THE DELAGOA BAY REVIEW

11/08/2010

VAIPRAKONADATUATIAMEUKABRÃO

Filed under: Desporto, Eusébio, Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:36 am

Carlos Queiroz e Eusébio da Silva Pereira

por George Ribéro, título e edição por ABM (11 de Agosto de 2010)

Definitivamente, Carlos Queiroz e a Federação Portuguesa de Futebol não se têm dado bem.

Penso que será tudo uma questão de mentalidades.

Recapitulemos um pouco.

Em 1989 e 1991, Portugal foi campeão do Mundo de Juniores (Sub-20) ao vencer na primeira final, na Arábia Saudita, a Nigéria por 2-0, tendo em 1991, em Lisboa, vencido o Brasil nas grandes penalidades.

Em ambos os Mundiais, o treinador de Portugal foi Carlos Queiroz.

Ficou então provado que Carlos Queiroz era excelente a formar jovens jogadores de craveira mundial.

Mas muitos torceram o nariz quando Queiroz foi o eleito para treinar a equipa principal de Portugal. Afinal, ia lidar com adultos. Portugal perdeu com a Itália e não foi apurado para o Mundial 94 nos EUA. Na altura, Queiroz disse em alto e bom som que a FPF precisava de uma vassourada para tirar de lá os podres do futebol Português.

Logo a seguir, e até 1996, treinou o Sporting Clube de Portugal, tendo ganho uma Taça de Portugal.

Partiu depois para o estrangeiro, onde treinou várias equipas, como a selecção dos EUA em 1997, os Emiratos Árabes Unidos em 1998, a selecção da África do Sul de 2000 a 2002, tendo apurado a selecção africana para o Mundial 2002, e equipas como o Nagoya do Japão, os MetroStars dos EUA e, finalmente, como adjunto de Sir Ferguson no Manchester United, com um intervalo de um ano para treinar o Real Madrid, em 2003.

Ou seja, experiência “adulta” não lhe falta, sendo sobejamente conhecido e respeitado a nível mundial.

Estava Queiroz tão bem em Manchester, quando em 2008 aceita o convite para treinar a selecção nacional, para mim um desafio enorme, não pelo valor dos jogadores portugueses, mas pelos tais podres que ainda existem na Federação Portuguesa de Futebol. Cá para nós, os tugas só gostam de complicar e gostam de se pôr em bicos de pés quando a coisa corre bem e assobiar para o ar quando acontece … borrada. Lembram-se de Saltillo e Coreia? Pois…

A ideia inicial era apurar Portugal para o Mundial de 2010 na África do Sul e Queiroz fez a vontade. Pelo meio, aconteceram coisas estranhas, como a lesão de Nani, que viajou para a África do Sul e depois regressou a Portugal. Uma escassa semana depois, já estava fino e pronto para outra. Estranho. Mas quem sou eu para duvidar da lesão do jogador, penso que no ombro?

Obscuro para quase todos nós na altura, emerge há dias que, durante o estágio na Covilhã, uns senhores do CNAD – Concelho Nacional Anti Dopagem, decidiram fazer umas análises a alguns jogadores portugueses. Os relatos indicam que Carlos Queiroz não ficou agradado com a visita desses senhores. Afinal, estavam em pleno estágio e a concentração é muito importante. Por sua vez, o CNAD tem o direito e dever de fazer o seu trabalho para prevenir possíveis escândalos durante o Mundial. Então, ao que tudo indica, Carlos Queiroz terá dito algo como “Vai mas é fazer análises para a c… da tua mãe”, uma linguagem escandalosa enquanto cabeçalho de jornal, mas, para quem acompanha o futebol, perfeitamente normal no quotidiano do mundo futebolístico.

Penso que a FPF, sentindo os ventos internos, e mortinha por despedir o treinador (sem pagar) decidiu abrir um inquérito aos acontecimentos, entretanto relatados pelos profissionais do CNAD, cuja versão foi a divulgada. Assim, caso Queiroz fosse considerado culpado, por conduta imprópria, não haveria lugar a uma indemnização que se diz rondar os 3.5 milhões de euros.

Muita massa.

Queiroz, moçambicano de Nampula (o Super Macua) não é propriamente mentecapto e contra atacou com testemunhas de peso como, entre outros, Pinto da Costa, Alex Ferguson, Figo e Filipe Vieira. Já estou a ver o Figo a dizer quantas vezes já lhe chamaram filho da puta, cabrão e outras coisas piores, mesmo entre colegas. Seria bonito afinar cada vez que lhe chamavam um desses nomes mais “floridos” por falhar um penalty ou um passe.

Moral da história: Quem está ligado ao futebol sabe que todo o impropério que vai de filho da puta para baixo, não é verdadeiro, não há comunicação.

Tentar afastar o Queiroz com uma desculpa dessas é no mínimo ridículo. É querer maliciosamente envenenar a imagem do homem e tentar escapar de pagar o que contratualmente lhe é devido.

Queiroz pode não ser um Mourinho. Há quem diga que é melhor como director técnico que como treinador de campo e aí posso até concordar mas, caramba, o homem apurou Portugal para o Mundial 2010, apurou a África do Sul para o Mundial de 2002, deu DOIS títulos mundiais a Portugal (Sub-20), treinou grandes equipas e afinal, não presta para Portugal?

Mostrem-me lá esse caixote do lixo.

Vamos ver no que dá este inquérito. Mas cá para mim, Queiroz na selecção, só por birra ou para obrigar a Federação a pagar a tal pipa de massa. Esse dinheiro até dá para comprar uma ilha em Moçambique (em concessão devidamente autorizada, entenda-se), porque não?

Uma coisa é certa: Carlos Queiroz não ficará desempregado por muito tempo.

Pergunto: Se Portugal tem ido mais longe no Mundial da África do Sul, estaríamos nós agora a assistir a esta patética novela ou estariam a esta hora os senhores do CNAD a fazer análises … noutro “sitio” qualquer?

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04/08/2010

RESCALDO DO MUNDIAL E ANTEVISÃO DE 2014

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 5:21 am

por George Ribéro, editado por ABM (4 de Agosto de 2010)

Atrasadamente, um texto de George Ribéro sobre o rescaldo do Mundial de Futebol e alguns resquícios do que ali aconteceu.

Segue-se o texto.

O Mundial 2010 já acabou, mas sobra sempre algumas coisas dignas de registo, senão vejamos:

A Espanha é campeã do Mundo mas nada que o polvo Paul não soubesse desde o início. Agora, a Espanha quer comprar o Paul a todo o custo, porque acha que é um novo símbolo de Espanha. Um dos grandes símbolos do Real Madrid, o avançado Raul, vai jogar para o Schalke 04 da Alemanha,. Será que vai aproveitar para visitar o polvo Paul e agradecer a confiança depositada na equipa espanhuela?

A Alemanha, danada porque foi eliminada precisamente pelos espanhuelos, não quer sequer ouvir falar de tal possível venda. Os espanhóis levam a taça mas não levam o Paul. Ah, como os compreendo.

Por falar em taça, lembro a piada que por aí corre segundo a qual o Acordo de Tordesilhas, assinado em 1494, diz que tudo o que for conquistado pela Espanha a leste do meridiano de 46 graus, é de facto propriedade de Portugal. Assim, caso a Espanha honre a sua palavra e acordos, ficam os portugueses a aguardar o envio da Taça por FedEx ou DHL para Portugal.

O Maradona voltou para a Argentina com umas trombas de todo tamanho. Pois, se calhar fumou alguma coisa a mais e chocou contra um elefante, ainda em terras africanas, levando a tromba do pobre elefante que agora deve andar por lá, sem ela. Se calhar há outros elefantes também sem a tromba. O que a Federação Argentina de Futebol veio primeiro dizer é que queria o Maradona por mais quatro anos. Achei muito bem porque ele é sem dúvida uma figura simpática, um símbolo da Argentina e uma referência para o futebol mundial. Só não descobrira se a Federação o queria para treinador ou para outra função. Depois se viu que não o queria para nada mas não sabia como desatar o laço. Maradona foi visto à uns dias atrás a visitar o Hugo Chaves e aproveitou para enviar um abraço ao seu bom amigo Fidel ali ao lado em Cuba. No fim, o esquema para o colocar fora como treinador da Argentina foi cortar nos adjuntos. Pois parece que com menos de 45 adjuntos, ele não ficava com o lugar.

O craque alemão Ballack, que esteve em África mas não foi convocado por estar lesionado, vai deixar a equipa inglesa do Chelsea e voltar às origens, o Bayer de Leverkusen. Vai levar muita experiência para aquela equipa e ensinar como se dá uma valente cacetada bem disfarçada (pensa ele). De qualquer maneira, tem já 33 anos de idade e está hora de outras correrias.

Mesmo sendo o finalista derrotado, a selecção da Holanda foi bem recebida pelo seu povo. Parece que o consumo de algumas ervas subiu em flecha, coisa normal ou pelo menos aceite naqueles lados (e outros, mais perto das capitais Cêpêélepê). De qualquer maneira, é de louvar o agradecimento dos holandeses, pois afinal os jogadores laranjas deram tudo para dignificar o País das tulipas. É outra mentalidade.

O Francês de descendência africana (para não variar) Thierry Henry não vai mais jogar pelo seu País. Aliás, nem vai jogar mais pelas baguettes, nem vai jogar mais pelo Barcelona. Ficou muito afectado pelo facto de todos terem visto a mãozinha marota no golo contra os irlandeses e agora vai jogar pelos Red Bulls de New York. Sim, vai jogar em terras do Tio Sam, mais precisamente por uma equipa de futebol de Nova Iorque que tem nome de equipa de basquetebol. Acho que já lhe avisaram que por lá, também não se joga futebol com as mãos, isso é só para o basebol e o basquetebol. A não ser que apareça pela frente alguma equipa equipada com as cores da Irlanda. Naquelas paragens isso é bem possível e já está avisado que a comunidade de ascendência irlandesa, que é numerosa naquela cidade, não o vai deixar em paz um minuto que seja. Aliás, já há apostas em como o primeiro golo do Henry será com a mão.

Já que estamos com franceses, uma comissão quis ouvir o que na verdade se passou com os jogadores franceses durante o Mundial. Até Sarkozy se meteu na conversa, mas afinal parece que aprenderam umas coisas com os tugas, pois ficou tudo em águas de bacalhau. A saída do treinador francês não conta pois ele já tinha saído ou já estava de malas feitas ainda o mundial não tinha acabado.

Numa reviravolta inesperada, Cristiano Ronaldo já é pai. Parabéns. Segundo se consta e ao contrário de certas bocas, o rebento “afenal” terá sido feito pela via tradicional (coitus profundos repetidus) quando o jogador esteve de visita aos EUA no verão passado. Uma tal Neireda, antiga namorada do CR, assegurou há dias atrás que com ela, ao contrário das suas prestações pela equipa das quinas, o Ronaldo sempre cumpriu. Prontes, a gente na tem que duvidar, né?

Agora vai deixar o menino com a família e vai trabalhar para Madrid, coitado. Vida de emigrante é assim, muito dura mas sempre vai ganhando uns cobres. Os tempos que correm são muito difíceis e há que nos sujeitarmos.

O Sporting venceu no fim de semana passado o torneio nos EUA e praticou um futebol que já não se via há bastantes anos pelos lados de Alvalade. Foram dois excelentes jogos, com equipas inglesas (Manchester City – vitória e Tottenham – empate). Este ano promete, agora que se viu livre de uma maçã podre de nome João Moutinho, agora a vestir a camisola dos dragões. E andou um pai (Sporting) a criar um filho (Moutinho) para isto…

Algures em Portugal, para não desfazer a novidade, já alguém colocou num aquário um polvo no meio de dois pequenos tanques, um com a bandeira do Benfica e outro com a bandeira do Porto. Dizem que o polvo escolheu o do Benfica para campeão nacional de 2011 mas eu não acho que esteja correcto. Afinal este polvo não é o Paul, é um polvo da Costa da Caparica e como todos sabem, 95% dos seus habitantes são benfiquistas, enquanto que outros 95% torcem pelo Brasil, váleu galera?

Assim, o polvo tuga, com medo de ir parar a uma deliciosa salada de … polvo, escolheu o Benfica. Pudera, chama-se a isto, puro instinto de sobrevivência e sendo assim, não podemos levar a mal. Então e o Sporting? Não, definitivamente, este polvo não é sequer familia do Paul.
Nunca mais soubemos nada dos nossos amigos norte coreanos. Será que já chegaram ao seu País? Não parece que tenham regressado de barco … a remos.

Quanto à Silly Season, como dizem os Americanos no que toca a transferências no início de cada época, parece que está tudo à espera do mês de Agosto. Sabemos que o Gutti, também do Real Madrid (e cá para nós, não penso que seja um grande jogador) vai jogar para o Besiktas da Turquia e ao que tudo indica o portista Bruno Alves vai deixar a Foz do Porto e praias vizinhas, e vai para o Zenit da Rússia. Ele que gosta tanto de praia, lá sabe … quanto vai ganhar. Falta o Raul Meireles e o Fábio Coentrao para não falar de alguns meninos que juram que não querem sair mas que se não saírem, armam uma guerra. Estou a falar do Fucile, do Veloso e do Cardozo. Engraçado que o que se diz é politicamente correcto mas não é o que na verdade se quer dizer ou fazer. Complicado? Nem por isso.

E prontes, é só para verem que basta uma estadia em a África para a vida de todos mudarem e saírem do marasmo. Pelo que vejo, a maioria abriu os olhos. Até um simples polvo ficou para a história.

Vem aí o próximo mundial, o Brasil 2014. Muito samba, muita picanha, muita cerveja, muito futebol, uma presidenta e outras coisas, mas espero que a final de 1950 não se repita. É que o calendário Maia parou em Dezembro de 2012, ano em que o mundo vai acabar por causa de terremotos, tsunamis e outros desastres naturais derivados do posicionamento dos astros por essa altura e do qual vai resultar num buraco negro e zero de gravidade. Recentemente, foi exibido um filme sobre este tema. Acontece que agora vêm uns entendidos na matéria dizerem que os meses dos Maias tinham só 26 ou 28 dias ou coisa parecida. Como o nosso mês tem (agora) 30 ou 31 dias, excepto o de Fevereiro, afinal o fim do mundo poderá ser mais lá para 2013 ou até 2014.

Se o Uruguai voltar a vencer o Brasil na final, como o fez em 1950, então está certo, será mesmo o fim do mundo … pelo menos para os brasileiros. Sim, porque a Espanha e Portugal vão arrancar para a candidatura Ibérica para o Mundial de 2018 e eu quero lá estar. Espero que então, o polvo Paul ainda esteja bem de saúde e aposte em … Portugal ou … Moçambique?

12/07/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 39: HESPANHA

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 2:12 am

o touro espanhol, versão ecológica

por George Ribéro, edição de ABM (Sábado, 10 de Julho de 2010)

Abaixo, os comentários do George para os jogos finais do Campeonato Mundial de Futebol 2010.

Alemanha 3 – Uruguai 2

Já sem a preocupação de terem que chegar à final, estas equipas acabaram por proporcionar um bom espectáculo. O último lugar do pódio é importante mas não é de extrema importância, afinal diz-se que o segundo lugar é o primeiro dos últimos e não é por acaso que também se diz que este jogo entre os vencidos das meias finais é o chamado “jogo de consolação”. Alguns até acreditam que este jogo não devia ser realizado mas, sem pressão, sem tácticas mais rígidas, e por ventura sem os nervos à flor da pele, quem ganha é o futebol e todos nós.

Há quarenta anos, no Mundial do México 1970, estas duas selecções encontraram-se também para o terceiro e quarto lugar. Ganhou então a Alemanha, com um golo de Overath. Agora, a Alemanha voltou a ganhar mas por 3-2, praticando um bom futebol, arriscando mais que no jogo com a Espanha e mostrando ao mundo que parece depender, e de que maneira, do jovem centro campista do Bayern de Munique, Thomas Mueller, um alemão com apenas 20 anos de idade e que aparece neste mundial a substituir o lesionado Ballack. Azar deste, sorte daquele e logo numa montra tão importante como é qualquer Mundial.

Não me canso de dizer que o Uruguai sai deste mundial de cabeça bem erguida e com o sentimento de dever cumprido. Excelente seria estar na final e vencer mas, ficar entre as quatro melhores equipas é um feito digno de registo. Parabéns aos seu jogadores e dirigentes que só podem estar satisfeitos com a excelente campanha dos Celeste bi-campeões do mundo neste emotivo mundial africano. É uma selecção com jovens jogadores e tudo indica que, com futuro.

Espanha 1 – Holanda 0 (após prolongamento)

Com a vitória neste jogo, a Espanha sagrou-se campeã do mundo. Parabéns. Mereceu. Foi de facto a melhor equipa no campo e isso ficou provado hoje, pois foi a selecção que mais dominou, mais procurou o golo e mais fez por vencer. Esta Espanha está muito bem fisicamente A Holanda foi um digno vencido. Jogaram o que os nuestros hermanos deixaram, mas mesmo assim, tiveram também ocasiões para inaugurarem o marcador. Robben e Sneijder, isolados, não conseguiram marcar e num jogo destes, onde as oportunidades não se compram ao quilo, desperdiçar é pecado. Ainda por cima, esta é a terceira final de um Mundial que a Holanda perde. Começa a ser traumatizante Quanto à Espanha, são vários os jogos que ganhou por 1-0, incluindo o jogo com Portugal, mas mesmo assim, o suficiente para se sagrar campeã.

Afinal e em jeito de consolação, Portugal poderá afirmar que foi eliminado pelos futuros e agora actuais Campeões do Mundo.

O polvo Paul é um caso sério, acertou em todos os vencedores. Talvez o governo português possa considerar uma possível compra para acertar nas decisões politicas que têm sido um autêntico desastre (polvo pelas golden shares da PT, por exemplo). Fica aqui a sugestão. Se ninguém o quiser, então eu posso ficar com o Paul. Talvez ajude nos meus palpites do euromilhões, o que me iria fazer muito jeito e também aos meus amigos, pois nunca me esqueço deles.

Deixei o melhor para o fim. Parabéns à nossa querida África, pelo seu primeiro Mundial. Foi um evento muto bem organizado, com excelentes estádios, povo hospitaleiro e que gosta muito de futebol. As (malditas) vuvuzelas marcaram este mundial. Estava frio e choveu? Pois, mas o futebol é um desporto de inverno. Que eu saiba apenas alguns (poucos) jogadores alemães se constiparam, não o suficiente para ficarem de cama. Houve um ou outro furto? No outro dia roubaram os óculos de sol ao meu filho (o Dr. Richard Ribéro) quando viajava de comboio na cada vez mais famosa linha de Cascais. Pois, não interessa porque não é esta que iria fazer as primeiras páginas dos jornais nem iria abrir os noticiários da televisão, não é?

Tudo isto mostra que o mundo pode e deve contar com África. Foi um mês em cheio. Uma vez mais, PARABÉNS e … kanimambo África!

Postcript 1 do George

Na crónica dos quartos de final, para variar acertei em cheio ou dizer que tinha uma máxima que é

A equipa do melhor marcador fica em terceiro lugar

contece que o melhor marcador acabou por ser Mueller e é da Alemanha que ficou em … terceiro lugar.

Já pareço o polvo a acertar.

Postcript 2 do George

Devo confessar que me tenho divertido e aprendido muito, escrevendo sobre este mundial. Desde muito novo que me apaixonei por este desporto. Em Moçambique, joguei (um pouco) no Desportivo de Maputo e depois no histórico Nova Aliança cuja sede é no Xipamanine. Ainda hoje, com 54 anos, continuo a jogar futebol de cinco em Cascais, uma vez por semana, com um grupo de “rapazes” de meia idade … e também alguns bem mais novos, como o Richard. Ainda vou atacando um pouco, ainda faço uns passes decentes e chuto umas coisas mas, quando toca a defender, já vai sendo a passo, devagar, a recuperar o fôlego e sentir alguma dor muscular. Se fico danado? Claro que fico furioso. A cabeça ainda tem 20 e talanos mas o corpo…as pernas…os joelhos… Enfim, vou-me divertindo até não mais poder. Aí, vou para a baliza, mesmo de capacete!

08/07/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº38: FALTA A FINAL

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 3:49 am

por George Ribéro, editado por ABM (Quinta-feira, 8 de Julho de 2010)

Os jogos de ontem e de hoje, na óptica do George.

A sinagoga portuguesa de Amsterdão, por Emanuel de Witte

Holanda 3 – Uruguai 2

A Holanda está na final, e vai discutir o título na final. Mais uma oportunidade para a Holanda poder finalmente sagrar-se Campeã do Mundo.

Neste jogo, ganhou a melhor equipa. Esta Holanda tem excelentes executantes e pratica de facto um bom futebol. Foi com naturalidade que aos 17 minutios abriu o activo com um grande golo do capitão Bronckhorst, um remate ainda longe da grande área que apanhou os uruguaios desprevenidos. Afinal, a Holanda estava a trocar bem a bola e jogava pela certa. Quem iria esperar um remate com aquela força e àquela distância?

No entanto a Celeste nunca baixou os braços e o seu trunfo foi sempre a vontade, a garra e o querer dos seus jogadores. Faltou Lugano, o patrão da defesa, faltou Fucile, que todos conhecemos, e faltou sobretudo o Suarez, o melhor ponta de lança uruguaio que tanta falta fez ao avançado Forlan. Juntos são temíveis. Acabou por ser Forlan a empatar a partida com um remate do meio da rua, sendo claro que a bola fez uma curva no seu trajecto para a baliza, traindo o guarda redes holandês, que ainda tocou na bola, Jabulani de seu nome, a tal bola feita pela Adidas e que mostrou ser falsa para muitos guarda redes. Acho que nem mesmo dormindo com ela, como muitos guarda redes já o fizeram mas com outras bolas (para alguns, faz parte do treino) iria mudar o que quer que fosse.

A maior classe dos holandeses veio então ao de cima e, a meio da segunda parte, já venciam por 3-1, com golos de Sneijder e Robben, duas laranjas muito doces..

Os uruguaios ainda reduziram para 3-2 e acabaram o jogo a tentar o golo do empate e respectivo prolongamento. Venderam cara a derrota e foi a última selecção não europeia a ser eliminada. Afinal, um país com pouco mais de três milhões de habitantes vai ficar entre as quatro melhores selecções deste mundial africano. É obra. Mostra que sejamos pequeninos ou grandes, pobres ou ricos, com querer e vontade, podemos vencer na vida, e acima de tudo e talvez o mais importante, sentirmos orgulho e satisfação em nós próprios. Quem dá tudo o que tem a mais não é obrigado. O Uruguai deu tudo e não se pode apontar um dedo seja a que for, nem mesmo o mindinho. A sua participação neste Mundial foi excelente. Muito bem. Voltou a fazer história, depois de em 1930 e 1950 se ter sagrado Campeã do Mundo.

Não conheço bem este meu “colega” holandês, mas tenho que lhe tirar o chapéu, não só pelo futebol que a Holanda pratica, mas também por não entrar em grandes euforias após cada golo laranja. Aliás, após a vitória sobre o Brasil, pediu calma e contenção a todos os holandeses porque ainda não tinham ganho nada. Não disse que iam à final e iriam ganhar por 15-0, não foi fanfarrão, não se pôs em bicos de pés. Só os grandes homens pensam e agem assim. Murros no ar, correrias ao longo da linha lateral e aos saltos, e outro tipo de teatro faz parte do espectáculo mas eu aprecio muito o respeito que se pode ter para com o adversário. Gosto de ganhar porque me dá prazer e não para chatear os adversários. Afinal a nossa vitória tem muito mais valor quando o adversário é um digno vencido, não estão de acordo?

O espanhol, sem o gato

Espanha 1 – Alemanha 0

Está apurada a outra selecção que vai disputar a final com a Holanda. Chama-se Espanha, os nuestros hermanos. Não foi um grande jogo e a Alemanha desiludiu. Não jogou tão bem como contra a Argentina mas por dois motivos. Primeiro, porque a Argentina não defende bem; e segundo, porque a Espanha sabe atacar e sabe defender bem. Os alemães pareciam um pouco os nossos defuntos Adamastores, nunca arriscando muito e sempre à espera que um lance de bola parada pudesse resolver o assunto, e só acordaram quando já estavam a perder.

A sorte deles foi também que os espanholes não sabem jogar em contra ataque, senão o resultado poderia ter sido outro.

Neste jogo, o herói foi o defesa Puyol ao marcar um grande golo, de cabeça. David Villa esteve aquém das expectativas ou pelo menos não jogou ao nível daquilo a que nos habituou. Tem dias e não se pode estar sempre “lá” em cima.

A Alemanha pode-se queixar de uma grande penalidade que ficou por marcar mas não foi assim tão óbvia. Concordo que num mundial e num jogo tão decisivo, os árbitros tenham alguma dificuldade em apitar este tipo de lances e marcar penalty. Como se viu, um golo é a morte do artista mas também os alemães não protestaram muito ou quase nada.

Engraçada é a história do polvo (que está num aquário dum restaurante qualquer) que acerta sempre no vencedor do jogo em que a Alemanha joga. Nunca falhou e desta vez, o polvo previu uma vitória da Espanha. Até já teve direito a alguns segundos na televisão. Estou a pensar seriamente em comprar um familiar deste polvo, talvez possa acertar nos números do euromilhões.

O derradeiro e grande jogo deste mundial será entre a Holanda e a Espanha. Duas excelentes equipas que de certo irão proporcionar um belo espectáculo. Ambas as equipas têm excelentes jogadores nas suas fileiras e praticam um futebol de alto nível. Penso que o melhor está de facto, guardado para o fim.

Umas horas antes deste jogo, teremos o Grande Prémio de Inglaterra, em Silverstone. Gosto de velocidade e até já dei uns toques nos karts. Quanto a Fórmula 1, sou um grande piloto de … sofá.

Homo Madeiriensis

Pari um filho em Vez de Um Golo

Esta não é do George.

Antes que o nosso favorito João César das Neves dispare com mais uma invectiva contra o casamento dos geys e a cultura do orgasmo e essa treta toda, quero ver como é que ele encaixa esta relativamente nova forma de descendência familiar anunciada pelo milionário jogador português acima retratado que, ao que tudo indica, antes de se juntar aos Adamastores naquela cidadezinha chamada Magaliesburgo, arranjou uma barriga de aluguer por um preço de saldo e trouxe ao mundo um filho, enquanto se reputa que dá uma queca a uma beldade em cada esquina e em cada noite. Como no Portugal dos Pequeninos essas coisas são aberrações modernas e ainda um bocadinho complicadas de entender do ponto de vista ético-teológico, quanto mais de legislar (isto ainda não é a Califórnia, não é João? é só Portugal sob o Pê Ésse do JS) especialmente quando se vive com um pé fora e um pé dentro, e como se trata de uma personalidade famosa e com muito dinheiro, suspeito que as senhoras lá da segurança social portuguesa e da ASAE vão coçar a cabeça e muito maturamente pensar sobre o assunto e a abordagem a dar ao tópico, antes de marcharem porta dentro no compound Ronaldo no Algarve para tomar posse do bebé e assim provocar a mãe de todos os escarcéís.

É que esta nem na legislação do tal casamento, que não permite a adopção (credo cruzes) e que agora já beneficiou um assustador total de 18 casais (vade retro) está contemplada. Nem é uma adopção. Nem é perfilhar na posição horizontal entre os lençóis.

É qualquer coisa lá no meio.

05/07/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 37: GERMANIA ET HISPANIA VIXIT

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 6:18 pm

por George Ribéro, edição de ABM (Segunda-feira, 5 de Julho de 2010)

Os comentários do George ao resto dos jogos dos quartos de final do campeonato.

Alemanha 4 – Argentina 0

Mas que surpresa, não tanto pela vitória da Alemanha mas pelos resultado. Creio que nem os alemães mais patriotas acreditavam que seria possível, mesmo que o tenham dito.

A Argentina não começou o jogo bem. Estava nervosa, não conseguia trocar bem a bola e os seus jogadores mais influentes não funcionavam como de costume. A Alemanha estava muito melhor, acreditava mais e dei comigo a pensar na vitória da organização, do equilíbrio mental e do querer vencer, sobre a fantasia e improvisação. Afinal, Cristiano Ronaldo, Kaká,e Messi não chegaram. Portugal, Brasil e Argentina já fizeram as malas.

Aqui está a prova de que faltou, que falta o resto.

Tenho pena que a Argentina tenha saído deste mundial. Afinal todos nós gostamos do futebol espectáculo e quanto ao Maradona, penso que não é um grande treinador, um pensador, um estratega mas sim um grande Argentino que uniu aquele País e que serviu de inspiração e motivação para os jogadores argentinos. Gosto de Maradona, tem o coração na boca, é generoso e critica a FIFA mais as injustiças que ele (e muitos de nós) acham existir. A FIFA não gosta lá muito mas ele … ralado, se bem que dizer que Deus está do lado da Argentina é ir um bocado longe longe de mais estes dias. Vejo todos a rezar e a benzerem-se. Deus deve escolher qual? Quem reza mais ou quem joga mais? Deus, suspeito, tem mais que fazer. Afinal o futebol é mais um jogo (lindo) onde como em tudo na vida, há o justo e o injusto, o sublime e o infame.

Quanto á Alemanha, parecia uma equipa de altos e baixos. Perdeu com a Sérvia e fez boas exibições contra a Austrália e agora a Argentina. Será que o resultado do jogo com a Sérvia foi calculado para evitar uma selecção mais incómoda? Talvez não, isso só se deve fazer quando o apuramento está garantido. Não era o caso. Um jogador que se destaca: Thomas Muller. Simplesmente fenomenal, sem precisar de brincar com a bola, assinar o seu nome ou fazer vírgulas. Klose, Podolski e Ozil foram também bons executantes, sem dúvida. Agora pode ir à final. Se a Espanha deixar.

Um gato com um espanhol

Espanha 1 – Paraguai 0

Não houve surpresa, certo? Ganhou o mais forte, se bem que a Espanha não seja a mesma de 2008. Não foi um jogo lá muito bem conseguido por parte dos espanhóis, mas foi o suficiente para ganhar. O benfiquista e paraguaio Cardozo podia ter dificultado a vida aos espanhóis mas falhou o penalty. Podia de facto não ter sido vital para o resultado final mas podia ter sido um factor a considerar. Quem sabe?

David Villa voltou a ser decisivo. É já o melhor marcador deste Mundial. Tenho uma máxima nos mundiais: a selecção com o melhor marcador fica em terceiro lugar. Será assim? Veremos. Para já, a Holanda vai jogar com o Uruguai, que está um pouco cansado. A Espanha vai medir forças com a Alemanha. Pois…

Proto-prognóstico para a Final: Alemanha – Holanda, como em 1974? Na altura foi a Alemanha que ganhou. Estou só a divagar…. Estas equipas são diferentes. Até lá, vamos saborear as meias finais. Depois … vem a Grande Final!

Para ela, já tenho lugar marcado, no sítio do costume.

O meu sofá.

03/07/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº36: RUMO AOS QUARTOS DE FINAL

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 1:55 am

por George Ribéro, edição de ABM (Sexta-feira, 2 de Julho de 2010)

O comentário do George para os jogos de hoje.

Holanda 2 – Brasil 1

Na minha última crónica, escrevi que a Holanda iria seguir em frente. Acertei porque penso que esta laranja mecânica demonstrou ser uma excelente equipa e muito pragmática. Se por um lado o Brasil tem Robinho, Luís Fabiano e Kaká, a Holanda não fica atrás e tem também argumentos (jogadores) como Robben, Sneijder e Van Persie. A diferença está na concentração e num jogo mais mecanizado e prático por parte dos laranjas.

Foi um excelente jogo. O Brasil entrou a todo gás e aos nove minutos já vencia por 1-0, golo de Robinho, que antes tinha visto um golo bem anulado por fora de jogo. O Brasil embalou e a Holanda parecia não ter argumentos para contrariar o domínio brasileiro.

Puro engano, pois, aos poucos, a Holanda foi assentando o seu jogo e não foi só com a sua maturidade, inteligência e paciência que acabou por virar o resultado a seu favor. Foi também graças à classe, esforço, organização e querer, mas acima de tudo à estrutura mental muito forte dos seus jogadores e isso, meus amigos, treina-se e muito.

Senão vejamos: Não é fácil jogar-se contra o Brasil e aos nove minutos estar-se já a perder. É preciso um pouco mais que ter bons jogadores para reagir e ainda por cima acabar vitorioso. É obra.

Fez o empate, com alguma sorte, pois Júlio César saiu mal a um cruzamento e Filipe Melo fez de ponta de lança holandês e marcou de cabeça na própria baliza. Mas isto faz parte do futebol e assim voltou tudo à estaca zero.

A Holanda não ficou por aqui nem tentou defender o resultado, até porque esta equipa não o sabe fazer. Na segunda parte, a Holanda, através de Sneijder, marcou o segundo golo e, com a particularidade de ambos os golos laranja serem por “via aérea”, isto é, através de centros para a pequena área.

Os brasileiros acusaram o golo começando então a abordar os lances com mais virilidade, de facto tanta, que Filipe Melo, menino que gosta de ser mau e parece ter uma atitude negativa no futebol, foi expulso por ter pisado Robben quando este estava no chão. Muito bem expulso, mas prejudicou assim a sua equipa, que passou a jogar com menos um elemento, tornando assim a vida (jogo) mais difícil para o escrete.

A Holanda vai assim jogar com o Uruguai (ver abaixo). Aposto que vai ser um dos finalistas. No fim veremos.

O Brasil vai para casa e preparar essa grande festa que sem dúvida vai ser o Mundial 2014.

Nota do editor: durante este jogo, a conhecida personalidade dos media Paris Hilton foi presa no estádio por estar a fumar um charro. Estamos chocados, chocados

Uruguai 1 – Gana 1 (4-2 nas grandes penalidades)

Outro jogo excelente de seguir bem sentadinho no sofá maschambiano. Qualquer equipa podia ter vencido e, cá para nós, penso que o Gana foi mais equipa mas… lá está aquilo que eu escrevi.

Quando esta equipa tiver mais experiência, mais maturidade, tiver jogadores em equipas de topo, vai abordar o jogo com maior eficácia. Tem material e até tem um óptimo treinador. Falta no entanto aquele extra que poderá fazer desta equipa num caso sério do futebol mundial. Tem mais atitude e é mais competitiva que a Costa do Marfim ou os Camarões. Mas ainda falha nos momentos-chave, quando podia ter resolvido a questão sem recurso às grandes penalidades que são para mim pouco mais que uma lotaria. O Gana está definitivamente entre as melhores equipas deste mundial.

Quanto ao Uruguai, como já referi, desde criança que me fascina, pelo tamanho do país e por ter ganho dois Campeonatos do Mundo. Coisas de criança que depois transportamos para a vida adulta. Praticou também um bom futebol, Forlan e Suarez são excelentes jogadores assim como Maxi Pereira, Fucile, Cavani e Álvaro Pereira, que hoje ficou no banco.

O pior momento desta equipa foi na segunda parte do prolongamento, passando nitidamente a defender o resultado e a esperar pelas grandes penalidades. Já estavam esgotados mas o Gana, com o seu futebol forte e com resistência, tinha já encostado o Uruguai às cordas. O avançado Suarez acabou por ser o herói do seu país, não por marcar um golo mas por defender um golo certo com as mãos numa cena digna de ser vista. Irónico.

Quanto ao Gana, pena o Gyan, o seu melhor jogador, ter sobre os seus ombros a missão de marcar uma grande penalidade, no último segundo do prolongamento e ter acertado na trave. Teria feito história e África teria, pela primeira vez num mundial, uma selecção nas meias-finais. Merecia, sim senhor. Na marcação das grandes panalidades, marcou golo. O futebol tem destas coisas.

De qualquer maneira, esta é uma excelente equipa e é já uma equipa vencedora e agora ainda mais respeitada.

O Uruguai vai agora lutar com a Holanda para um lugar na final. Hum, parece que já vejo a Holanda na final mas como já vi um porco a andar de bicicleta, não sei não, agora já acredito em quase tudo! Mas penso que só um jogo menos conseguido tira a Holanda da final.

Uma nota para a arbitragem … portuguesa chefiada pelo Sr. Olegário Bemquerença. Com este nome, deve ter ficado conhecido na África do Sul pelo Olé. Cumpriu.

Nota: Acertei nos vencedores dos jogos efectuados hoje. Bolas, o Real Madrid não sabe o que perdeu quando da minha ida a Madrid. Há uma semana não quis assinar e agora — bem feito. Não venha depois o José M pedir conselhos que eu não os dou. Fico com a equipa do Maschamba que é uma grande equipa e tem fans com outro gabarito, embora o ABM comece a ameaçar-me. Durante os jogos, ele ia falando comigo por telemóvel e, para quem não sabia se a boca de futebol era redonda ou quadrada, vejo que aprendeu muito com este mundial e já sabe dizer quando uma equipa está a jogar bem ou mal, se é penalty ou se o árbitro errou. Eu e o José Mourinho que nos cuidemos! (nota do editor: tudo treta. Continuo sem perceber pevide deste jogo)

30/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 35: NO LADO ESCURO DA LUA

Filed under: Mundial de Futebol 2010, Politica Portuguesa — ABM @ 2:17 am

por George Ribéro, edição por ABM (29 de Junho de 2010)

Paraguai 0 – Japão 0 (5-3 nas grandes penalidades)

Um jogo que se previa emotivo mas sem grandes aspectos técnicos a salientar. Acabou por ser um jogo entre selecções medianas com uma toada morna em todo o encontro, talvez com um certo (pouco) ascendente do Japão na segunda parte. Às tantas já se sabia que a passagem aos quartos de final iria ser decidida nas grandes penalidades pois o prolongamento trouxe…nada de novo.

Aqui, foi mais feliz o Paraguai, que marcou todos os penalties, enquanto o japonês Komano falhou. É caso para dizer Kum Kamano! O benfiquista Óscar Cardozo, mais conhecido pelo Tacuara, marcou a última grande penalidade e assim o Paraguai segue em frente e qualifica-se pela primeira vez para os quartos de final de um Mundial. Já fez a sua história neste mundial e agora vai jogar com a Espanha. Presume-se uma vitória fácil para os espanholes.

Espanha 1 – Portugal 0

Acabei de ver o jogo.

Estou triste, chateado e não sei o que escrever. Vou escrever o que me vem à cabeça. Não é politicamente correcto mas é mais verdadeiro, os leitores mais políticos que me perdoem.

O resultado até nem foi humilhante. Afinal, jogámos contra o Campeão Europeu em título.

Fico a pensar é no tempo que passámos atrás da linha do meio campo, sempre à espera de um possível contra-ataque. Caramba, a Nova Zelândia, a Austrália, a Eslováquia e outras selecções, muito mais fracas que Portugal, atacaram mais, mexeram-se mais contra equipas superiores. Portugal, para variar, pôs-se a fazer contas e lá foi andando e andando, a ver como as coisas se iam passando. Um pouco da atitude do “logo se vê”, tipicamente português e já aqui referido. Ao invés, a Espanha assumiu o jogo, tentou ganhar – e ganhou – correu sempre mais e sabia como estender o seu futebol e criar perigo. Chama-se a isso querer, vontade e acima de tudo atitude competitiva. Aos sete minutos já tinham rematado à baliza de Eduardo por três vezes. Claro que fiquei preocupado. Portugal não é uma selecção qualquer. Depois, recuperámos um pouco e claro que também tivemos algumas oportunidades, era o que faltava.

Mas então que dizer dos espanhóis? Basta ver que Eduardo e Villa foram, quanto a mim, os melhores em campo. Um avançado espanhol e um guarda-redes português. Não quer dizer nada? Claro que quer e dá que pensar.

Grande exibição do Eduardo, a negar vários – sim, vários golos – à Espanha.

Não vou apontar o dedo à nossa selecção nem ao meu colega Carlos Queiroz, afinal sou um treinador de sofá e ele não. Mas aquela substituição do Hugo Almeida pelo Danny obviamente não deu os resultados que o treinador esperava, antes pelo contrário. Mostrou claramente a todos e especialmente aos jogadores lusos, que tínhamos que defender e jogar ainda mais em contra ataque. O tempo lá ia passando e para o fim da partida parecia que Portugal estava a jogar para segurar o … resultado. A poucos minutos do fim da partida, Ricardo Costa foi expulso (injustamente?) e então tudo ficou ainda mais difícil. A Espanha aproveitou para circular a bola enquanto que Portugal lá ia criando um ou outro lance, sem grande perigo.

Agora, a Espanha tem um jogo teoricamente mais fácil, com o Paraguai. Mas nas meias-finais quase de certeza que vai ter pela frente a Alemanha ou a Argentina. Para quem gosta de futebol e também para os que gostam de emoções fortes, no próximo fim de semana vamos ter dois bons jogos para os quartos de final, o Brasil – Holanda e o Alemanha – Argentina. Dos vencedores deste dois jogos mais a Espanha, sairá o … Campeão do Mundo 2010.

Neste momento, aposto numas meias-finais entre o Brasil – Uruguai e Argentina – Espanha. Claro que são apenas palpites. São jogos tão equilibrados que basta um lance de bola parada, um pequeno detalhe ou um erro para decidir o vencedor do jogo.

Enfim, jogos deliciosos vêm aí.

Quanto a Portugal, tudo bem, como diz o outro. Para o ano (daqui a dois anos disputa-se o Europeu) há mais. Venha o campeonato português o mais depressa possível, que esta vida está cada vez mais complicada e até calha bem aos nossos queridos governantes haver algo para nos ocupar antes e depois destas férias. Como vêm, começo a falar de política e acabo a falar de política, afinal o nosso verdadeiro grande … futebol nacional. E tem sido cada golpe de rins…

E agora, mesmo sendo verão, não há mais nada para falar mesmo, a não ser dos problemas. Que parecem ser mais que muitos.

Explosivo pode vir a ser para os eleitos da República.

29/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 34: A COMISSÃO DE APOIO À VITÓRIA PORTUGUESA NO JOGO CONTRA A HESPANHA

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:43 am

por ABM (Terça.feira, 29 de Junho de 2010)

O Maschamba teve conhecimento e divulga aqui a composição da Comissão de Apoio à Vitória Portuguesa no Jogo contra os Hespanholes Amanhã (CAVIPOJOHEAM). A CAVIPOJOHEAM já tem site, Twitter, blogue, Feicebook e aceita donativos.

A composição:

O Luis Vaz, que quando morreu pensava que íamos perder com a selecção espanhola por penalties

Os Henriques, os Avizes, os Ábesburgos e os Braganças, que jogaram várias vezes com as selecções espanholas, com bons resultados

O Armando, que está à direita, com uns amigos em Angola, num intervalo dum jogo com a selecção espanhola

O Vasco, patrocinador dos Adamastores e que deu uma boa goleada aos espanhóis em 1498

A Isabel Tudor, que deu uma valente coça à selecção espanhola num derby Inglaterra-Espanha

O Pedro Lopes, que parece um espanhol mas não é

A Hermínia, que usava brincos à espanhola mas diz que a moda afinal é de cá

O Aníbal, que quer exportar mais para Hespanha, neste caso uns golos

O Zé, que quer derrotar a Hespanha, dizendo quando tomou posse " a prioridade é Hespanha, Hespanha, Hespanha"

O Francisco Alberto, que pensava que Hespanha era uma província de Portugal

O Arnaldo, a quem a mulher Maria disse para entrar na Comissão

O Ronaldo, que nunca se esqueceu da sua visita a Portugal e aqueles cartazes do PC na rua, que tanto o inspiraram mais tarde

E a Gertrudes Tomás, que nunca gostou da tese do Franco lá na academia, de invadir Portugal

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 33 – BRASIL, MEU BRASIL BRASILEIRO

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 1:27 am

por George Ribéro e edição de ABM (Segunda-feira, 28 de Junho de 2010)

Os jogos de hoje, segunda-feira.

Brasil 3 – Chile 0

Sem grande surpresa, ganhou um dos grandes favoritos à final deste mundial. Voltou o Kaká e o Robinho e foi o que se viu. Aliás, penso que, tirando alguns dierhards do Chile, ninguém acreditava que esta equipa pudesse ganhar ao Brasil.

Os chilenos ainda deram alguma luta na primeira parte, com muita dinâmica e muita entrega ao jogo, mas a qualidade dos brasileiros veio logo ao de cima e, antes de acabar a primeira parte, já venciam por 2-0. O benfiquista Ramirez fez uma excelente exibição e só foi pena o cartão amarelo que o vai impedir de jogar contra a Holanda. Os centrais Juan e Lúcio estiveram muito seguros e foi até a cabeça de Juan que inaugurou o marcador. O Brasil foi superior em todos os aspectos, mas o Chile sai deste mundial com o dever cumprido, por ter chegado aos oitavos de final, isto é, a fazer parte de uma lista de dezasseis selecções apuradas.

Agora, e como se previa, vai haver um jogo emocionante entre o Brasil e a Holanda. Como a tropa toda do Brasil aqui em Portugal, vou “beber” este jogo do primeiro ao último minuto, se calhar até ao prolongamento ou às grandes penalidades. Agora é mesmo a doer e penso que vai haver surpresas, lá isso vai. Os brasileiros são irmãos, e por isso vamos torcer por eles.

Aliás, após este jogo, pareceu que Cascais City se vestiu de verde e amarelo e celebrou rijamente a vitória brasileira, com direito a comício num bar ao pé da estação dos comboios e tudo.

Holanda 2 – Eslováquia 1

Se a Holanda fosse uma laranja muito docinha, então com Arjen Robben, esta laranja transformava-se em néctar. Mais um grande jogador pronto para dar uma valiosa contribuição a esta selecção dos Países Baixos, ele que esteve afastado dos relvados durante algumas semanas em resultado de um lesão. Marcou o primeiro golo, tendo Sneijder feito o 2-0.

A Eslováquia, que tinha ganho ao actual Campeão do Mundo, a Itália, afastando-a desta competição, sentiu desta vez muitas dificuldades em atacar ou tentar surpreender a Holanda.

Já nos descontos, a Eslováquia conseguiu o tento de honra, através de Vittek, um dos melhores jogadores eslovacos e neste momento o melhor marcador do mundial, a par do argentino Higuain, cada um com quatro golos.

Uma palavra de apreço e de admiração para esta equipa eslovaca. É altura de salientar que, para chegar a este mundial, afastou “só” a República Checa, a Irlanda do Norte e a Polónia, três selecções muito boas. E ainda ganhou neste Mundial à Itália, como referi atrás. Segue em frente a Holanda, que, assim, vai defrontar o o Brasil. Tirando uma ou outra surpresa, começa agora o Mundial dos Candidatos, uns mais que outros, mas no fim de qualquer mundial, ganha sempre uma de cinco selecções do costume. Grande jogo em perspectiva este, entre o Brasil e a Holanda.

Contra os Espanholes, Marchar, Marchar

Tudo isto a menos de vinte e quatro horas para o jogo de todos nós lusos e alguns lusofónicos, o Portugal – Espanha. Nesta altura do campeonato, qualquer das duas equipas pode vencer. Portugal tem que entrar em campo sem receio porque sempre se deu “bem” com a Espanha que continua a ser forte mas … que já não é a mesma de 2008, quando ganhou o Europeu. O treinador espanhol Del Bosque é um excelente treinador e óptima pessoa, mas tem métodos diferentes do Aragonês, o seu antecessor. A dinâmica já não é a mesma, algo mudou. E isso pode proporcionar a margem.

A margenzita.

Portugal tem 831 anos de experiência profissional de dar a volta aos espanholes, pelo que se presume que essa perícia já esteja no DNA da maioria dos cidadãos, incluindo os Adamastores. E o truque normalmente nem sequer é ser forte, estar pronto, ou sequer ter sorte, receber a visita de um membro da Família lá de Cima, receber apoio dos Ingleses, apanhá-los distraídos ou eles apanharem uma pestezita enquanto à porta das masmorras dos nossos castelos ou ainda casar uma filha boazona dos nossos com um filho deles.

É um pouco disto tudo, em geral numa combinação fatal para eles.

Nunca falha.

Força PORTUGAL!

28/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 31 – ARGENTINA E ALEMANHA

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 3:54 am

por George Ribéro, edição de ABM (Domingo, 27 de Junho de 2010)

O comentário do George sobre os jogos de domingo do Mundial 2010:

Argentina 3 – México 1

A Argentina entrou a todo o gás no jogo, pressionando muito os jogadores mexicanos e querendo marcar cedo, mas sem resultados práticos. O México não se mostrou impressionado com os nomes nem com as camisolas azuis e brancas e foi ripostando e dando luta. Houve de facto pouco espaço, especialmente no meio campo tal o pressing de ambos os lados.

Parece que nestes oitavos de final, e para variar, os árbitros decidiram ser os grandes protagonistas dos encontros. Foi assim no golo não validado da Inglaterra contra a Alemanha, disputado esta tarde, e aconteceu também neste jogo, com a validação do que acabou sendo o primeiro golo da Argentina. Quando o guarda-redes mexicano saiu à bola, esta ressaltou para o Messi, que passou para o Tevez, que, em fora de jogo, cabeceou para o primeiro golo da Argentina. O árbitro validou o golo, o que foi prontamente protestado pelos mexicanos. Ele ainda consultou o fiscal de linha, mas não mudou a sua decisão e apontou para o centro do terreno.

Muito mal.

O segundo golo surgiu depois de um infortúnio de um defesa mexicano que pôs a bola ao alcance de Higuain e este não perdoou. Lá está, em alta competição, um erro é a morte do artista. Paga-se muito caro. No intervalo e a caminho dos balneários, houve um sururu entre os jogadores, o que se pode considerar normal entre equipas sul americanas. Com o frio de rachar que tem feito na África do Sul, até deu para aquecerem um pouco mais. Afinal ambos falam espanhol, por supuesto.

Na segunda parte, a Argentina praticamente entrou a marcar o terceiro golo e assim, o jogo ficou decidido. O México ainda marcou um bom golo, feito pelo ponta de lança Chicharito Hernandez, que para a próxima época vai representar o Manchester United e tem pinta de goleador. Bem trabalhado, pode dar que falar.

A Argentina, com mais ou menos esforço, ganhou bem e o México não teve argumentos e jogando mais em esforço. Passa a Argentina à fase seguinte, uma seríssima candidata à final, em Johannesburg.

Alemanha 4 – Inglaterra 1

Nesta partida aconteceu o lance mais polémico do Mundial até ao momento. Quando a Alemanha vencia por 2-1, a Inglaterra, por intermédio de Lampard, introduz a bola na baliza à guarda de Neuer, batendo primeiro na barra e depois talvez meio metro ou mais para lá da linha de golo. O árbitro, o Sr. Jorge Larrionda nem sequer pestanejou e continuou o jogo como se nada fosse. Sem dúvida que a história repete-se como foi o caso do jogo da final entre os mesmos protagonistas mas num palco diferente, o Mundial de 1966 na Inglaterra. Na altura, a Alemanha marcou um golo igual mas o árbitro não validou e o jogo prosseguiu.

Cá se fazem, cá se pagam, pensei agora. Ao contrário do que aconteceu em 1966, desta vez, a bola entrou claramente na baliza alemã. Quanto ao lance de 1966, ainda hoje existem opiniões diferentes, se bem que eu penso que em ambas ocasiões, foi golo.

Se o golo de Lampard tivesse sido validado, o resultado poderia ter sido outro, mas ninguém poderá garanti-lo.

O alemão Muller, marcou e deu a marcar, esteve nos quatro golos e fartou-se de batalhar no meio campo. Grande jogo deste meio campista alemão. A Alemanha foi mais fria, mais eficaz e também mais inteligente. Esta equipa sabe esperar para depois marcar golo. É uma equipa com muitos jovens mas que sabe competir.

A Inglaterra tem aquele futebol empolgante que dá gosto ver mas, quanto a mim, um pouco ingénuo, jogado mais com o coração e menos pensado, mesmo tendo um grande treinador como é o italiano Fábio Capelo. É um futebol mais corrido, mais físico, mas sem truques na manga e sem aquela ratice de outras grandes equipas. Talvez por isso não tenha sido feliz em Campeonatos do Mundo de futebol.

Os ingleses não conseguiram ser superiores aos alemães, que assim seguem em frente e, com a Argentina a vencer o México, penso que esse será um dos jogos mais interessantes deste Mundial.

Aceita-se prognósticos dos da Casa, mas agora, não no fim, como uma vez disse o João Pinto no FCP.

27/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 29: PORTUGAL, BRASIL E OS OUTROS

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:22 am

Sim, o Comentador Especial do Maschamba existe. O jogador, prontes, não sei quem é

por George Ribéro, regressado de Madrid, com edição de ABM (Sábado, 26 de Junho de 2010)

Neste momento já começou a dança final das cadeiras do Mundial. E acima o nosso Comentador em Madrid. É realmente fantástico o que se pode fazer hoje em dia com o Páuerpóinte.

Os jogos de sexta-feira, dia 25 de Junho de 2010

Costa do Marfim 3 – Coreia do Norte 0

Para se apurarem para os oitavos de final, os africanos precisavam de vencer por 9-0 e precisavam que Portugal fosse derrotado pelo Brasil. Missão quase impossível. Assim, a Costa do Marfim não atingiu os objectivos, mas também não se pode dizer que tenha estado mal. Penso que cumpriu e que esta selecção, uma potência a nível africano e uma excelente equipa a nível mundial, ainda irá dar muito que falar. Afinal tem jogadores de alto gabarito como o Yaya Touré, o Kalou, o Touré, o Gervinho, o Drogba e o Dindane, para não mencionar outros que mais cedo ou mais tarde irão estar em boas equipas europeias. Muitos bons jogadores, sem dúvida. Dá gosto ver esta selecção jogar. Dominou este jogo por completo e ainda enviou algumas bolas ao poste da baliza norte-coreana.

Quanto aos asiáticos, penso que foram uma desilusão. Apenas fizeram um bom resultado contra o Brasil, mas penso que foi mais com o consentimento dos sul americanos (será o Grande Lula amigo do Grande Líder?).

Apenas um jogador deu um pouquito nas vistas, o tal Jong Tae. Se pudesse sair daquele país, certamente que poderia fazer-se um bom jogador numa equipa média da Europa. Força e alguma velocidade tem ele mas … ainda falta o resto.

Suíça 0 – Honduras 0

A Suíça prometeu muito, contra a Espanha (vitória por 1-0) mas quem muito promete, pouco cumpre. Porque será que os ditados populares quase sempre se aplicam na vida?

Aqui, “bastava” aos helvéticos ganhar às Honduras e que a Espanha perdesse com o Chile. Ganhar o jogo era mais fácil, mas esperar que a Espanha perdesse com os chilenos já era pedir um pouco demais. Aliás, até foram as Honduras a criar mais oportunidades de golo. O guarda-redes suíço, que já jogou no Nacional da Madeira, fez uma boa exibição. Quanto às Honduras, como já tinha referenciado numa crónica anterior, no jogo com a Espanha, embora não sendo uma equipa de topo, impressionou. Óptimo espírito de equipa, lutadora e do tipo que, não tendo cão, caça com o gato (mais um ditado). Tenho que dizer que esta simpática equipa me surpreendeu pela positiva, certo que não marcou nenhum golo, mas também não levou cabazadas como os súbditos do Grande Líder e saiu deste campeonato de cabeça erguida. Parabéns as esta selecção. É fácil falar bem das grandes equipas quando ganham, mas neste caso gostei da atitude dos hondurenhos.

Espanha 2 – Chile 1

Ninguém, mas ninguém, quer apanhar o Brasil na próxima fase. Acontece que Portugal não é a Coreia do Norte (graças a Deus e também a mais alguns).

As Américas deixam cinco selecções na fase seguinte. Também referi numa crónica anterior que os ares de África têm sido bons para os países daquele continente e apenas as Honduras ficaram de fora. Os chilenos começaram bem, mas tiveram o azar de se porem a jeito dos contra-ataques espanhoelos e assim sofreram o primeiro golo, com culpas para o guarda-redes chileno, que não despachou a bola correctamente. Quem marcou, quem foi? David Villa, por supuesto. Este niño é mesmo craque e vai para o Barcelona. Mais tarde o árbitro expulsou um jogador chileno, permitindo que a Espanha descansasse un poquito e a seguir marcasse o segundo golo.

Logo no início da segunda parte, o Chile reduziu a desvantagem, mas, com dez em campo contra a Espanha, foi muito difícil fazer mais. Mesmo assim, o Chile passou aos oitavos de final.

Portugal 0 – Brasil 0

Deixei o melhor dos jogos do dia 25 para o fim.

Melhor porque Portugal passou à fase seguinte. Afinal, e mais uma vez, o Carlos Queiroz passou de Besta a Bestial. Já todos ouviram falar na regra dos oito ou oitenta, que é um pouco típica dos Portugueses. Batem no ceguinho quando não devem e vão à lua quando devem ter os pés bem assentes, neste caso em…África.

Voltando ao jogo, afinal, nem o Brasil foi aquele papão, nem Portugal foi aquele fado desgraçadinho fatalista.

O Brasil começou melhor. Portugal apenas mantinha o Cristiano Ronaldo na frente. O Brasil ia trocando a bola, mas exceptuando uma ou outra ocasião de golo, também nada de extraordinário fez. Notou-se que, sem Kaká e sem Robinho, o Brasil não é bem o mesmo.

Na segunda parte, Portugal jogou melhor e até podia ter marcado. Quanto a Portugal, penso que há um jogador muito influente na equipa e que com ele, Portugal joga melhor. Estou a falar do Tiago. Não é nenhum fora de série, nem dá nas vistas. Não faz fintas deslumbrantes nem joga para as bancadas, não faz anúncios para bancos nem tem muitas namoradas, mas é o tal trabalhador que ninguém nota mas empresta consistência, inspira confiança nos colegas da frente, dos lados e de trás. Joga e faz jogar. É melhor que não saia da equipa por causa do Deco.

Quanto ao Brasil, tem um jogador que não é mau mas tem mau feitio, o Felipe Melo. Dunga, inteligentemente, substituiu-o, pois já tinha um cartão amarelo. Pena o lance do Raúl Meireles frente ao guarda-redes Júlio César.

No fim, o resultado acaba por estar certo. Os brasileiros também tiveram as suas oportunidades e até mais tempo com a bola em seu poder, se bem, muitas vezes, no futebol, isso não queira dizer nada.

E assim agora Portugal vai jogar com a Espanha.

Atenção, que vai ser um jogo difícil. Mas Portugal até nem se dá mal com os nuestros hermanos. Estou a falar em termos de selecção, claro. Acredito que Portugal pode vencer a Espanha como já o fez anteriormente. Porque não agora? 2008 já lá vai.

Os jogos de sábado, dia 26 de Junho de 2010

Uruguai 2 – Coreia do Sul 1

Bom jogo de futebol. Os coreanos nunca se deram por vencidos e nunca baixaram os braços. Aos cinco minutos enviaram uma bola ao poste da baliza uruguaia e correram sempre à procura do golo. Por seu turno, a equipa celeste, como é conhecida a selecção Uruguaia, também praticou bom futebol e tem bons jogadores como Suarez, Forlan, Calvani, e os “portugueses” Álvaro Pereira, Fucile e Maxi Pereira. Suarez, que joga no Ajax de Amesterdão, bisou neste encontro sendo o segundo golo digno de registo, com um excelente remate em jeito (arco) que tornou inútil a tentativa e voo do guarda-redes sul-coreano. Assim, o Uruguai passou à fase seguinte.

Gana 2 – EUA 1

Jogo muito emotivo e equilibrado, com direito a prolongamento e, com a presença de uma importante personalidade mundial, o ex-Presidente dos EUA, Bill Clinton.

Foi mais feliz o Gana, uma selecção com jogadores jovens e com talento. O Ayew e especialmente Gyan são jogadores de bom nível e que podem desequilibrar um jogo. Impressionante a forma como Gyan arrancou para o segundo golo, levando a melhor sobre dois norte-americanos, tendo inclusive aguentado a carga de Boca Negra, resistindo à tentação do costume, isto é, de se mandar para o chão para uma falta perigosa e consequente amarelo para o adversário – e ainda teve força para chutar forte e fazer golo. Isto tudo, já durante o prolongamento. Todo este esforço não foi em vão. Deu no apuramento para os quartos de final.

Os EUA tentaram tudo para empatar a partida mas já com mais coração que cabeça, recorrendo ao chuveirinho do costume nestas ocasiões. Clark esteve infeliz na forma como perdeu a bola e facilitou o primeiro golo ganês e o mesmo já lhe tinha acontecido no golo da Inglaterra contra os EUA. Ainda por cima viu um cartão amarelo por entrada perigosa e saiu mais cedo. Há dias assim mas, numa competição a este nível, os erros são ouro sobre azul para os adversários e habitualmente pagam-se muito caros.

Esta selecção dos EUA evoluíu bastante e, com um pouco mais de maturidade e experiência (um treinador brasileiro ou europeu?) pode vir a ser uma selecção mais forte. Tem organização, disciplina e é muito pragmática.

O Gana é, actualmente, uma das melhores equipas de África, juntamente com a Costa do Marfim e o Egipto, mas é agora o único representante do continente africano neste Mundial … de África. Encontra a seguir o Uruguai, outra equipa que tem estado bem. São ambas equipas com muito coração e portanto antevê-se um jogo bem disputado.

Aparte Um

Uma curiosidade estatística: neste momento, Portugal passou a ser a única equipa neste Mundial que ainda não sofreu qualquer golo.

Aparte Dois

Desde pequeno, quando jogava futebol no passeio em frente à casa onde vivia na Rua da Argélia em Maputo (a ex- Rua dos Aviadores da ex Lourenço Marques) com os irmãos Chico, Nando e Mesquita B. de Melo (eu e o Nando ganhávamos quase sempre aos outros dois irmãos, mais velhos que nós…) que desenvolvi um carinho muito grande pela equipa de futebol do Uruguai. Porquê não sei, talvez porque nessa altura conheci e li sobre esta selecção no Mundial de 1966 na Inglaterra e logo a seguir em 1970 no México: Na altura soube que tinha já vencido dois Campeonatos Mundiais, em 1930 e em 1950. O segundo campeonato foi ganho numa final contra o Brasil, no Estádio do Maracanã, por 2-1. Não achei piada tanto por ter derrotado a equipa do Brasil, país pelo qual tenho todo o respeito e admiro também em futebol, mas porque o Uruguai é um país muito mais pequeno mas grande em futebol – assim tipo Portugal. Lembro-me de grandes jogadores como Fernando Morena, Ubinâs, Esparrago, Francescoli, (o Príncipe), e o guarda-redes Mazurkiewicz, que esteve presente em três mundiais. Claro que também foi conhecida como uma equipa dura, que por vezes praticava um futebol para lá da agressividade, mas fico contente por esta selecção poder, neste mundial, mostrar ao mundo que o uruguaio é um jogador com técnica e que este país pode apresentar uma boa selecção. Esta geração então, claramente é de qualidade.

Aparte Três

A minha sogra, 80 anos de idade, espectadora distraída, acha que foi injusto os “chineses” terem perdido este jogo porque jogaram mais jogos que as outras selecções e estão mais cansados. Confesso que fiquei admirado com o comentário mas acabei por compreender que, para a minha sogra, qualquer equipa oriunda de qualquer país situado a leste da Índia são… “chineses”, seja do Japão, das Coreias, do Vietname, etc. Sendo assim, de facto os Países que jogaram com os asiáticos foram nada mais que Portugal, Brasil, Costa do Marfim (Coreia do Norte), Dinamarca, Camarões e Holanda (Japão) e Argentina, Grécia, e agora o Uruguai (Coreia do Sul). Muitos jogos para os “chineses” dela.

25/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 28: O DIA ANTES DO BRASIL-PORTUGAL

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:24 am

Estádio Santiago Bernabéu. O George Ribéro é aquele que está de pé, atrás do carro preto estacionado, do lado esquerdo

por George Ribéro em Madrid, edição de ABM (Setxa-feira, 25 de Junho de 2010)

Os jogos de dia 24 do Mundial e o comentário do George sobre a sua visita ao Estádio Barbabéu em Madrid. Segundo os estudos, amanhã o PIB português vai cair 30 por cento.

Eslováquia 3 – Itália 2

Há episódios neste Mundial que parece que só podem continuar a ser para aqueles programas dos apanhados. Só que desta vez, a Itália não mereceu de facto ganhar. Esteve muito sonolenta e só acordou no fim do jogo, quando já era tarde demais. Claro que quando digo que é para os apanhados, falo da experiência da Itália como equipa, contra uma Eslováquia que não tem um historial nem de longe nem de perto igual ao da Itália. Agora, neste campeonato, de facto os transalpinos empataram com a Nova Zelândia e com o Paraguai pelo mesmo resultado, 1-1, e nunca convenceram ninguém, se bem que a Itália é sempre uma surpresa em mundiais, mesmo quando não começa bem.

Foi eliminada e volta para casa mais cedo.

Na equipa eslovaca, Vittek foi um autêntico perigo e Hamsik, o elemento mais talentoso. O extremo Stoch muito rápido, deu que fazer á defesa italiana.

A equipa italiana está cansada, gasta e a precisar de novo impulso.

Corre por estes lados aqui em Madrid a piada de que a Itália vai, na próxima fase, encontrar a França … mas no aeroporto, a caminho de casa, se o avião da França se atrasar. Piada que os franceses e italianos de certeza não vão achar graça nenhuma, claro.

Holanda 2 – Camarões 1

A Holanda começou o jogo na expectativa, sem pressas, pois bastava um ponto para se qualificar para a fase seguinte. Pouco a pouco foi crescendo e acabou por marcar primeiro.

Um penalty de Van der Vaart deu o empate aos Camarões, mas a entrada em campo do jogador Robben, que esteve lesionado durante algum tempo, mudou as coisas. Um remate seu à barra fez Huntelaar recarregar e marcar o segundo golo dos laranjas, que somam assim três vitórias em três jogos. Agora vai jogar com a Eslováquia, que acabou de eliminar a Itália.

Japão 3 – Dinamarca 1

Não me venham dizer que este resultado também não foi uma pequena surpresa! Claro que no campo, o Japão até mereceu ganhar, mas no historial destas duas equipas, a Dinamarca é muito mais forte e até já foi campeã europeia.

O japonês Honda, com ABS, jantes de liga leve, tecto de abrir, e outras coisas, abriu o activo. Marcariam depois o segundo golo, pondo assim a Dinamarca numa situação difícil, pois precisava de empatar para passar à fase seguinte. Acabou por marcar, mas com a sofreguidão de querer marcar mais um, acabou por sofrer o terceiro golo. Lá está a máxima do futebol: quem não marca acaba por sofrer golo.

Agora o Japão encontra o Paraguai mas em campo, não no aeroporto. A equipa da Dinamarca, essa, está agora a fazer as malas para um sitio que nesta altura do ano sempre deve estar mais quente que na África do Sul: a sua casa, na Europa.

Paraguai 0 – Nova Zelândia 0

Talvez dos piores jogos deste Mundial até ao momento. Ao Paraguai, bastava um empate e por isso não arriscou, como dizem os espanholes, la puenta del cuerno. Por sua parte, a Nova Zelândia também não arriscou porque não esteve para se chatear, embora a vitória pudesse dar apuramento. Vá lá uma pessoa compreender. Três jogos e três empates. Isto é, não perdeu mas também não ganhou. Nunca foi peixe e nunca foi carne, mas teve o relativo mérito de empatar com a Itália. O guarda-redes da Nova Zelândia acabou por fazer uma boa exibição, o que quer dizer que, a haver um vencedor, teria que ser o Paraguai, que assim apanha o País do Sol Nascente na próxima fase. Talvez um jogo mais emotivo.

Qualquer coisa é mais emotivo que o que se viu aqui.

Mira La Este Estadio

Resta-me dizer que hoje tive o raro prazer de visitar o estádio Santiago de Barnabéu, casa do Real Madrid. Gostei muito. É de facto um estádio imponente e com muita história. Ainda me cruzei com um alto dirigente que não foi o Presidente Florentino Perez ou o Jorge Vladano e que me reconheceu logo como o George Ribéro, o conhecido treinador de sofá e comentador do Maschamba. Pensei que me ia convidar para treinador daquele grande clube, mas ele disse-me que já tinham contratado um tal de José qualquer coisa. Eu ainda disse que poderia aceitar esse José como meu adjunto mas como se mostrou um pouco esquisito, eu pura e simplesmente virei as costas e continuei a visita ao estádio. Brevemente irei mostrar uma foto com o Cristiano Ronaldo, que veio expressamente da África do Sul para estar comigo, numa viagem relâmpago, na esperança que eu assinasse como treinador. Voltou hoje á noite para Joanesburgo para amanhã jogar contra o Brasil. Claro que lhe dei umas dicas…afinal sou português.

Quanto ao Real Madrid, não sabe o que perdeu. Prontes, paciência. Continuo assim na grande equipa do Maschamba.

24/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 27

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 3:40 am

(o jogo do olho)

por George Ribéro em Madrid, editado por ABM em Carqueja de Baixo (Quinta-feira, 24 de Junho de 2010)

Os Jogos de quarta-feira, na óptica do bancada comentator residente do Maschamba, o George.

Estamos a entrar nos finalmentes da primeira fase eliminatória do campeonato mundial. É aquela fase mágica em que se começam a distinguir os bois das vacas e também em que nós todos já nos começamos finalmente a habituar ao barulho de enxame de abelhas das Vovozelas.

Na imprensa portuguesa, a vitória portuguesa contra a Coreia do Norte desnorteou completamente os facas afiadas do burgo, que já vislumbravam servir o Carlos Queiroz aos cães da rua. De repente ficou tudo mais ou menos parado nas farpas, entre um sentimento apocalíptico de “e se afinal este tipo Queiroz afinal tem razão?” e, para os venenosos mais inveterados, que a vitória portuguesa só demonstrava que o desempenho dos Adamastores era “instável”. Se os Adamastores vencerem a Costa do Marfim, vão santificar o seleccionador, que, se for esperto, os manda ir dar uma volta e vai descansar para as Quirimbas.

Tudo isto faz-me lembrar um treinador de natação que eu tive, nos tempos pré-históricos em que eu nadava, e em que podia ganhar o que quisesse, que o comentário dele era invariavelmente que eu podia ter feito melhor e aproveitava para apontar dois ou três errozinhos de circunstância. Estoicamente, eu ouvia calado e acenava a cabeça. Não havia uma segunda opinião. Ainda sou daquela geração, acho que extinta, para quem a figura do treinador se situava algures entre o meu pai e um polícia (e lá em casa foi a mesma coisa, por uns tempos e ainda por cima o pai BM treinava). Esta modernice de os jogadores, os das bancadas e os jornalistas andarem o tempo todo em cima do que o treinador diz e faz (e não faz) é algo a que não me habituei. Corrijam-me se estou errado: o treinador desenvolve um trabalho ao longo de meses e anos, com objectivos definidos. O que é que, nesse contexto, ele tem para dizer que não seja à partida banal?

É um circo, este futebol. A que se junta o circo mediático. Uma conferência de imprensa todos os dias depois do treino? de um treino?? o que é que um tipo pode possivelmente dizer de relevante depois de um treino? “Ah, sim, a relva aqui em Magalisburgue é verde. Sim, corremos em cima dela. Não, não chamei estúpido ao Deco no balneário. A Coreia do Norte? tipos porreiros, ouvi dizer que aquilo é parecido com Portugal no tempo dos meus pais. Pois, o bacalhau ontem à noite estava excelente. O Ronaldinho repetiu. Não, não vi os Irmãos Metralha”.

Vão todos passear.

Os comentários dos jogos feito pelo George:

EUA 1 – Argélia 0

A selecção norte-americana apurou-se para a fase seguinte, graças a um golo marcado no último minuto da partida. O golo foi feito pelo influente e decisivo Donavan, Assim, os norte americanos ficaram em primeiro lugar do grupo C, à frente da Inglaterra, a segunda classificada. Caso o golo não tivesse acontecido, seria a Eslovénia a seguir em frente. Quanto à Argélia, ficou em último lugar do grupo e é mais uma selecção africana a ficar pelo caminho. Resta agora, apenas o Gana, e esperemos que a única, pois isso seria sinal que Portugal tinha deixado a Costa do Marfim para trás.

Inglaterra 1 – Eslovénia 0

A Inglaterra entrou no jogo a todo o gás, tentando resolver logo no início a partida e assim evitar um calafrio, já escaldada dos empates com os EUA e com a Argélia. Marcou DeFoe e depois não conseguiram traduzir as diversas oportunidades criadas, em golos.

Na segunda parte, a Inglaterra pressionou ainda mais os eslovenos pois, ao que parece, os ingleses queriam ganhar por não saberem fazer contas daquela maneira tão ao agrado dos Adamastores. Contas para quê quando o melhor é ganhar? Assim, os eslovenos passaram a ter mais problemas com o pressing da terra de Sua Majestade, mas no fim do dia o resultado acabou por não sofrer qualquer alteração. A Inglaterra continuou a jogar um futebol sofrível, mas desta vez a diferença esteve na actuação de alguns jogadores bifes. Os últimos vinte minutos foram menos espectaculares, a Eslovénia já se devia considerar apurada quando no último minuto se soube do golo dos EUA. Num segundo, passou de apurada para eliminada do Mundial. O céu caiu sobre as cabeças dos eslovenos. Parabéns à Eslovénia, que teve uma boa prestação neste campeonato.

Austrália 2 – Sérvia 1

A Austrália fez um excelente jogo e contribuiu para a eliminação da Sérvia. Penso que qualquer destas equipas poderia ter passado à fase seguinte, especialmente a Sérvia que, recorde-se, ganhou à Alemanha, primeira no seu grupo.

Depois de se aperceber que tinha de marcar e anular eficazmente o sérvio Jovanivic, o que fez, a Austrália passou então a usar o seu contra-ataque para criar perigo à defesa Sérvia. Marcou dois golos e começou a sonhar e a acreditar que a passagem à fase seguinte seria possível. Bastava marcar mais um golo e esperar que a Alemanha marcasse mais um ao Gana. A Sérvia, no entanto, acabou por acordar os Australianos para a realidade, ao reduzir a vantagem para 2-1 e assim, nem um nem outro foram apurados.

Alemanha 1 – Gana 0

A Alemanha conseguiu a passagem à fase seguinte graças a uma vitória sobre o Gana por um golo. Enquanto o nulo se mantinha, o Gana ia mostrando uma boa qualidade de jogo mas, curiosamente, quando se encontrou a perder, mostrou-se muito nervosa e trapalhona. Passou a pressionar ainda mais a Alemanha enquanto que a qualidade do seu jogo baixou. A Alemanha jogou um futebol mais calculista, sempre mentalizada que só a vitória interessava. O Gana pareceu uma equipa um pouco cansada e menos lúcida do que o costume. Embora tenha perdido, apurou-se graças à vitória da Austrália sobre a Sérvia – e sem dúvida mereceu o apuramento.

23/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 26 – LA FRANCE TOMBE ET LA FÊTE CONTINUE

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 2:07 am

La France était Moi

por Georde Ribéro e retoques de ABM (Terça-feira, 22 de Junho de 2010)

Apesar de muitas novidades, a grande notícia do dia foi o fim ignóbil da campanha francesa.

Estes defenderam o forte

Uruguai 1 – México 0

O Uruguai garantiu a passagem à fase seguinte, vencendo o México por 1-0. O Uruguai foi durante a maior parte do tempo a melhor equipa em campo, segurando o resultado para a parte final do encontro. Os três avançados Suarez, Forlan e Cavani foram três grandes problemas para a defesa Azteca. Como a África do Sul apenas ganhou à França por 2-1, o México garantiu assim a passagem para a fase seguinte, ao terminar esta fase de grupos em segundo lugar.

Esta francesa já foi rainha em Portugal

África do Sul 2 – França 1

Acabou-se o suplício e a vergonha para a França. Estava escrito no astral francês desde aquele dia em que o Henry dominou a bola com a mão no jogo de qualificação contra a Irlanda, na cara de todo o mundo. E ainda na cara do do árbitro e do Sr. Platini, que também viram e que fingiram que não viram. E o consequentemente mal e porcamente validado golo. Deus escreve direito por linhas tortas, lá está o velho ditado e até foi muito bom a França ter ido ao Mundial para ser enxovalhada e humilhada. Há naquela equipa muitas questões a ser resolvidas, algumas das quais com muitas horas de terapia.

A África do Sul ainda sonhou com a passagem à fase seguinte mas o que fez já não deu para mais.

O treinador francês, o Sr. Domenech, mostrou uma vez mais e para que não houvesse duvidas, que é mal educado e ligeiramente para o grosseiro. No fim do jogo, o seleccionador brasileiro Parreira esticou a mão para cumprimentar um colega de profissão e ficou com ela estendida. Mais tarde, o francês disse que Parreira tinha criticado a qualificação da França para o Mundial por o tal golo da Irlanda golo ter sido validado. Pergunto: sera que o Parreira disse alguma mentira? Enfim, este treinador não sabe ganhar nem sabe perder, e ainda sai zangado e sem falar a mais de metade da equipa.

O golo da França foi marcado pelo francês de … origem Africana (oui, mais um) Mallouda (mais oui un autre, mas não confundir com a pintora com nome parecido e que bebeu água do Incomáti – ou sera que é o Umbelúzi?) que joga no Chelsea. Mesmo assim o francês Gourcuff foi expulso, o que só veio piorar as percepção das coisas coisas para quem olha para o lado gaulês.

Enfim, dos resultados às exibições, passando pelos problemas internos e até ao cancelamento do patrocínio do gigantesco banco Crédit Agricole, tudo correu mal ao país que vai organizar o…Euro 2016.

Portugueses a fazer turismo em França

Argentina 2 – Grécia 0

Nada de anormal a reportar. Apenas demorou um bocadinho mais para a Argentina marcar e limpar o sebo aos gregos. Três jogos e três vitórias. Até parece fácil. A Grécia continua uma equipa sem chama, triste e com um futebol que, mesmo para chatear, pelos vistos só serviu para estragar o Euro 2004 a Portugal.

A Argentina até poupou alguns titulares habituais mas está de facto a jogar um bom futebol. Aos 35 anos, o Veron ainda está um Senhor Jogador, sem dúvida o melhor em campo. Esta selecção continua embalada e com ganas de chegar à final.

Estrutura da equipa de futebol da França. Domenech é o de cima, os jogadores estão em baixo.

Coreia do Sul – 2 Nigéria 2

Esta é a segunda vez que os asiáticos se qualificam para a segunda fase. A primeira foi durante a competição que teve lugar…na Coreia do Sul e no Japão em 2002 e no fim acabaram em quarto lugar. Um feito importante sem dúvida, a destoar dos seu irmãos do lado de lá da zona desmilitarizada (DMZ) e mais… pobrezitos (ah, mas quem tem o Grande e Querido Líder não precisa de bens materiais).

Aliás, em Lisboa consta que, durante a inédita transmissão ao vivo do jogo entre os norte-coreanos e os Adamastores, que o GQL (Grande e Querido Líder) a partir da segunda metade do jogo passou o tempo a ligar para RTP lá do sítio (a RTGQL) para mandarem aquilo abaixo, invocando problemas técnicos – bem, para além dos problemas técnicos no campo na Cidade do Cabo.

A Nigéria bem tentou a vitória, pois com a Grécia a perder com a Argentina, tudo era possível. No entanto os Coreanos souberam segurar o resultado, jogando mais lento e até perdendo algum tempo, o que deixou os Nigerianos frustrados. A Nigéria marcou primeiro e ainda podia ter feito o 2-0 mas a bola de Uche esbarrou o poste da baliza coreana. Os asiáticos forma reagindo e marcaram dois golos. Ainda assim a Nigéria acreditou e marcou um golo mas não foi suficiente para seguir em frente.

22/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº25: A CELEBRAÇÃO

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 12:35 am

por George Ribéro, perdido em madrid, e ABM (21 de Junho de 2010)

Antes de mais, a minha canção favorita do Frank Sinatra, I’ve Got You Under My Skin, a tal que eu e o Manuel Petrakakis cantávamos no restaurante dele na Costa do Sol. Aqui dedicada aos Adamastores e Cia, não excluindo o massagista e o cozinheiro, que não sei quem são.

Ok. Já está. Agora os comentários do enviado especial do Maschamba em Hespanha, George Ribéro, que “afenal” surgiu do nada algures em Madrid e enviou os seus comentários, apesar de ter lido os do rebento Richard atrás. Disse que achou que “o puto até não era mau”.

Portugal 7 – Coreia do Norte 0

Hoje começo por este jogo. Uma (merecida) alegria para todos os Portugueses adeptos do futebol. Aqueles que tinham vuvuzelas no estádio, por um pouco que não as derretiam. Afinal assoprar tanto num jogo com tantos golos é muito para um instrumento de plástico.

Antes de Portugal marcar o primeiro golo, a Coreia até assustou um pouco e parecia que não iam ser favas contadas. Mas depois do golo do Raul Meireles, tudo mudou. Portugal partiu para uma boa exibição e quando as oportunidades são transformadas em golos, tudo é mais simples. Cristiano Ronaldo finalmente marcou. Acabou-se o jejum e espero que a partir de agora comece a … partir a loiça. Afinal Deco não fez falta. Um meio campo composto por Raul Meireles, Tiago e Pedro Mendes pode considerar-se defensivo mas libertou os dois extremos (Simão e Ronaldo) e o ponta de lança, Hugo Almeida. Isto no papel porque no campo acabaram por ser dois médios menos ofensivos a marcar três dos sete golos com que Portugal derrotou a Coreia do Norte.

Ao que parece, este foi o primeiro jogo da Coreia do Norte num Mundial, a ser transmitido em directo para a televisão daquele País. O do Brasil contra a Coreia do Norte foi transmitido em diferido. Rico timing. Do que eu conheço do Querido Líder, as ogivas nucleares norte-coreanas agora também apontam para Castanheira do Ribatejo e arredores. Não parece que possam dizer que foi ficção. Agora sim, os jogadores portugueses voltam a entrar nos carris e as contas talvez sejam um pouco mais fáceis de se fazer.

Chile 1 – Suíça 0

O Chile mostrou sempre vontade de ganhar o jogo, moralizado com a possibilidade de ser logo apurado para a fase seguinte. A Suíça teve sérias dificuldades em criar perigo e ficou em pior situação quando um jogador seu foi expulso, reduzindo a Suíça a dez unidades. Se com onze jogadores estava difícil, com dez, ainda pior ficou. O guarda-redes suíço, Benaglio, fez uma boa exibição mas o resultado manteve-se, suficiente para o Chile sonhar ir o mais longe possível.

Espanha 2 – Honduras 0

A Espanha entrou a todo gás, convinha marcar muitos golos para ficar em primeiro do grupo. Assim talvez evite o Brasil e jogue contra Portugal. Acontece que nos jogos de Portugal com a Espanha, nós não nos temos saído nada mal, antes pelo contrário. Ás vezes estas contas são complicadas mas compreendo que o Brasil é muito perigoso. Nada é garantido no futebol e muito menos neste mundial.

David Villa foi uma dor de cabeça para os hondurenhos e Navas ajudou à festa do lado direito. A Espanha mandou o Tiki-Taka que encantou todos no último Europeu para as malvas e para que não se repetisse o resultado do jogo com a Suíça (derrota por 1-0), decidiu jogar de uma maneira mais realista. Torres é que esteve mal pois foram muitos os golos que falhou, alguns de uma maneira infantil. Como se não fosse suficiente, o Villa, solidário com o colega, falhou um penalty. Foi notória a diferença entre as equipas mas, uma palavra de apreço para esta equipa Hondurenha que lutou e tentou complicar a vida aos nuestros Hermanos. Ainda ensaiou alguns contra ataques mas tanto Piquet como Puyol estiveram sempre á altura. A vitória da Espanha nunca foi posta em causa, antes pelo contrário, perderam uma boa oportunidade de golear, como fez Portugal.

21/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL EXTRA: PORTUGAL 7 – COREIA DO NORTE O

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 9:23 pm

por Richard Ribéro e retoques de ABM (Segunda-feira, 21 de Junho de 2010)

O George Ribéro anda perdido em Madrid e não há maneira de o contactar. Eu vi o jogo com os súbditos de Kim Yung Il mas só vi a saraiavada de golos e não percebi nada, para além de que foi uma razia. Em desespero de causa, telefonei para casa dele, situada ali numa luxuosa colina em Cascais City donde se vêem a Serra de Cintra e a Baía de Cascais, e expressei à mulher dele o meu desespero: “Marguerite, estes gajos hoje perderam a cabeça e só meteram golos e agora que é preciso um comentário técnico do George, ele desaparece em Madrid”.

Felizmente a Mrs. Ribéro disse que o filho deles, o Richard Ribéro, tinha visto o jogo. Pedi-lhe logo para me passar o telefone. “Oi, Richard” disse, “então o que é que achaste do jogo?”. O Richard falou durante três minutos sem parar e eu não percebi nada. Quando ele se calou, eu disse “pois, é isso mesmo. Ouve, o teu pai não sei onde anda e há ali uma coisa chamada Maschamba onde temos andado a comentar os jogos. Importas-te de meter em papel o que acabaste de me dizer?”. O Richard, que tem 18 anos e vai ser Doutor em Gestão um dia no futuro, nunca escreveu em nada tão público, tão exclusivo e tão prestigiante como esta Casa, mas – prontos – o exmo. Leitor sabe como são estas coisas na vida: quando não se pode caçar com o cão, caça-se com o gato. O exmo Leitor decidirá se o jovem Richard tem a profundidade analítica do George. A mim pareceu-me que sim.

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/ZW8kwiFZm5RQqScdg4jc/mov/1

O seu texto:

Uma vitória histórica dos jogadores portugueses e simplesmente a maior goleada, até ao momento, neste Campeonato do Mundo. Ao vencer por 7-0 a selecção da Coreia do Norte, a equipa das quinas protagonizou a maior goleada aplicada nas participações portuguesas nas fases finais de qualquer campeonato do Mundo em que tenha participado.

Mas não importa falar do recorde batido, importa sim referir a atitude e a entrega com que os jogadores Portugueses entraram em campo e, ao contrário do que se sucedeu no jogo frente à Costa do Marfim, Portugal libertou-se, jogou sem um medo excessivo, conseguindo controlar não só a ansiedade que reinava no seio dos jogadores e adeptos, como também lidar de forma exemplar com os contra-ataques norte-coreanos. Neste aspecto, o posicionamento dos jogadores em campo foi bastante importante, uma vez que permitiu rápidas transições ofensivas e uma troca de bola como já não se via há muito tempo.

Portugal teve claramente uma maior percentagem da posse da bola, embora a Coreia do Norte tivesse causado algumas situações de perigo, nada que a nossa defesa e guarda-redes não conseguissem controlar. No entanto, o que mais se realçou no jogo foi a clara e refrescante tendência ofensiva portuguesa, com uma grande organização, um grande espírito de luta, uma entreajuda exemplar, capazes de causar inveja às melhores selecções mundiais, com jogadas muito bem planeadas e delineadas, onde predominaram as desmarcações pelos flancos, já que grande parte dos golos ocorreram de passes dos flancos para a zona central, onde naturalmente os laterais e os extremos apareceram a causar distúrbios à fraca e desorganizada defesa norte coreana.

Por fim, é indispensável realçar a grande exibição do médio Tiago, assim como a ligação existente entre todos os sectores, defesa, meio-campo e ataque, criando um estilo de jogo bastante organizado, bastante coeso e capaz de criar inúmeras oportunidades de golo, sete delas concluídas da melhor forma, e realçar ainda o regresso bastante esperado e angustiante aos golos por parte de Cristiano Ronaldo, que, prontes, lá marcou um golo.

Após o jogo, os entendidos da Fifa elegeram o Cristiano Ronaldo como o melhor jogador em campo, mas o Ronaldo deu o troféu ao Tiago porque considerou que ele é que foi o melhor em campo. E o Tiago disse que tinha mais significado ser entregue pelo Ronaldo, ou seja, pelo seu companheiro de equipa.

Os Adamastores e o Macua Branco hoje estão todos de parabéns.

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 24 – OS JOGOS DE DOMINGO

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 5:20 pm

por George Ribéro em Madrid, editado e uns pós de ABM (Segunda-feira, 21 de Junho de 2010)

Os jogos do dia 21 de Junho, domingo.

Paraguai 2 – Eslováquia 0

Este Paraguai começa a ser uma agradável surpresa. Não só ganhou o jogo por 2-0 como também fez uma excelente exibição. Tem bons avançados como o Valdez e o Santa Cruz e ainda tem no banco o benfiquista Óscar Cardoso. Não marcou mais porque o guarda redes adversário não deixou. O guarda-redes sul americano foi poico mais que um espectador em campo porque a Eslováquia pouco ou nada lhe deu que fazer. Ainda por cima é inverno na África do Sul e assim não dá para aquecer. O melhor jogador da Eslováquia, Hamsik, que joga no Nápoles, fez muito pouco para a categoria que tem. O Paraguai dominou o jogo por completo e já tem quatro pontos. O próximo jogo é com a Nova Zelândia e tudo leva a crer que vai seguir em frente na competição. Será da minha vista ou as equipas das Américas dão-se bem com os ares de África, pelo menos da parte mais a sul do continente Africano? Estou a pensar nos resultados até agora, do Uruguay, Argentina, Chile, Brasil, Paraguai, México e até em parte, dos EUA.

Itália 1 – Nova Zelândia 1

Este jogo deve ser para os apanhados. Que surpresa, e ainda por cima a Itália esteve a perder por 1-0. Os Kiwis não têm grandes jogadores mas fazem das tripas coração. Claro que a Itália reagiu e podia ter marcado em mais que uma ocasião, mas ficou-se pelo golo de penalty que o De Rossi forçou. Não é que quase no fim do jogo, a Nova Zelândia podia ter marcado novamente? Esta Itália está diferente daquilo a que nos habituou mas é sempre uma equipa que de um momento para o outro reage e vai longe. Chama-se a isto, experiência ou não tivessem já ganho o Mundial por quatro vezes. Não acredito que a Itália produza só isto. Vale mais.

Brasil 3 -Costa do Marfim 1

Bom para Portugal mas talvez menos bom o golo que os Africanos marcaram. Dois bons golos do Luís Fabiano que o FCP mandou embora há quatro anos. A Costa do Marfim deu luta, mas na segunda parte foi muito agressiva, demais até, com entradas muito duras, sem necessidade e forçando Elano a sair lesionado (até a mim doeu a entrada feita à canela do brasileiro). Outros brasileiros ficaram certamente com mazelas, tal a violência das entradas dos africanos. Kaká foi expulso e forçou o Brasil a ter mais cautelas em campo. Não conhecia esta faceta do Kaká, de picar os adversários, se bem que considerei o segundo amarelo um tanto forçado. O Kaká não era obrigado a desviar-se do marfinense que chocou com ele.

Portugal agradece mas pouco porque qualquer suplente do Brasil vai dar água pela barba a Portugal.

Atenção que para mim, este Brasil está mais … realista, mais frio e mais calculista. Já não é aquela equipa do diz que vai mas não vai, do diz que fica mas não fica. Joga o quanto baste e acelera quando deve ou tem oportunidade para tal. Perdeu um pouco na fantasia mas ganhou na eficácia. Todos lembramos o Brasil de Zico, Alemão e Sócrates, que maravilharam o mundo em 1982 e depois ficaram pelo caminho. Do lado Marfinense, pois, o autor do golo tinha que ser Drogba. O Brasil segue em frente como já se esperava.

Une Putain de Vie, celle

Esta noticia também faz parte deste Mundial. Afinal não há só o futebol jogado. Há outros assuntos fora do relvado como este.

O avançado Francês de ascendência … africana (para não variar nesta equipa francesa), foi expulso da equipa e portanto, do campeonato da África do Sul. No intervalo do jogo com o México, que a França perdeu por 2-0, o treinador Domenech (sim, o tal do ódio de estimação dos portugueses), pediu ao Anelka mais movimentação e mais entrega e tentou melhorar também um aspecto táctico, ao que o jogador respondeu, dizendo qualquer coisa como: allez apanher dans le cul, mon grand fils dune grandessissime putain.

Bem, pelo menos foi assim que a noticia foi dada.

Como a seguir não pediu desculpa (que até seriam aceites pois se calhar já chamaram muito mais e pior ao Domenech e este já está habituado e diz sempre: mais…oui) foi corrido.

Do alto dos seus sapatinhos com taco de salto alto para superar a sua stature minimaliste, sua Exa, o Monsieur Le Président de la République Française, Sarkozy, apoiou logo a decisão do treinador, pois este também não pode suportar falta de respeito … de homem para homem.

O defesa francês Evra (advinhe-se a ascendência … mais naturelment, de l’Afrique, como advinharam?) e que joga no Manchester United, acha que esta história não devia ter saído do balneário e portanto há um bufo (em francês un grand bouffe de merde) entre os jogadores. Está bonita esta França!

Referi ainda que o Domenech também anda à procura de uma casa no sul de France para um merecido repouso?

20/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº21: OS JOGOS DE SÁBADO

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:03 am

por George Ribéro, editado por ABM (Domingo, 20 de Junho de 2010)

Os comentários dos jogos de sábado do Campeonato Mundial.

Holanda 1 – Japão 0

Estava a ver o jogo e à espera do apito do intervalo para começar a juntar algumas notas para este comentário quando a Holanda inesperadamente marcou um golo, um tiro de Snejider à entrada da grande-área. O guarda-redes Japonês, qual caça Zero, voou para a bola cedo de mais. Ainda tocou na bola, mas já estava muito para a direita da linha da sua trajectória. Mas que grande tiro. Pensei logo nos Adamastores e o que um Tuga faria numa situação dessas. Eu penso que sei, dominavam a bola, volta para trás, certificava-se que não havia nenhum Japonês num raio de … 20 metros, pensava, pensava e depois dava a bola para o colega do lado se desenrascar. Este mandava a bola para o Cristiano Ronaldo e Prontes, o jogo continuava.

Os Japoneses parece que ficaram mesmo, mesmo chateados com o golo, (eu também ficava) mas pareceram reagir bem. Acho que não estão com medo de levar mais um golo. É outra mentalidade. De certeza que não estagiaram na Covilhã nem tinham matraquilhos no hotel.

Do lado oposto, a laranja continua a ser mecânica. Viu-se o Kuyt, que é avançado, a dobrar o defesa direito holandês, que tinha ido para outras paragens no campo. O tal futebol moderno descoberto nos anos 70. Parece fácil mas garanto que não é. É preciso muito rigor, muita disciplina, treino e cumprir à risca com aquilo que está programado. Tem que existir confiança no colega. Meramente desenrascar não chega.

Na segunda parte assistiu-se ao incrível. Saiu o Van Der Vaart, que é um médio e entrou o Elia que é um… avançado. Qualquer equipa que estivesse a ganhar nesta fase do jogo faria exactamente o contrário. Mas neste caso a Holanda parece querer defender o resultado, atacando. Outra vez uma questão de mentalidades. O Japão joga bem e os médios fazem muita pressão sobre os jogadores holandeses, que têm tido mais tempo a bola em seu poder. Este holandês Afellay, enche as medidas. Bom jogador, já falhou uns golos mas é médio e tem pinta.

No cômputo geral,um bom jogo, Nenhuma equipa foi defensiva e quando assim é, dá gosto ver. A Holanda está na fase seguinte, com todo o mérito.

Aliás creio que já todos o esperavam, mesmo os mais pessimistas.

Austrália 1 – Gana 1

A Austrália começou muito bem e foi quem marcou primeiro. A meio da primeira parte, um jogador da Austrália, de nome Kewell, pôs o braço à frente da bola e lá está, foi penalty. O australiano foi expulso e o ganês Gyan, um excelente jogador, fez o empate. A Austrália começou então a jogar um jogo mais lento, com muitos passes curtos (pudera, estava jogar com menos um jogador) e a ter a bola mais tempo em seu poder.

O guarda redes da Austrália, o Sr. Schwarzer, fez uma excelente exibição, teve defesas muito boas e assim manteve o empate. Curiosamente, mesmo com dez unidades em campo e vendo que o Gana não acelarava assim tanto quanto se esperava, a Austrália começou a arriscar mais e até ameaçou com mais um golo. Assim, os últimos quinze minutos da partida foram um pouco mais movimentados.

No fim, o empate resultou melhor para o Gana, que ficou à frente do seu grupo, com quatro pontos. A Austrália complicou a permanência na África do Sul pois está em último, com um ponto apenas.

Dinamarca 2 – Camarões 1

Outro jogo emotivo deste Mundial. Os Camarões começaram bem o jogo e marcaram primeiro, pelo pé de Etoo. Depois foram criando inúmeras oportunidades de golo mas sem as concretizar. Dominar e criar oportunidades é meio caminho andado para a vitória, mas de nada serve se não resultar na concretização de golos. Foi isso que aconteceu. Os Dinamarqueses também jogaram bem, mas no fim do dia foram mais eficazes, mais pragmáticos. Afinal, são nórdicos e já foram campeões da Europa. Ao contrário dos Camarões (e também de Portugal), não precisam de quarenta oportunidades para marcarem um golo.

Assim, aos poucos a Dinamarca foi equilibrando a balança e acabaram por marcar dois golos, o que põe esta selecção a sonhar com a fase seguinte. No entanto, terão que rever aquela defesa que não está lá grande coisa. Já se tinha visto isso no jogo anterior, com a Holanda, quando perderam por 2-0. O Dinamarca vs Japão promete. Só uma destas selecções seguirá em frente.

Quanto aos Camarões, notou-se que o lado esquerdo da defesa deu muitos espaços ao ataque Dinamarquês e foi precisamente por aí que sofreram o segundo golo. Ekotto ataca bem, mas esqueceu-se de defender o flanco e criou espaços para o ataque adversário agradecer e entrar.

Digamos que não foi um jogo jogado a meio campo. Não perderam muito tempo com passes e mais passes. As duas equipas preocuparam-se em atacar e a bola tão depressa estava numa grande área como logo a seguir estava na outra. Ganhou a mais eficaz.

Os africanos já podem fazer as malas e gozarem umas semanas de férias mas não sem primeiro jogarem o último jogo contra a Holanda (já qualificada) e poderem assim tentarem salvar a honra.

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 20 : I MALÈ MUNI ?*

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 2:45 am

por ABM, sem George Ribéro (Domingo, 20 de Junho de 2010)

Agora que estamos bem dentro das festividades do Mundial Africano, e dado que o George Ribéro já foi para a cama dormir (os comentários dos jogos de hoje seguem dentro de momentos), isso significa que regresso ao desgraçado statu quo ante em termos da minha ignorância quanto aos detalhes do campeonato.

Assim, aproveito para falar de assunto relacionado e que se calhar interessará a alguns frequentadores desta casa.

Nomeadamente, quanto é que, afinal, ganham os treinadores das 32 equipas que disputam o campeonato mundial.

Para minha surpresa, alguém tabulou a lista há uns meses atrás, e que eu reproduzo abaixo.

O que considero interessante é comparar o efeito custo salarial-resultados (agora muito na moda na imprensa portuguesa para os chefes das empresas públicas e afins).

Ou seja, o exmo Leitor deve ler a lista que se segue, mantendo em mente o que é que as equipas que treinam têm apresentado em termos do seu desempenho e número de golos. Verá que as ilacções são várias e dão que pensar.

Vamos lá, então.

Treinador País Valor Anual
1 Fabio Capello ING 8.800.000 €
2 Marcelo Lippi ITA 3.000.000 €
3 Joachim Low GER 2.500.000 €
4 Berter Van Marwijk NED 1.800.000 €
5 Ottmar Hitzfeld SUI 1.750.000 €
6 Vicente Del Bosque ESP 1.500.000 €
7 Carlos Queiroz POR 1.350.000 €
8 Pim Verbeek AUS 1.200.000 €
9 Carlos Parreira RSA 1.200.000 €
10 Javier Aguirre MEX 1.200.000 €
11 Carlos Dunga BRA 800.000 €
12 Diego Maradona ARG 800.000 €
13 Takeshi Okada JPN 800.000 €
14 Ricki Herbert NZL 800.000 €
15 Otto Rehhagel GRE 750.000 €
16 Paul Le Guen CMR 650.000 €
17 Marcelo Bielsa CHI 575.000 €
18 Raymond Domenech FRA 560.000 €
19 Vahdi Halilhodzic CIV 505.000 €
20 Hun Jung Moo KOR 405.000 €
21 Morten Olsen DEN 390.000 €
22 Milovan Rajevac GHA 365.000 €
23 Radomir Antic SRB 305.000 €
24 Bob Bradley USA 275.000 €
25 Majtaz Kek SLO 245.000 €
26 Gerardo Martino PAR 245.000 €
27 Rabah Saadane ALG 245.000 €
28 Reinaldo Rueda HON 240.000 €
29 Vladimir Weiss SVK 215.000 €
30 Oscar Tabarez URU 205.000 €
31 Kim Jong Hun PRK 170.000 €
32 Shaibu Amodu NGR 125.000 €

Nota: Estes valores dizem apenas respeito ao salário anual bruto de cada treinador. Não estão incluídas outras regalias, como prémios de jogo, prémios por objectivos, ou contratos de publicidade. Por exemplo o treinador da França Raymond Domenech, recebe um bónus de 30 mil Euros por vitória e de 15 mil Euros por empate, tendo recebido um prémio de 1,1 milhões de Euros pela qualificação da selecção Francesa para o Mundial.

Para além de alguns, confesso que o salário que me mistificou mais foi o de Kim Jong Hun, o treinador da Coreia do Norte (nº31 da lista). É que suspeito que o euro esteja para a moeda lá da terra do Grande e Querido Líder como os anos dos cães estão para os anos dos humanos. Nesta base, o Kim deve ter maior poder de compra que o Capello com os seus 9 milhões de euros em Londres, que lhe permitem comprar um T-2 ao pé daquele presidente do Benfica que foi viver para o Reino Unido há uns anos atrás.

——-
* – “quanto custa” em changana, afinado a partir do fabuloso Changana para Amigos, do irmão Tiago.

19/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 18

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:59 pm

por George Ribéro, editado por ABM (19 de Junho de 2010)

Segue a análise dos jogos de sexta-feira, dia 18 de Junho de 2010.

Sérvia 1 – Alemanha 0

Este foi um bom jogo, só que, logo na primeira parte, o alemão Klose levou dois cartões amarelos e consequente vermelho. Expulso! Fez uma entrada por trás ao sérvio Stankovic e isso não se faz. Os sérvios aprenderam umas coisas com os gregos e também se aproveitaram da superioridade numérica. Num escasso minuto após a expulsão, marcaram à Alemanha, ainda mal refeita da saída do seu avançado. Chama-se a isto aproveitar as oportunidades e de que maneira! A Alemanha enviou logo a seguir uma bola á barra e depois um sérvio safou uma bola sobre o risco de golo.

Na segunda parte, o sérvio e defesa central Vidic, que joga no Manchester United, com tanta experiência e habituado a grandes palcos, fez um penalty. Põs a mãozinha na bola, numa jogada que até era escusado arriscar. Só que o guarda-redes Stojkovic, jogador que ainda é suposto estar contratado pelo … Sporting aqui de Portugal, e que foi emprestado aos nuestros hermanos do Getafe e depois ao Wigan da Inglaterra, devido a uns problemas quaisquer com o então treinador Paulo Bento, defendeu o penalty! Feitios! Hum, se calhar seria boa ideia o Sporting trazer este senhor de volta para casa.

A Alemanha até teve boas oportunidades de marcar, mas a Sérvia acabou por enviar uma bola ao poste da baliza alemã. A Sérvia olhou com olhos nos olhos, os alemães.

No fim, a Sérvia ganhou (!). Antes do jogo, poucos acreditariam que este resultado fosse possível. A Sérvia até jogou muito bem e não pôs nenhum autocarro na grande área para defender o resultado como fazem tantas equipas.

Olhando para a contabilidade geral, neste momento temos Gana, Alemanha e Sérvia com três pontos. Só duas equipas passam à fase seguinte. Apostas? A Sérvia joga com a Austrália e pode passar mas como em futebol a lógica de nada serve, ficamos expectantes.

A Alemanha vai jogar com o Gana. Esse vai ser um jogo interessante.

Eslovénia 2 – E.U.A. 2

Afinal um jogo que toda a gente pensava que ia ser um desses em que podíamos passar pelas brasas e olhar de vez em quando para a plasma TV, acabou por ser um dos melhores deste Mundial até à data.

Para além de ter sido um jogo emotivo, também nos brindou com nada menos do que quatro golos, uma bonança se se tiver em conta o que se tem visto. A Eslovénia até começou muito bem, a ganhar por 2-0, mas os EUA nunca se deram (e regra geral nunca se dão) por vencidos e, sob a batuta de Donovan, que é um excelente jogador, conseguiu chegar ao empate e isto apesar de ter visto um golo injustamente anulado pelo árbitro Koulibaly, que é um árbitro do Mali. Esse golo foi limpinho e o futebol tem destas coisas. Os Portugueses que o digam.

Mas do mali o menos e assim nem a Eslovénia carimbou o passaporte para a fase seguinte (ainda) nem os EUA se viram afastados automaticamente.

Fica um excelente e emotivo jogo de futebol entre duas equipas que não são candidatas, nem de longe nem de perto, mas que gostam de jogar futebol. O público agradece. Afinal, nem sempre um jogo desta qualidade é exclusivo dos bons jogadores, não é Mr. Cristiano Ronaldo? Prontes.

Neste grupo, falta jogar os EUA com a Argélia e a Inglaterra com a Eslovénia. A lógica diz que a Inglaterra e os EUA devem passar à fase seguinte mas este assunto não é trigo limpo. Este Mundial tem trazido muitas surpresas. Assim, como dizia o legendário João Pinto, do FCP, prognósticos, prognósticos… só mais lá para o fim.

Inglaterra 0 Argélia 0

Ora eis mais uma surpresa. Jogadores que ganham balúrdios não conseguiram marcar um golito à equipa da Argélia. Claro que muitos argelinos jogam na Europa mas em equipas de digamos que menos elevado gabarito como o Nacional da Madeira, com todo o devido respeito por esta equipa madeirense, e outras pela Europa fora. O que não são de certeza é jogadores ao nível dos ingleses.

Antes de comentar o jogo, gostava de referir que fiquei desapontado com a decisão de ambos os treinadores, de mudarem os guarda redes por terem “frangado” nos jogos anteriores (no caso da Inglaterra, “peruado”). Sei que hoje em dia, frequentemente na competição professional, os resultados não se compadecem lá muito com a parte humana. Mas este castigo é terrível para um ser humano e um profissional. Afinal o guarda-redes, (um só jogador) é responsável por uma derrota de uma equipa que é composta por 23 jogadores, treinador e adjuntos ? Enfim…

Adiante.

Quanto ao jogo, de facto quase todos nós adoramos ver o campeonato da Inglaterra, mesmo com muitos estrangeiros a jogarem naquele país, mas tipicamente são jogos a 200 à hora. Mas depois chegam aqui e fazem um jogo que não lembra a ninguém. Bastou o meio campo da Argélia controlar o Gerrard e o Lampard e a Inglaterra ficou completamente manietada. Se a Argélia tivesse a sorte de ter um avançado melhor, então – poor Albion.

O treinador italiano da Inglaterra, Fábio Capello, ainda pôs em campo o Peter Crouch com os seus dois metros de altura (que já jogou no Liverpool e joga agora no Tottenham) para ver se marcava algum golo de cabeça, através de um livre, um canto ou por simples cruzamento. De nada valeu. A Ingaterra sempre jogou o futebol puro, sem truques na manga e sem perder tempo, mesmo quando está a ganhar. Teria que ser mais cínica, mais fiteira, jogar para um jogador adversário ser expulso, etc… como tão bem faz por exemplo a Itália. Mas por uma questão de mentalidades, a Itália fá-lo instintivamente mas aos ingleses nem lhes ocorre, mesmo com o Signore Capello em cima deles.

A Inglaterra até fez uma excelente qualificação para o Mundial. Só que agora joga abaixo das suas possibilidades. Nas duas partidas que jogou não mostrou metade daquilo que pode valer. Se a Inglaterra continuar a jogar assim contra a Eslovénia, vai ter que fazer as malas de volta para o Reino de Sua Majestade. É pena, mas estou convencido que ainda conseguirá dar a volta por cima, ganhar à Eslovénia e passar à fase seguinte. Depois disso, tudo pode acontecer.

Jogadores, treinador, organização e mentalidade ganhadora, lá isso têm os ingleses.

Veremos.

18/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº17

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:04 am

por George Ribéro, com leve edição de ABM (18 de Junho de 2010)

A coisa está a aquecer e Portugal ainda nem sequer jogou pela segunda vez. Grandes surpresas neste últimos dois dias. Os comentários dos jogos, desta vez maioritariamente do nosso George, no seu esplendor.

JOGOS DE QUARTA-FEIRA

Suíça 1 – Espanha 0

Começo por aqui porque penso que nem mesmo o suíço mais patriota alguma vez sonhasse que a sua equipa de futebol poderia ganhar ao campeão europeu. A Espanha, como todos os portugueses sabem, é um país latino, e como um latino que se preze, cai sempre na tentação da vaidade, do “esta iá está en el papito” . E neste caso com uma confiança como a destes, que vai de Barcelona, Terragona e tudo acabado em ona até Badajona.

Vai daí e entraram em campo a pensar que mais cedo ou … mais cedo, marcavam aos suíços, que são frios, calculistas, usam canivetes deles, e que são mais eficazes – mas com jogadores de menor qualidade.

Bem, aconteceu que um tal Gerson Fernandes, de Cabo Verde, primo do jogador Português Manuel Fernandes e agora um orgulhoso cidadão suíço (mas todos sabemos de onde vem o pedigreee, não é?) vai daí e pimba, marcou uma aos nuestros hermanos. Prontes, como diria o Ronaldo, lixaram tudo e agora os espanhóis, feridos no seu orgulho latino e muy macho, querem vingar-se na pobre das Honduras e no Chile. Ah, e os suíços ainda enviaram uma bole ao poste que por pouco dava um 2-0!

Dizem os lá da Ocidental Praia Lusitana que, de Espanha, nem bons ventos nem bons casamentos. Ontem por acaso nem estava muito vento para os lados de Cascais City. Mas em Espanha, depois deste jogo, nem uma aragem. Nem o piriquito tinha direito a cantar ou ir para o baloiço. Agora se pode dizer verdadeiramente que começou a recessão ibérica.

Sim, sim, mas eles ainda têm a Charlize

Uruguai 3 – África do Sul 0

Da participação sul-africana neste campeonato não vai certamente resultar um filme igual ao Invictus, que relata o que aconteceu no mundial de râguebi em 95.

O Sr. Forlan andou pelo Manchester United e agora joga no Atlético de Madrid. Um excelente avançado, rápido, diferente daqueles pontas de lança que jogam de costas viradas para a baliza adversária. Este senhor corre, chuta, joga, incentiva e ainda marcou dois golos que pôs os sul africanos (e as vovozelas) a saírem do estádio muito tempo antes de este terminar.

O Uruguai já foi Campeão do Mundo por duas vezes, em 1930 e em 1950. Entretanto o futebol mudou e nunca mais o Uruguai fez grande figura em Mundiais a não ser um quarto lugar. Penso que esta equipa é talvez a melhor e mais bem estruturada das ultimas décadas.

O último triunfo do Uruguai em Mundiais foi em … 1990. Há 20 anos.

Mas não foi só o Forlan. Há também outros bons jogadores, como o benfiquista Maxi Pereira, os portistas Álvaro Pereira e Fucile (Rodriguez do Porto não foi convocado por ter estado lesionado durante muito tempo), Luiz Suarez do Ajax de Amesterdão, Cavani e Lugano.

Interessante esta equipa que, ao contrário das anteriores equipas, não é tão dura e até por vezes violenta. Assim, só ganha o futebol e … o Uruguai. Será que vamos ter um Mundial com a equipa da casa afastada prematuramente?

Bom vinho, esse dos chilenos

Chile 1 – Honduras 0

Tudo normal, ganhou a melhor equipa e pouco mais há a dizer. Excelente exibição do Matias Fernandes que para variar, no Sporting Club de Portugal fica quase sempre no banco durante os jogos. Jpt, como é isso?

JOGOS DE QUINTA – FEIRA


Para variar, os gregos ganharam

Grécia 2 – Nigéria 1

Pois, afinal o Rehhagel, o tal treinador alemão dos Gregos, aprendeu depressa e mudou o esquema táctico, jogando com mais um defesa. Jogou com três centrais e dois laterais que subiam mais que nos jogos anteriores. Ou seja, a retroescavadora mudou de … marca!

A Nigéria até marcou primeiro golo, mas o momento de viragem ocorreu quando um Nigeriano foi expulso e a Grécia aproveitou bem a superioridade numérica para marcar dois golos, os primeiros da Grécia num Mundial. Incrível, sendo a Grécia Campeã da Europa em 2004, lembram-se? A Nigéria já pode fazer as malas ou ficar pela África do Sul. São tantos os Nigerianos a residirem lá estes dias que nem se notava.

Yo no hablo franciú

México 2 – França 0

Os Aztecas já estão praticamente na próxima fase. Os franceses por sua vez, estão em muitos maus lençóis. Este jogo foi uma espécie de Waterloo, mas sem Wellington. Este México joga muito bem, sem medo de perder (não é, Portugal?). Dominaram a França como quiseram e o árbitro não foi o mesmo do Irlanda-França que deixou passar a mão do Henry. Azar deles.

Por isso, o México agora é uma equipa a seguir.

Don't cry for them, Argentina

Argentina 4 – Coreia do Sul 1

Higuain fez três golos (hat trick), o primeiro deste mundial. A Argentina dominou o jogo e marcou quando tinha que marcar. Para ajudar à festa, o primeiro golo da Argentina foi marcado por um … coreano, na própria baliza.  Acontece. Este também vai patrulhar a DMZ e ter os irmãos do Norte do outro lado a fazer flexões de castigo. A Argentina continua muito forte, com avançados tão bons, tão bons, que o Maradona manteve no banco talentos como Milito e Aguero. Que luxo! Dá gosto ver jogar esta selecção, que já está com os dois pés na fase seguinte.

Este é um tango que promete.

16/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº15: O VERDADEIRO COMEÇO

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:03 am

por ABM e George Ribéro (16 de Junho de 2010)

Aqui vão dois dias de comentários, que incluem o início do campeonato para as equipas brasileira e portuguesa.

Holanda 2 Dinamarca 0

Futebolisticamente, a Holanda é agora conhecida como a Laranja. Mas em tempos foi conhecida como a Laranja Mecânica (lembram-se do filme de Stanley Kubrick? A música era qualquer coisa digna de ser ouvida).

Porquê Mecânica? Por causa do que eles lá chamavam o Futebol Total. Em que os defesas também atacavam e os avançados também defendiam. Logo, baralhavam os adversários. E ontem a Holanda ganhou limpinho, nem precisava que um adversário marcasse na própria baliza porque não precisava dessas ajudas. É uma das selecções favoritas, juntamente com a Alemanha, Brasil, Espanha Argentina e Itália. Não, não nos esquecemos de Portugal mas … bem, adiante.

Japão 1 Camarões 0

Desta não se estava à espera. De facto, os Camarões têm muito bons jogadores mas aquilo lá é um bocado como aquelas orquestras de província, em que cada virtuoso toca para o seu lado. Os Camarones são muito individualistas. Faltou-lhes fio de jogo, isto é,  jogo colectivo. Ciúmes uns dos outros???  Talvez! Os Samurais aproveitaram e arrumaram-nos.

My name is Lini, Fellini

Itália 1 – Paraguai 1

O George também não esperava estes resultado. O Paraguai até impressionou. A Itália é sempre aquela equipa cínica que marca mesmo não merecendo. Tem muita experiência, maturidade e sabe quando e como deve atacar. Não adianta ficar a pensar no resultado. A Itália vai passar à fase seguinte e — pronto.

No ultimo Campeonato do Mundo em 2006, jogou mal de principio e acabou a ganhar o jogo e o Campeonato, contra a França e ainda teve o Materrazzi a levar uma famosa cabeçada do Zidane. Esta é uma selecção muito perigosa e matreira.

Nova Zelândia 1  – Eslováquia 1

Talvez estas sejam das selecções mais fracas deste Mundial Africano. Para alguns jogadores, a bola até atrapalha, pois é redonda e rola, o que a torna fungível. Para estes dois deviam ter utilizado uma bola … quadrada. Talvez um cubo com arestas arredondadas. Um Rubik’s Cube sem pontas.

O jogo foi a maior seca, era tão mau, tão mau, que o meu controlo remoto mudava de canal sozinho sem eu fazer nada. Sem jogadores de topo ou pelo menos longe da ribalta. Por outro lado, é um jogo excelente para se fazer uma siesta, das 14:00 ás 16:00 ou um pouco menos só para ver o golo da Nova Zelândia e a cara perfeitamente lixada dos Eslovacos, que estiveram a ganhar por 1-0 até aos últimos instantes da partida e já sonhavam com telegraminhas de felicitações lá de onde eles vêm. Esta foi de facto uma grande  … partida que nos pregaram. Bem, de qualquer maneira, a haver um vencedor, teria que ser a Eslováquia, que dominou mais o jogo, um pouco no sentido daquele velho ditado que diz que em terra de cegos quem tem olho é rei. Foi a estreia da Eslováquia num Mundial de futebol.

Portugal 0 – Costa do Marfim 0

Dada a impenitente pendência lusofónica desta casa, gasta-se um bocado mais de cuspe analítico neste jogo e no dos nossos brothers brasileiros.

O jogo com a Costa do Marfim foi um em que, como diria o jogador Cristiano Ronaldo, prontes, ambas as equipas, prontes,  tiveram um real cagaço em perder o jogo, prontes. Para além dos encontrões e aquela piada de maricon do Erricson de colocar o Grobga sentada na cadeira estilo bomba atómica à espera de entrar para resolver a coisa (não resolveu porra nenhuma) no fundo não arriscaram muito e aquilo deu num empate que põs as duas selecções a fazerem contas de cabeça.

E fazer contas é a sina dos Adamastores, que se apuraram para este Mundial a fazer contas at last minute. Eles e dois terços de Portugal. Aliás, tem sido quase sempre assim. Acaba por ter mais piada pela imprevisibilidade e conjuga-se bem com aquele espírito épico-sofredor-fatalista-poético e de incerteza que faz os portugueses beber muito vinho, cantar fados deprimentes, eleger políticos incompetentes que lhes mentem como respiram e no fim deixar o país inteiro afundar-se, compor odes sobre como a vida é um calvário que pode e quase sempre acaba mal, e para arrematar, o final da Mensagem do Fernando Pessoa, sugerindo que no fim falta sempre fazer mais qualquer coisinha, havendo tempo, e tempo havendo, para…fazer mais umas continhas, claro.

O resultado final deste jogo deixa tudo em aberto (para se fazer contas) mas, na opinião do nosso treinador de Sofá George S. Ribéro, a exibição foi muito pobre, os tugas sem arriscarem muito, com passes e mais passes e mais passes, um futebol sem profundidade, os Adamastores presos de movimentos e até displicentes.  Se calhar talvez as duas semaninhas de estágio na bela Covilhã com boa comidinha e partida para a África do Sul uma semana antes do inicío do Mundial tenha sido muito pouco (o exmo. Leitor coloque aqui a sua desculpa favorita).

Aliás, segundo uma revista da praça, durante o estágio, os jogadores levantavam o rabiosque da cama às 09:00 da madrugada, passavam horas a jogar matraquilhos, disputar partidas de pingue-pongue, jogar jogos de playstation e, infamemente, ainda lhes foi retirado o álcool do bar por causa das tentações, o que é uma estupidez. Coincidentemente, é precisamente isso que faz o meu puto de dez anos. A do álcool não entendo. O Coluna foi supremo e toda a gente sabe que emborcava um bom tintol antes e depois, e se preciso durante. O Queiroz, que é mocambicanês e que conhece perfeitamente o Sr. Coluna, devia aprender umas coisas com ele. O Eusébio aprendeu e foi o que foi.

Quanto aos melhores em campo do lado português foram, segundo o George, o Raúl Meireles, o Fábio Coentrão e talvez os centrais Ricardo Carvalho e Bruno Alves. O Deco esteve muito apagado. O Liedson, muito desapoiado, nada fez. O Cristiano Ronaldo (que nos intervalos do jogo aparecia nos anúncios do Beije a dar tarolos numa bola e a dizer para comprarmos uma conta qualquer) ainda teve uma bola a bater na barra e a partir daí andou o resto do jogo a passear. Ainda se envolveu com um Costa Marfinense que lhe deu uma canelada e levou um cartão amarelo desnecessáriamente, penso que por insultá-lo em madeirense em vez de marfinense. O Danny também jogou abaixo das suas possibilidades. A dada altura, na segunda parte, Portugal passou a jogar em 4-4-2 com o Liedson e o Ronaldo na frente, Simão e Deco nas alas e Raúl Meireles e Pedro Mendes no miolo. Um único senão: O Deco TEM que jogar no meio e não encostado à direita mas o esquema táctico estava a melhorar quando o Carlos Queiroz achou que estava muito melhor, bem de mais, e então resolveu mudar tudo. Entrou o Tiago e pronto, lá vieram os Africanos para cima dos Tugas. Esquema a rever no próximo jogo com os filhos dedicados do Grande e Querido Líder Kim Sung Il.

A surpresa do dia: segundo a Fifa, o Man of the Match foi o Cristiano Ronaldo! Estes tipos realmente não acertam. Isto deve ser obra duns infiltrados do Real Madrid…o quê, o nome agora também é estatuto no futebol? Houve melhores de ambas selecções e ele não foi it.

Brasil 2  – Coreia do Norte 1

Nós devíamos colocar ali em cima uma imagem brasileira mas por uma questão de estética que realmente me diverte, vai uma celestial alusão aos seus adversários do dia.

Quando o jogo começou, os nossos irmãos brasileiros já sabiam que mais cedo ou mais tarde iriam trucidar estes tipos. Arriscando a ira do Grande e Querido Líder e filho do Pai de todos os valorosos cidadãos-combatentes norte-coreanos, tem que ser dito que um só jogador do Brasil deve valer tanto como metade da equipa inteira da Coreia do Norte. O que ninguém esperava era que o Brasil sofresse um golito, muito sofregamente festejado pelos Coreanos nortenhos, coitados, pois deve ter sido a quota minima que o Querido Pai lhes disse antes do jogo para trazerem para casa senão levavam todos no focinho e eram despachados para o meio dos campos de minas da DMZ. Assim, a televisão norte-coreana, que activamente pratica a “cultura do orgasmo” versão Kim Il Sungueana (op. cit. vide J.C.  das Neves), que em vez do jogo (que -admita-se – só iria distraír os filhos do Grande Pai do usufruto da sua Felicidade Eterna) transmitiu mais uma daquelas mega-chachadas sobre qualquer coisa do Filho do Grande Líder, pôde interromper a emissão com as notícias de mais uma Grande Vitória sobre a escumalha Ocidental, marcando um Golo Patriótico durante o jogo contra uns estrangeiros quaisquer que falavam uma língua impronunciável. Que não eram nem os chineses nem os japoneses, pois tinham a pele com cores esquisitas e os olhos redondos.

Pode ser que confiança a mais tivesse dado nisso de os nossos irmãos terem deixado escapar um golo para dentro da baliza brasileira. Mas a verdade é que estava frio como o caraças lá em Jonesburg, nem os tipos com as Vovozelas conseguiam aquecer a goela.  E há que reconhecer algum espírito de generosidade na vitória. Aliás, se conheço Lula da Silva, agora que o Brasil está a emergir, daqui a nada ele está a bordo do Lula One a caminho de Piong-Pangue para obrigar os coreanos a acabarem com aquela macacada toda que dura há mais que meio século.

No fim, o resultado final obviamente não espelha a diferença que existe entre estas duas equipas. 7 a 0 era mais realista. Para além da qualidade do futebol Brasileiro ser vastamente superior,  digamos que foi uma vitória da fantasia sobre um esquema táctico (muito) mais rígido.

Se alguma coisa fez, o Brasil provou hoje que é um sério candidato a Nº1 do Mundial.

O golo do defesa Maicon foi … simplesmente soberbo. A esta hora o guarda-redes norte-coreano ainda deve estar no quarto dele (guardado pela SNASP Kim-Il Sungueana, que treinou a moçambicana em tempos) a tentar desenhar a jogada, para ver se compreende como é que a bola passou entre o corpo dele e o poste, chutada de um ângulo quase impossível. Como dizem os nossos irmãos do Acordo Ortográfico – Jóia!! Válêu!!!! Grande golo do Maicon que foi este ano treinado pelo José Mourinho, no Inter de Milão. Maicon, indubitavelmente, the Man of the Match.

Grande tristeza para o treinador norte-coreano, que numa entrevista antes do jogo disse que queria lá saber dos brasileiros, os seus homens iam ganhar tudo e todos pois queriam trazer mais uma vitória e um sorriso aos lábios do Dear Leader. Oh santa pachorra. Eu já vi um filme assim, acho que o Tom Hanks, em que ele vivia o que mais tarde se descobriu era uma vida fictícia, para alimentar uma telenovela realista, em que ele era a personagem principal. No fim descobriu a verdade, não gostou e voltou para a redoma.

Acho que era uma comédia.

14/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 11

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:58 am

por ABM (13 de Junho de 2010)

Como estive a cortar erva o fim de semana todo em Alcoentre, a missão de reportar os eventos do campeonato ficou adiada para agora.

O Mundial Só Para Os Ricos

Hoje de manhã descobri uma novidade: que, como em tempos aconteceu com a TVM em Moçambique (e rolaram cabeças por causa disso), afinal a cadeiazinha pública de televisão RTP só comprou à Fifa os direitos de transmissão para alguns jogos. Portanto, se o povão quiser ver os joguinhos todos, tem que comprar o servicinho duma tal Sport-TV (acho que 20 eurozitos por mês mínimo) uma empresa privada dum senhor que oiço que está desesperadamente rico.

Serviço que eu, por algum desinteresse na temática desportiva em geral, não tenho nem vou ter.

Mas, sinceramente, não entendo. A Érretêpê o ano passado custou aos contribuintes portugueses em impostos um milhão de euros limpos de impostos por dia. O que deu em cerca de 400 milhões de euros de subsídios do Estado – que, em termos de pilim, somos nós os que aqui residem. Afinal, gastam esse dinheiro em quê? Telejornais?

No entanto, nada pára esta casa. Após uma pesquisa rápida no Gúgele, a equipa Maschamba aqui assistiu aos jogos num sítio meio obscuro na internet, que emanava os jogos da África do Sul via Estados Unidos a partir da Turquia, através duma coisa chamada live streaming. A imagem dava para ver – devia ter a mesma qualidade da televisão normal depois de se beberem duas garrafas de tintol – e pelo menos não tive que pagar aos Sport-TVs aquela barbaridade que parece que eles andam a cobrar por aí.

O problema era o som. Para mais detalhes, ver o comentário do jogo Argentina-Nigéria, mais abaixo.

Cá Se Fazem, Lá Se Pagam

Peço desculpa aos exmos. Leitores, antes de ontem não reparei que ontem havia um jogo entre a Coreia do Sul e a Grécia. O nosso Senador, avisado, outro dia facultou um excelente guia dos jogos mas os técnicos do Posto de Observação do Maschamba em Cascais City (POMC) esqueceram-se de o descarregar.

Mas nada escapa aqui. E eis que surge o primeiro jogo em que alguém ganhou a alguém. A relativamente obscura Coreia do Sul goleou por 2 a 0 a Grécia.

Enquanto que a Coreia do Sul é a parte da península coreana que os americanos conseguiram reter da investida comunista nos anos 50, resultando mais tarde na criação da Hyundai e da Samsumg, a Grécia é um pouco como Portugal, só que é melhor a sacar subsídios da União Europeia e tem uma vizinhança lixada. Em vez de dois tem mil arquipélagos e novecentos Albertos João Jardins, e em vez de uma Espanha como fronteira, tem dum lado os descendentes dos Otomanos (que parece que são muçulmanos como os portugueses são católicos) sempre a picá-los, e do outro lado aquele inóspido fosso milenar de ódios chamado os Balcãs, especialmente aquele pequeno país que se chama Macedónia mas que os Gregos, talvez inspirados no Artista Anteriormente Chamado Prince, insistem que se chame qualquer coisa como A Anterior República Juguslava Chamada Macedónia, para não se confundir com a Beira Alta lá deles, que tem o mesmo nome, que era o antigo nome da tribo de onde veio o Alexandre Grande (que na verdade era o Brad Pitt, para quem já se esqueceu).

Vá lá um tipo entender.

Mas os portugueses lembrar-se-ão desses senhores talvez pelo que lhes fizeram em Lisboa no verão de 2004, no Europeu do Sr. Scolari, aquele, com as bandeiras e o hino, como se estivéssemos em Aljubarrota, em que depois de uma progressão verdadeiramente inspiradora dos luso-jogadores, especialmente aquele golo do guarda-redes nos penaltys, o que despachou os ingleses e assegurou o lugar na final, com a graça e a inspiração de uma retro-escavadora em segunda mão a aplanar um campo de trigo, os Gregos ganharam no fim o campeonato e foram-se embora para Atenas com a taça, deixando os portugueses a olhar para a dezena e meia de estádios acabadinhos de fazer e as respectivas dívidas.

O Comentador do Maschamba George Ribéro refere que a culpa pela derrota é toda do treinador dos gregos, que é um alemão, que já foi chão que deu uvas e portanto a técnica da retro-escavadora estes dias já cheira a môfo, razão porque os Samsungs, dinamizados por doses reinvigorantes de arroz chau-chau e algumas técnicas tipo kamikaze, deram-lhes cabo do canastro.

Eu digo que foi Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Portugal, que lhes fez a cama.

Duas camas a zero.

My name is Dona, Maradona

Argentina 1 – Nigéria 0

Este foi o jogo que vi pela emissão na internet aos soluços e com uma mistura de vovozelas e um tipo aos gritos em turco.

Confesso que, entre a berreira insuportável das vovozelas lá na South Africa e a excitação de um locutor turco meio maluco que ia berrando a progressão do jogo na sua língua (que faz lembrar o russo se falado com a boca cheia de pedras) ia dando em doido. Mas ainda dava para perceber algumas coisas. Do tipo: “brr, brr, brr, gurka gurka puf puf Maradona. Ufa ufa, árre puf puf roc roc, Messi. Isca pufa rumba rumba Maradona”. Já percebi que este Messi é uma espécie de Cristiano Ronaldo lá das argentinas, e o Maradona é aquele senhor que inspirou multidões antes de se meter na cocaína e andar aos caídos durante anos. Pelos vistos arranjou um fato Armani e agora é treinador, o que significa que, por mais dificuldades que enfrentemos na vida, há sempre um lugarzinho de treinador algures à nossa espera.

O resultado, 1 a 0, foi mais ou menos o esperado.

O frango engolido pelo guarda redes inglês

Estados Unidos 1 – Inglaterra 1

Por causa das confusões toponímicas em Portugal, nunca sei bem se aqui se tratava da Inglaterra mesmo ou se do Reino Unido. Mas parece que o Reino Unido é Unido para tudo menos no caso do futebol, onde as suas partes é que jogam. Deve ser uma coisa lá deles.

Talvez a relação especial inaugurada por Winston Churchill e depois refrescada por Margaret Thatcher nos anos 80 com Ronald Reagan, ajude a explicar o resultado. A verdade é que até ontem eu nem sabia que os EUA tinham uma equipa de futebol, e se tivesse que apostar alguma coisa é que eles não valiam um caracol furado. O golo da Inglaterra não surpreendeu. Agora, o golo que os americanos meteram na baliza inglesa, talvez em homenagem àquele feriadozinho que os portugueses não sonham que existe mas que é grande e se chama Thanksgiving, em que toda a gente come perú assado, não foi um frango: foi um perú, e dos grandes. O guarda-redes, um tal Green, devia estar a consultar o seu astral quando a bola chegou.

O frango engolido pelo guarda-redes argelino

Eslovénia 1 – Argélia 0

Pensando bem, não sei onde fica a Eslovénia. A Argélia sim: deram cabo dos franceses, treinaram o Samora Machel numa vilazinha junto à fronteira com Marrocos nos tempos épicos da luta armada, e exportam quase todo o gás que nós usamos quer em canos, quer nas bilhas que são enchidas lá na CLC perto de Alcoentre e que depois são enviadas para todo o Portugal a 19.75 euros a dose.

Por estas razões, eu favoreceria a Argélia no jogo com a Eslovénia. Mas o futebol é assim: pode-se ter o gás todo deste mundo, que mesmo assim o outro pode ganhar. Neste caso, as equipas não jogavam: competiam para ver quem era pior. O resultado só foi este porque o guarda-redes argelino levou outro frango, este ainda maior que o perú que o inglês acima levou dos americanos.

Ghana 1 – Sérvia 0

Bom jogo. Ao contrário do que alguns pensam, o Ghana não é uma república das bananas e tem bom futebol, diz o George que é um dos top 5 de África. A Sérvia (não me façam dizer nada da Sérvia) quando não está à estalada com os vizinhos, também joga futebol muito bom. Mas neste caso os meus irmãos africanos espremeram-se mais e, apesar de terem marcado o golo da vitória com um penalty (que para mim é pouco mais que uma fraude para despachar o jogo) mereciam ganhar.

Finalmente,

alguém se lembra da série Hogan's Heroes?

Alemanha 4 – Austrália 0

Foi um massacre. Os Down Unders foram mesmo Down Under.

Mas folgo em ver que a Alemanha de 2010 já não é a Alemanha de 1936. Na equipa havia alemães arraçados de turco, de polaco, e até de brasileiro, um tipo chamado…Cacau (estou a imaginar a mãe a chamá-lo “Ó Cacau, traz o pau!”). Independentemente das ascendências, o George diz que a equipa é muito boa no agregado e nas componentes, o que ajuda a explicar o morticínio. Os cangurus até não são maus rapazes, alguns até jogam em equipas na Europa, mas nada que se compare com os alemães.

Os Adamastores

Continuam em Magaliesburgo. Nimguém se magoou por enquanto.

12/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 8

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 3:44 am

por ABM (12 de Junho de 2010)

Ora começou o Campeonato Mundial de Futebol.

Como eu não percebo nada de futebol, em alguns dos comentários técnicos que se seguem fui assistido pelo Comentador Especial do Maschamba, o conceituado treinador de bancada Mr. George S. Ribéro, para colmatar a minha perspectiva digamos que mais impressionista.

O Orgasmo Interrompido

No weltanschauung do João César das Neves [*], é certamente a única coisa que se pode chamar ao que aconteceu no jogo entre a África do Sul e o México, que acabou com um algo irritante 1-1, após os jogadores sul-africanos terem inaugurado o marcador e terem estado assim durante a maior parte do jogo, até um mexicano qualquer ter estragado as coisas para os locais, marcando outro golo. Lá para o fim ia surgindo um novo Mandela versão futebolística mas o jovem Bifana-Bifana no último segundo distraíu-se e a bola bateu na trave em vez de entrar na baliza. Tivesse sucedido, teria havido festa rija por todo o país esta noite e até os brancos haveriam de fingir que sabem dançar e que gostam de futebol, o que toda a gente sabe que não é verdade. Os mexicanos, que segundo a estatística, tiveram a posse da bola dois terços do tempo da partida, jogaram um jogo anal-retentivo com um ballet meio amaricado, enquanto que os Bifanas defenderam a retaguarda que nem cães e de vez em quando mandavam cada bazucada para a frente que os outros quase perdiam a compostura.

Tirez-moi Daqui Prrá Forrá, Porrá

França-Uruguai. Jogo muito chato, muito lento, muito arrepolhudo e sem nenhum brilho. Mas que porcaria. Parecia que em vez de futebol estávamos a ver a que velocidade a relva crescia. Ainda por cima nimguém marcou um golo. Isto devia ser proibido num mundial. Como diriam os entendidos lá na França, c’etait vraiement une grandessissime merde. Basta olhar para o Sarkozy para perceber que os tempos glórios da França de de Gaulle já lá vão e diz o George que este treinador chamado Raymond Domenech é quase tão apreciado estes dias em França e arredores como o Sócrates na Quinta da Marinha. Mas mesmo assim foi mau. Ainda por cima estes gajos entraram no campeonato pela porta do cheval, com aquela coisa com a mão que o árbitro disse que não viu e que o Monsieur Le Président da Fifa não quis tocar.

Por outro lado, convém recordar que no campeonato mundial anterior os franceses, metade dos quais parecem ter sido rapinados de África via naturalizações a martelo, também começaram assim a pisar ovos mas de repente estavam na final contra não sei quem (Itália, George?).

Hasta La Manãna

Os jogos de sábado prometem um pouco mais de acção:

Argentina/Nigéria – promete ser festa rija e arraial

USA/Inglaterra – o quê? Os americanos têm uma equipa de futebol? e estão no mundial? Deve haver algum engano. Deve ser por causa das receitas de publicidade.

Os Irmãos Metralha Atacam Outra Vez

Enquanto o chefe da polícia da África do Sul foi de helicóptero a Magaliesburgo apaparicar os jornalistas portugueses que ainda estavam de ressaca da visita matinal de quatro jovens sul-africanos à busca de oportunidade de também beneficiar um pouco do Mundial, com o apoio solícito de um oficial da GNR a dez mil quilómetros de casa, quatro jornalistas chineses parece que se enganaram na rua e foram rapidamente aliviados das suas posses em Joanesburgo. Todos ficámos chocados e surpreendidos. Mas a coisa parece valer mesmo a pena, pois todos eles mencionaram terem sido despojados de milhares de euros em dinheiro e objectos valiosos. Assim vale a pena roubar. A polícia sul-africana promete meter um carro em cada esquina, um polícia ao pé de cada turista e um helicóptero a voar por cima. Pois, pois.

Notícias dos Adamastores

Não ouvi nada. Onde é que eles andam?

Mais notícias no próximo Boletim Maschamba no Mundial.

[*] Adenda (jpt): Permito-me uma inédita intromissão num post do magno de Alcoentre, mas a referência ao “weltanschauung” de João César das Neves impeliu-me a esclarecer hipotético leitor que não conheça ainda este já lendário texto sobre o “o totalitarismo do orgasmo” de autoria do referido articulista. Desculpa ABM, mas a oportunidade surgiu como única.

10/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 5

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 4:38 am

por ABM (10 de Junho de 2010)

I’ve Got a Feeling Que Isto Assim Anda Mal

A escolha, aparentemente por Carlos Queiroz, da cançãozinha I’ve Got a Feeling, da banda norte-americana de hip-hop Black Eyed Peas, como o hino dos Adamastores no campeonato de futebol que tem início amanhã na África do Sul, mistificou-me desde o primeiro minuto.

Primeiro, porque claramente é politicamente incorrecto, num país onde as estações de rádio são obrigadas a passar doses muito consideráveis de lixo musical português para atender a portarias estabelecendo mínimos de conteúdos nacionais, e à mania de que a cultura se pode legislar por decreto, o treinador da equipa portuguesa de futebol ter escolhido uma cançoneta pop norte-americana, em inglês, que supostamente todos devemos andar a cantarolar sempre que os Adamastores se arrastam para dentro de um campo de futebol, no seu esforço de defender as cores de Mãe Pátria.

Segundo, tal como o Banco Espírito Santo nos entope os intervalos televisivos com anúncios do Cristiano Ronaldo a dizer “sim, eu ganho milhões e sou rico, bonito e esperto, por isso tenho o meu dinheiro todo no Béje”, a TSF, a estaçãozinha de rádio lisboeta que costumo escutar, passa umas centenas de vezes por dia uma peça publicitária com o refrão da canção, em que o Sr Black Eye Pea diz “ Ai éve a filing that Portugal is goingue to uine de uârlde cópe”, ao que o Queiroz diz, em tom emocionado e embevecido “tânque iu gáize”. Aquilo é tão chôcho e repetido que já cheira mal e neste momento já não posso esperar pelo fim do campeonato, Adamastores ao alto ou não, só para poder ter o descanso de não ouvir mais uma vez esse enjoativo ruído publicitário.

Como se já não bastassem as Vovozelas.

Finalmente, temos a questão do que é realmente o tema da canção. Não sei se o exmo. Leitor já se incomodou a ir ver o vídeo que supostamente ilustra a canção, numa dessas estações insuportáveis que passam música 24 horas por dia. Mas não precisa porque está ali em cima.

Essencialmente, o tema parece ser: uns jovens duvidosos vão para uma valentíssima farra de sábado à noite numa dessas hedonistas discotecas em Hollywood com umas cachopas pouco vestidas lá da rua e eles todos mais tarde têm um feeling que a noite vai acabar bem, presumivelmente numa ímpia manifestação do que esse celebrado bardo conservador catoliqueiro, o João César das Neves, brindou os seus leitores no DN outro dia e que descreveu, a propósito da legalização do casamento civil guêi (mas não o católico, diferença que o nosso Joãozinho, que às vezes leva-se a si demasiadamente a sério, não parece entender) como “a cultura do orgasmo”.

Que o João sequer sequer saiba o que é um orgasmo surpreendeu-me, mas que saiba que tal cultura exista, isso já impressiona.

Mas leia-se a letra:

I’ve gotta feeling that tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good good night

I’ve gotta feeling (Woohoo) that tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good good night

Tonight’s the night
Let’s live it up
I got my money
Let’s spend it up

Go out and smash it
Like Oh My God
Jump off that sofa
Let’s get get OFF

I know that we’ll have a ball
If we get down
And go out
And just lose it all

I feel stressed out
I wanna let it go
Lets go way out spaced out
And losing all control

Fill up my cup
Mazel tov
Look at her dancing
Just take it OFF

Let’s paint the town
We’ll shut it down
Let’s burn the roof
And then we’ll do it again

Let’s Do it (x4)
And do it (x2)
Let’s live it up
And do it (x2)
And do it do it do it
Lets do it (x3)

Cause i’ve gotta feeling (Woohoo) that tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good night
That tonight’s gonna be a good good night (x2)

Tonight’s the night (HEY)
Let’s live it up (Let’s live it up)
I got my money (Hey)
Let’s spend it up (Let’s spend it up )

Go out and smash it (Smash it)
Like Oh My God (Like Oh My God)
Jump off that sofa (C’mon)
Let’s get get OFF

Fill up my cup (Drink)
Mazel tov (L’chaim)
Look at her dancin (Move it Move it)
Just take it OFF

Let’s paint the town (Paint the town)
We’ll shut it down (Shut it down)
Let’s burn the roof (Wowowowoo)
And then we’ll do it again

Let’s do it (x4)
And do it (x2)
Let’s live it up
And do it (Do it) And do it (And do it) And do it do it do it (And do it)
Let’s do it (x2) Let’s do it do it do it

Here we come
Here we go
We gotta rock rock rock

Easy come
Easy go
Now we are on top top top

Feel the shot
Body rock
Rock it don’t stop stop stop stop stop stop

Round and round
Up and down
Around the clock clock clock

Monday, Tuesday, Wednesday and Thursday (Do it)
Friday, Saturday, Saturday to Sunday (Do it)

We keep keep keep keep keep on going
We know what we say say
Party everyday (Day–)
P-P-P-Party everyday

And I’m feeling (Woohoo) that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good night
that tonight’s gonna be a good good night.

Woohoo (em português, “Uúú-úúú”)

E este é o hino da selecção de futebol de Portugal que está neste momento arredada na obscura localidade de Magaliesburg.

Por mim tudo bem, ainda que, ela por ela, eu teria escolhido o My Way do Frank Sinatra. Pelo menos conheço a letra, que não é menos combativa e que permite outras conotações menos fulgurantes, que a da “cultura do orgasmo”.

Curiosamente, tendo a canção algum apelo popular e conquistado algumas audiências nos Estados Unidos, acredito que, só por si, a escolha de Carlos Queiroz conseguiu prolongar a longevidade do seu ciclo de apelo às massas.

Ao ponto de a banda ter sido convidada para o importante concerto de música que antecede o início das hostilidades futebolísticas, e que tem início às 20 horas de Maputo de hoje dia 10, 5ª feira, menos uma hora em Lisboa, e não sei quantas horas antes no Rio de Janeiro (ouvi dizer que há um senhor que vive lá e que visita esta casa de vez em quando).

Onde podem apostar que o prato forte deles vai ser a dita cuja canção.

Ora, na face de uma tal escolha por parte do treinador Carlos Queiroz e do seu significado alegórico junto dos milhões de partidários da equipa de futebol portuguesa, pensaria eu, e presumo que muitos Leitores, que o mínimo que os membros da banda dos Feijões-Frade (na verdade o nome formal deste feijão é Vigna Unguiculata) poderiam fazer era exibir algum apoio e respeito pelos desígnios dos Adamastores. Não estou a dizer terem que andar com a bandeira portuguesa colada à testa ou saberem cantar o hino português na tal língua que os portugueses, quando foram corridos, fugiram ou escaparam dos actuais espaços lusofónicos, deixaram ficar atrás.

Mas não.

Esta noite, uma das estações de televisão que emitem para Cascais, entrando naquela área cinzenta em que falam de tudo e mais alguma coisa em redor do festival que é o campeonato (de tudo menos de futebol) fez uma longa peça sobre o concerto de rock que vai ocorrer esta noite, e em que a cabeça de cartaz e é a artista Shakira (que, suspeitamente, aterrou em Joanesburgo num Airbus A380 de boleia com a equipa alemã).

Na peça, uns jornalistas tiveram a oportunidade de entrevistar os membros da banda que vão cantar o tal de hino-mascote da equipa portuguesa.

Primeiro, eles compuseram mais ou menos o ramalhete, dizendo que estavam muito satisfeitos por os portugueses terem seleccionado a sua canção para, com as suas Vovozelas, trautear aquela música que já não consigo ouvir mais. E desejaram muito, muito sucesso aos Adamastores, que não se afogassem e que remassem tão longe quanto pudessem.

Mas às tantas, um jornalista perguntou se eles apoiavam a equipa portuguesa.

E a resposta que veio foi que não.

Que os membros da banda têm outros favoritos para a vitória.

E, num momento de vertigo, mencionaram as equipas do México e do Equador.

Esses, atalharam, é que são bons para ganhar o Mundial.

Não os portugueses.

Ora, eu não entendo muito bem todos os detalhes contratuais formais da ligação estabelecida entre a parte “equipa nacional de futebol de Portugal” e a parte“artistas musicais que cantam o hino da equipa nacional de futebol de Portugal”.

Mas para além da questão do mero bom senso e bom gosto (como terá dito em tempos o Antero num panfleto dirigido a um velho professor conimbricense que ele odiava) eu pensaria que eles no mínimo assinariam um papel em que se comprometiam, pelo menos até 24 horas depois do campeonato, a fingir que apoiavam os desígnios da equipa portuguesa. Ou a estarem calados.

Faz sentido, não?

Agora, vir dizer numa conferência de imprensa a 48 horas do início do campeonato que apoiam o México e o Equador, é quase uma desfaçatez. Uma desfeita.

Mas eles lá sabem.

Um bom feriado nacional de Portugal a todos os exmos Leitores.

Vou aproveitar o dia de hoje para tentar irritar as empregadas estrangeiras dos meus vizinhos, pendurando uma gigantesca bandeira verde e vermelha na minha varanda. Pois, sendo feriado e quinta feira, esses, os vizinhos, já estarão quase todos a banhos nas melhores praias algarvias.

Combatendo a crise com uma ponte para um fim de semana longo – entre hoje e a próxima 3ª feira.

09/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL Nº 4

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 2:28 pm

por ABM (9 de Junho de 2010)

We Are Lusofone Family

O jogo particular entre Portugal e Moçambique foi recepcionado ao vivo e a cores no Posto de Observação do Maschamba em Cascais City (POMC) com interesse, pois as declarações prévias dos treinadores deixavam antever uma espécie de comemoração de uma irmandade um tanto amarfanhada por décadas de alheamento entre os dois países. Chiquinho Conde, o actual selecionador moçambicano e que em tempos jogou em Portugal, disse que os seus jogadores iam jogar, sim senhor, mas com cuidado, não vá um dos Mambas dar uma canelada imprevista num dos Adamastores e partir-lhe um mastro – até porque os moçambicanos desta vez estavam a torcer por Portugal e portanto era um contrasenso injuriar um dos ilustres.

Do lado dos Adamastores, Carlos Queiroz, que os moçambicanos afectuosamente rotulam de luso-moçambicano (conhecendo a cultura vigente, é obra. Quando não gostam da pessoa o termo mais frequentemente usado é “tuga de merda”) cingia-se a uma posição tecnocrática apolítica em que o jogo fazia parte de um programa de preparação e aperfeiçoamento para o Mundial. Portanto aquilo não era bem um jogo de ganhar e perder; na verdade, à partida todos já tinham ganho.

Ainda assim, os Adamastores lograram remar três bolas para dentro da baliza dos Mambas oponentes-amigos, não se registando incidentes de maior entre a multidão de Madeiras e de Magaíças, que a seguir foram todos comer um braaizito e beber umas Castle, as provisões de Superbock estando em baixa.

Sinfonia Vovozélica

O que deixou os espectadores portugueses meio boquiabertos e os locutores da Televisão Independente (mas dependente da espanhola Prisa) estupefactos é que este jogo foi a primeira vez que assistiram uma partida de futebol pela televisão em que se usou a Vovozela em colectivo. A minha amiga Dulce Maria, que estava sentada a ver parte do jogo enquanto comia uma saladinha de atum, ao princípio pensava que o som do televisor se tinha avariado e que só se ouvia um ruído chato, intenso e contínuo. Com o aparelho de controlo por remoto na mão, baixei o som e tentei explicar-lhe o mais detalhadamente possível o que se estava a passar: “não Dulce, Maria, a televisão está boa, o que estás a ouvir são as Vovozelas, que na África do Sul usam para alegrar os jogos de futebol”. Num desabafo pouco político, ela atalhou “mas aquilo é um som horrível!”. Os locutores portugueses interrogavam-se em alto como é que os jogadores conseguiam sequer pensar com aquela barulheira toda. Passaram segmentos a explicar o que era aquilo. Meteram um tipo em directo a berrar a Vovozela para se ouvir bem (aí a minha cadela Cookie começou a uivar). Médicos de bata dedicaram-se a explicar que o barulho da Vovozela tinha um efeito nocivo nos ouvidos. Pelo meio, a companhia petrolífera portuguesa Galp continuava a bombardear anúncios prometendo uma Vovozela a qualquer cidadão que se atrevesse a encher o tanquezito a 1.5 euro cada litro.

The Metralha Brothers

Pela manhã de hoje, as estações de televisão portuguesas passavam em barra vermelha em baixo do écran uma notícia urgente de “última hora”: dois jornalistas portugueses (havia mais um, mas este era espanhol) foram assaltados à mão armada esta madrugada dentro do hotel onde estavam por uns jovens adeptos Magaliesberguenses não Vovozelados, que lhes levaram tudo e mais alguma coisa. Mas a polícia local, num quase súbito rasgo de eficácia, anunciou que já estava no encalço de um deles. Agora já só faltava apanhar os outros. A TVI abriu o noticiário das 13 horas com o incidente em longo detalhe (para chatear, explicado pelo espanhol – e sem tradução!) com extensos comentários sobre o crime e a criminalidade na África do Sul.

Portanto lá se vai a promessa de Magaliesberg como futuro epicentro de veraneio dos turistas portugueses.

Nani Nã Ta Ki

Finalmente, o anúncio de que o jogador de futebol Nani não jogaria no campeonato porque estava injuriado. Os comentadores e treinadores de bancada locais gastaram horas a analisar o assunto e só achei estranho quando o Mr. Queiroz explicou que ele já tinha ido magoado para a África do Sul. E que afinal não se tinha curado. Expeditamente, despacharam um outro jogador no Tap para Joanesburgo. Pergunta estúpida: se ele estava magoado desta maneira, antes de ser seleccionado, porque foi? Enfim. O futebol definitivamente não é o meu forte.

08/06/2010

BOLETIM DO MUNDIAL NÚMERO UM

Filed under: Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 12:08 am

por ABM (7 de Junho de 2010)

A três dias do arranque do campeonato mundial de futebol da FIFA, por falta de orçamento, o Maschamba não nomeou ainda um enviado especial para assistir aos jogos e reportar aqui o que realmente se passa naquele torneio desportivo. O nosso Senador, que está mais perto do local do crime, anda ocupado.

Felizmente, tratando-se de futebol, e estando Portugal presente depois de um processo surreal de qualificação, creio que estes dias se vê, ouve e lê mais sobre o que se passa aqui de Cascais City, que na pindérica e pouco visitável cidadezinha de Magaliesberg, especialmente desde que Mr. Queiroz y sus muchachos lá chegaram ontem, em mini-apoteose.

Nas televisões portuguesas, o carnaval já arrancou. Discute-se tudo e mais alguma coisa em redor da equipa portuguesa e do campeonato.

E depois há as curiosidades, como por exemplo, o de o logotipo acima exibido, que é o logotipo oficial deste campeonato, ter sido desenhado por um português, ou pelo menos luso-sul-africano.

E ainda a insistência da imprensa portuguesa de chamar aos portugueses que vivem na África do Sul (e que foram aos berros e com as bubuzelas receber a equipa a Joanesburgo e à entrada da pequena cidade a 100 kms) como “emigrantes”. O termo sendo utilizado como se um português emigrado fosse uma espécie de sub-categoria do espécimen que nunca se venturou para fora de fronteiras por mais que umas fériazitas (segundo o actual presidente, provavelmente a crédito).

Dado que a equipa foi acompanhada de um circo de jornalistas, infalivelmente acaba-se, acredito que por falta de tema, a falar daquelas absolutas inutilidades, tais como o que é que o Sr. X, cozinheiro da equipa, acha da cozinha do hotel, e se vai fazer uns bacalhauzinhos com natas para o Cristiano ou não, se dormiram no avião enquanto voavam para a África do Sul, se faz muito frio quando jogam.

Claro que nada se compara às, invariavelmente, totais inutilidades proferidas pelos jogadores e o treinador. Mas a isso já o espectador português está habituado, pois em Portugal há toda uma florescente indústria de programas que só falam nisso: o que é que acham da relva, ah como eles adoram os seus adeptos, que lhes enchem o coração e os motivam tanto, se o Drogba (um jogador qualquer creio que da Costa do Marfim) estar magoado vai mudar as coisas ao mundo ou não.

Paralelamente, vê-se uns vislumbres da África do Sul, assim um pouco para o estilo de vôo rasante.

Talvez o melhorzito que se viu foi um programa de duas horas que passou na estação de televisão da SIC e que fez um relato, baseado em testemunhos, das relações de Portugal com a África do Sul desde as independências de Angola e de Moçambique. Saliento dois testemunhos: a) o de Cavaco Silva, que foi primeiro ministro entre os mandatos de P.W. Botha e Nelson Mandela, e em que terá tido em Lisboa a pior reunião da sua vida com Botha, que fez uma curta visita, b) o de Mário Soares, quando foi à África do Sul em 1989 por causa do acidente aéreo do filho na Jamba (F.W.De Klerk procurou-o e consultou-o). Merecidamente, o herói do documentário foi Nelson Mandela, o Grande Apaziguador e uma personalidade ímpar.

Então amanhã os portugueses jogam contra Moçambique num campo de críquete convertido.

Há uma vantagem política neste festival desportivo: nas próximas quatro semanas, a Espanha pode invadir Portugal, Sócrates comprar e vender a TVI duas vezes, que aqui não se vai dar por nada, e se a equipa de Portugal caminhar para as finais, aí o mundo pode acabar mesmo, que ninguém vai reparar.

15/04/2010

NÃO ME MATE, EU NÃO SOU O BOER

Filed under: África do Sul, Mundial de Futebol 2010 — ABM @ 8:52 pm

por ABM (15 de Abril de 2010)

Em tempos, era comum para os meus amigos moçambicanos que viajavam até Johannesburgo nos seus carros, ao passarem a fronteira em Ressano Garcia, mudarem as suas matrículas de fundo preto e letras em branco, por uma espécie de matrículas inventadas mas com as cores características das matrículas da província de Gauteng.

Isto porque havia a percepção de que os moçambicanos eram alvos preferidos para os asslatantes.

Na face das recentes polémicas relacionadas com o assassínio de um antigo líder radical sul-africano, com uma canção cujo refrão é “mata o boer” e as declarações e atitudes do líder do sector da juventude do ANC, o Sr. Julius Malema, já me mandaram a foto acima (obrigado JP e CA) como forma, que espero ser humorística, de alguns brancos que visitam a África do Sul, se tentarem proteger contra eventuais represálias de terceiros pela circunstância da cor da sua pele.

Acima, no verso das t-shirts de uns turistas brancos à chegada ao aeroporto Oliver Tambo em Johannesburgo, a frase que se pode ler é “por favor não me mate, eu sou apenas um turista, não o boer”.

Entretanto, como aparentemente e para início de festa metade das pessoas que se esperavam na África do Sul não apareceram, está em curso a venda de quinhentos mil bilhetes para os jogos de futebol, a metade do preço. A alternativa era vermos os jogos do Mundial em estádios vazios.

Este campeonato mundial de futebol na África do Sul promete.

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