THE DELAGOA BAY REVIEW

22/09/2011

AS METÁFORAS DO MEDO, POR MIA COUTO

Manifestantes, quase todos brancos, em frente ao Palácio da Rádio em Lourenço Marques, Setembro de 1974, na sequência do anúncio, numa cidade zambiana a três mil quilómetros de distância, de um cessar-fogo em Moçambique e da entrega directa do poder pelo Estado português à Frente de Libertação de Moçambique e uma Independência sob o comunismo dali a menos que dez meses.

Interessante, curta e algo atribulada prelecção do biólogo e escritor Mia Couto, de Moçambique, numa iniciativa cultural que presumo evocativa das Conferências do Casino de 1871, denominada Conferências do Estoril. Em 2011.

O meu corolário ao que é dito:

O medo também inclui o medo de encarar o passado.
O medo também inclui o medo de chamar os nomes às coisas.
O medo inclui também ignorar o medo dos outros.

09/09/2010

REFLEXÕES SOBRE OS EVENTOS DE 1 DE SETEMBRO

Filed under: Desporto, Mia Couto, Sociedade moçambicana — ABM @ 11:19 pm

por ABM (9 de Setembro de 2010)

Estes dias têm sido mais para ler que para comentar. Eis dois testemunhos, um por alguém que conheço, outro não.

Já o economista moçambicano Dr. João Mosca foi mais duro, enquanto o CIP (liderado por Marcelo Mosse) acusou.

Em Portugal, alguma distracção esta noite com a “resolução” do contrato de Carlos Queiroz, curtamente anunciado pelo incomparável Gilberto Madaíl antes da hora do jantar.

03/07/2010

COM 35 ANOS DE USO

Filed under: Mia Couto, Politicamente Correcto — ABM @ 2:43 am

por ABM (Sábado, 3 de Julho de 2010)

No dia em que moçambicanos um pouco por toda a parte celebravam 35 anos de independência, o jornal angolano Zwela Angola noticiou a efeméride com um artigo até interessante e bem escrito, texto que no entanto refere ter ido buscar a uma tal Opera Mundi, que é um portal brasileiro, por sinal até muito interessante. É tão bom, tão bom, que até já tem a sua própria entrevista ao Mia Couto, esta feita por e-mail.

E ainda tem uma recensão ao livro do Mia Venenos de Deus, Remédios do Diabo. Com o título “romance de Mia Couto leva personagem e leitor à loucura, como os ‘tresandarilhos’ “. Um título sugestivo, sem dúvida.

Claro que deu um tiro no pé ao capear um texto sobre as cerimónias de despedida do escritor José Saramago com o título “Portugal recebe com honras militares corpo de Saramago”.

Portugal inteiro recebeu? com honras militares? O José Saramago? em Lisboa? o quê? aqueles tropas a quem mandaram tirar o caixão do avião e meter no carro funerário? só se foi isso. Mas acho que os caras da Opera Mundi se espalharam ligeiramente nesta.

O que me chamou a atenção para esta peça do Zwela Angola, no entanto, não foi o texto mais ou menos laudatório.

Foi a escolha da bandeira acima para ilustrar e capear o artigo alusivo à independência moçambicana em 1975.

Agora…hum…será que os nossos brothers angolanos não poderiam ter assinalado o mais nobre feriado moçambicano com uma bandeira menos rota? o país ainda está em convalescença e ainda não tem petróleo (vai ter em breve, segundo as minhas fontes) mas há por aí bandeiras em bom estado e à mão de semear.

Aliás, agora com três voos por semana entre Luanda e Maputo, surgiu a oportunidade de os angolanos finalmente conhecerem o novo Moçambique. Da última vez que estiveram lá, era 1895 e estavam na primeira e na segunda linha do quadrado de Marracuene. Do que li, então salvaram o pêlo aos portugueses e o Sul de Moçambique dos britânicos.

Hoje heróis todos eles, claro.

Presumo.

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