THE DELAGOA BAY REVIEW

27/07/2011

A VERDADEIRA, ÚNICA FÉ

O que é que os portugueses sabem que os outros não sabem? O que é que os portugueses não sabem que os outros sabem?

07/04/2011

NOW MEANS NOW MEANS NOW*

O Portugal do Ali Babá e dos 40 Assessores.

Sabe o exmo Leitor porque é que só foi ontem às 08:40 horas da noite que o ainda primeiro-ministro português José Sócrates finalmente despertou do seu estado de aparente estado de autismo socialista?

Apenas por uma razão.

Porque já não era possível adiar a ilusão por mais um dia.

Mas não foi porque o seu governo continua a gastar muito mais do que recebe de receitas após três Peques.

Nem porque cada dia que passa se descobre que as dívidas escondidas pelos cantos da teia de empresas públicas, privadas e afins é de proporções antediluvianas.

Não.

A razão foi que, após cortado o crédito ao Estado, e em que este encenou um último “leilão” de dívida pública em que os compradores foram os bancos portugueses, estes lhe informaram que estavam a poucos dias da falência.

A maior parte dos bancos, ao contrário do que se possa supor, não vai à falência no sentido normal, ou seja, quando a sua situação de capital líquido é negativo.

A maior parte vai à falência por falta de liquidez. Ou seja, pura e simplesmente deixam de ter dinheiro para pedir emprestado lá fora, para pagar o que pediram emprestado lá fora, para emprestar cá dentro, e nem sequer para poderem dar os seus clientes depositantes o seu (deles, dos depositantes) dinheiro.

Ora como o acesso a dinheiro fácil via o banco central europeu e outras fontes secou a partir do momento em que a espiral da descida dos ratings acelerou, e estes estão endividados lá fora até à ponta da ponta dos cabelos, era uma questão de dias.

Citando uma fonte do governo que logicamente deixou o nome de fora, comunicado em surdina ao jornal Económico, “o factor fundamental que levou a que o Governo solicitasse esta ajuda foram as dificuldades financeiras do sector financeiro, nomeadamente quanto ao risco de falta de liquidez e de levantamento de depósitos, e não tanto por dificuldades de financiamento do Estado”.

Ou seja, mais duas semanas e os clientes dos bancos portugueses nem o seu dinheiro poderiam levantar nos balcões e ATM’s e o governo teria que intervir, nacionalizando praticamente toda a banca portuguesa.

Ora eis algo que haveria de fazer todos os portugueses lembrarem-se com infinito e perpétuo afecto de José Sócrates.

Foi nesse momento que ele percebeu que a brincadeira, finalmente, acabara.

Só uma dica: em Hespanha, o maior cliente e o maior ivestidor em Portugal, a banca está mais ou menos na mesma.

E a crise ainda vai no adro.

Na Irlanda, a braços com uma estrondoso arrebentamento de uma bolha imobiliária (a Hespanha está mais ou menos na mesma situação), depois de uma intervenção de 70 mil milhões de euros, foi revelado ontem, depois de se terem feito umas contas (a que eufemisticamente chama-se stress tests) que os bancos necessitam de uma injecção adicional de 24 mil milhões de euros. A acontecer, basicamente isso significa que toda a banca irlandesa será nacionalizada.

Adicionalmente, há uma pequenina coisa que era o que “realmente” preocupava os bancos portugueses antes do que aconteceu esta semana; a entrada em vigor do que se chama “Basileia 3“, que são critérios mais rígidos e exigentes de capital por parte dos bancos, que essencialmente exigem da parte destes níveis significativamente mais elevados de capital social. O problema deles é que, nesta fase do campeonato, quase ninguém quer entrar com mais capital em bancos, apesar de já se observar uma corrida em alguns bancos italianos e alemães para anteciparem o nível mínimo de capital Tier 1 de 6% em 2015 (ver aqui). No caso dos bancos portugueses, será seguro dizer que se sente algum desconforto.

Definitavemente, por todas as razões, estes são tempos agitados.

*Citação de Hillary Clinton quando há umas semanas incitava o presidente egípcio, Hosni Mubarak, a demitir-se do cargo de presidente. Quer dizer “agora quer dizer agora quer dizer agora”. Na realidade, Hillary disse apenas “Now means now”.

26/11/2010

THE RAIN IN SPAIN FALLS MAINLY IN PORTUGAL

Filed under: Economia Portuguesa, Espanha — ABM @ 3:08 am

O Titanic parte para a sua primeira e última travessia do Atlântico, Abril de 1912

por ABM (25 de Novembro de 2010)

Enquanto as màs notícias abundam, o Economist publicou hoje um texto que recorda que as coisas poderão piorar “mesmo”, se a Espanha caminhar em 2011 para uma situação de estagnação de proporções épicas.

Para quem não reparou, a Espanha é aquele país na ponta do qual Portugal está metido. É só um dos investidores de referência em Portugal, e o país de onde Portugal mais importa e para onde mais exporta.

Isto sem descurar a situação doméstica periclitante.

Se – interrogo-me – o colosso espanhol se afundar, como vai ser em Portugal?

O artigo do Economist na sua plenitude AQUI.

A parte relevante do artigo em baixo, no original em inglês:

If the markets are neither persuaded by the Irish bail-out nor reassured that Dublin will push through its budget, they seem almost as fretful about the Iberian countries. After Greece in May and Ireland this month, Portugal is clearly next in line. This week a general strike was called against budget austerity. Yet the Socialist-led government of José Sócrates has no alternative. Portugal’s banks may be healthier than Ireland’s, but the country is mired in slow growth and a large budget deficit. In the markets’ current mood, a bail-out similar to Ireland’s seems almost inevitable.

The real concern now is not Portugal but Spain. The Spanish economy is much bigger than those of Greece, Ireland and Portugal combined. The government’s financing requirement next year, though comparable as a share of GDP, similarly dwarfs those of Greece, Ireland and Portugal taken together (see chart 2). It is a Spanish mantra, requiring a mere change of name of euro-area countries, to insist that Spain is different. “We’re not Greece!” has become “We’re not Ireland!”, and will shortly become “We’re not Portugal!”

In all three cases the Spanish are correct, though that is not always a comfort. To start with, a bail-out of Spain would be on a different scale. When the €750 billion European Financial Stability Facility was designed in May, few people thought that it would be needed to cope with Spain as well as the other three weak euro-area countries. And there seemed little likelihood that it would have to.

What may help is that Spain has been a lot better behaved than the other three and so seems much less in need of a bail-out. A national debt of only 53% of GDP last year was a full 21 points below the EU average. Spain has neither Ireland’s broken banks nor Greece’s profligate public finances. Its austerity targets are more credible than Portugal’s.

But as a broken Ireland seeks help and a shaky Portugal puts Iberia in the spotlight (not least because Spanish banks are heavily exposed to Portugal), there are understandable fears that Spain will catch the bug next. “Contagion has spread to Greek debt, to Portuguese debt and, to a lesser degree, to our own debt as well as Italy’s and even Belgium’s,” admitted the Bank of Spain’s governor, Miguel Fernández Ordóñez, this week.

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