THE DELAGOA BAY REVIEW

01/11/2011

A AMÉRICA QUE EU JÁ NÃO RECONHEÇO

Quadro copiado com vénia do Economist, indicando a divisão da riqueza acumulada por fatia da população.

Depois de ter ido literalmente como refugiado para os Estados Unidos em 1977, após o desastre da Descolonização portuguesa, li vivi durante quase quinze anos.

No geral, foi muito bom para mim e para a minha família.

Mas as minhas aspirações eram outras.

Em 1990 iniciei uma espécie de regresso a África, que ainda levou dez anos, com alguns interregnos por Portugal. O regresso não foi regresso e, à sua maneira, a elite portuguesa criou o seu próprio descalabro nos últimos quinze anos.

No entretanto, nos EUA, houve Clinton e Bush e agora Obama. Houve o ataque terrorista em Setembro de 2001, as guerras no Médio Oriente, a maluqueira fiscal quase total e a quase falência do Estado norte-americano, precedida do escândalo total da Enron, o fim da Arthur Andersen & Co., o desfalecimento quase imediato dos mercados financeiros norte-americano e mundial, iniciado com a chamada crise do sub-prime e a falência, numa sexta-feira, do banco Lehman Brothers.

Ainda não se sabe onde isto tudo vai parar. O mundo – o nosso mundo – permanece à beira do abismo.

Agora, aproxima-se a eleição presidenciall de 2012.

É mais do que claro que Barack Obama rigorosamente nada teve que ver com as tragédias que herdou, e as quais não têm soluções fáceis e muito menos paleativos.

Mas ao que eu tenho assistido, do outro lado do Atlântico, é às polémicas mais surreais, especialmente vindas do lado da direita norte-americana. Que, lamentavelmente, em boa parte porque me considero um conservador, traduzem um delírio perigoso da parte de pessoas que parece que ainda não entenderam bem o buraco profundo em que a América, e o mundo, estão metidos.

A tentação fácil é considerar que a substituição do actual presidente ajudaria a resolver os problemas.

Eu acho que o começo da resolução dos problemas que agora afogam uma boa parte do mundo ocidental pouco tem que ver com a eleição presidencial norte-americana.

Pelo contrário.

Eu já não reconheço esta América.

E começo a pensar que já não reconheço este mundo.

(No dia 8 de Outubro, a organização Democratas no Estrangeiro -“Democrats Abroad”- organizou um evento intitulado “Vozes por Obama” na Galeria Nikki Diana Marquandt em Paris.  No evento, um dos que falou foi o autor norte-americano Jake Lamar. Em baixo, um excerto do que ele disse, gravado no Atelier La Main d’Or. Este, pelo menos, diz que não está desiludido).

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12/09/2011

11 DE SETEMBRO DE 2011: UMA EVOCAÇÃO

Recordando as cerca de três mil pessoas inocentes. maioritariamente norte-americanos, assassinadas brutalmente há dez anos por um punhado de pessoas que achavam ser esta uma forma aceitável de expressarem os seus ódios.

Remembering the approximately three thousand innocent people, mostly Americans, who were brutally murdered ten years ago, by a bunch of individuals who thought this was an acceptable way of expressing their hatreds.

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