THE DELAGOA BAY REVIEW

15/10/2009

A Campanha Presidencial Moçambicana

Filed under: Música, Política Moçambique — ABM @ 4:15 pm

http://www.youtube.com/v/pI-PloJWbSk&hl=en&fs=1&

por ABM –

Acima, a música proposta para o comício de encerramento da campanha presidencial em Moçambique. Arranjo de Igoodesman e Joo e orquestra sinfónica, de um grande sucesso de Gloria Gaynor.

Ou, como terá dito Friedrich Nietzsche, sem música a vida seria um erro.

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07/10/2009

Moçambique e o Índice Rotberg

Filed under: Política Moçambique — ABM @ 3:03 am

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(Robert Rotberg medita sobre o bom governo em África)

(por ABM)

Se, quando ontem abordava as classificações de Moçambique feitas pela Fundação Mo Ibrahim, referi a relatividade destes dados, não estava à espera tão depressa do pequeno almoço que a jornalista Celia Dugger enviou de Joanesburgo para o New York Times esta manhã.

Resumindo, derivado de uma recente disputa não de critérios nem de metodologia – note-se – mas do que se pode deduzir serem direitos de autor e os respectivos tiques pessoais do bom professor (por falta de melhor termo), surge assim um – imagine-se – índice de desenvolvimento africano “alternativo” ao do publicado pela Fundação Mo Ibrahim na 2ª feira. Este é liderado pelo professor e cientista Harvardiano Robert Rotberg, que, explica Celia Dugger no seu artigo, criou e desenvolveu a metodologia usada por Mo Ibrahim, só que supostamente ele queria manter-se em controlo do processo e especialmente dos resultados, enquanto que o Sr. Ibrahim defendia, e optou, por entregar o processo e a decisão a grupos “mais perto de África” e não a um americano sedeado na outra margem do rio Charles em Boston.

Daí Rotberg, com Rachel M. Gisselquist e soberbamente apoiado pela Kennedy School of Government da Universidade de Harvard (onde lecciona) e a World Peace Foundation, à qual, para variar, preside, publicou, em 295 exuberantes páginas no mais claro inglês, que o exmo leitor pode obter cópia em pêdêéfe (o Acordo Ortográfico ainda não resolveu esta) premindo aqui, o seu índice, intitulado Strenghtening African Governance.

Para poupar tempo pois o tempo de um Leitor Maschambiano deve sempre valer por dois, corro já para o que interessa: no cômputo geral, onde está Moçambique situado?

Bem, o relatório do índice de Rotberg entra em maior detalhe do que o de Mo Ibrahim. O leitor pode ver isso tudo. Mas na classificação geral (página 20) há boas e más notícias.

As más notícias são que, enquanto que em Mo Moçambique está em 26º lugar, em Rotberg está em 31º. Ora isso é mau.

As boas notícias são que, se, desde há três anos, em Mo Moçambique caíu seis lugares (de 20º para 26º lugar), em Rotberg caiu apenas um lugar, de 30º para 31º.

Ou seja, neste caso há uma caída menor no período – que incide principalmente sobre o mandato da actual administração – mas começa-se de uma base muito pior (10 lugares de classificação de diferença) do que no caso dos índices da Fundação Mo Ibrahim.

Em relação a Angola o cenário é muito diferente: em três anos cai de 44º para 46º lugar. Cabo Verde mantém-se em 3º lugar, São Tomé e Príncipe em 10º lugar e a Guiné passou de 42º para um quase surpreendente 36º lugar.

O exmo Leitor decida qual o índice que mais lhe agrada…

06/10/2009

Moçambique e o Índice Mo Ibrahim

Filed under: Política Moçambique — ABM @ 1:02 am

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(Mo é o senhor da esquerda)

(por ABM)

O mundo tem destas coisas maravilhosas. Um pouco como o norte-americano Greg Carr, cuja iniciativa na Gorongosa nunca deixarei de admirar e agradecer, o Doutor Mohamed Ibrahim, britânico originário do Sudão, rico que baste mercê das suas inciativas empresariais na área das telecomunicações (segundo a lista da Revista Forbes de 2008 tem uma riqueza líquida de 2500 milhões de dólares) e querendo ajudar os seus irmãos africanos a focarem-se em tópicos que habitualmente são quase malditos em África, estabeleceu em 2006 a Mo Ibrahim Foundation, que, para além do mais, tem três iniciativas interessantes: dá bolsas de estudo a estudantes africanos que queiram fazer algo mais com as suas vidas e carreiras académicas, atribui um prémio mais ou menos anual de 5 milhões de dólares americanos para o líder africano que se distingue pela positiva, e criou um índice anual que pretende medir o desempenho da maior parte dos países africanos com base em critérios específicos: a. segurança e lei e ordem; participação e direitos humanos; algo a que chamam “oportunidade económica sustentável”; e desenvolvimento humano. Destes critérios e da complexa metodologia seguida e aplicada por um distinto conjunto de individualidades e instituições de renome, resulta anualmente um índice, o qual, como acontece anualmente, foi ontem – dia 4 de Outubro – apresentado ao mundo com a devida pompa e circunstância na Cidade do Cabo.

O exmo Leitor pode, no conforto da sua casa e computador, analisar os resultados deste ano, pois o sítio da Fundação permite ver tudo, comparar países (eu aproveitei para comparar os cinco países onde se fala português, para variar) e explica tudo muito bem – para quem lê inglês, of course.

Há um ano, Graça Machel passou a integrar o seu Prize Committee.

Alguns seguidores das coisas moçambicanas porventura se recordarão desta Fundação, pois em 26 de Novembro de 2007 Joaquim Chissano recebeu em Alexandria o prémio de 5 milhões de dólares, o que era atribuível a chefes de Estado. Foi um considerável selo de aprovação internacional ao currículo do segundo presidente moçambicano.

Menos se recordarão que, nesse ano, Moçambique classificou-se em vigésimo lugar no Índice Mo Ibrahim.

Os dados ontem anunciados indicam que Moçambique classificou-se em vigésimo sexto lugar. Ou seja, em três anos Moçambique caiu seis lugares quando comparado com os seus vizinhos africanos.

Não sendo escravo de estatísticas e sabendo ainda que, estatisticamente, quando se tem um pé em água gelada e o outro em água a ferver, em média está-se confortável, a mera sugestão de que algo pode estar a resvalar na República à beira do Índico e ainda por cima a duas semanas de importantes eleições, vinda de onde vem, pode constituir, nalguns círculos muito muito muito restritos, causa para alguma preocupação. Pois nestas coisas e a acreditar no que se vai publicando, a seta deveria estar a apontar para cima, não para baixo. Talvez um pouco injusto para o sucessor de Chissano, mas por outro lado ele é eleito pelo voto dos eleitores moçambicanos, cujos critérios de selecção porventura não coincidirão com a elegante metodologia dos distintos comités da Fundação Mo.

Na classificação, em que comparado com os países onde se fala português em África Moçambique fica no meio, Cabo Verde ficou em 2º lugar, São Tomé e Príncipe em 10º, a Guiné em 40º e Angola em 42º lugar. Sendo que Angola subiu bastante desde que entrou no índice.

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