)

Um dos mistérios em redor dos eventos na Covilhã aquando da deslocacão da equipa de controlo anti-doping para atestar da condição da selecção nacional de futebol é que se sabe que o controlo foi feito.

E que o seleccionador, Carlos Queiroz, terá constestado as circunstâncias ou a perturbação causada pela referida visita.

Alguns dos exmos leitores e calhar não sabem do que se está a falar. Afinal, recolher umas amostras de urina não parece ser complicado à partida.

Talvez sim, talvez não.

Vou explicar.

Nos meus tempos de desportista de competição, há uns séculos atrás, apesar de agora se saber que havia em abundância aquilo que hoje se considera doping em quantidades apreciáveis – até na natação, o desporto que eu praticava – não havia nem organismos nem protocolos para o seu controlo a nível nacional. E mesmo a nível interncaional, era extremamente raro.

A piscina fica na estrutura situada em baixo à esquerda do estádio olímpico de Montréâl

A única vez que fui sujeito a um controlo anti-doping foi no verão de 1976, durante os jogos olímpicos de Montréal. Eu tinha 16 anos e, com quatro colegas, representava a natação portuguesa de então.

O que aconteceu foi que, de manhã disputavam-se as provas eliminatórias, e à tarde às provas finais.

Numa das eliminatórias, de manhã, logo após uma prova, apareceu um tipo à borda da piscina mal eu acabara de nadar, e mandou-me acompanhá-lo.

Pelo caminho, informou-se que eu seria sujeito a um controlo anti-doping.

Eu nem sabia do que ele estava a falar mas segui-o.

Levou-me para uma sala espaçosa e sem janelas, onde havia umas cadeiras e uma televisão a transmitir as provas na piscina ali ao lado, e fechou-me lá.

Indicou-me que o procedimento era que eu teria que urinar para uma pipeta em frente a ele e depois podia ir-me juntar de novo ao resto da equipa.

Dali a uns minutos, para minha surpresa, acompanhada por uma mulher, entrou na mesma sala a nadadora alemã-oriental Kornelia Ender (a menina na foto acima).

Eu sabia quem era Kornelia Ender pois vira fotos dela e lembro-me de a minha irmã Cló, que nadara também, falara sobre ela mais que uma vez. Era na altura uma legenda da natação mundial, com recordes mundiais batidos e parte daquela geração de atletas de craveira mundial que a RDA usava e abusava para puxar o lustre na podridão que era o seu regime. Posteriormente se comprovou que, como vários outros atletas, Kornelia Ender se dopou até dizer chega.

Mas na altura isso eram só rumores. Em parte por constatação visual simples. Ao pé das outras nadadoras, as atletas da RDA eram umas bestas humanas. Ao pé dos homens elas pareciam ser umas bestas.

E ali estávamos os dois, sentados, de fato de banho e toalha, sózinhos e vigiados pelos dois funcionários através de um vidro (eles estavam numa sala contígua).

Falámos pouco. O inglês dela era uma desgraça e eu não falava uma palavra de alemão.

Obviamente, ambos sofríamos do mesmo pequeno problema: antes de nadar nas provas, um dos rituais normais é ir ao quarto de banho e fazer-se chi-chi. Ora, tendo acabado as provas há minutos, não havia nada na bexiga para espremer para a pipeta que os diligentes funcionários tinham na mão à espera para fazer o seu trabalho.

Mas sem chi-chi na pipeta, não se saía dali.

Não que isso fosse um problema. Se fosse preciso ficávamos lá fechados o dia inteiro.

Para ajudar, os senhores da brigada anti-doping tinham disponibilizado um frigorífico cheio de águas, sumos e até cerveja.

Levou-me umas três horas para que a minha bexiga produzisse algo que se assemelhasse com a quantidade mínima para encher a pipeta. A Kornelia tinha o mesmo problema.

Mas quando fiz o sinal ao jovem para avançarmos com a colheita, ele explicou-me que eu teria que fazer o chi-chi directamente em frente a ele, eu de pé com a pipeta, e ele sentado à minha frente a olhar para a piloca.

Bem, eu não sei quantos exmos Leitores já passaram por uma destas, mas no momento crucial tive um bloqueio mental e passou-me a vontade de urinar (que para começar já era ténue).

Voltei para a sala, onde ainda estava a Kornelia e onde, já algo farto daquilo tudo, emborquei mais um sumo de laranja.

Passou mais uma hora, e finalmente, depois de um esforço hercúleo, lá enchi a pipeta, o fulano a olhar atentamente para o jorrozinho amarelo a encher a sua pipeta.

E me deixaram ir embora.

Nunca mais me disseram nada. Na vida, só vi a Kornelia Ender mais uma vez, um ano depois, quando ela veio com o Roland Mathes (campeão da RDA e mais tarde seu marido durante alguns anos) a Portugal inaugurar a piscina do SFUAP em Almada. Sendo Almada na altura uma espécie de reduto comunista no Novo Portugal, a inauguração foi uma daquelas festas com bandeiras vermelhas do PC, o hino da internacional comunista, montes de comida e, claro, a presença dos expoentes da RDA, o país socialista irmão da Cova da Piedade. Tanto Ender como Mathes estavam ambos fora de forma, mas deu para abrilhantar a festa.

Na altura, ela não me reconheceu e eu respirei de alívio por assim ser.

Voltando à questão do episódio do controlo anti-doping na Covilhã.

Se a equipa de controlo anti-doping aparecesse no começo de um treino, é de esperar que os meninos tivessem feito previamente os seus mundanos chi-chis antes de começar. Se lhes fizessem o que foi feito a mim em 1976, então não haveria treino.

Mas não sei. Ninguém explicou ainda.

O LINCHAMENTO DE CARLOS QUEIROZ

Filed under: Desporto, Futebol — ABM @ 2:18 am

por ABM (1 de Setembro de 2010)

Não entendo muito de futebol.

Mas não creio ser preciso ser especialista no assunto para apreender que o que se está a passar estes dias com o actual seleccionador do futebol português.

Do pouco a que assisti nalguns programas sobre o assunto (que em Portugal abundam ad nauseam) o que ainda não se sabe nalgum detalhe é o que foi que se passou exactamente.

Aparentemente, no decurso de um exercício comum de despistagem de substâncias ilegais nos corpos dos jogadores da selecção nacional de futebol, então em estágio na cidadezinha da Covilhã, antes do campeonato mundial de futebol, terá havido alguma altercação entre o seleccionador e o chefe da equipa encarregada de efectuar a despistagem.

Tudo indica que a despistagem se efectuou.

O assunto terá então ficado por ali, até que, várias semanas depois, ele surge na imprensa, um pouco como um coelho puxado de uma cartola, num contexto em que, a vários níveis (a FPF, o braço governamental no desporto, a tal da equipa de anti-doping) subitamente o comportamento do seleccionador surge como matéria de análise e susceptível de o afastar, apesar dos termos normais de uma rescisão contratual que atribuem-lhe um valor condicente com o valor presente do seu contributo para o período remanescente do seu contrato.

A percepção geral foi que a FPF procurava uma desculpa para despedir o seleccionador sem lhe pagar uma indemnização.

Após uma semana e pouco de especulações, a montanha pariu um rato: a “penalização” amontava a um mês de suspensão, que, erradamente a meio ver, Queiroz escolheu não contestar.

No entretanto, ao dar uma daquelas entrevistas da treta do futebol, Queroz aponta o dedo a um desses vice-presidentezecos que há pelo menos dez anos se esquecera de ir embora, e que pelos vistos nunca gostou dele. Este ofende-se e instaura-lhe um processo disciplinar – agora em curso.

Para variar, e em mais uma revelação dos bizantinos mecanismos do desporto português, o tal organismo do anti-doping, insatisfeito com a bofetada da FPF, arroga-se o direito de julgar em casa própria o assunto, e impõe, por unaninmidade, uma sanção se seis meses a Queiroz, pelo mesmíssimo caso já julgado pela FPF.

Apercebemo-nos, entretanto, que a lei desportiva portuguesa vive num mundo próprio, aparte do sistema legal português, com regras e protocolos próprios.

Convém recordar que Carlos Queiroz não é um tipo qualquer. Que eu saiba é uma pessoa decente, capaz e com provas dadas naquilo que faz.

É por demais óbvio que há gente que não o quer como seleccionador, que não gosta dele e que quase tudo fará para retirar das suas mãos a responsabilidade que até este momento é contratualmente sua.

Nem que, para tal, causem sério dano ao trabalho da selecção nacional de futebol.

Mas o que me parece é que, à falta de melhor informação, ao que se está a assistir neste momento é a uma perseguição pessoal qualquer sem mérito e sem justificação.

A uma tentativa reles de linchamento de Carlos Queiroz.

Carlos Queiroz merece, e nós todos, melhor do que isto.

22/08/2010

A ENTREVISTA

Filed under: António Botelho de Melo, Futebol — ABM @ 12:54 am

por ABM (21 de Agosto de 2010)

Confirmada a segunda derrota consecutiva do Sport Lisboa & Benfica no campeonato nacional de futebol português, e na face do cada vez mais complexo xadrez político nacional, o Maschamba captou mais uma gravação ilegal, esta em vídeo, de um encontro secreto de José Sócrates.

Contactado telefonicamente, o nosso comentador futebolístico, George Ribéro, na sua residência de férias em Pénis (ao pé de Óbides), ele sugeriu que o problema das águias encarnadas poderá estar localizado na baliza e sugere que, como complemento àquele senhor hespanhol que supostamente a defende, que o Benfica deveria talvez pedir à Federação Portuguesa de Futebol, autorização para, em vez de colocar a rede da baliza atrás, que lhes seja permitido colocar a rede à frente. E concluiu a sua breve análise com um comentário mistificante. Disse: “volta Quim, estás perdoado”.

Bom fim de semana.

22/11/2009

A Relva do Campeonato Mundial

Filed under: Desporto, Futebol — ABM @ 10:15 am

Green_Grass and Blue_Skies(se eu fosse vaca isto seria a visão do paraíso)

por ABM (Alcoentre, domingo, 22 de Novembro de 2009)

Como a Senhora Baronesa e o JPT acharam uplifting falar de retretes e saneamento, hoje abordo o igualmente importante tópico da relva.

Quando a semana passada a equipa nacional de futebol de Moçambique derrotou a Tunísia por um golo a zero, o mais que os tunisinos sabiam repetir depois do jogo é que estava muito calor nesse dia e que o relvado artificial do Estádio da Machava estava tão quente que os seus pés quase que derretiam com o calor. Memoravelmente, o holandês que treinava os Mambas limitou-se a dizer que os meninos haviam dormido uns diazitos sem ar-condicionado lá em casa.

Não percebo nada de relvados, muito menos de relvados de futebol. Quando era miúdo lembro-me vagamente de, mesmo antes de a Frelimo ter marchado para Lourenço Marques e decretado a independência e uma revolução, o último grito na cidade, cujos campos de futebol eram todos de…areia, foi plantarem relva. Aquilo ficou tudo lindo como nunca. Mas com o fim do colonialismo, a relva, como o camarão e a carne de porco, fugiu. Quando visitei Maputo após nove anos de “socialismo revolucionário” em 1984, as prioridades eram outras e os clubes mal sobreviviam à sombra de parcas esmolas que os seus patrocinadores estatizados logravam dar. A piscina do Desportivo mal sobrevivia com uns donativos de cloro da companhia das águas – mas quase nunca havia cloro, nem sequer para a água da rede pública. A relva, essa morreu e foi para o céu. Hoje, vinte e cinco anos mais tarde, nem os estádios sobreviveram. O belo estádio dos CFM na Machava – onde foi declarada a independência do país e filmada uma memorável cena do filme “Muhamad Ali”, está sub-aproveitado e preterido em favor de um estranho “estádio nacional” que é, tanto quanto entendi, um donativo dos novos grandes amigos, os chineses. O campo de jogos do Xipamanine, onde o pai BM ajudou a fazer história com o Nova Aliança, desapareceu pura e simplesmente. Os antigos campos de futebol do Sporting (agora Maxaquene) e do Desportivo aparentemente foram vendidos para se fazerem prédios no local, o que dá um novo contorno ao termo “negociatas imobiliárias”. Presumo que os seus departamentos de futebol vão passar a treinar na rua ou algures nas Mahotas. Boa sorte aos futuros Eusébios.

A relva é uma coisa bonita e confortável quando alguém que não nós tem que tomar conta dela. Quando eu era miúdo, o pai BM, que obviamente não se sabia aproveitar dos benefícios laborais do sistema imperial-colonial, indigitou-me para tratar da relva que tínhamos no quintal. Aquilo era um inferno. A relva crescia quando queria, morria quando queria, quando crescia demais lá tinha que eu ir com uma daquelas maquinetas manuais para cima e para baixo para que aquela porcaria parecesse normal. Uma vez por ano, eu tinha que andar de traseiro para o ar uma manhã inteira a plantar os bocadinhos do “tapete” de relva (termo aqui perfeitamente alegórico) onde a dita cuja não pegava. Ainda por cima a terra na Polana é aquela terra encarnada que se vê na Ponta Vermelha, muito bonita mas acho que aquilo está para a relva como a areia do deserto para os esquimós. Isto para não falar das ervas e bicaharada que por lá cresciam. Enfim.

Mas, voltando ao futebol, ou, melhor, à relva do futebol, eu pensava que esta coisa da relva do futebol era assunto pacífico. Contratava-se uns jardineiros e a coisa compunha-se. Isto até ler hoje que não era bem assim. No caso do mundial de futebol, ainda mais estranho é. Assim, descobri que há uma espécie de Polícia da relva da Fifa que, depois de uma recente inspecção dos campos de futebol todos onde se vai disputar aquele campeonato, decretou que a África do Sul tinha que mudar a relva em todos os seus estádios, pois a que lá está é feia e desagradável de se jogar por cima.

Os sul-africanos usam nos relvados que são os seus campos de futebol um tipo de relva chamado kikuyu grass. Aguenta melhor o tempo quente e a falta de água. A Fifa agora diz que eles têm que usar european rye grass, que é mais verdinha, aguenta levar mais pancada dos jogadores e é mais bonita de se ver na televisão. É verdinha como a que está na fotografia acima. Só que isto implica arrancar a relva que está lá e plantar a tal relva rye european, que funciona bem nos climas muito mais temperados e húmidos da Europa mas que não se dá mesmo na África do Sul, a não ser que se gaste uma nota forte em água, adubos e jardineiros.

O mais curioso é que já se fizeram avanços enormes na tecnologia das relvas artificiais e quer a Uefa quer a Fifa já aprovaram padrões para relvados artificiais e inclusivé já os aprovou para competições internacionais. Poupam rios de água e trabalho e dinheiro e os especialistas indicam que não tem qualquer impacto na qualidade do jogo.

Mas não neste caso, parece. Os sul-africanos vão plantar a rye european a tempo do Mundial e, quando aquilo tudo acabar, vão ter que arrancar tudo outra vez e plantar de novo a kikuyu grass.

Haja santa paciência.

19/11/2009

PORTUGAL 1 – BÓSNIA-HERZEGOVINA O

Filed under: Desporto, Futebol — ABM @ 3:52 am

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http://www.youtube.com/v/7S_gLohI4XE&hl=en_GB&fs=1&

por ABM (Alcoentre, 19 de Novembro de 2009)

África do Sul, here they go.
Acho que os moçambicanos vão ver muitos portugueses outra vez….mas desta vez de férias….e Eusébio e Queiroz vão visitar a terra outra vez.

16/11/2009

Moçambique 1, Tunísia 0

Filed under: Futebol — ABM @ 1:56 am

MAMBAS MAMBAS

por ABM (Cascais, 16 de Novembro de 2009)

A vitória dos Mambas sobre a equipa nacional da Tunísia por um golo marcado no minuto 83 lê-se como se de um engano se tratasse e que nada tinha quer ver com o jogo em si.  “Estava muito calor, mais do que 30 graus”, “a relva artificial do Estádio da Machava era muito quente”, “fisicamente não estávamos preparados para estas condições”.

Realmente?

Mart Noijj, o treinador dos moçambicanos, disse à BBC que preparou os seus homens mandando-os dormir sem ar-condicionado nos dias que antecederam o jogo, o que me surpreendeu pois quando eu era miúdo ter ar-condicionado em casa não era um elemento que influia no desporto: praticamente ninguém tinha.

Mas acho que o mais importante foi a atitude. Noijj achava que ia ganhar aos tunisinos. E atitude é meio caminho andado.

No xadrez das qualificações, a vitória dos Mambas caiu como uma supresa e um choque e confundiu os analistas. Para Moçambique, foi o bilhete de entrada para a Taça das Nações Africanas em Angola no ano que vem. Para a Tunísia, cujo treinador é um português (Humberto Coelho) o afastamento do Campeonato do Mundo e a entrada da Nigéria, que no mesmo dia bateu o Quénia por um golo, ganhando os pontos necessários para ir à África do Sul em 2010 no Grupo B.

Como não tenho uma foto dos Mambas, que com o seu treinador e equipa estão de parabéns, fiquei-me pelo que acima se vê. Afectuosamente.

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